Rápidos e gratuitos: os cursos MOOCs vão substituir os MBAs?

Quando Luis Ochoa tentou dar um salto na sua carreira, deixando de ser analista de investimentos para virar estrategista corporativo, ele resolveu não fazer o óbvio neste mercado, que é obter um Master of Business Administration, ou MBA.

Em vez disso, ele fez alguns cursos gratuitos de estratégia e contabilidade financeira no site Coursera, um dos maiores provedores de Massive Open Online Courses (cursos online abertos em massa, ou "MOOCs" na sigla em inglês).

"Eu ganhei uma base com esses cursos que me ajudou na transição para virar estrategista corporativo", diz o nova-iorquino de 29 anos. "Agora não pretendo fazer um MBA porque já estou onde queria chegar."

Como ele, um número cada vez maior de pessoas está buscando MOOCs como forma de se promover na carreira – sem necessidade de investir o mesmo tempo e dinheiro exigido por um título universitário tradicional.

O desafio para quem opta por essa modalidade é convencer seus empregadores e o mercado de trabalho sobre o valor destes cursos online.

"Nós ainda recebemos perguntas de várias empresas sobre o quão bons são os MOOCs, mas estamos percebendo que cada vez mais as empresas estão considerando esta modalidade para habilitar seus funcionários", diz Sebastian Thrun, da Udacity, da Califórnia, que oferece esse tipo de curso.

Um estudo da consultoria Bainbridge Strategy Consulting com diferentes profissionais mostrou que apenas um terço dos entrevistados sabia o que era um MOOC. Outro estudo feito pela empresa de pesquisa em educação CarringtonCrisp mostrou que metade dos diretores e executivos consultados não sabe bem o que um MOOC tem a oferecer.

"Existe um abismo de gerações entre aqueles que recrutam e as pessoas mais jovens que fazem cursos online", diz Andrew Crisp, da CarringtonCrisp.

"As pessoas mais velhas em empresas receberam seus títulos há dez anos, ou mais, e têm pouca compreensão das mudanças que estão acontecendo na educação superior."

Alcance global

Os atrativos dos MOOCs são óbvios: são gratuitos e estão disponíveis a qualquer um no mundo que tenha um computador e conexão à internet.

Algumas das universidades mais conceituadas do mundo estão criando seus MOOCs: Stanford, Princeton, University of London, Melbourne, Bocconi e Shanghai Jiao Tong.

Os cursos online trazem vídeos de aulas e foros de discussão que permitem interação entre aluno e professor. Alguns dão certificados, mediante o pagamento de uma pequena taxa. Outras estão juntando vários cursos relacionados e formando um "minitítulo", com preços acessíveis.

Os empregadores que já ouviram falar dos MOOCs costumam receber bem a ideia. Segundo o estudo da Bainbridge, mais de metade dos consultados já começou a perceber cursos desse tipo nos currículos que recebem. Para 60%, os MOOCs são certificados válidos de capacidade ou conhecimento.

Mesmo programas tradicionais de ensino superior já usam plataformas MOOCs para ensinar aos seus alunos.

Mas neste caso, não se trata propriamente de um MOOC, já que o programa não é "de massa". Nessa modalidade, os alunos precisam comprovar algum tipo de conhecimento prévio. Além disso, os cursos são pagos.

Um exemplo é a Georgia Tech, que está oferecendo um mestrado em Ciência da Computação usando a plataforma do Udacity para cursos online. A universidade já recebeu mais de mil alunos nesta modalidade.

"Uma das medidas do sucesso é a aceitação por empregadores, mas estamos confiantes que o curso terá um grande apelo por ser quase idêntico ao que oferecemos no campus", diz o reitor da faculdade, Zvi Galil.

Essa versão com a plataforma MOOC custa US$ 7 mil por ano – uma barganha se comparada à aula tradicional, que custa US$ 45 mil por ano.

Algumas empresas de tecnologia estão financiando e desenvolvendo cursos MOOC. A AT e T doou US$ 2 milhões à Georgia Tech para criar cursos para criação de aplicativos móveis ou de internet, com ajuda da Udacity.

"Precisamos de mais indivíduos versados em ciência de dados, engenharia e desenvolvimento de softwares, e esses cursos online podem dar origem a um pool de talentos melhor do que o obtido no campus", diz Scott Smith, vice-presidente da AT e T. A empresa quer contratar alunos formados por esta parceria com a Georgia Tech.

Aceitação

A grande tarefa dos entusiastas destes cursos online gratuitos é convencer o mercado de trabalho do seu valor.

Um dos obstáculos é o baixo índice de pessoas que completam os cursos: apenas 5% de quem começou a fazê-los.

Uma forma de melhorar esse índice é cobrar um valor – nem que seja razoavelmente pequeno. A Udacity oferece, a quem paga US$ 150 por mês, uma série de serviços, como mentores pessoais e acesso a telefones onde os alunos recebem ajuda. Com isso, o índice de finalização subiu para 60%. A Coursera tem uma parceria com o LinkedIn que permite que seus cursos ganhem destaque nos seus currículos online.

Há também parcerias com empresas poderosas. Em um MOOC de programação para plataforma Android, o aluno que criar o melhor app terá seu produto vendido com destaque na loja online Google Play.

Ainda não há provas empíricas de que os MOOCs poderão melhorar as chances de alguém com poucos recursos de conseguir um bom emprego. Um estudo feito pela Universidade de Michigan com alunos pobres que fizeram cursos MOOCs mostrou que eles não conseguiram empregos melhores devido aos cursos.

Mas Tawanna Dillahunt, da Universidade de Michigan, diz que os cursos funcionaram para que esses alunos tenham contato com outros assuntos que eles não conheciam antes, e que isso poderá abrir portas no futuro.

Leia a versão original desta reportagem em inglês no site BBC Capital.

Fonte: BBC Brasil
Ronald Alsop
Da BBC Capital