Melchíades Cunha Júnior


O projeto de lei aprovado na Câmara que regulamenta o plantio de sementes transgênicas já está no Senado e o Ministério da Agricultura está trabalhando para que seja modificado, concedendo uma isonomia entre a pesquisa doméstica e a externa. Foi o que informou o ministro Roberto Rodrigues, entrevistado no Jornal das Dez, da Globo News. Ele se disse preocupado com uma questão básica: sua aprovação até o final de agosto, início de setembro, a fim de que não interfira no próximo plantio.

“Aí ficaríamos sem um aparato legal adequado, o que vai criar um estado de ilegalidade, porque o governo não vai editar mais uma medida provisória.” A expectativa do ministro é que o Senado possa rever o projeto, para que ele volte à Câmara Federal. “É um processo lento a ser resolvido nessa área, para um assunto tão importante.”


Jornal O Estado de São Paulo – 30/06/2004
http://www.estadao.com.br

Compartilhe esta postagem nas redes sociais

Fabíola Salvador

São Paulo – O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, anunciou nesta manhã que a Rússia suspendeu o embargo à carne brasileira. O acordo que prevê o fim do embargo foi assinado pelo secretário de produção e comercialização do Ministério, Linneu Costa Lima, com o diretor do Serviço Federal de Supervisão Veterinária e Fitossanitária do governo da Rússia, Serguei Dankvert. Segundo o ministro Rodrigues, o acordo assinado pelo Brasil garante que nos Estados que tradicionalmente exportam carne não foi registrado foco de febre aftosa. O registro de um foco no rebanho do município de Monte Alegre, no Pará, levou a Rússia a suspender as compras de carne, no último dia 18.

“Ao assinar o acordo, o governo brasileiro deu a tranquilidade para que os compradores russos continuem importando nossas carnes”, afirmou o ministro. Ele disse ainda que um acordo fechado no governo passado, pelo então secretário de Defesa Agropecuária, Luiz Carlos de Oliveira, determina que o Estado vizinho à região do foco não pode exportar carne bovina. Por isso, o Mato Grosso não pode vender carnes para o mercado da Rússia.

Rodrigues acrescentou que essa suspensão ao Estado do Mato Grosso é provisória e pode se estender por no máximo 12 meses. Quanto a possibilidade do Brasil flexibilizar as regras para importar trigo da Rússia, o ministro disse que esse assunto foi tratado em reuniões paralelas entre Costa Lima e Dankvert, mas que não se chegou a um acordo que permitisse a importação de trigo russo. “Não houve nenhum tipo de troca”, completou Rodrigues. Com isso só a Argentina mantém o embargo à carne brasileira.


Jornal O Estado de São Paulo – 30/06/2004
http://www.estadao.com.br

Compartilhe esta postagem nas redes sociais

Da Redação – Brasíilia


Ainda que tenha sido considerada positiva pelos defensores do plantio e da comercialização de organismos geneticamente modificados (OGM) no Brasil, a decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região de reconhecer a competência da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) para liberar o plantio e a comercialização de soja transgênica em escala comercial não altera a situação atual, conforme a opinião de especialistas.

Isso porque os desembargadores decidiram, por dois votos a um, manter a liminar da justiça federal de 1ª instância que obriga a realização de estudos de impacto ambiental como pré-requisito para a liberação do plantio de soja transgênica.

Na prática, portanto, até que se esgotem todos os recursos à decisão do TRF continua valendo a decisão cautelar, que proíbe o plantio e a comercialização da soja geneticamente modificada até que sejam realizados tanto o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e quanto o Relatório de Impacto Ambiental (Rima).

Defensor da realização de EIA/Rima desde 1998, o Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) louvou a manutenção da liminar e voltou a questionar, em comunicado, o “impacto não avaliado do aumento do uso do herbicida glifosato nas lavouras”. Conforme a entidade, a demanda pelo agrotóxico triplicou no Rio Grande do Sul nos últimos anos. Conforme o Ministério da Agricultura, o Estado responde por 88% da produção brasileira de soja transgênica, e concentra 93% da área plantada com o produto. (VD)

Jornal Valor Econômico – 30/6/2004
http://www.valor.com.br

Compartilhe esta postagem nas redes sociais

A suspensão temporária das compras de carnes brasileiras por Rússia e Argentina, após a descoberta de um foco de febre aftosa em Monte Alegre (PA), fez os exportadores brasileiros deixarem de embarcar, até ontem, cerca de US$ 36 milhões em carnes. Os prejuízos maiores são com a carne suína, já que a Rússia, o maior cliente do Brasil, suspendeu as compras desde o dia 18. No dia 23, foi a vez da Argentina, terceiro mercado para a carne suína brasileira, anunciar a suspensão das importações.

De acordo com o diretor-executivo da Abipecs (reúne exportadores de carne suína), Cláudio Martins, o país deixou de embarcar para Rússia e Argentina cerca de US$ 25 milhões, o equivalente a 20 mil toneladas. Os cálculos têm como base os embarques em todo o mês de maio, que somaram quase 50 mil toneladas.

Martins, que também é diretor da Abef (exportadores de frango), estima que as perdas com as vendas de frango somam US$ 3 milhões. Esse valor corresponde a um volume de 4 a 5 mil toneladas que o Brasil embarca para a Rússia num período de 10 dias.

No caso da carne bovina, a estimativa é de perdas de US$ 8 milhões em embarques que deixaram de ser realizados para a Rússia, segundo a Abiec (reúne exportadores de carne bovina). Os cálculos levam em consideração os embarques feitos entre janeiro e junho deste ano para o país, que totalizaram US$ 83 milhões.

O secretário de Produção e Comercialização do Ministério da Agricultura, Linneu da Costa Lima, se reuniu ontem em Moscou com o diretor do Serviço Federal de Supervisão Veterinária e Fitossanitária da Rússia, Sergey Dankvert, para negociar o fim do embargo à carne brasileira. Ainda não há previsão para a retomada dos embarques. As negociações prosseguirão hoje.

Uma fonte que teve contato com a missão brasileira disse que as negociações devem ter “desfecho positivo”. Segundo essa fonte, a reunião de hoje será técnica, para discutir a possível abertura do mercado brasileiro ao trigo russo.

Em Brasília, o secretário de Política Agrícola, Ivan Wedekin, disse que é possível liberar a importação de trigo da Rússia, desde que o produto atenda às exigências fitossanitárias e tenha preço competitivo. A liberação das importações de trigo da Rússia está sendo negociada como compensação para a reabertura do mercado russo às carnes do Brasil. “O Brasil precisa de trigo, não é auto-suficiente e nem será no curto prazo. Se tiver qualidade e preço, pode vir da Rússia, Ucrânia ou Argentina”, disse.

A análise de risco para o trigo russo já foi feita, no entanto, o Brasil quer informações sobre cinco ervas daninhas que atacam as lavouras da Rússia.

A secretaria de Defesa Agropecuária soube, por agências internacionais de notícias, do pedido da Associação Irlandesa de Criadores de Gado para que a União Européia suspenda a importação de carne bovina do Brasil, mas não recebeu nenhuma informação oficial de novos embargos.


Jornal Valor Econômico – 30/6/2004
http://www.valor.com.br

Alda do Amaral Rocha e Vinicius Doria De São Paulo e Brasília

Compartilhe esta postagem nas redes sociais

A assinatura de um acordo entre Brasil e China pôs fim na polêmica da exportação de soja que se arrastou desde abril. O secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Maçao Tadano, informou que a China vai definir os critérios para amostragem e inspeção nos carregamentos de soja exportados para o país. Até a definição dessas regras, os chineses vão aceitar o padrão brasileiro de uma semente tratada para cada quilo de soja, conforme a Instrução Normativa nº 15, de 11 de junho, explicou Tadano sobre o acordo para a retomada das exportações de soja brasileira.

ESTADO DE MINAS – Como ficam as cargas que saíram do Brasil antes da Instrução Normativa nº 15 e estão em trânsito.

MT – Os dois países concordaram que haverá procedimentos de coleta de sementes de soja coradas e tratadas. Se forem detectadas tais sementes em não-conformidade, antes da descarga, as partidas somente serão autorizadas a descarregar na China se satisfazerem às exigências chinesas. Os exportadores cobrirão todos os custos dos procedimentos, caso contrário a carga será rechaçada. Existem estimativas de que deve haver ao longo do trecho Brasil-China perto de 20 navios. Pode ser mais ou menos. Existe este número de navios que estão ao longo do mar.

Nesse caso, para esses 20 navios a tolerância é zero e eles podem ser devolvidos?

MT – Sim. A tolerância é zero, mas eles não podem ser devolvidos. Se tiver matéria estranha, as empresas vão ter que arcar com a seleção dessas cargas, caso sejam encontradas essas presenças de matéria estranha.

Pode chegar num ponto em que a China chegue a exigir zero semente num navio? Isso pode acontecer ou está descartado?

MT – Não acredito nisso, segundo o que nós conversamos. Na verdade, essa preocupação dos dois países ficou manifesta inclusive no próprio texto do acordo. As autoridades chinesas reconheceram e expressaram os cumprimentos pelas medidas adotadas, como a inspeção, auditorias, apreensão, rechaço. Tudo isso que nós fizemos no Brasil foi reconhecido e aplaudido pelo Ministério da Quarentena da China.

Tem algum documento que diz ao Brasil que a China, a partir de agora, vai aceitar uma semente por carregamento ou carregamentos cujas análises laboratoriais estejam dentro dos padrões internacionais?

MT – Não. Na instrução normativa é uma partícula por quilo, na amostragem. Então nós não vemos dúvida com relação a isso aí. Só que, naturalmente, as autoridades chinesas devem continuar conversando conosco em relação à implementação de normas a ser adotada pela parte chinesa. Nós não podemos colocar dentro da China uma norma brasileira, cada país tem sua norma e nós temos a nossa. Então é por isso que ficou colocado neste parágrafo que vai haver este intercâmbio de informação em relação aos critérios a ser adotados pela China com relação aos procedimentos dela.

Então a impressão que o senhor tem, colhida depois de uma reunião com os chineses, é que o modelo que eles vão adotar não vai ser de tolerância zero?

MT – A leitura que nós temos é tranqüilamente isso aí. Agora, para as cargas anteriores ao dia 11 eles podem adotar a tolerância zero, porque é um compromisso que as empresas responsáveis pela carga farão de, caso encontrem a presença de matéria estranha, fazer a assepsia. Isso ficou bem claro.

Então até que haja essa metodologia chinesa eles vão aceitar o padrão brasileiro de uma semente para cada quilo de soja?

MT – Exatamente.

Quando é que eles publicam o documento?

MT – Foi feita uma solicitação e nós esperamos que seja o mais rápido possível. Essa é a leitura que nós temos.

O senhor acredita que depois dessa instrução normativa a soja brasileira não vai ser mais barrada na China?

MT – Veja bem, a instrução normativa é uma meta de conduta para todos. Mesmo assim, no caso de quaisquer procedimentos de não-conformidade da empresa ou de outro técnico que trabalhe com a classificação, se for superada a tolerância prevista, a carga poderá ser rechaçada. Não há porque não ser rechaçada. Veja bem, não é uma abertura para fazer o que eles querem. Isso daí está claro. Nós temos que entender que precisamos criar uma consciência em todo o setor, em toda a cadeia. Não há porque colocar semente tratada em matéria que possa ser destinada ao mercado interno nem ao mercado externo.


Jornal Estado de Minas – Suplemento Agrícola – 28/06/2004
http://www.uai.com.br/em.html

Compartilhe esta postagem nas redes sociais

Rosana de Cassia

Brasília – O presidente da Associação Brasileira de Indústrias Exportadoras de Carne e ex-ministro da Agricultura, Marcus Vinícius Pratini de Moraes, considera normal a reação de alguns países como a China e a Rússia, que recusaram recentemente as exportações de soja e carne brasileiras. “Eu acho que nós temos de nos acostumar que quando o Brasil cresce e assume as posições que está assumindo como agora, na posição de liderança internacional de soja e de carne vem pau por aí, como foi o caso do café solúvel, dos calçados, do aço e do suco de laranja”, disse Pratini de Moraes, em entrevista ao Bom Dia Brasil, da TV Globo.

Na avaliação de Pratini de Moraes, o Brasil está “atrapalhando a concorrência” ao tomar a posição de liderança na produção de alguns produtos. “Eu não tenho dúvida nenhuma de que as vantagens competitivas que o Brasil tem hoje na carne, tanto bovina como suína e de frango, na soja, na celulose, no aço e no couro são quase que absolutas. Ninguém pode competir com o Brasil e o País precisa assumir essa posição, explorar as suas oportunidades no mercado e aprender que sempre vai ter dificuldades reais”, disse.

Descuido
Para ele, a aftosa no Pará, apontada como causa do embargo da carne brasileira pela Rússia e a Argentina, foi um “descuido na vigilância sanitária”. “É muito importante e provavelmente a atividade mais crucial nesta fase do Brasil, de afirmação do agronegócio, a sanidade animal e vegetal. Se não quer aftosa tem de vacinar. E tem, de vacinar 100% dos animais”, defendeu o ex-ministro que atribui o problema à falta de dinheiro para a vacinação.

“Os Estados mais pobres precisam de recursos federais. Nos últimos dois anos tem havido insuficiência desses recursos”, disse Pratini de Moraes, numa discreta referência ao governo do PT. “É preciso colocar recursos, não é muita coisa, para os veterinários irem às propriedades e com isso evitar que a doença se espalhe”. Para Pratini, o governo foi rápido na resposta aos embargos mas ressaltou que “talvez” a resposta não tenha sido suficientemente efetiva.

“O que é importante neste momento é que o Brasil hoje é o maior do mundo e nós precisamos estar preparados para isso. Temos de evitar, também, misturar questão comercial com questão ideológica e política. Isso é uma questão comercial, tem de ser tratada comercialmente”, defendeu Pratini de Moraes.

“Não pode haver falha sanitária na questão da carne. Nós temos de enfrentar as nossas negociações internacionais como líderes e não como países que estão começando. Nós temos de cobrar da OMC uma atitude mais rigorosa para evitar abuso na questão sanitária e não podemos admitir que um país como a Argentina, por exemplo, bloqueie a importação de carne do Brasil porque houve um foco de um animal com aftosa numa região que não está livre de aftosa que é a Amazônia”.

Segundo Pratini, o Brasil precisa ter uma posição mais pró-ativa. “Temos que cobrar e ter mais firmeza e entender o seguinte: ninguém vai dar colher de chá para o Brasil. Nós temos de conquistar o nosso espaço com muito trabalho e fazer direito o dever de casa, conferindo aos nossos produtos qualidade e sanidade. Aí o Brasil vai continuar desenvolvendo o seu agronegócio”.


Jornal O Estado de São Paulo – 29/06/2004
http://www.estadao.com.br

Compartilhe esta postagem nas redes sociais

Da Redação

Governos Federal e estadual destinam recursos para fortalecimento da defesa no setor

Está prevista para o próximo dia 1ª de julho a assinatura, em Belém, de um convênio do Ministério da Agricultura, do Governo Federal, com o Governo do Estado, via Agência de Defesa Agropecuária do Pará (Adepará), e demais Estados do Norte e Nordeste do País. Orçado em R$ 3,6 milhões, o convênio visa o fortalecimento da defesa agropecuária. Segundo o diretor geral da Adepará, Luiz Pinto, parte dos recursos, R$ 2,6 milhões virão dos cofres do Governo Federal. O restante, R$ 1 milhão, será repassado pelo Governo do Estado e será destinado para a manutenção e ampliação da atenção sanitária no Pará.

Riscos – A informação foi repassada aos membros do Sindicato Rural de Santarém e aos criadores de Monte Alegre, no Baixo Amazonas, esta semana, quando representantes do governo estadual visitaram os dois municípios para tranqüilizar a região de que não há nenhum risco de proliferação da aftosa no Estado, já que a Adepara está atuando com rigor nas três zonas paraenses, fazendo vigilância, fiscalização e controle da doença. Luiz Pinto afirma que o Pará foi escolhido para sediar a assinatura do documento por ser considerado o Estado brasileiro com maior potencial de crescimento nessa área, a partir da utilização correta da área já ocupada e da abertura de novas áreas de criação, seguindo o modelo de Zoneamento Ecológico Econômico do Estado. “O Pará tem mais de 15 milhões de cabeças de gado e essa produção pode crescer em produtividade e exportação”, afirma.

Crescimento do PIB paraense supera taxa nacional

A informação confere com números divulgados em dezembro de 2003 pela Diretoria de Estudos, Pesquisas e Informações Sócio-Econômicas da Secretaria Executiva de Planejamento, Orçamento e Finanças (Sepof), em conjunto com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os dados mostram que o Produto Interno Bruto (PIB) do Pará cresceu 4,7% em 2001, atingindo a marca de R$ 21,7 bilhões. Este desempenho fez o Estado subir uma posição no ranking do PIB no Brasil, passando de 13º, posição alcançada em 2000, para 12º lugar em 2001. O crescimento do PIB paraense superou em muito a taxa brasileira, que foi de 1,3% para o mesmo período, e encostou-se à média da Região Norte, que registrou 4,76% de crescimento em 2001. O Estado ocupa a liderança regional, participando com 38,14% na composição do PIB do Norte.

Importância – A participação paraense na composição do PIB nacional a preço de mercado também aumentou, passando de 1,76% para 1,81% no mesmo período. Uma participação importante, quando se leva em conta que a soma dos PIBs dos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, os três primeiros colocados na lista, representa mais de 55% do Produto Interno Bruto nacional. O setor agropecuário paraense contribuiu para esse crescimento com 4,33%. O PIB agropecuário do Estado atingiu, naquele ano, R$ 4,8 bilhões, com uma participação de 23,44% na composição do PIB estadual, confirmando a trajetória de crescimento iniciada em 1998.

Reconhecimento internacional de área livre depende de parceria

Os dados da Sepof, divulgados sempre com um intervalo de dois anos, em função da metodologia utilizada, que requer a coleta de informações que só estão disponíveis após o encerramento de cada ano, como os balanços de empresas, por exemplo, podem surpreender em 2005, caso o Pará consiga o reconhecimento internacional da Zona I como Zona Livre da aftosa, que já é reconhecida nacionalmente. A avaliação está sendo feita pela Organização Internacional de Epizootias (OIE), em Paris. A organização deve divulgar o resultado até o mês de outubro deste ano. O pedido envolve a região centro-sul do Estado do Pará, juntamente com o Estado do Acre e dois municípios do Estado do Amazonas, que constituem a proposta brasileira para ampliação da zona livre de febre aftosa com vacinação. O processo de reconhecimento internacional é conferido pela Organização Mundial de Saúde Animal, através da OIE. Mas, a Adepará, criada em 2002, para atuar na proteção, defesa e garantia da produção e da produtividade sustentada de alimentos no Estado, faz um alerta. “Não existe a mínima condição de alcançarmos o status de área livre para o rebanho paraense sem a efetiva parceria com o produtor”, afirmou Luiz Pinto.

Especulação é um problema ainda maior que a doença

A Zona I, que envolve 43 dos 143 municípios do Pará, abriga hoje 647 km de terras, totalizando 54.748 propriedades criadoras, com um rebanho de 10.699.783 cabeças. A cobertura vacinal nesta área é de 94,32%. Porém, nas últimas duas semanas, Rússia e Argentina suspenderam a importação de todas as carnes brasileiras após a informação de que havia um foco de aftosa no Pará. A decisão deixa o Brasil, e em especial o Pará, em uma situação delicada. O que é mais grave é que a especulação está sendo maior que o problema. No caso da Rússia, por exemplo, a decisão foi tomada por que o governo daquele país achou, a princípio, que o foco era no Paraná e não no Pará. A Argentina seguiu o exemplo da Rússia, mesmo sem a confirmação de que o foco era comprovado. Segundo o diretor geral da Agência de Defesa Agropecuária do Pará, Luiz Pinto, que passou dois dias nos municípios de Monte Alegre e Santarém, esclarecendo aos pecuaristas, imprensa e demais segmentos sobre a ação do Estado e do Ministério da Agricultura contra a aftosa, o problema todo foi gerado pela falta de informação ou pela divulgação incompleta dessa informação. “Não temos um foco de aftosa no Pará. Temos a suspeita de que, do material coletado em três animais, um único pode ter aftosa, já que apresentou os sintomas da doença”.
Fases do exame Luiz informa que a comprovação da aftosa só acontece após a realização de três fases do exame laboratorial e que apenas os resultados do primeiro exame foram divulgados, restando ainda duas fases a serem feitas com o material coletado esta semana. O resultado final só sai na próxima semana e será divulgado pelo Laboratório de Patologia Animal do Ministério da Agricultura. Ele também adiantou que o sacrifício dos 160 animais da fazenda São Francisco não está descartado e que todos os procedimentos necessários já foram tomados, como o isolamento da fazenda, a publicação da portaria 002, que proíbe o trânsito dos animais em um raio de 25 km da fazenda suspeita de abrigar o foco e do trabalho conjunto entre Adepará, Delegacia Federal de Agricultura, sindicatos, associações de criadores e demais segmentos na região. Mesmo assim está havendo o que ele chamada de teoria de informações truncadas. “Estamos sendo transparentes com o público nesta situação e agindo de acordo com o Código Sanitário. Mas, após uma reunião com o secretário Especial de Produção, Vilmos Grunvald, vamos avaliar a situação. Se for necessário, teremos que sacrificar os animais. O abatimento sanitário será em um matadouro de Santarém”, afirmou.


Folha do Amapá – D´´ario do Pará
http://www.folhadoamapa.com.br

Compartilhe esta postagem nas redes sociais

Da Redação

Alimentação e agricultura no centro das preocupações

A Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) anunciou hoje a entrada em vigor de um tratado internacional sobre os recursos genéticos das plantas, que é considerado “essencial para a agricultura”. O documento foi finalmente ratificado por 55 países, o que o torna válido.

Este tratado é “um texto juridicamente vinculativo sobre a agricultura sustentável”, que adquiriu hoje força de lei ao ser ratificado por 55 nações, e que marca o início de uma “nova era”, segundo o secretário da comissão intergovernamental sobre os recursos genéticos para a alimentação e agricultura, José Esquinas-Alcázar.

O documento abarca 35 culturas para alimentação humana e 29 culturas para pasto e forragem e agrega pela primeira vez, num texto deste tipo e à escala mundial, as comunidades locais e indígenas e os agricultores de todas as regiões do mundo num compromisso de “conservação e desenvolvimento dos recursos genéticos das plantas”, frisa a FAO.

A partir daqui, os governos devem acordar com os camponeses o direito de participar nas tomadas de decisão nacionais e de lhes outorgar uma “parte equitativa dos benefícios derivados dos recursos genéticos das plantas”, informa a agência.

Na prática, há hoje 150 espécies vegetais que alimentam toda a população mundial e o arroz, o milho, o trigo e as batatas representam 60 por cento dessa produção. Fora do tratado estão os EUA, a Argentina e o Brasil, que estão entre os maiores produtores agrícolas à escala mundial.


Jornal Última Hora – 29/06/2004
http://ultimahora.publico.pt

Compartilhe esta postagem nas redes sociais

Kelly Oliveira – Agência Brasil

A 5ª Turma do Tribunal Regional Federal (TRF) decidiu ontem liberar o plantio e a comercialização da soja transgênica Roundup Ready. Pela decisão, as empresas Monsanto, Monsoy e a União não precisam apresentar um estudo de impacto ambiental ao Ibama e ficam valendo as licenças concedidas pela Comissão Técnica Nacional de Biosegurança (CTNBio). Mas, na prática, a liberação só será possível depois do julgamento em última instância.
O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IBDC), órgão que entrou com a ação, ainda pode recorrer ao TRF, ao Supremo Tribunal Federal e ao Superior Tribunal de Justiça. A Monsanto vai recorrer para obter a permissão de plantio e comercialização para todas as safras. Uma medida provisória do Governo Federal já havia liberado o plantio com sementes transgênicas existentes e a comercialização de soja já colhida até 2005.


Folha do Amapá – Agência Brasil – 29/06/2004
http://www.folhadoamapa.com.br

Compartilhe esta postagem nas redes sociais

João Caminoto

Londres – O presidente da associação irlandesa de criadores de gado (ICSA, na sigla em inglês), Robin Smith, solicitou ao comissário europeu responsável pela saúde e proteção ao consumidor, David Byrne, um banimento temporário às importações de carne bovina do Brasil dentro do bloco europeu. Segundo o jornal irlandês Irish Independent, o pedido é uma resposta ao surgimento na semana passada de um caso de febre aftosa no Brasil, os primeiro caso no país em quase três anos.

O diário observa que a Argentina e Russia proibiram as importações da carne brasileira nos últimos dias por causa da doença. Segundo Smith, o departamento de Alimentação e Veterinária da União Européia já havia declarado que o sistema para monitorar o movimento de animais no Brasil não pode ser considerado completamente confiável.

Jornal O Estado de São Paulo – 29/06/2004
http://www.estadao.com.br

Compartilhe esta postagem nas redes sociais

De Luís Eduardo Magalhães

As oportunidades de investimento no cerrado brasileiro atordoam a imaginação. Um mundo de oportunidades. Com alguns desses dizeres (e uma enormidade de fotos) a empresa norte-americana AgBrazil apresenta em sua página na internet os serviços que oferece a agricultores e investidores dos EUA: tours para o Oeste da Bahia, assessoria técnica e jurídica para análise e compra de propriedades e a imigração para o país.

A empresa com sede no Missouri, dirigida por um norte-americano que morou no Brasil, Philip F. Warnken, promove esse tipo de turismo que começa a se tornar comum na região de Barreiras e Luís Eduardo Magalhães, as duas principais cidades do Oeste baiano. Segundo o Sindicato Rural de Luís Eduardo Magalhães, cinco americanos mantêm propriedades no município.

Clay Earl, americano do Kansas que chegou à área onde se localiza Luís Eduardo em 1973, explica o porquê do interesse dos fazendeiros do Norte: enquanto nos EUA o hectare de terra custa entre US$ 6 mil e US$ 8 mil, no cerrado baiano terras de boa qualidade podem ser encontradas por cerca de US$ 2 mil. “Normalmente, vêm os agricultores mais velhos, já estabelecidos. Procuram terras para os filhos. Não há mais grandes áreas disponíveis de boa qualidade nos EUA e as que existem são caras”, diz Earl, proprietário de uma fazenda de 4.500 hectares.

O fazendeiro, que planta algodão e soja, atua como “guia” para os grupos de estrangeiros que visitam a região. No ano passado, ele recebeu cerca de 60 pessoas. Este ano, foram cem visitantes até o último mês. Os investidores/agricultores pagam US$ 1.700 (a partir de Brasília) pela estadia de uma semana no Oeste baiano, que inclui visitas a fazendas produtoras de café, soja, algodão e frutas. “Eles têm muitas dúvidas sobre as condições de infra-estrutura, escoamento de produção, valor e qualidade das terras. Indagam sobre segurança. Mas depois de uma semana aqui, vêem que essa não é uma questão relevante”, diz Earl, casado com uma baiana, pai de três filhos e dono de um marcado sotaque baiano.

Segundo Earl, a implantação de uma propriedade agrícola de tamanho médio (entre mil e 2 mil) em áreas de melhor qualidade ( de maior intensidade de chuvas) exige investimento da ordem de R$ 500 mil. (J.A.D.)


Jornal Valor Econômico – 28/6/2004
http://www.valor.com.br

Compartilhe esta postagem nas redes sociais

José Alan Dias, para o Valor De Barreiras


Produção do “ouro branco” cresce 147% entre 2003 e 2004

Considerada o “ouro verde”, a soja encontrou no cerrado baiano um rival com assombroso potencial econômico: o “ouro branco”, como o algodão é chamado no Oeste da Bahia. Em um ano, a produção de algodão na região mais que dobrou -é o cultivo que mais cresce no Estado. Saltou de 240 mil toneladas, em 2003, para 595 mil toneladas (previstos para este ano), alta de 147%.

As demais culturas de grãos registraram índices de crescimento significativos, mas incomparáveis ao do algodão: a produção de milho teve expansão de 48,9%. A de soja cresceu 42,5%; a de sorgo, 38,39%, e a de feijão, 33,3%, de acordo com Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais.

De todo o algodão colhido na Bahia, mais de 85% têm origem no cerrado baiano. Em 1997, não se produzia mais que 10 mil toneladas de algodão na região. Caso a estimativa deste ano se confirme, significa que, em sete anos, terá ocorrido um aumento de mais de 6.400% na produção.

Os resultados da última safra permitiram à Bahia chegar ao segundo lugar na produção nacional, ranking liderado pelo Mato Grosso. A partir de 2005, o algodão deve superar a soja na participação do PIB agrícola da Bahia, prevê João Carlos Jacobsen, vice-presidente da Abrapa (Associação Brasileira dos Produtores de Algodão), ele próprio um migrante, de Clevelândia (PR), que planta algodão no Oeste baiano.

Na estimativa da Abrapa, os 162 mil hectares de algodão na safra 2004 devem resultar em receita de R$ 900 milhões. A soja, em quatro vezes mais de área plantada (820 mil hectares), propiciará receita de R$ 1,4 bilhão.

Os produtores, de algodão e soja, são categóricos: a soja continuará como a principal atividade agrícola da região, em área cultivada _hoje, tem 60% do total contra 12% do algodão. A área ocupada pelo algodão deve ter expansão maior nos próximos anos, o que, somado à rentabilidade do produto, propiciaria, a inversão de posto no faturamento agrícola. “Na safra 2004/2005, o cultivo de algodão deve subir para para 250 mil hectares. Até o final desta década, do estimado 1,8 milhão de hectares plantados no Oeste, 500 mil serão de algodão, ou seja, quase um terço”, diz Eduardo Yamashita, secretário de Agricultura de Luís Eduardo Magalhães.

“A região tem vocação para o plantio de soja. Ela sempre ocupará a maior área. Precisamos considerar que a soja é uma cultura de entrada (de iniciação de produção) e demanda menor investimento”, completa Jacobsen.

Os cálculos da Abrapa são os seguintes: o algodão exige um investimento de US$ 1.400 por hectare plantado, enquanto para a soja esse valor não supera US$ 400. Mas a margem de lucro da cotonicultura é de três a quatro vezes maior. Segundo a associação, a rentabilidade líquida do algodão alcança, pelos atuais preços mundiais, US$ 500 por hectare. Na soja, a rentabilidade varia de US$ 100 a US$ 200.

Há outra razão para o interesse pelo “ouro branco” do Oeste baiano. O algodão do cerrado da Bahia é considerado de melhor qualidade que o de Mato Grosso. “O clima e o tipo de solo permitem que se produza um algodão com fibra mais resistente e longa, o que aumenta seu preço no mercado”, diz Harald Brunckhorst, diretor da agropecuária Maeda, que investiu US$ 2 milhões em uma usina de beneficiamento em Luís Eduardo Magalhães.

“O desenvolvimento do algodão de ótima qualidade ratifica o potencial do Oeste baiano”, diz Humberto Santa Cruz Filho, da Aiba (Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia).

Não por acaso, na região Oeste estão instaladas as principais beneficiadoras do Estado. Do total produzido pela Maeda, por exemplo, 70% é exportado.

O grupo português Mota, de fiação e tecelagem, investirá US$ 30 milhões em áreas de cultivo e em uma beneficiadora em Luís Eduardo. “O algodão da Bahia é um dos melhores do mundo. Instalados aqui deteremos boa parte do processo produtivo”, diz Manuel Mota, diretor do grupo.

Jornal Valor Econômico – 28/6/2004
http://www.valor.com.br

Compartilhe esta postagem nas redes sociais

Por José Alan Dias De Salvador

Região colhe os frutos de uma sofisticada e diversificada evolução na produção agrícola nos três últimos anos

Quando chegou ao Oeste da Bahia, em 1973, a primeira providência da família do norte-americano Clay Earl, à época um adolescente, foi procurar os órgãos do governo para descobrir a quem pertenciam as terras naquele imenso cerrado, cuja única referência era a estrada que ligava o município de Barreiras (853 km de Salvador) a Brasília. De um funcionário público, Clay, o pai e o irmão ouviram que, se eram tão loucos a ponto de quererem comprar terras devolutas do Estado naquela região, poderiam ficar com elas de graça. Bastaria delimitar a área.

Os Earls não escolheram aquele lugar por acaso. O patriarca, que visitara várias regiões brasileiras em busca de terra barata e com potencial produtivo para comprar, se entusiasmara com a topografia plana e a abundância de nascentes de rios.

A expansão dessa “terra de ninguém” começaria, de fato, na virada dos anos 70, quando chegaram os primeiros migrantes da região Sul, em sua maioria gaúchos. Esses descendentes de alemães, italianos, poloneses e húngaros vendiam pequenas propriedades de 20 a 30 hectares para comprar áreas de 10 mil hectares no Oeste baiano.

Passadas quase três décadas, a Bahia, de certa forma, experimenta uma volta ao passado. Desde os anos 90, por meio de uma política agressiva de incentivos, o governo estimula investimentos no setor industrial, estratégia que resultou na instalação de um parque automotivo liderado pela Ford, com investimento de US$ 1,9 bilhão, em 2001, e mais recentemente no anúncio da Continental, fabricante alemã de pneus, de que aplicará US$ 260 milhões na construção de uma unidade, em Camaçari, além do desembarque de fábricas de calçados e informática e novos investimentos na petroquímica e celulose. Além disso, a Bahia consolida-se como um dos mais importantes centros turísticos do país: em 2003, com 4,7 milhões de turistas recebidos, praticamente empatou com São Paulo no segundo posto – perde apenas para o Rio.

A Bahia ostenta ainda uma assombrosa evolução em sua produção agrícola – notadamente nos três últimos anos. É uma volta ao passado que não mais depende de uma única cultura, como fora o cacau até a década de 50, mas com uma produção diversificada e sofisticada. E que tem o Oeste como centro. A região, que ocupa 28,5% do território baiano e abriga 39 municípios, será responsável por 62% da soja, quase 90% do algodão, 27% do milho e 6% das frutas produzidas no Nordeste na safra 2004.

O Oeste baiano tem hoje 1,36 milhão de hectares cultivados. Pelas estimativas da Aiba (Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia), o potencial de expansão de áreas agricultáveis chega a mais 3 milhões de hectares.

Entre o início da década de 90 e o ano passado, a área cultivada no Oeste da Bahia cresceu 191%. Do total de área plantada na safra 2003/2004, 60% foi ocupado pela soja, 13% pelo milho, 12% pelo algodão, 2% por arroz, 1% por café, outro 1% por frutas e o restante dividido entre culturas que incluem sorgo, capim e milho de pipoca. “Uma das razões para os excelentes resultados da região é essa diversificação produtiva”, diz Humberto Santa Cruz Filho, presidente da Aiba.

A produção total de grãos na região passou de 792 mil toneladas (em 1992) para os 4,115 milhões previstos pelo governo para a região neste ano. No total, a Bahia deve colher 5,37 milhões de toneladas de grãos em 2004.

Com 2,216 milhões de toneladas na atual safra (aumento de 42,5% em relação a 2003), o Oeste concentra toda a produção de soja do Estado e 4% do total do país. A Bahia é hoje o sétimo maior produtor nacional.

Nada comparável ao excelente resultado obtido pelo algodão. A produção aumentou de 240 mil toneladas, em 2003, para 595 mil toneladas (previstas para este ano), aumento de 147%. A Bahia ocupa desde o ano passado o segundo lugar na produção nacional, atrás do Mato Grosso. O “ouro branco” deve, a partir do próximo ano, superar a soja na participação do PIB agrícola da Bahia, prevê João Carlos Jacobsen, da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão.

Não bastasse, o cerrado da Bahia vê o aumento, ano a ano, da área cultivada de café. São 13.400 hectares, que equivalem a 12% da área cultivada de café no Estado. Com a expectativa de colheita de 670 mil sacas, o Oeste responderá por um quarto da produção baiana (de 2,4 milhões de sacas).
O aumento da área irrigada permitiu que fosse implantado um novo pólo de fruticultura, a exemplo do existente nos arredores de Juazeiro e Petrolina (PE). A região exporta frutas para Inglaterra, França, Portugal e Holanda.

A revolução no Oeste baiano é perceptível em mais indicadores. A cidade de Luís Eduardo Magalhães, antigo distrito de Barreiras, da qual está distante 94 quilômetros, viu sua população dobrar entre 2000 (data do último Censo do IBGE) e este ano (de 20 mil para cerca de 44 mil pessoas).

O espetacular desempenho agrícola atraiu gigantes estrangeiras, como a Bunge, que mantém em Luís Eduardo sua maior unidade de processamento de soja no Brasil e uma fábrica de fertilizantes. Outro gigante, a norte-americana Cargill, processa soja em Barreiras. A Galvani instalou uma fábrica de fertilizantes em Luís Eduardo. A fabricante de tratores John Deere mantém na cidade sua maior revenda na América Latina – e tem ainda uma revenda em Barreiras.

A Bahia não olha apenas para a nova fronteira. A expansão agrícola em outras áreas permitiu que as pequenas Mucugê e Ibicora, na Chapada Diamantina, se tornassem plenas em emprego.

No ano passado, enquanto a economia brasileira, como um todo, ficou estagnada (o PIB teve variação negativa de 0,2%), o PIB da Bahia cresceu 3%. O Estado consolidou sua participação de 6% no PIB total brasileiro. Entre este ano e 2008, estão programados investimentos de R$ 21,631 bilhões no Estado, apenas no setor industrial.

A balança comercial da Bahia registrou no ano o maior saldo comercial de sua história – saltou de R$ 532 milhões em 2003 para o R$ 1,334 bilhão em 2004.

No setor de turismo, estão confirmados investimento de US$ 250 milhões do espanhol Iberostar na construção de um resort com 1.400 apartamentos na praia do Forte. A praia de Itacaré, no sul do Estado, abrigará o primeiro hotel seis estrelas do país, a ser construído também por um grupo português.

“O grande desafio da Bahia agora é melhorar seu IDH (Índice de Desenvolvimento Humano)”, diz o secretário estadual do Planejamento, Armando Avena. No ranking que abrange de 1991 a 2000, a Bahia estava em 22º lugar entre os Estados brasileiros.


Jornal Valor Econômico – 28/6/2004
http://www.valor.com.br

Compartilhe esta postagem nas redes sociais

Taciana Collet De São Paulo


Na presença de representantes do Movimento dos Sem-Terra (MST) e dos Trabalhadores em Agricultura (Contag), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresentou ontem oficialmente o Plano Safra para Agricultura Familiar 2004-2005 com R$ 7 bilhões em crédito rural. Os recursos são 30% maiores do que os oferecidos no período anterior. Ao discursar, Lula observou que não faltará dinheiro para a agricultura familiar e que, se houver projetos, o valor disponível pode chegar a R$ 8 bilhões. ” Vamos trabalhar com essa certeza, porque sempre é possível a gente arrumar um pouco mais. ”

No ano passado, foram anunciados R$ 5,4 bilhões, mas R$ 900 milhões não foram liberados. ” Só para se ter uma idéia da gravidade, nos anos anteriores, apenas 57% do dinheiro que era anunciado chegava na mão dos trabalhadores. Neste ano, nós superamos 85%, ou seja, precisamos chegar à perfeição e chegar aos 100% ” , lembrou. ” Para isso, temos que conversar com os bancos privados para que eles coloquem o dinheiro à disposição. ” Dos R$ 7 bilhões anunciados, R$ 2 bilhões ficarão nas instituições privadas.

” É preciso que as pessoas compreendam que um cidadão que vai ao banco pegar R$ 2.500 tem que ter o mesmo respeito de um cidadão que vai pegar R$ 3 milhões. Ele é cliente do banco e está se beneficiando de uma política elaborada pelo governo e, portanto, essa pessoa tem de ser bem tratada ” , ressaltou o presidente. ” Eu tenho tido depoimentos de pessoas que dizem que estão sendo tratadas como gente agora. Mas pode ter uma ou outra região ainda com debilidade e, se isso ocorrer, vocês precisam nos comunicar porque, de Brasília, a gente não é obrigado a saber o que acontece em cada agência espalhada pelo Brasil. ”

Os recursos do Plano Safra atenderão cerca de 1,8 milhão de famílias de todas as regiões do país (400 mil a mais), com linhas de crédito específica jovens e mulheres que moram no campo. A agricultura familiar responde por 40% de tudo o que produzido na zona rural do Brasil e gera sete de cada dez postos de trabalho no campo segundo o Ministério do Desenvolvimento Agrário. Os números mostram que os produtores familiares respondem por 31% do arroz, 67% do feijão, 58% dos suínos e 52% do leite, 84% da mandioca. Também foram responsáveis por 1/3 das 50 milhões toneladas de soja da última safra.

“Muitas vezes se vende a idéia de que o trabalhador na agricultura familiar é sempre um coitadinho, mas é preciso observar o que faz a agricultura familiar. É necessário que a gente dê a devida importância a esse segmento da sociedade”.

Ao discursar na cerimônia, o coordenador nacional do MST, João Paulo Rodrigues, elogiou o governo Lula e disse que o movimento quer ajudar o presidente a fazer a maior reforma agrária do país. Mas disse que a liberação dos transgênicos “inviabiliza” programa de soberania alimentar. O presidente da Contag, Manoel José dos Santos, também discursou e cobrou a liberação dos recursos do programa “Compra Antecipada” que estão contingenciados. ” O dinheiro do Plano Safra ainda não é tudo, nossa pauta é superior, mas quando a gente pedir e o governo atender 100% é porque não sabemos pedir ” , afirmou o presidente da Contag.

Lula rebateu: “Às vezes vocês reivindicam coisas que são impossíveis de o governo cumprir, e, com a mesma lealdade que nós temos nos tratado nesses últimos 30 anos, eu vou dizer para você: não posso.”


Jornal Valor Econômico – 29/6/2004
http://www.valor.com.br

Compartilhe esta postagem nas redes sociais

Depois de produzir três clones, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa – está desenvolvendo a primeira vaca transgênica do país. As pesquisas começaram há oito meses e estão na fase de produção de embriões. O animal terá uma característica inserida em seu código genético que permitirá a produção de fatores de coagulação sanguínea, utilizados pela indústria de hemoderivados. Esses fatores poderão ser extraídos do leite da vaca transgênica, barateando o custo dos remédios fabricados a partir do sangue.

Além dos fatores de coagulação, os técnicos da Embrapa também estão tentando incluir nos embriões de bovinos material genético do hormônio do crescimento. “É muito mais fácil extrair esses materiais do leite”, explicou o chefe Geral de Recursos Genéticos e Biotecnologia da Embrapa, José Manuel Cabral Dias. Os clones transgênicos vêm sendo pesquisados pelos principais centros de biotecnologia do mundo, que buscam produzir os chamados animais “biorreatores”, capazes de produzir substâncias que possam ser utilizadas como matéria-prima para a indústria farmacêutica.

Dias estima que o nascimento da primeira bezerra transgênica só ocorrerá daqui a três anos. A indústria farmacêutica deve levar mais cinco anos para desenvolver os medicamentos.

Mas nem só de conquistas caminha a ciência. No dia 30 de maio, a Embrapa sofreu um revés que só foi anunciado ontem. Morreu a bezerra “Vitoriosa”, primeiro animal na América Latina clonado de outro clone, no caso, a vaca “Vitória”. A bezerra tinha quatro meses e meio e sofreu um “choque cardiogênico” causado por hipertensão arterial. Os responsáveis pela pesquisa ainda não sabem se a morte está relacionada ao fato do animal ser clone de outro clone. A bezerra foi criada a partir de um tecido da orelha de “Vitória”, primeiro clone bovino do continente que nasceu em 2001 e que até hoje apresenta desenvolvimento normal.

A morte de “Vitoriosa” surpreendeu os pesquisadores. “Estávamos bastante otimistas com a Vitoriosa, que estava ganhando peso como qualquer bezerro da sua raça [Simental]”, disse o líder das pesquisas de reprodução animal da Embrapa, Rodolfo Rumpf.

A Embrapa criou ainda um terceiro clone, a bezerra “Lenda”, de nove meses, produzida a partir de células do ovário de uma vaca já morta. “Lenda” também apresenta um desenvolvimento normal. O órgão tem demanda para clonar cabras, ovelhas e eqüinos, mas não tem previsão de quando estes experimentos serão iniciados.


Jornal Valor Econômico – 29/6/2004
http://www.valor.com.br

Vinicius Doria De Brasília

Compartilhe esta postagem nas redes sociais

Da Redação


O anúncio do plano safra feito hoje pelo governo federal desagradou as entidades de pequenos agricultores gaúchos. Foram liberados R$ 7 bilhões para o Plano Safra Agricultura Familiar 2004-2005.
Os agricultores gaúchos terão uma fatia de R$ 1,2 bilhão através de financiamentos. A quantia liberada neste ano é superior à do ano passado. Os recursos são 30% superiores aos R$ 5,4 bilhões anunciados na safra anterior. Segundo previsão do governo federal, as famílias de agricultores atendidas passarão de 254 mil para 350 mil.

Conforme a Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag), os recursos são insuficientes, pois a entidade pediu R$ 13 bilhões para financiar a próxima safra, informou o secretário da entidade Elton Weber.

Já o vice-presidente da Fetag, Sérgio de Miranda, considerou importante o acréscimo no volume de recursos anunciados pelo governo federal. “Mas o ideal seriam R$ 13 bilhões, o dobro do anunciado”. Miranda disse que os recursos ainda são poucos para atender os pequenos agricultores. Ele explicou que na safra do ano passado foram liberados R$ 900 milhões e muitos produtores não tiveram acesso ao crédito para o custeio.

O diretor da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar no RS (Fetraf-Sul), Eloir Grizeli, teme que nem toda a verba anunciada chegue aos agricultores. Segundo o dirigente, a entidade pedia R$ 15 bilhões. Já o Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) avalia que serão necessários R$ 20 bilhões.

O MPA tentará negociar mais recursos com o governo federal. Caso as verbas não sejam ampliadas, os agricultores terão que promover novos protestos nas ruas, informou Áureo Scherer, coordenador do MPA. Ele disse que são cerca de 400 mil famílias de pequenos agricultores. Nesta manhã o MPA promoveu manifestação em frente a uma agência bancária, na avenida Farrapos, na capital, para mostrar o descontentamento.


Portal Terra
http://www.terra.com.br

Compartilhe esta postagem nas redes sociais

Fabíola Salvador


Nascida em fevereiro, Vitoriosa da Embrapa vinha se desenvolvendo bem, mas morreu por choque de hipertensão

Brasília – A bezerra Vitoriosa da Embrapa, clone de um animal clonado, morreu no último 30 de maio às 13h00, por choque cardiogênico causado por hipertensão arterial. O animal nasceu no dia 5 de fevereiro e vinha apresentando crescimento adequado ao padrão de sua raça, simental, ganhando cerca de 1,2 a 1,3 quilo por dia, segundo a assessoria de imprensa da Embrapa.

Vitoriosa é filha de outro clone, a Vitória da Embrapa, primeiro clone bovino da América Latina, nascido em 2001. Foi gerada a partir de células isoladas de um pedaço de pele retirado da orelha de Vitória, quando esse animal tinha aproximadamente um ano de idade.

Os pesquisadores não podem afirmar que os problemas de hipertensão sejam provocados pelo fato de Vitoriosa ser um animal clonado. “Existem registros de hipertensão arterial em outros casos de clonagem na literatura científica e também em animais que não são clones”, disse o veterinário Rodolfo Rumpf, coordenador do projeto.

A mãe de Vitoriosa, com três anos e três meses de idade, está em ótimo estado de saúde, segundo a Embrapa. A empresa busca uma tecnologia que permita preservar espécies ameaçadas de extinção e também melhorar o rebanho nacional, com a reprodução de animais mais resistentes a doenças e parasitas.

Vitoriosa era resultado de um experimento realizado nos laboratórios de reprodução animal da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, uma das 40 unidades da Embrapa, localizada em Brasília.

O desenvolvimento do clone do clone fazia parte da tese de doutorado da estudante Lílian Iguma, que está sendo desenvolvida no Curso de Pós-Graduação em Biologia Molecular da Universidade de Brasília (UnB).

No experimento foram produzidos 35 embriões que foram transferidos para 17 receptoras, ou “mães de aluguel”, como são mais conhecidas. No dia 5 de fevereiro, também às 13h00, depois de 293 dias de gestação, uma das receptoras deu à luz a bezerrinha.

Desde o seu nascimento, Vitoriosa era monitorada em relação aos aspectos clínicos, hematológicos e bioquímicos pela equipe da Unidade da Embrapa e do Hospital Veterinário da Universidade de Brasília (UnB).


Jornal O Estado de São Paulo – 28/06/2004
http://www.estadao.com.br

Compartilhe esta postagem nas redes sociais

Tânia Monteiro


Brasília – O líder do Movimento dos Sem-Terra (MST) João Paulo Rodrigues reconheceu, em discurso durante o lançamento do Plano de Safra da Agricultura Familiar 2004/2005, que o governo tem feito muita coisa pelo setor e que é a primeira vez na história que há um volume tão grande de recursos (R$ 7 bilhões), “nunca visto antes”.

Entretanto, ele manifestou três preocupações: a liberação de produtos transgênicos, porque inviabiliza mercado para a agricultura familiar; a instituição do seguro-safra, para evitar prejuízo aos investidores em caso de perda; e a garantia da compra antecipada da produção.

João Paulo disse que os agricultores ainda enfrentam muitos problemas nos bancos quando contratam crédito. “Mas não é mais a ditadura dos gerentes”, ressaltou, referindo-se às dificuldades que os gerentes impunham para a concessão dos empréstimos.

Novas invasões
Questionado se haverá novo “abril vermelho”, isto é, uma série de invasões de terras, por exemplo em outubro, o líder do MST disse que “outubro vermelho será com as bandeiras do PT assumindo as prefeituras”, referindo-se às eleições municipais. Ele, no entanto, não descartou novas invasões, mas ressaltou que, provavelmente, não haverá mais invasões de prédios públicos, porque “a luta do MST não é contra o governo, mas contra o latifúndio improdutivo”.

O ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, disse que, a partir de julho, todos os assentamentos de reforma agrária disporão de assistência técnica. “Isso é reforma agrária com qualidade social”, afirmou.

Reivindicações
O presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Manoel dos Santos, disse que a entidade continuará colocando pessoas na rua para fazer reivindicações e pedir avanços sociais. “Mas nós somos obrigados a reconhecer que as coisas melhoraram”, afirmou.

Em resposta, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva encorajou os trabalhadores a continuarem reivindicando. “Não tenham medo de reivindicar. O papel dos movimentos é reivindicar”, afirmou, ressaltando que, quando alguma reivindicação for impossível de cumprir, o governo o dirá sinceramente.


Jornal O Estado de São Paulo – 28/06/2004
http://www.estadao.com.br

Compartilhe esta postagem nas redes sociais

Tânia Monteiro

Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assegurou hoje, durante a cerimônia de lançamento do Plano de Safra para a Agricultura Familiar 2004-2005, que não faltarão recursos para o setor. Ele disse que serão liberados R$ 7 bilhões em créditos para agricultores familiares e assentados da reforma agrária, o que representa um crescimento de 30% em comparação com os alocados no ano passado para o setor.

Segundo ele, se aparecerem pedidos para elevar este valor para R$ 7,5 bilhões ou R$ 8 bilhões, eles serão atendidos. “Sempre é possível arranjar mais um pouco”, afirmou Lula, na cerimônia realizada no Palácio do Planalto.

Ele lembrou que, quando assumiu o governo, apenas 57% dos recursos disponibilizados para a agricultura familiar chegavam aos agricultores e disse que, na última safra, foi alcançado o índice de 85%. O maior obstáculo, anteriormente, eram as exigências cadastrais feitas pelos bancos.

“É claro que ainda falta muita coisa, e precisamos que os bancos privados dêem a sua contribuição”, afirmou, pedindo aos agricultores que, se encontrarem alguma dificuldade, se manifestem e se queixem, porque, muitas vezes, por não saber o que acontece, um ministro ou presidente de banco não toma a medida certa para beneficiar o setor.


Jornal O Estado de São Paulo – 28/06/2004
http://www.estadao.com.br

Compartilhe esta postagem nas redes sociais

Renée Pereira


Combustível feito com óleos vegetais poderá ser acrescido ao óleo diesel na proporção de 2%, já a partir de 2005


São Paulo – Quase 30 anos após a criação do maior programa de combustível renovável do mundo, o Proálcool, o Brasil volta a apostar num novo projeto de energia limpa: o biodiesel, uma alternativa para reduzir a dependência do petróleo, melhorar a qualidade do ar e contribuir para a inclusão social.

Se a regulamentação sair em novembro, como previsto, a partir de 2005 os veículos brasileiros movidos a óleo diesel (caminhões, locomotivas e ônibus) já estarão circulando com um porcentual de biodiesel.

A ministra de Minas de Energia, Dilma Rousseff, afirmou que o combustível renovável deverá ser um dos principais focos do governo Lula.

Segundo o secretário-executivo do ministério, Maurício Tolmasquim, a intenção é começar o Programa de Biodiesel com o chamado B2, ou seja, misturar 2% do combustível renovável no diesel, o que significará cerca de 800 milhões de litros de biodiesel na frota brasileira. O aumento deverá ser gradual, podendo chegar a 5% em 2010.

O combustível renovável é produzido com óleos vegetais, novos ou usados, gorduras animais, resíduos industriais e esgoto sanitário reagidos com um porcentual de metanol ou etanol (álcool extraído da cana-de-açúcar). O processo resulta em biodiesel e glicerina – matéria-prima empregada na indústria de cosméticos e explosivos.

Mas no Brasil o foco está, especialmente, nos óleos vegetais, obtidos a partir da soja, mamona, dendê, milho, girassol, babaçu, palma, algodão e colza reagidos com álcool etílico. “Assim, teremos um combustível 100% renovável”, afirma o professor da Universidade de São Paulo (USP) Miguel Dabdoub, responsável pela fórmula do biodiesel com álcool da cana-de-açúcar.

Mas além da questão ambiental, o uso do biodiesel – que praticamente não emite enxofre – também deve ser estratégico do ponto de vista econômico. Segundo Tolmasquim, o diesel representa um grande gargalo para o País, que tem de importar 15% do combustível consumido (6 bilhões de litros, que custam cerca de US$ 1,2 bilhão). Mesmo que o Brasil alcance a auto-suficiência em petróleo, haverá necessidade de importar diesel comum.

Isso porque o óleo extraído não tem qualidade para a produção daquele combustível. “A adoção do biodiesel tende, aos poucos, a diminuir nossa dependência do diesel comprado no mercado internacional”, diz Tolmasquim.

Ele afirma que a intenção do governo é voltar-se principalmente para a produção de biodiesel de óleo de mamona. Cerca de 50% do combustível que será consumido no País deve vir dessa matéria-prima, por causa do apelo social.

A plantação, cultivo e colheita da mamona são intensivos em mão-de-obra, contribuindo para a criação de empregos e distribuição de renda para milhares excluídos nas regiões mais carentes, argumenta o assessor da presidência da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), José Roberto Rodrigues Peres. Além disso, a mamona é facilmente adaptável ao semi-árido do Nordeste.

Jornal O Estado de São Paulo – 28/06/2004
http://www.estadao.com.br

Compartilhe esta postagem nas redes sociais