Indústria é mais concentrada que agropecuária no Brasil, divulga IBGE

Oito estados brasileiros concentram 70% da produção agropecuária, enquanto a indústria tem a mesma fatia em apenas seis, divulgou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na pesquisa Contas Regionais do Brasil – 2012. Minas Gerais é o estado brasileiro com maior participação no valor adicionado ao Produto Interno Bruto pela agropecuária, com 15,2%, contra 11% de São Paulo, segundo colocado. Em 2002, os dois estados ocupavam posições diferentes: São Paulo respondia por 13,5%, e Minas, por 13,3%.

Na terceira colocação em 2012, Mato Grosso elevou sua participação de 6,6% em 2002 para 10,4%. Com esse aumento, ultrapassou Rio Grande do Sul (10,1%), Paraná (10,1%) e Goiás (7,2%). A participação gaúcha no PIB do setor caiu 0,8 ponto percentual; a goiana, 0,2 ponto. Já o Paraná teve crescimento de 0,3 ponto percentual.

Bahia e Maranhão completam a lista dos oito estados que concentram 73,4% da agropecuária, com participações de 5,4% e 4,9%. O Rio de Janeiro é o único dos estados mais ricos a ter uma participação pequena na agropecuária, com 0,9% do valor adicionado pelo setor ao PIB, a 18ª contribuição em ordem decrescente. O estado mais bem colocado da região Norte é o Pará, que está em 11º, com 3%.

Os seis estados que concentram a indústria são os mesmos seis que detêm maior participação no PIB, e figuram na lista na mesma colocação. A maior participação é de São Paulo, de 29,8% do valor adicionado pela indústria ao PIB, seguido pelo Rio de Janeiro, com 14,3%; e por Minas Gerais, com 10,7%. Os três estados da Região Sul vêm em seguida: Rio Grande do Sul (6,2%), Paraná (5,5%) e Santa Catarina (5,2%).

São Paulo perdeu 7,9 pontos percentuais de participação no setor em relação a 2002, e o Rio de Janeiro ganhou 3,9 pontos. Minas Gerais também teve aumento, de 1,5 ponto, assim como Santa Catarina, de 0,5 ponto. Já Rio Grande do Sul e Paraná perderam espaço, com -1,3 ponto e -1 ponto.

Bahia foi o estado nordestino mais bem colocado, em sétimo, com participação de 3,8%, após uma redução de 0,6 ponto percentual em relação a 2002. O primeiro da Região Centro-Oeste na lista é Goiás (2,9%), em 10º, enquanto o mais bem posicionado do Norte é o Pará (3,2%), em nono.

A indústria de transformação é ainda mais concentrada que a indústria geral, com 72,7% da produção em cinco estados: São Paulo (40,8%), Minas Gerais (9,9%), Rio Grande do Sul (8,6%), Santa Catarina (6,7%) e Paraná (6,7%). No setor da indústria, o Rio de Janeiro cai para a sexta posição, com 6,3%, já que grande parte da sua produção industrial vem da extração de petróleo.

Na outra ponta, os 16 estados com menor participação na indústria de transformação concentram apenas 8,6% do valor adicionado ao PIB por esse setor.

Estados mais pobres aumentam participação no PIB em dez anos

Os 22 estados com menor participação na produção de bens e riquezas do país tiveram crescimento global de 3,1 pontos percentuais entre 2002 e 2012, atingindo 35,1% do Produto Interno Bruto (PIB).

São Paulo, que responde por 32,1% da economia, perdeu 2,5 pontos percentuais na participação do PIB. Os restantes 32,8%, que correspondem ao PIB somado do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraná, reduziram sua participação relativa na economia em 0,5 ponto percentual.

Dez anos antes, os 22 estados mais pobres respondiam pela menor fatia, de 32%, contra 33,4% do grupo intermediário e 34,6% de São Paulo. O PIB paulista foi superado pelo grupo em 2008, quando sua participação era 33,1%, e a dos 22 somados, 33,8%. Segundo o gerente da Coordenação de Contas Nacionais, Frederico Cunha, pesa para a inversão o fato de a indústria ter tido em 2012 o menor peso relativo na economia da série histórica, caindo de 27,1% em 2002 para 26% em 2012.

"São Paulo concentra 40% da indústria, e ainda perde um ponto percentual na participação. Com a queda da indústria e a queda da participação de São Paulo na indústria, isso acaba afetando a economia", disse.

Nos 10 anos estudados, Minas Gerais foi o único dos cinco estados mais ricos a aumentar sua participação no PIB: cresceu 0,5 ponto percentual. O estado continua na terceira posição, com 9,2% do PIB brasileiro, contra 11,5% do Rio de Janeiro. Rio Grande do Sul e Paraná continuam na quarta e quinta posição, com 6,3% e 5,8%.

Entre os 22 com menor PIB, somente a Bahia perdeu participação. O estado caiu da quinta para a oitava posição depois de perder 0,3 ponto percentual e chegar a 3,8% do Produto Interno Bruto. Frederico explica que o estado concentra grande parte da indústria química e de refino, que sofreu com a alta nos preços das commodities. Estas beneficiaram Rio de Janeiro e Minas Gerais. Santa Catarina passou a ser a sexta economia brasileira, com ganho de 0,3 ponto percentual que lhe garantiu uma fatia de 4%. O Distrito Federal se manteve na sétima posição, com aumento de 0,1 ponto percentual para 3,9%.

O estado que mais ampliou sua participação foi o Espírito Santo, aumentando seu peso na economia nacional em 0,6 ponto percentual. O PIB capixaba passou a representar 2,4% do total, o que o fez subir da 12ª posição para a 11ª.

Os cinco estados com menor participação mantiveram a mesma ordem na passagem de 2002 para 2012: Piauí (0,6%) e Tocantins (0,4%) – com alta de 0,1 ponto percentual – e Amapá (0,2%), Acre (0,2%) e Roraima (0,2%), sem variação em relação ao PIB brasileiro.

Fonte: Agência Brasil
Vinícius Lisboa – Repórter
José Romildo – Edição