Brasil e China lançam com sucesso satélite CBERS-4

Depois de uma tentativa frustrada em dezembro do ano passado, o satélite CBERS-4, fruto da parceria entre Brasil e China, entrou em órbita com sucesso no dia 7 de dezembro de 2014. O lançamento ocorreu na base de Taiyuan, na China, às 11:26 (horário local, 01:26 no horário de Brasília) e foi acompanhado por autoridades brasileiras.

Quatorze minutos depois de o foguete chinês Longa Marcha 4B ter deixado a base, a tensão deu lugar às palmas na sala de comando do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), onde parte do satélite foi desenvolvido. A equipe técnica brasileira se reuniu em São José dos Campos (SP), sede do instituto, para acompanhar o evento em tempo real, que foi transmitido via áudio.

"Estamos felizes e aliviados", comemorou Pawel Rozenfeld, chefe do Centro de Rastreio e Controle de Satélites do Inpe. "O ponto crítico é a abertura dos painéis solares, e deu tudo certo. O satélite pode gerar energia para funcionar e não depende mais das baterias", disse à DW Brasil,que acompanhou o lançamento do Inpe.

O sucesso do CBERS-4 supera o trauma do CBERS-3, lançado há um ano. O satélite não entrou em órbita devido a uma falha no terceiro estágio do lançamento do foguete chinês. Os erros foram corrigidos e a programação foi antecipada em um ano — a princípio, o CBERS-4 iria para o espaço somente no fim de 2015.

"Equipar todo o satélite em apenas um ano foi um grande desafio. É um intervalo de tempo muito curto", ressaltou Rozenfeld. O transporte do módulo desenvolvido no Brasil ocorreu em janeiro e a montagem final do equipamento ocorreu na China. Apesar do incidente em 2013, o índice de sucesso do foguete é considerado alto pelos especialistas: até hoje, foram apenas 2 falhas em 102 lançamentos.

Monitoramento dos territórios

Assinado entre os dois países em 1988, o programa CBERS (China-Brazil Earth Resources Satellite) já lançou cinco satélites. Todos têm o objetivo de fazer o sensoriamento remoto — observar principalmente as mudanças na superfície dos dois países de dimensão continental.

A versão atual do satélite é equipada com quatro câmeras apontadas para a Terra, uma delas desenvolvida inteiramente no Brasil. Elas irão captar imagens que serão usadas para monitorar áreas de desmatamento, queimadas, expansão agrícola, nível de reservatórios, entre outras aplicações.

Os custos foram divididos igualmente entre os dois parceiros: para o CBERS-4, o Brasil destinou cerca de 150 milhões de reais. Um orçamento modesto se comparado aos bilhões gastos nos projetos da Agencia Espacial Europeia (ESA) — e um dos motivos que dificultam a parceria do Brasil com os europeus.

"O projeto CBERS é uma questão estratégica para o Brasil, para que o país tenha mais autonomia na observação do seu território e dependa menos de outros satélites", defende João Vianei, da Divisão de Sensoriamento Remoto.

O satélite deverá entrar em operação nos próximos três meses. "Até lá, nós iremos testar todo o sistema de transmissão. Já iremos receber imagens nas próximas horas, mas precisamos deste tempo para alguns testes", completou Rozenfeld. A cada seis meses, China e Brasil alternam o controle do satélite, que tem três anos de vida útil estimada.

Uso gratuito das imagens

As mais de 70 mil imagens do CBERS-4 serão distribuídas gratuitamente a qualquer internauta, inclusive órgãos internacionais. No Brasil, os governos federais e estaduais são os que mais fazem uso do conteúdo, além de empresas privadas.

As câmeras mais potentes a bordo do satélite devem contribuir para o aumento da fiscalização do desmatamento na Amazônia. Elas irão enxergar áreas menores com maior precisão e num intervalo de tempo mais curto.

Além do monitorar os territórios brasileiro e chinês, o satélite fará ainda imagens dos demais países da América do Sul, da África e de alguns países asiáticos.

Fonte: Deutsche Welle
Autoria: Nádia Pontes