Com discurso social, Patrus vira desafeto de produtores rurais de São Paulo

Produtores rurais do interior de São Paulo não esconderam a indigestão com o discurso de posse do ministro Patrus Ananias (PT) que, ao assumir o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), no início do mês de janeiro de 2015, falou em “função social da propriedade” e numa ampla discussão sobre reforma agrária com participação de conselhos, movimentos sociais e outras instituições.

Em nome dos produtores rurais, o presidente do Sindicato Rural da Alta Noroeste (Siran), Marco Antonio Viol, classificou a fala de Ananias como “terrorista” e disse que a instituição não pensará duas vezes em recorrer à Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp), à Frente Parlamentar Agropecuária (FPA) e ao ministério de Kátia Abreu (PMDB).

“O sentimento generalizado dos produtores rurais é de insegurança, afinal de contas há direitos adquiridos que podem simplesmente desconsiderados, em prejuízo de quem trabalha há décadas produzindo alimentos e divisas para o país”, afirmou Antonio Viol, segundo informe publicado no site da Siran.

“Em um momento de incerteza em relação à economia, em que o produtor rural precisa do mínimo de tranquilidade para trabalhar, produzir, criar e proporcionar bem estar a sua família e desenvolvimento ao seu país, tudo o que não precisamos é de terrorismo, como o do novo ministro”, completou.

Patrus Ananias foi de encontro ao discurso da nova ministra da Agricultura, que sustentou que no Brasil não existe “latifúndios” e que a reforma agrária deve ser feita de maneira pontual, sem ignorar direitos adquiridos. Ele falou que “o direito de propriedade não pode ser em nosso tempo um direito inquestionável, que prevalece sobre todos os demais direitos e sobre o próprio direito de realização das possibilidades nacionais”.

Para o Sindicato, Kátia foi mais “sensata”. “A intenção do ministro Ananias simplesmente ignora a história, as conquistas e as contribuições dos produtores rurais”, afirmou Viol, que ainda questiona outros conceitos utilizados pelo ministro, como direitos sociais e interesse público. “Por acaso, os direitos do produtor rural também não são sociais?”, indagou.

O dirigente também criticou a ideia de Patrus de dar espaço a “conselhos populares, conferências regionais, movimentos sociais, associações e representantes religiosos” nas discussões do Ministério. “Observa-se aí, segundo os diretores (do Siren), o desprezo pela opinião e pela defesa do produtor rural e suas entidades representativas”, escreveram.

O Siran está sediado em Araçatuba. Na região residem figuras ligadas à União Democrática Ruralista (UDR), entidade que tem pressionado no Congresso Nacional o engavetamento de projetos em defesa da reforma agrária.

FONTE: CGN
Luis Nassif Online