iLPF traz vantagens na hora da recuperação de pastagens

A recuperação de pastagens degradadas alcança resultados melhores por meio do uso de sistemas de integração Lavoura-Pecuária-Floresta (iLPF) do que de sistemas monoespecíficos. Por se tratar de um sistema mais complexo, que inclui os componentes florestal e agrícola, o iLPF também necessita de mais cuidados, como a melhor gestão da propriedade.

O pesquisador da Embrapa Gado de Corte (Campo Grande/MS), Roberto Giolo de Almeida, destaca que esse sistema torna o uso da terra mais eficiente e, em um mesmo lugar da propriedade, é possível a diversificação de produtos. "Considerando a integração da lavoura, da pecuária e da floresta, vale ressaltar que nunca haverá os três componentes ao mesmo tempo na área. Teremos em rotação, mas sempre dois deles estarão presentes", explica.

Para a recuperação de pastagens, normalmente inicia-se com a lavoura, visando à recuperação do solo e, concomitantemente, faz-se o plantio de árvores mantendo, assim, os componentes florestal e agrícola. Após a colheita resultante da lavoura, é a vez do pasto, enquanto as árvores são mantidas.

"Com a venda do produto da lavoura, o produtor pode pagar parte – ou totalmente – do investimento do pasto que vem a seguir. Esse pagamento pode ocorrer em um período de seis meses. Se fosse somente a pastagem recuperada diretamente, o período para o retorno do investimento na recuperação seria bem maior", diz o pesquisador.

Ele explica, ainda, que quanto mais componentes tiver o sistema, mais complexo ele é, sendo então necessário um profissional da área técnica para acompanhar desde a fase de implantação até o desenvolvimento do mesmo. "Isso é um dos pontos que pode limitar a adoção, mas os benefícios são inúmeros apesar de as características da iLPF exigirem um pouco mais do produtor", acrescenta.

Para colocar o sistema em prática é preciso fazer um levantamento prévio da área que deve ser recuperada e planejar o que será produzido nela, ou seja, fazer um estudo de mercado. Apesar de os custos iniciais serem maiores, no contexto da renovação de pastagens, a possibilidade de recuperação desse investimento é bem mais vantajosa quando comparada a sistemas monoespecíficos.

Componente florestal

A escolha da espécie de árvore deve considerar o tempo de crescimento da planta. Giolo explica que as espécies de eucalipto são as mais favoráveis para iLPF por terem uma taxa de crescimento mais rápida que outras. Depois do período de lavoura, que leva uns seis meses, o pasto deve ficar cerca de outros seis meses sem ser utilizado enquanto as árvores (eucaliptos, neste caso) alcançam um tamanho que suporte os animais no pastejo. As árvores podem ser plantadas no período das chuvas, logo depois da implantação da lavoura – necessitando de menos irrigação – ou no início da seca, antes da lavoura, o que vai exigir a irrigação desde o início.

No experimento conduzido na Embrapa Gado de Corte, é feita a introdução de lavoura a cada quatro anos, em esquema de rotação, sendo lavoura por um ano e pasto por três anos. O pesquisador lembra que a presença de árvores propicia ao pasto recuperado uma produção bem maior que a pastagem em monocultivo, mas vale lembrar que quanto mais a árvore cresce, mais o pasto vai sendo sombreado e, obviamente, a sombra diminui a produtividade do vegetal que está abaixo dela. Entretanto, o valor nutritivo da forrageira na sombra é melhor.

"O produtor tem que estar consciente que quanto mais sombra, menor a produção do pasto. Para isso existe a estratégia de arranjo das linhas das árvores. Trabalhamos com maior espaçamento, no mínimo 20 metros entre fileiras de árvores, e assim temos um espaço razoável para que o sombreamento não interfira tanto na produção", explica.

O número razoável de árvores para esse tipo de sistema é de 250 a 350 por hectare. Para tanto, o espaçamento deve ser de 20 a 22 metros, em linhas simples. A desrama também é usada para a retirada de galhos, o que melhora a iluminação para o pasto, além da qualidade da árvore. Além da desrama pode ser feito o desbaste – corte de árvore – a partir dos quatro anos, porém quanto mais nova a planta, menor o valor de mercado dela.

Segundo Giolo, o momento ideal de corte para o eucalipto é em torno de seis a nove anos (dependendo do manejo), quando a planta atinge a maior taxa de crescimento. "Com esse porte, a madeira pode ser destinada para produção de celulose ou postes. Acima dos dez anos, a madeira pode ser vendida para serrarias com valor bem maior. Quanto mais tempo a árvore crescer, maior será o valor da madeira no mercado. Isso mostra a flexibilidade do sistema em relação ao pasto sozinho", finaliza o pesquisador.

Fonte: Embrapa Gado de Corte
Kadijah Suleiman – Jornalista
Telefone: (67) 3368-2203
E-mail: gado-de-corte.imprensa@embrapa.br