A pesquisa antes da pesquisa

Se você quer entender o trabalho de um centro de pesquisa, esqueça a imagem do Professor Pardal. A cena de um cientista tendo uma grande ideia e correndo para o laboratório está longe de retratar a dinâmica do início de um projeto. É necessária uma "pesquisa antes da pesquisa". Explicando melhor, cientistas e uma equipe de apoio buscam informações para descobrir em que temas e tecnologias vale a pena investir, muito antes de começar os experimentos.

Na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), um dos principais centros de desenvolvimento tecnológico do País, esse trabalho é responsabilidade principalmente pelos profissionais de transferência de tecnologia. À primeira vista, pode parecer estranho a equipe dessa área atuar quando a pesquisa ainda nem começou. Mas é fundamental. "Se não fazemos esse trabalho prévio, junto com os pesquisadores, corremos o risco de gerar produtos que não interessam à sociedade ou que já são protegidos por patentes, por exemplo", ressalta a chefe de Transferência de Tecnologia da Embrapa Agroenergia, Marcia Onoyama.

Que produtos faltam para atender às necessidades de bem-estar da população e ao mercado? Quais novas tecnologias podem tornar os processos produtivos mais rápidos, baratos ou sustentáveis? Que estratégias de desenvolvimento tecnológico têm mais chances de gerar resultados? Quais pessoas e instituições poderiam ser parceiras nas pesquisas? A tecnologia a ser desenvolvida constitui mesmo inovação ou outras organizações já detêm propriedade intelectual sobre ela?

Essas são as principais perguntas que precisam ser respondidas antes de se tirar o primeiro becker do armário. Para tanto, uma das estratégias utilizadas é a busca de informações em bases de dados, especialmente internacionais. O problema é extrair desses bancos as respostas que se procura.

Na Embrapa Agroenergia, a equipe está sendo capacitada a utilizar ferramentas que facilitem e tornem mais ágil esse trabalho. Neste mês, empregados desta e de outras unidades da Empresa passaram três dias em curso para aprender a trabalhar melhor com uma dessas ferramentas — o software Vantage Point.

Na opinião do instrutor do curso, o professor da Universidade Politécnica de Valência (Espanha) Fernando Palop Marro, "para uma instituição de pesquisa, a gestão do conhecimento é elemento estratégico para tomada de decisão". Ele explica que a ferramenta objeto do curso que ministra combina informática, estatística e linguística para extrair das bases de dados o que o usuário precisa.

A busca de informações sobre proteção de tecnologia é uma das atividades facilitadas pelo uso de ferramentas de processamento de dados. A analista da Embrapa Agroenergia Melissa Braga diz que elas "facilitam a compreensão e navegação em bases de dados extensas, o que permite responder perguntas do tipo quem, o quê, quando e onde".

Além da Embrapa Agroenergia, equipes da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, da Embrapa Informação Tecnológica, da Secretaria de Gestão e Desenvolvimento Institucional (SGI) e da Secretária de Negócios (SNE) participaram do curso.

Fonte: Embrapa Agroenergia
Vivian Chies – Jornalista
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