Cultivo de árvores no Cerrado é tema de publicação

O WWF-Brasil, por meio do Programa Cerrado Pantanal, a Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (Brasília/DF), o Instituto Sociedade População e Natureza (ISPN) e dezenas de agricultores do Cerrado lançam no dia 13 de novembro de 2014, a publicação "Agricultores que cultivam árvores no Cerrado". O evento acontece às 16 horas, no Centro de Referência em Conservação da Natureza e Recuperação de Áreas Degradadas (CRAD) da Universidade de Brasília (UnB). Clique aqui para baixar o livro (arquivo PDF – 10,14 Mb).

O livro tem como proposta registrar e compartilhar técnicas e práticas de cultivo de árvores no bioma Cerrado desenvolvidas ou aprimoradas por agricultores. A publicação busca estimular a conservação e a restauração dos recursos naturais relatando as histórias, motivações e ciências dos agricultores no uso de técnicas adaptadas às condições locais, no reconhecimento de seus saberes e de sua capacidade de inovar.

A publicação, em formato de brochura, contém 163 páginas e está dividida em 14 capítulos. Conta com fotografias que ilustram as histórias e o processo de construção do livro. O material já está disponível para download.

Segundo o analista de conservação do WWF-Brasil, Vinicius Pereira, o projeto teve início em 2010 com o nome "Agricultores que plantam árvores no Cerrado", mas com o passar do tempo foi alterado para "Agricultores que cultivam árvores no Cerrado", oferecendo uma visão mais ampla, que envolve não somente o plantio, mas também o manejo e demais práticas associadas.

Processo de construção

"Em 2011, foi realizado o seminário "Agricultores que plantam árvores no Cerrado" que contou com a participação de 30 agricultores, representando os estados de Minas Gerais, Mato Grosso, Maranhão, Tocantins, Goiás, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal. Para o livro foram selecionadas 12 experiências destas e acrescidas mais duas de agricultores que não puderam participar. Ao todo são 14 relatos, sendo seis de Mato Grosso; cinco do Maranhão; duas do Tocantins e um de Minas Gerais", explicou Vinicius Pereira.

O WWF-Brasil contribuiu no processo de sistematização destas 14 experiências. Além disso, tem cooperado com a divulgação e disseminação das experiências apresentadas no livro.

Na publicação, o agricultor é sujeito ativo e principal que com apoio de uma rede de instituições parceiras, consegue colocar a sua capacidade de inovar e seus saberes em ação. É uma lógica inversa ao modelo convencional, onde o agricultor é um sujeito passivo e coadjuvante que "recebe" técnicas e conhecimento de alguém. "Durante o Seminário realizado em 2011, os agricultores receberam certificados como agricultores-pesquisadores valorizando os seus saberes e suas práticas", ressaltou o analista de conservação do WWF-Brasil.

Cultivadores do Cerrado

Uma história que não entrou no livro e demonstra a relação dos agricultores com o bioma Cerrado é a de João Botelho Moura, morador do projeto de Assentamento Manah em Canabrava do Norte, na região do Araguaia mato-grossense e mais conhecido por "João Bode".

O senhor de mais de 70 anos foi visto com um estilingue nas mãos. A primeira impressão de quem não o conhece é que seu João, um plantador e cuidador de árvores, seria um exterminador de pássaros.

Questionado porque estava com o instrumento, ele deu um sorriso maroto seguido de uma grande gargalhada, e explicou que o estilingue era para facilitar a vida. "Antes eu ia ao brejo, plantar os buritis e ficava lá enterrando as sementes com minha bota e sujando ela. Agora eu planto é daqui. Pego as sementes de buriti e começo a atirá-las rumo à beira do rio. Não é que nasce um monte!", contou com mais uma grande gargalhada o senhor João.

Fonte: WWF Brasil
WWF-Brasil