Davos: desaceleração da economia e mudanças climáticas

No primeiro dia do Fórum Econômico Mundial, o clima frio dos Alpes suíços contrasta com o calor dos debates sobre os principais desafios globais. Questões como o conflito no Leste da Ucrânia, a falta de recursos para combate ao ebola, a estagnação econômica da zona do euro e a urgência das mudanças climáticas fizeram parte da agenda na abertura do encontro em Davos.

Mais de 2,5 mil líderes políticos, homens de negócios, cientistas e formadores de opinião participam da 45ª edição do fórum, entre eles, alguns dos mais ricos do mundo. Nos quatro dias do evento, que termina amanhã (24/01/15), além do crescimento econômico, outra questão considerada prioritária é a redução da desigualdade, que afeta inclusive nações mais prósperas. Relatório da organização não governamental (ONG) britânica Oxfam, divulgado na véspera do evento, mostrou que, até o ano que vem, os 1% mais ricos do mundo terão mais posses que os outros 99% juntos.

Nos debates realizados no dia 21, líderes políticos de vários países abordaram o desafio do crescimento econômico. O premiê chinês, Li Keqiang, acredita que a China continuará sofrendo pressões este ano, mas assegurou que o governo está trabalhando em reformas estruturais para evitar a desaceleração da economia. Já o primeiro-ministro da Itália, Matteo Renzi, acha que a Europa precisa focar suas políticas na indução do crescimento, e não na austeridade e no controle da economia. “O futuro é hoje, não amanhã. Quero que a Itália seja um laboratório de inovação, não um museu”, disse ele.

O cenário, para muitos executivos, não é de otimismo. Levantamento feito com cerca de 1.300 homens de negócios de 77 países, pela consultoria PwC (sigla em inglês da PricewaterhouseCoopers), mostra que apenas 37% deles acham que a economia vai melhorar – 7% a menos que no ano passado. A pesquisa, divulgada na abertura do Fórum Econômico Mundial, mostra também que o interesse dos investidores pelo Brasil continua em queda – baixou de 15%, em 2013, para 12%, em 2014, e está em 10%.

Este ano, há expectativa de que temas como o terrorismo e os conflitos geopolíticos e religiosos, que marcam o atual contexto mundial, tomem parte significativa nos debates. Hoje, o presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, teve que deixar o evento antes do esperado, por causa do agravamento dos conflitos entre o Exército ucraniano e forças separatistas no Leste do país. Antes de deixar Davos, porém, ele fez um discurso pedindo que a Rússia retire suas tropas do território ucraniano e pare de apoiar grupos rebeldes, cumprindo o Acordo de Minsk, assinado em setembro do ano passado.

Nas mudanças climáticas, o destaque desta foi para o ex-vice-presidente dos Estados Unidos Al Gore, que acompanhado pelo rapper norte-americano Pharrell Williams, anunciou mais uma edição do concerto musical Live Earth (a última foi em 2007) no dia 18 de junho, em seis cidades: Paris, Nova York, Rio de Janeiro, Pequim, Sydney e Cidade do Cabo, com uma edição especial na Antártida.

O objetivo é elevar a urgente questão das mudanças climáticas para o topo da agenda mundial, às vésperas da 21ª Conferência do Clima, em Paris, no mês de dezembro. “Queremos ter 1 bilhão de vozes e uma só mensagem. Queremos ação climática agora”, disse Al Gore.

FONTE

Agência Brasil
Giselle Garcia – Correspondente
Stênio Ribeiro – Edição


Links referenciados

21ª Conferência do Clima
www.cop21.gouv.fr/es

Fórum Econômico Mundial
www.weforum.org

PricewaterhouseCoopers
www.pwc.com.br

Agência Brasil
http://ift.tt/15iayRl

Live Earth
liveearth.org

Oxfam
www.oxfam.org