Economia brasileira começa 2012 com crescimento de 0,2%

O Produto Interno Bruto (PIB), que é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país, cresceu 0,2% no primeiro trimestre deste ano, em relação ao trimestre anterior, totalizando R$ 1,03 trilhão. O dado foi divulgado ontem (01/06/12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A taxa de crescimento é a mesma do trimestre anterior (0,2%). Entre os setores da economia, a maior expansão foi observada na indústria (1,7%). O setor de serviços cresceu 0,6%. Já a agropecuária teve uma queda de 7,3% no primeiro trimestre deste ano.

Sob a ótica da demanda, foram observadas altas no consumo do governo (1,5%) e no das famílias (1,0%). Já a formação bruta de capital fixo teve redução de 1,8% no período. As exportações aumentaram 0,2% e as importações, 1,1%. Na comparação com o primeiro trimestre de 2011, houve uma expansão de 0,8%. No acumulado de 12 meses, o PIB brasileiro cresceu 1,9%.

Mantega culpa desempenho do agronegócio pelo PIB fraco

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, defendeu ontem (01/06/12), na capital paulista, que o crescimento de 0,2% do Produto Interno Bruto (PIB) do país no primeiro trimestre do ano – igual ao último trimestre do ano passado – só não foi maior devido ao fraco desempenho da agropecuária, que caiu 7,3%.

Concorreu para isso, de acordo com o ministro, a perda de safra em diversas culturas importantes. "Isso aconteceu por conta da quebra da safra de soja, arroz e fumo. Tudo isso ligado a fatores sazonais", disse.

Mantega ressaltou o crescimento da indústria de 1,7% com relação ao último trimestre do ano passado. "Principalmente a indústria de transformação, que cresceu 1,9%, e eu considero isso uma boa notícia, depois de três trimestres negativos. A extrativa mineral não tanto, porque houve problema com o minério de ferro".

Para Mantega, os resultados da indústria significam que as medidas tomadas pelo governo têm surtido o efeito esperado e farão o setor alcançar melhores resultados em 2012.

O ministro elogiou ainda o setor de serviços, que registrou elevação de 0,6% no trimestre. Na avaliação do ministro, a elevação não foi maior porque a intermediação financeira, item que compõe o setor, teve crescimento negativo.

"Intermediação financeira significa lucro dos bancos e financiamentos, que ainda estão precários no país. Nós ainda não conseguimos ter aumento do crédito e redução da taxa de juros suficientes para estimular a economia".

Mantega ressaltou ainda o crescimento do consumo das famílias. Segundo ele, o valor de 1% no trimestre é compatível com o crescimento maior do PIB que está sendo observado.

O ministro disse que o consumo das famílias, em conjunto com o consumo da administração pública, que teve alta de 1,5% no trimestre, está estimulando o crescimento maior da economia. "Mantido esse ritmo, deverão propiciar um PIB maior".

Guido Mantega prevê crescimento do PIB acima de 4% no segundo semestre

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, acredita que as medidas de estímulo à economia vão surtir efeito a partir do segundo semestre. Apesar do fraco desempenho do Produto Interno Bruto no primeiro trimestre do ano, com crescimento de apenas 0,2%, Mantega disse, em São paulo, que a economia brasileira vai fechar o segundo semestre de 2012 com taxa de crescimento entre 4% e 4,5%. "No segundo semestre poderemos atingir esse nível de crescimento que não conseguimos atingir no primeiro semestre", disse o ministro.

Mantega disse que virão mais estímulos para o investimento, que também deve ser recuperar a partir da segunda metade do ano. "Reduzimos muito as taxas de financiamento para o investimento. O investimento do setor público, principalmente do governo central, está aumentando. No primeiro quadrimestre cresceu 28,9% em relação ao primeiro quadrimestre do ano passado".

O ministro ressaltou que, na visão dele, o governo não adotou medidas protecionistas, e sim, de defesa da indústria nacional, principalmente da automobilística. Para ele, os países exportadores é que estão adotando medidas protecionistas disfarçadas de estímulo para os próprios produtos, como a manipulação cambial. "Nós estávamos com o câmbio valorizado, o que prejudicava nossa produção e nossas exportações. Agora, já estamos com câmbio melhor. Os outros não consideram isso protecionismo. O que fizemos com relação ao setor automobilístico foi nos defender de subsídios disfarçados nos produtos exportados para o Brasil".

Mantega destacou que a preocupação principal do governo não é com a taxa básica de juros (Selic), mas com os juros do mercado, dos bancos públicos e privados. Segundo ele, o principal fomento à economia é a redução dessas taxas com aumento do volume de crédito. "Os bancos se comprometeram a ter uma atitude menos restritiva."

Tombini avalia que PIB aponta para recuperação gradual da economia

O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre deste ano confirma que a recuperação da atividade econômica tem sido bastante gradual, avalia o presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini.

De acordo com nota divulgada no início da tarde de ontem, "a demanda doméstica continuou sendo o principal suporte da economia, com o consumo das famílias sendo estimulado pela expansão moderada do crédito, pela geração de empregos e de renda".

O BC entende ainda que os sólidos fundamentos e um mercado interno robusto constituem um diferencial da economia brasileira. "Dessa forma, mesmo diante do complexo ambiente internacional, as perspectivas apontam intensificação do ritmo de atividade ao longo deste ano", diz na nota.

O PIB, que é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país, cresceu 0,2% no primeiro trimestre deste ano, em relação ao trimestre anterior, totalizando R$ 1,03 trilhão.

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Fonte: Agência Brasil
Vitor Abdala, Flávia Albuquerque, Daniel Lima e Kelly Oliveira – Repórteres
Juliana Andrade, Vinicius Doria e Davi Oliveira – Edição