COP 20 no Peru prepara caminho para acordo climático global

A conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o clima realizada em Lima ganha maior importância em 2014. Negociações são fundamentais para um futuro acordo internacional sobre o clima, visando manter a meta de aquecimento máximo de 2ºC.

O ano de 2014 poderá entrar na história como aquele em que as mudanças climáticas finalmente voltaram a ser prioridade na agenda internacional. Ontem (01/12/14) se iniciou na capital do Peru, Lima, a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 20).

Apesar de faltar ainda um ano para a conferência de Paris, onde deverá ser firmado um novo acordo internacional sobre o clima, em substituição ao Protocolo de Kyoto, ocorreram já neste ano avanços significativos para a redução das emissões do dióxido de carbono e demais gases-estufa.

Em setembro, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, elevou o tema ao status de prioridade, ao realizar em Nova York a conferência especial sobre o clima. O evento foi acompanhado de manifestações em defesa do meio ambiente, nos Estados Unidos e em outras partes do mundo.

Subitamente articulou-se um movimento de cidadania crescente contra a mudança climática. Em reação, os Estados Unidos e a China, os dois maiores emissores mundiais de CO2, sinalizaram a intenção de se comprometerem com medidas pela redução das mudanças climáticas.

A caminho de Paris 2015

Com base nos indícios científicos disponíveis, é consenso entre a comunidade internacional de que de 2ºC em relação ao início da industrialização seria o limite máximo admissível de aumento da temperatura global, para que se evite expor o planeta a mudanças climáticas potencialmente devastadoras.

Isso implica restringir as emissões dos gases causadores do efeito estufa, responsáveis pelo aquecimento da temperatura. Entretanto especialistas receiam que o mundo esteja caminhando para um aquecimento de 4ºC, a menos que as reduções de CO2 sejam reduzidas significativamente no futuro próximo.

Nesse contexto, a Conferência do Clima em Lima é uma etapa importante do processo, explica a secretária-executiva da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima, Christiana Figueres. A discussão política já está em andamento, e os negociadores terão de avanças na elaboração do acordo internacional sobre o clima. Sua ratificação está prevista para dezembro de 2015, em Paris, a fim de que entre em vigor em 2020.

Os países signatários terão até março de 2015 para apresentar as concessões pretendidas no tocante à proteção do clima. A União Europeia já se antecipou, divulgando em outubro suas metas climáticas, enquanto chineses e americanos também emitiram sinais positivos. A maioria dos países, porém, ainda está fazendo sua lição de casa e avaliando que contribuição pode dar, comenta Figueres.

Preço alto para emissões

Ottmar Edenhofer é copresidente do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) da ONU e economista-chefe do Instituto de Potsdam para Pesquisa dos Impactos do Clima. A seu ver, o mundo tem apenas entre 20 e 30 anos para resolver o problema das emissões, e que não se trata de uma questão de tecnologia.

As tecnologias alternativas estão disponíveis mas, ainda assim, os combustíveis fósseis estão novamente em alta. Por isso, é fundamental estabelecer um preço sobre as emissões de carbono, a fim de que se torne caro lançar CO2 na atmosfera, insta Edenhofer.

Uma vez que o mundo tem orçamento limitado para o carbono, isso significaria permitir apenas mais alguns milhares de gigatoneladas na atmosfera para manter o aumento da temperatura abaixo do limite de 2ºC e evitar o risco daquilo que Edenhofer descreve como "impactos extremamente severos das mudanças climáticas".

A secretária-executiva Figueres concorda que pôr um preço sobre as emissões de carbono é um fator muito importante nas mudanças direcionadas a uma economia com baixos índices de CO2. "O que fizemos nos últimos 150 anos é presumir que não há custos para o uso irresponsável do meio ambiente, e agimos como se o meio ambiente fosse constantemente renovável, o que não é verdade."

Fonte: Deutsche Welle
Autoria: Irene Quaile