Fraudes em compras online crescem 14.347% em dez anos. Saiba como se prevenir

"A cada dia, mais pessoas acessam a internet. Assim, mais crimes acontecem. Ea tendência é aumentar cada vez mais". A afirmação do delegado Alessandro Thiers, titular da Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI), é reforçada pelos números do Centro de Estudos, Resposta e Tratamento de Incidentes de Segurança no Brasil (Cert). De 2003 a 2013, o crescimento de fraudes virtuais foi de 14.347%. Enquanto em 2003, houve 593 incidências reportadas ao Cert, em 2013, foram 85.675 registros.

Roubo de dados e problemas com entrega de produtos comprados pela internet são as principais ocorrências. O publicitário Thiago de Almeida, de 29 anos, entrou nas estatísticas. Em junho, comprou um iPhone 5c para presentear a mulher, por R$ 999, na loja virtual LuCunha Store – que tem mais de 305 mil seguidores no Instagram. Até agora, o aparelho não foi entregue.

Reclamações em alta

No site ReclameAqui, a reputação da loja era boa até junho. A partir de julho, as reclamações subiram num ritmo intenso, passando de cem para quase 700, apenas nos primeiros 19 dias de setembro. Todas foram feitas pelo mesmo motivo: compras não entregues.

"Na época, fiz pesquisas e não havia reclamações. Duas amigas de amigos receberam os produtos, e celebridades postaram dizendo que compraram na LuCunha. Isso dava credibilidade" relatou Thiago, que registrou a ocorrência.

Posts de famosos induzem estudante

Empolgada com vários famosos que postavam em seus perfis no Instagram as compras feitas na loja virtual LuCunha Store, a estudante Júlia Vieira Moreira, de 19 anos, não pensou muito e decidiu comprar um iPhone 4S, por R$ 799,25. Nem o preço baixo – em sites de grandes redes, o mesmo aparelho sai por cerca de mil reais – a fez desconfiar que haveria algo errado. "Muitos famosos fazem propagandas. Então, somos induzidos" alegou a jovem.

A soma de preço atraente, confiança no desconhecido e falta de informação, porém, resultou em dor de cabeça. O smartphone adquirido em 12 de maio deveria ter sido entregue em 6 de agosto. Mas, até agora, nada. Ao identificar que o problema afetava também outras pessoas, Júlia criou um grupo no Facebook, que já tem mais de 800 participantes.

O Extra tentou um contato com a LuCunha Store, por meio de sete números de telefone e pelo e-mail do Serviço de Atendimento ao Cliente (SAC). As linhas telefônicas estavam desligadas, e não houve retorno para a mensagem enviada.

Em comunicado no Instagram, a empresa afirmou que as entregas serão feitas: "Todos os nossos clientes receberão uma ligação nossa informando sua data exata de entrega! As ligações começam hoje e podem demorar até quatro dias úteis! Favor comentarem aqui os que começarem a receber".

O que fazer se for vítima de uma fraude

Delegacias

Alessandro Thiers, da Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática, explica que é preciso prestar queixa sobre o golpe: "Pode ser em qualquer delegacia, não precisa ser na especializada. Isso é necessário para que seja investigado o que aconteceu".

Justiça

Para tentar minimizar o prejuízo, o jeito é recorrer à Justiça e pedir uma indenização por danos morais e materiais. É fundamental descobrir o responsável pela loja. A partir daí, ajuiza-se uma ação no Juizado Especial Cível, onde é opcional contratar um advogado, se a indenização pedida for de até 20 salários mínimos (R$ 14.480). Se a causa for de 20 até 40 pisos nacionais (até R$ 20.960), é preciso ter um advogado, "Dependendo da condição financeira, pode-se solicitar o amparo de um defensor público estadual", orientou Victor Auilo Haikal, especialista em Direito Digital e sócio do escritório Patricia Peck Pinheiro Advogados.

Defesa do consumidor

A pessoa deve, também, registrar o caso em órgãos de defesa do consumidor, como os Procons estaduais.

Fonte: Extra