Governo anuncia medidas para facilitar escoamento de grãos

Com a estimativa de safra recorde de grãos em 2015, com produção superior a 202 milhões de toneladas, o governo anunciou ontem (13/01/15) série de medidas para facilitar o escoamento da produção, que incluem incentivo do uso de portos localizados nas regiões Norte e Nordeste, automatização do sistema de agendamento da chegada de caminhões ao Porto de Santos, colocação de cascalho e disponibilização de tratores para socorro de veículos atolados na BR 163.

Sem citar os custos com ações consideradas estratégicas para viabilizar o escoamento da safra deste ano, os ministros da Agricultura, Kátia Abreu, dos Transportes, Antonio Carlos Rodrigues, e da Secretaria de Portos, Edinho Araújo, disseram que o país não enfrentará problemas em transportes de produtos agrícolas da fazenda ao porto.

“Tivemos aumento de 5% na produção geral, aumento de 11% na produção especificamente de soja e, claro, a maioria dessa quantidade de soja vai para exportação. Mas com a experiência do ano passado, que foi exitosa, a Secretaria de Portos e o Ministério dos Transportes estão muito mais preparados para melhorar a performance [do escoamento], independentemente do crescimento,” disse Kátia Abreu.

Com a maior parte da produção agrícola do país concentrada nas regiões Centro-Oeste (42%), Nordeste (9%) e Norte (4%), ante 36% das regiões Sul e Sudeste (9%), as ações de escoamento também estarão voltadas para facilitar o transporte dos grãos para os portos de Belém (PA) e de Itaqui (MA). Atualmente, há uma concentração das remessas para os portos de Santos e Paranaguá, responsáveis por 50% das exportações na safra 2013/2014.

Para isso, o Ministério dos Transportes prevê melhoria na infraestrutura de corredores multimodais na região conhecida como Arco Norte, que compreende os estados de Mato Grosso, de Rondônia, do Amazonas, do Pará, de Tocantins e do Maranhão. Na rodovia 163, principal canal de escoamento de grãos da Região Norte — no trecho de 945 quilômetros entre as cidades de Sorriso (MT) e Miritituba (PA) — haverá aumento das ações de manutenção e colocação de cascalho e disponibilização de tratores ao longo dos 136 quilômetros ainda não foram pavimentados.

“Se saíssemos com a soja de Sorriso ou Lucas do Rio Verde, pelo eixo Arco Norte, reduziríamos o custo que fica entre R$ 260 e R$ 270 [do Porto de Paranaguá] a tonelada para [algo entre] R$ 204 e R$ 205 a tonelada. Isso vai direto na veia do produtor, diminuindo o custo de produção. Não podemos esquecer que a produção não é 100% exportada e quanto menos custo, mais barato ficarão os produtos nas prateleiras dos supermercados brasileiros”, disse Kátia Abreu.

Entre as medidas também foi destacado o financiamento de 426 embarcações para transporte de grãos com uso do Fundo de Marinha Mercante em operações nas hidrovias dos rios Madeira e Tapajós.

Em relação ao maior porto do país, o de Santos (SP), o ministro Edinho Araújo prometeu automatizar o sistema de agendamento da chegada de caminhões e entregar novo pátio de estacionamento até o início da colheita. “Esse sistema entrará em operação tão logo se inicie a safra 2015, prevista para fevereiro. A central [de agendamento], que no ano passado funcionou em Brasília, será instalada no Porto de Santos, com toda a tecnologia, [de modo a evitar] congestionamento”, disse Edinho Araújo.

Também está prevista a melhoria da fiscalização dos caminhões, a ser feita pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), com instalação de quatro pontos fixos e um móvel de checagem, além de suporte tecnológico em tempo real, melhoria e duplicação de rodovias, além do incentivo do modal ferroviário. De acordo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) a expectativa é de que haja um crescimento de 6,2% (64,5 milhões de toneladas) nas remessas internacionais de grãos em 2015, na comparação com a safra passada, quando foram exportadas 61,5 milhões de toneladas do complexo soja e farelo.

FONTE: Agência Brasil
Ivan Richard – Repórter
José Romildo – Edição