Imprensa europeia afirma que eleição é "disputa entre dois Brasis"

Jornais do continente destacam que a campanha presidencial brasileira é uma das mais acirradas dos últimos tempos e confronta o norte "negro e pobre" do país contra o sul "rico e industrializado".

Em reportagem intitulada "Com as últimas forças contra o filhinho de papai", se referindo à expressão usada pelo ex-presidente Lula em relação a Aécio Neves, o jornal Süddeutsche Zeitung afirma que o segundo turno da campanha presidencial brasileira é uma disputa acirrada "que racha uma nação" entre "mulher contra homem, nordeste pobre contra sudeste rico, algo parecido com esquerda contra algo parecido com direita, vermelho contra azul".

O jornal berlinense Tagesspiegel também faz avaliação similar. "Pretos contra brancos, sul contra o norte. O candidato dos ricos contra a presidente dos pobres", escreve o periódico. "A campanha é a mais emocionante e mais venenosa dos últimos 12 anos. Se fala de uma guerra entre dois Brasis: entre o sul branco e industrializado e o norte, mais pobre e rural", acrescenta.

A versão online do espanhol El País destaca que "o Brasil escolhe entre dois modelos de país", afirmando que duas personalidades opostas disputam a presidência, duas "visões de uma sociedade que se polarizou durante a campanha". O jornal aponta que, de um lado, estão "os pobres", eleitores de Dilma e, de outro, "aqueles de maior poder aquisitivo, que esperam mais do governo" e que votariam, conforme o texto, em Aécio.

"Campanha revelou país fragmentado"

O jornal português Público avalia que "a campanha presidencial brasileira revelou um país fragmentado, pessimista e indeciso sobre a melhor maneira de prolongar as conquistas do passado". Segundo a publicação, a classe média deverá decidir a disputa. Entretanto, destaca que o resultado final dessa campanha "tensa e agressiva" é difícil de ser antecipado. "A escolha é entre a manutenção do status quo ou o risco da mudança — e o desfecho é imprevisível."

O britânico The Guardian avalia que Dilma é favorita no pleito, mas que tudo pode acontecer depois de uma campanha cheia de reviravoltas e que é "uma das mais acirradas e mais imprevisíveis da memória recente". O texto prossegue afirmando que "qualquer coisa que não seja uma vitória de Rousseff seria uma surpresa, mas tem havido muitas delas em uma corrida dramática, que tem visto viradas erráticas nas intenções de voto e divergências entre previsões de resultados da votação". A publicação diz, entretanto, que "quem ganhar vai ter que fazer concessões para garantir alianças num Congresso turbulento".

Fonte: Deutsche Welle
Autoria: Marcio Damasceno