Ferrugem da soja é identificada em três estados brasileiros

A ferrugem asiática da soja, causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi, foi identificada na safra 2014/15 em três estados brasileiros: Paraná, São Paulo e Mato Grosso. Nos municípios de Taquarivaí e Itaberá, na região sul de SP, técnicos da Fundação ABC registraram as ocorrências de ferrugem em lavouras comerciais. Em Cascavel e Toledo, no oeste do Paraná, as identificações foram feitas por técnicos da Coodetec. Em Mato Grosso, a ferrugem está presente nos municípios de Nova Maringá, Nova Ubiratã e Tapurah. As ocorrências foram registradas pelos técnicos da Faculdade Centro Matogrossense (Facem).

No total, foram registrados 47 focos de ferrugem asiática no Brasil, sendo 35 em soja voluntária e 12 focos em lavouras comerciais. A ocorrência de focos da doença na entressafra de soja pode ter favorecido o surgimento da doença 15 dias mais cedo na safra 2014/2015. Na safra passada, a ferrugem foi identificada no dia 30 de novembro e, nessa safra, os primeiros focos em Mato Grosso foram registrados no dia 12 de novembro.

Em função da eficiente disseminação dos esporos do fungo pelo vento, a pesquisadora Claudine Dinali Santos Seixas, da Embrapa Soja, diz que os produtores das regiões onde foram identificados os primeiros focos da doença devem ter atenção redobrada. "O monitoramento deve ser intensificado e, caso as condições climáticas estejam favoráveis, como previsão de chuvas, deve-se fazer o controle da doença com fungicidas", explica Claudine.

A pesquisadora reforça que a decisão sobre o momento de aplicação (sintomas iniciais ou preventiva) deve ser técnica, levando-se em conta os fatores necessários para o aparecimento da doença na lavoura (presença do fungo na região, idade das plantas e condição climática favorável) e a logística de aplicação (disponibilidade de equipamentos e tamanho da propriedade). "Lembramos que o atraso na aplicação de fungicidas, após constatados os sintomas iniciais, pode acarretar redução de produtividade, caso as condições climáticas favoreçam o progresso da doença", alerta.

O principal dano ocasionado pela ferrugem asiática da soja é a desfolha precoce da planta, que impede a completa formação dos grãos, com consequente redução da produtividade. O custo ferrugem, que envolve o custo das aplicações e as perdas pela doença, tem sido de cerca de US$ 2 bilhões por ano.

Os sintomas causados por P. pachyrhizi iniciam-se nas folhas inferiores da planta e são caracterizados por minúsculos pontos, com coloração esverdeada a cinza-esverdeada. Essas lesões provenientes da fase inicial da infecção não são facilmente visíveis a olho nu, sendo necessário posicionar a folha contra um fundo claro ou utilizar uma lupa de, pelo menos, 20 a 30 aumentos.

Mais informações sobre a doença estão disponíveis na página do Consórcio Antiferrugem.

Fonte: Embrapa Soja
Lebna Landgraf – Jornalista
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