Chamada Universal 2014 aprova cinco projetos da Embrapa Hortaliças

Cinco propostas de projetos de pesquisas da Embrapa Hortaliças (Brasília/DF) foram aprovadas na Chamada Universal 2014 do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), e que atua no fomento à pesquisa científica e tecnológica. A mais concorrida entre as diversas modalidades de financiamento à pesquisa – o Edital 14/2014 aprovou 4.943 projetos em todo o Brasil – e com maior volume de recursos, a Chamada Universal está aberta a qualquer área do conhecimento científico, a exemplo de agronomia, farmácia, veterinária, engenharia, medicina, informática, entre muitos outros temas. A diversidade também está presente nos projetos de pesquisa de hortaliças aprovados, e que envolvem desde melhoramento genético a estudos comparativos de avaliação da qualidade do solo.

“Melhoramento genético de pimentas dos tipos Habanero (Capsicum chinense) e Malagueta (C. frutescens) para a agricultura brasileira” é o título do projeto desenvolvido pela pesquisadora Cláudia Ribeiro, da área de Melhoramento. De acordo com a pesquisadora, o projeto tem como objetivos, em médio prazo, o desenvolvimento e a disponibilização de cultivares de pimentas dos grupos Habanero e Malagueta mais uniforme, mais resistente a doenças, com características agronômicas e industriais superiores, e adaptadas a um ou mais agroecossistemas brasileiros. “A nossa proposta visa justamente dar continuidade ao processo de melhoramento dessas cultivares, e que tem apresentado significativos avanços com o desenvolvimento e lançamento de novos materiais, e apresenta como premissa básica a necessidade dar prosseguimento ao trabalho com outros materiais promissores”, observa a pesquisadora.

Já o projeto do pesquisador Leonardo Boiteux, que coordena o programa de melhoramento de tomate na Embrapa Hortaliças, propõe a “Resistência genética a espécies de Crinivírus em tomateiro: melhoramento clássico, molecular e abordagens biotecnológicas”. “Epidemias de espécies virais do gênero Crinivírus (família Closteroviridae) têm sido relatadas na cultura do tomateiro (Solanum lycopersicum L.) em todo o mundo, incluindo o Brasil. Nesse projeto, ações de melhoramento genético usando abordagens clássicas e biotecnológicas vão ser conduzidas com o objetivo de desenvolver cultivares de tomateiro com resistência estável e durável contra esse grupo de patógenos”, explica Boiteux em seu resumo. Ele acrescenta que o projeto vai contar com uma ampla rede de colaboradores envolvendo pesquisadores do Brasil e do exterior – Embrapa Hortaliças, Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), Universidade de São Paulo (USP), Universidade de Brasília (UnB), Instituto Nacional de Investigação Agropecuária (INIA), do Uruguai, e Conselho Superior de Investigações Científicas (CSIC), da Espanha.

Pesquisas com patógenos são o foco da proposta apresentada pelo pesquisador Ricardo Borges, da área de Fitopatologia. “Avaliação da reação de acessos silvestres de Solanum subgênero Leptostemonum a Fusarium oxysporum f. sp. Lycopersici raças 3 e estudos de herança da resistência” é o título do projeto que traz dois objetivos como ponto de partida: a seleção de acessos compatíveis com o tomateiro que possam servir de porta-enxertos, e o estudo da herança relativa à resistência genética em cruzamentos entre esses acessos. Segundo Borges, ao final do projeto espera-se obter porta-enxertos resistentes e compatíveis para a utilização em cultivos comerciais de tomateiro, assim como conhecer a herança de resistência à murcha-de-fusário, causada pelo fungo Fusarium oxysporum f. sp. Lycopersi. “Isso possibilitará aos programas de melhoramento o mapeamento genético e a futura mobilização desses genes de resistência via estratégias biotecnológicas para o tomateiro”, prevê o pesquisador.

Plantas e solos

O agrônomo Daniel Zandonadi seguiu a linha de experimentos relacionados a fertilizantes orgânicos na composição de seu projeto. Com o título “Bioestimulantes: efeitos sobre a fisiologia e produção de hortaliças”, o trabalho aposta no desenvolvimento, de maneira simplificada, de uma tecnologia de produção de um bioestimulante, cujos resultados servirão como subsídio para fundamentar a legislação referente a biofertilizantes/bioestimulantes e à agricultura orgânica. “Além disso, tais produtos poderão se constituir em alternativas para agricultores orgânicos e convencionais visando à redução dos custos de produção e dos problemas ambientais associados ao uso exclusivo de fertilizantes minerais solúveis”, resume Zandonadi.

E a qualidade dos solos utilizados no plantio de hortaliças foi o fio condutor do projeto elaborado pelo pesquisador Juscimar da Silva. Intitulado “Avaliação comparativa de atributos físicos, químicos e biológicos de solos e do estado nutricional de hortaliças”, o projeto tem como área de abrangência a região do Distrito Federal. E como ponto central, em resumo, a avaliação das variáveis físicas, químicas e biológicas de solos de áreas hortícolas e a subsequente comparação com as variáveis de solo sob vegetação natural.

“O propósito é comparar a área de produção agrícola com o que é considerada ideal: se estiver ruim, trabalhar para melhorar”, anota o pesquisador, acrescentando que a concepção do projeto surgiu durante visita à Universidade de Cornell, EUA, em 2013. A universidade desenvolveu um Manual de Qualidade do Solo, com dados estatísticos e variáveis que serviram como norteadores na formulação do projeto. “O projeto tem esse foco ao procurar determinar essas variáveis e adaptá-las às nossas condições”.

FONTE: Embrapa Hortaliças
Anelise Campos – Jornalista
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