Prevenir é melhor do que remediar

Dados da FAO estimam que no Brasil existam cerca de 28% das terras em algum estágio de degradação. Além de considerar o número muito elevado, é difícil imaginarmos qual o conceito de degradação que foi levado em conta para se chegar a esse número. Uma voçoroca, é sem dúvida uma área degradada. Áreas de mineração de areia, argila, saibro, piçarra, ouro, entre tantas outras, também são. Mas o consenso sobre o que está degradado acaba por aí.

Recuperar uma área degradada sai muito caro. Em geral, o solo já perdeu seu horizonte superficial e há a necessidade de se aplicar fertilizante em quantidade considerável para que as mudas das espécies florestais possam se desenvolver. Eaí entra outra questão: Qual espécie plantar? É claro que também gostamos de jequitibás, jatobás, pau brasil, braúna, mas infelizmente essas espécies são bem exigentes… gostam de sombra e terra fresca! Não gostam muito de área degradada!!

Uma alternativa é a de utilizar plantas que gostam de sol, as chamadas pioneiras! Adicionalmente, para áreas degradadas, há uma família de plantas, a das leguminosas, que apresentam mais de 3000 espécies no Brasil, e que possuem uma característica especial. Não é que gostem de áreas degradadas, mas desenvolveram mecanismos evolutivos para se comportarem melhor que boa parte das demais espécies nesses ambientes. Elas se associam a bactérias, e fungos micorrízicos, e conseguem obter parte de sua nutrição do ar a partir da associação com bactérias conhecidas como rizóbios, e do solo a partir da associação com fungos micorrízicos que as tornam mais eficazes em obter água e nutrientes. Só para citar algumas, o mulungu, o jacarandá, o vinhático, o angico, a orelha de macaco se enquadram como leguminosas interessantes para esses fins.

O uso dessas plantas recupera funções iniciais da floresta, como cobertura do solo, redução da erosão, deposição de folhas e galhos, iniciando a ciclagem de nutrientes, abrigos e alimentos para fauna. Tudo isso possibilita que funções mais nobres como a biodiversidade por exemplo possam ter condições de se instalar num futuro. Eaí sim, poderemos ter nossos jequitibás, jatobás, pau Brasil, além de animais de maior porte, orquídeas, bromélias, etc.

Mas na verdade não temos que esperar degradar para iniciar a recuperação… o que precisamos aprender é a identificar dentro da propriedade rural áreas mais frágeis, que não podem ser aradas e gradeadas anualmente, precisamos evitar o fogo, o superpastejo, fazer uso de práticas conservacionistas do solo como terraços e plantio em nível. Precisamos utilizar a árvore como componente econômico da propriedade rural e, assim, por apresentarem manejos incompatíveis, evitarmos o fogo, reduzirmos a aração e a gradagem…

Precisamos aprender a trabalhar com "Prevenção de áreas degradadas" para não termos que gastar dinheiro para recuperá-las depois. E, para isso, o uso da árvore na propriedade rural, como componente não só ecológico, mas também econômico, precisa ser estimulada.

AUTORIA

Alexander Silva de Resende
Pesquisador da Embrapa Agrobiologia