Por Clayton Campanhola (*)

O Programa Nacional de Biodiesel será grande aliado para avançar nas pesquisas

A agricultura energética desponta no cenário mundial como uma grande oportunidade para promover profundas mudanças no agronegócio brasileiro. É incontestável a necessidade de se buscar novas fontes de energia renovável, destacando como grande alternativa a energia proveniente da biomassa.

Em 2003, cerca de 85% da energia consumida no mundo foi proveniente de combustíveis fósseis, sendo que 80% disso por não mais que dez países ricos que respondem também por cerca de 80% da poluição atmosférica mundial.

Porém, países com alta densidade populacional e com dificuldades energéticas, como a Indonésia, a China e a Índia, serão grandes importadores de energia. Por exemplo, em 2018, estima-se que a Índia necessitará de energia equivalente a sete bilhões de barris de petróleo anuais, importando um terço deste volume. Nos anos 90, a China foi exportadora de petróleo, em 2003 começou a importar petróleo e gás natural e em 2020, a probabilidade é de que 60% de seu óleo e 30% de seu gás natural sejam importados. O Japão já decidiu adicionar 3% de álcool na gasolina prevendo chegar a 10% em um prazo relativamente curto, o que significa consumir 6 bilhões de litros de álcool por ano, quase a metade da atual produção brasileira.

Aliadas a esses fatos, outras ações como a decisão da indústria automobilística em desenvolver o carro bicombustível (flex fuel), a necessidade dos países signatários em atenderem o Protocolo de Quioto e as previsões da diminuição das reservas dos combustíveis fósseis motivaram os produtores de álcool a apostar a curto prazo no aumento significativo do consumo de biocombustíveis no mercado interno e, a médio prazo, no mercado internacional.

Estudos baseados em programas de vários países permitiram projetar que a demanda potencial apenas do álcool para o ano de 2010 será de 38 bilhões de litros a mais do que os consumidos em 2000. As grandes questões são: como o Brasil irá se inserir neste cenário? Onde e como se produzirá este combustível renovável?

Um setor bastante desenvolvido no Brasil é o sucroalcooleiro, ampliado agora com as perspectivas de lançamento do biodiesel, formado através da mistura de etanol ao diesel de petróleo, com diversas pesquisas dos setores público e privado em andamento.

Neste caso, o Brasil, com capacidade atual instalada de produção de 16 bilhões de litros/ano, possui hoje estrutura para atender a demanda de etanol e possui um imenso potencial para expandir a produção e a produtividade desta cultura.

A novidade também é que, além do álcool, diversos óleos vegetais de importância regional têm despontado com excelentes fontes para produção de biocombustíveis, especialmente para o óleo diesel vegetal. Somente para a mamona, existe uma área de mais de 3 milhões de hectares aptas para seu cultivo, grande parte deles no semi-árido nordestino. No norte, o dendê pode ser a grande opção, onde existem mais de 50 milhões de hectares de áreas desmatadas com aptidão para o seu plantio. A soja, o girassol e o algodão despontam como as principais alternativas para o centro-sul. Nos cerrados, é possível expandir a produção pela integração agricultura-pastagem.

Além do aspecto econômico e ambiental, a agricultura de energia pode também se tornar uma grande alternativa para a agricultura familiar gerando emprego e renda para esse segmento. Destaca-se a possibilidade de se aumentar significativamente o plantio de oleaginosas; a implantação do processo de produção do óleo diesel vegetal em comunidades organizadas; o processamento e utilização da torta para alimentação humana e de animais, com grande agregação de valor etc.

O Programa Nacional de Biodiesel, a ser lançado pelo governo federal, será um grande aliado para avançar mais rapidamente nas pesquisas voltadas para definir, por exemplo, as melhores proporções das misturas, a redução dos custos, as melhorias no processo produtivo e o aproveitamento de resíduos.

A Embrapa, em colaboração com diversas instituições parceiras, tem muito a contribuir na pesquisa, em várias áreas do conhecimento científico: estudos agronômicos (avaliação de culturas, potencial genético, manejo de culturas, zoneamento); estudos na área química, engenharia química, engenharia mecânica e engenharia ambiental (catalisadores, padronização, aproveitamento de resíduos); melhorias dos processos de extração (custo, balanço energético) e estudos econômicos de viabilidade e impactos sócioeconômicos.

Por outro lado, o setor produtivo e o governo deverão se preocupar com a intensificação em pesquisa e desenvolvimento na produção primária e no processamento, com a quantificação da demanda do mercado interno e externo, com a avaliação da capacidade de produção de oleaginosas no país, com o incentivo ao extrativismo sustentável de espécies de palmáceas nativas, com o incentivo ao cultivo de oleaginosas perenes com domínio tecnológico (ex. dendê); com os estudos de cenários em função da introdução do biodiesel na matriz energética brasileira (estudos dos efeitos do aumento da oferta de óleo diesel vegetal e conseqüentes subprodutos nos segmentos da cadeia produtiva das oleaginosas). Enfim, há um campo enorme de estudos pela frente.

(*) Clayton Campanhola é diretor-presidente da Embrapa


Jornal Valor Econômico – 21/6/2004
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Vinicius Doria Brasília

Apesar de o governo ter aumentado em 45% o volume de recursos para financiar a próxima safra, o Plano de Safra 2004/05 anunciado na sexta-feira pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva não agradou ao setor privado. Enquanto a parcela para custeio e comercialização com taxas de juros subsidiados pelo Tesouro Nacional – R$ 17,7 bilhões – cresceu 7,9% em relação a 2003/04, o dinheiro disponível para os programas de financiamento com juros livres aumentou 121%, passando de R$ 5 bilhões para R$ 11,05 bilhões.

Para os representantes do agronegócio nacional, os recursos com juros controlados não são suficientes para atender as necessidades de financiamento do setor. “Ficou pior que o ano passado, isso pode afetar o futuro da produção brasileira”, disse Macel Caixeta, presidente da Comissão Nacional de Cereais e Oleaginosas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Como os limites de crédito de custeio por produto continuam os mesmos (com exceção da cana-de-açúcar) e o custo de produção aumentou, Caixeta afirmou que, na prática, “está havendo redução dos recursos para custeio”.

Para o deputado federal Leonardo Vilela (PP-GO), da comissão de agricultura da Câmara, a redução do volume de crédito equalizado deve afetar a rentabilidade do produtor.

“Como o agronegócio vai bem, foi o que o governo pode fazer”, disse ao Valor o gerente-executivo de Agronegócio do Banco do Brasil, José Carlos Vaz. Ele explicou que mais de 90% dos produtores não vão utilizar o limite de crédito de custeio fixado para cada produto. Apenas os grandes produtores, agroindústrias e cooperativas precisarão buscar outras fontes de financiamento. “É uma forma de fazer com que o recurso do crédito rural vá para quem realmente precisa, que é o pequeno e o médio produtor”, justificou Vaz.

Uma das mudanças reforça esse entendimento. O governo limitou em R$ 10 milhões o montante de crédito que cada agroindústria poderá tomar em Empréstimo do Governo Federal (EGF), Nota Promissória Rural (NPR) e Duplicata Rural. Antes, o limite era de 50% da capacidade de beneficiamento da empresa.

O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, reconheceu que “o governo não tem como atender toda a demanda”. Por isso ele aposta no investimento privado, que terá novas opções de papéis. O Certificado de Recebíveis do Agronegócio será emitido por empresas e bancos e lastreado em recebíveis como CPRs, promissórias e duplicatas. Já o Certificado de Depósito Agropecuário (CDA) e o Warrant Agropecuário (WA) são papéis que vão permitir que grandes investidores disputem produtos agropecuários com os tradicionais compradores. O CDA é um título de crédito que representa a promessa de entrega de determinado produto estocado. Já o WA confere direito de penhor sobre o produto do CDA.

Também serão regulamentados os contratos de opção privada. Esse papel evita que o governo seja obrigado a destinar recursos orçamentários para exercer a opção de compra, caso os preços não sejam atraentes no vencimento do contrato. Na opção privada, o Tesouro reserva apenas o recurso para pagar a diferença entre o preço de mercado e o preço de exercício da opção.

Ao preservar o Tesouro de gastos adicionais com subsídios, o governo conseguiu aumentar de R$ 27,15 bilhões para R$ 39,54 bilhões os recursos para financiamento da agricultura comercial na próxima safra. Os recursos para investimentos cresceram de forma considerável. São R$ 19,7 bilhões, aumento de 86,1% . O Moderfrota – Programa de Modernização da Frota Agrícola – fica com a maior parte: R$ 5,5 bilhões.

Os atuais preços mínimos foram mantidos para os principais produtos. Apenas os de importância regional, como castanha-do-pará e castanha-de-caju, tiveram seus preços mínimos corrigidos. No dia 28, será anunciada a programação de recursos para a agricultura familiar, que deverá atingir R$ 7 bilhões.

O professor Guilherme Dias , da Faculdade de Economia da Universidade de São Paulo (FEA/USP ), não mostra otimismo com o aumento do crédito anunciado pelo governo. Ele observou que nem todo volume de recursos chegam ao produtor. “O governo não tem controle de todos os volumes de recursos”, disse. Na prática, segundo ele, o governo trabalha com parte dos recursos “virtual”, uma vez que não há um controle exato de quanto dos volumes das exigibilidades sobre a poupança irão para o crédito rural. “Boa parte dos recursos também está amarrado ao orçamento do governo.”

Neste ano, ao contrário dos últimas três safras, o cenário para grãos é de preços retraídos. “Não será tão fácil a liberação de recursos para os produtores, considerando que boa parte ficou endividada por conta dos problemas climáticos, por exemplo”, ponderou o especialista. (Colaboraram MS e AAR)

Jornal Valor Econômico – 21/6/2004
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Mônica Scaramuzzo e Alda do Amaral Rocha De São Paulo


Incerteza sobre demanda chinesa por soja reduz ritmo de venda de sementes e adubos para nova safra

A recusa de soja brasileira pela China significa mais do que a redução nos volumes de embarques do produto para aquele país. O episódio – provocado pela descoberta de sementes tratadas com fungicida em carregamentos de soja – deve ter reflexos na próxima safra de grãos do Brasil, a 2004/05, porque atingiu em cheio o ânimo do produtor brasileiro que já andava meio abalado. Essa “depressão” já se revela nos números do setor. As vendas de insumos, como sementes e fertilizantes, estão em ritmo mais lento que o de 2003, ano em que as perspectivas para o preço da soja, principalmente, e do milho eram mais favoráveis.

Até o momento, foram negociadas 35% das 20 milhões de sacas de sementes de soja estimadas para o plantio da nova safra, informou ao Valor Ywao Miyamoto, presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Sementes (Abrasem ). No mesmo período do ano passado, entre 60% e 70% das sementes de soja já estavam negociadas.

Para Myamoto, o agricultor não está antecipando as compras de sementes, como fez nas últimas três safras, por causa das baixas nos preços da soja no mercado internacional. O recuo tem origem na perspectiva de uma safra recorde de soja nos Estados Unidos e na incerteza quando à demanda chinesa depois que o país recusou a soja brasileira e que importadores da China ameaçaram quebrar contratos de compra do grão.

As compras antecipadas de fertilizantes também deram uma esfriada, segundo Eduardo Daher, diretor da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda). Até abril, as vendas somaram 4,5 milhões de toneladas, quase o mesmo volume de 2003. A previsão para maio é de que as vendas repitam o desempenho do mesmo período do ano passado, de 1,4 milhão de toneladas. Já em junho podem ficar abaixo do mesmo mês de 2003 (1,5 milhão de toneladas). O setor, que cresceu 19,3% ano passado, atingindo 22,8 milhões de toneladas, deverá crescer mais timidamente em 2004: cerca de 5%.

Um dos motivos para as compras mais lentas é o aumento dos preços dos fertilizantes em função da alta do dólar, observa Anderson Galvão, analista da Céleres.

Segundo ele, as operações de troca de fertilizantes por grão também estão em ritmo mais lento em relação ao ano passado, quando as perspectivas de bons preços estimularam os negócios. Neste caso, o desânimo é das indústrias esmagadoras, que financiam o plantio da soja, fornecendo fertilizantes, e estão avessas a riscos.

“A indústria tomou default da China e dos produtores”, diz fonte de uma companhia do setor, referindo-se ao fato de alguns produtores terem quebrado contrato este ano por ter vendido a soja a preços mais baixos. Segundo essa fonte, a empresa em que atua paralisou as operações de “soja verde” (venda antecipada do grão para financiar a produção).

“Este ano, o produtor vai ter dificuldade para ganhar dinheiro de trading”, afirma Galvão.

Um dos maiores produtores de algodão e soja do país, Adilton Sachetti, afirma que “a crise da China jogou um balde de água fria no ânimo dos agricultores”. Segundo ele, há um receio generalizado no Centro-Oeste do país em investir em soja. “E se a China fizer o mesmo no próximo ano?”, questionou. Ele afirma que muitos produtores têm dificuldade de garantir financiamento devido à quebra da safra na região em 2003/04.

“Se os preços da soja não reagirem, o produtor terá de reagir, senão fica inviável deixar para comprar insumos no segundo semestre por conta da logística”, lembrou Reinoldo Rocha, gerente de insumos da Cocamar (Cooperativa Agropecuária de Maringá).

A venda de sementes para milho também foi afetada. Quando a soja começou a cair, houve um movimento para a cultura de milho, segundo Cássio Camargo, da Associação Paulista dos Produtores de Sementes (APPS ). Mas nas últimas semanas, praticamente não tem havido negócios. Estima-se no mercado que as vendas estejam num ritmo 15% mais lento que no mesmo período de 2003.


Jornal Valor Econômico – 21/6/2004
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Da Redação

O porta-voz do USTR, Richard Mills, confirmou que os Estados Unidos vão recorrer contra a decisão da Organização Mundial de Comércio (OMC) de reduzir os subsídios concedidos aos produtores de algodão. Segundo ele, o processo de litígio “pode durar meses e possivelmente anos”.
Segundo especialistas no processo de solução de disputas da OMC, contando todos os prazos que os EUA têm para recorrer, o cumprimento da decisão pode ser protelado até meados de 2006 (incluindo prazos de arbitragem após o último recurso), apesar de o texto da decisão informar que o prazo máximo para extinguir o subsídio do programa “step 2”, vinculado a exportações, expira em julho de 2005.

É permitido um prazo de adaptação para todo programa de subsídio que necessite de aprovação do Congresso para ser modificado – que é o caso dos programas para o algodão e da maior parte dos subsídios agrícolas. Na resposta oficial, Mills afirma que os EUA consideram seus programas consistentes com as regras da OMC.

O USTR diz que não desativará seus programas “unilateralmente”, referindo-se à Europa e que a melhor forma de resolver subsídios distorcivos do comércio internacional é negociar na rodada de Doha da OMC, que adotaria mudanças que afetariam todos os países.

Fontes diplomáticas temem que ao final do processo os EUA simplesmente se recusem a adotar as mudanças recomendadas pela OMC. O representante comercial (ou ministro do comércio exterior) Robert Zoellick, na recente visita ao Brasil, expressou a intenção dizendo que uma coisa é ganhar o processo, a outra é conseguir o resultado desejado. Essa hipótese, segundo os diplomatas, resultaria na desmoralização da capacidade da OMC de impor suas decisões sobre comércio aos países mais ricos.

O assessor da embaixada brasileira em Washington, Aloísio Lima Campos, diz que cerca de 80% dos bilionários subsídios para o cultivo de algodão nos EUA vão para as dez maiores empresas do setor, que formam um lobby poderoso. “Quanto mais baixo estiver o preço internacional, melhor para os produtores americanos, que recebem a diferença diretamente do governo. É um incentivo para produzir cada vez mais quanto mais baixo estiver o preço”, afirma.

Jornal Valor Econômico – 21/6/2004
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Assis Moreira De Genebra


Ganha, mas não leva. É a mensagem que os Estados Unidos tratam de propagar depois que a OMC confirmou a vitória do Brasil contra subsídios americanos ao algodão e impacto tambem sobre outras commodities como soja, milho e arroz. Washington sabe que pode empurrar a disputa do algodão por muito tempo, dentro da legalidade, e até lá não mexer em seus subsídios que afetam o Brasil e outros países em desenvolvimento.

Primeiro, vão recorrer ao Orgão de Apelação, o que toma mais seis meses de disputa jurídica. Depois, se perdem de novo, terão prazo para modificar os programas condenados que afetam os interesses brasileiros. Em seguida, caberá ao Brasil examinar se as eventuais modificações estarão em conformidade com o que a OMC decidiu. Se não, Brasília volta a OMC para reclamar em novo painel (comitê de arbitragem), o que toma ainda mais tempo. Se os EUA forem condenados de novo, terão prazo para implementar de novo as decisões da OMC. Se não respeitarem, o Brasil pode pedir o direito de retaliar produtos americanos. Washington ainda terá condição de protelar, pedindo um comitê de arbitragem para decidir o valor da punição.

No final, o Brasil mesmo concluirá pela dificuldade de retaliar, já que isso é um tiro no próprio pé, porque significa aumentar a tarifa de importação de certos produtos e dificultar a situação de setores domésticos.

Estados Unidos e União Européia já chegam a preferir serem retaliados a terem de cumprir decisões da OMC- e isso em briga de um contra o outro. Os EUA retaliam a UE por causa de barreiras a carne com hormônio. E a UE retalia os EUA, com alta de tarifas sobre 1.600 produtos, por causa da manutenção de um programa que dá beneficio fiscal a empresas que exportam via paraísos fiscais.

Nesse cenário, o Brasil e outros países tentam impulsionar a reforma do sistema de controvérsias da OMC. Primeiro, para agilizar suas decisões. E segundo para substituir retaliação, que faz é diminuir comércio, por um mecanismo de compensação, que para aumentar as trocas. Mas, como qualquer negociação na OMC, isso levará ainda bastante tempo.


Jornal Valor Econômico – 21/6/2004
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Raquel Landim e Rodrigo Bittar De São Paulo e Brasília


Especialistas acreditam que os EUA devem, depois de apelar, acatar decisão final da OMC

Apesar da insatisfação americana, especialistas, representantes da sociedade civil e do setor privado acreditam que os Estados Unidos acabarão, após esgotar as apelações, cumprindo o que for determinado pela Organização Mundial de Comércio (OMC) e reduzindo os subsídios concedidos aos produtores de algodão. Contribuirão para o resultado pressões internas e internacionais e o receio do impacto que uma negativa americana pode ter no sistema multilateral de comércio. A resistência dos EUA também seria considerada “arrogante”, já que o algodão se transformou em símbolo da luta dos países da África.

“Os Estados Unidos são a maior economia do mundo. E a OMC foi desenvolvida por eles e para eles”, diz Pedro de Camargo Neto, diretor da área internacional da Sociedade Rural Brasileira (SRB), acrescentando que não interessa aos EUA que a OMC fique desacreditada. Camargo Neto, que foi o mentor do painel do algodão, ressalta que os EUA são os principais beneficiários de regras da OMC que disciplinam propriedade intelectual, indústria e agricultura. Além disso, é do interesse dos americanos que parceiros com a União Européia ou a China sigam as regras.

Para Celine Charveriat, diretora de políticas da organização não-governamental Oxfam, o resultado do painel do algodão irá reabrir o debate sobre a política agrícola dentro dos Estados Unidos. E a pressão será intensa no Congresso americano. As ONGs também prometem levantar a bandeira de que o fim dos subsídios ao algodão, que beneficiam apenas 25 mil agricultores nos EUA, é importante para reduzir a fome na África.

Na última sexta-feira, os governos brasileiros e americano receberam o relatório final do painel do algodão. Sigiloso até que a OMC o distribua para todos os países membros, o relatório foi classificado como “extremamente favorável” ao Brasil pelo coordenador-geral de contenciosos do Itamaraty, Roberto Carvalho de Azevedo.

No primeiro ponto, a OMC concordou com o Brasil que os subsídios americanos desrespeitavam a Cláusula da Paz, que proibia os países de concederem subsídios maiores aos existentes no fim de 1992. Os outros quatro pontos são menos conceituais e mais específicos. A OMC admitiu que os programas “Production Flexibility Contract” e “Direct Payment” distorcem a produção e o comércio mundial do algodão, ao contrário do que diziam os Estados Unidos. Também foi aceito o argumento brasileiro de que o apoio doméstico americano – da ordem de US$ 13,1 bilhões entre 1999 e 2003 – causa “prejuízo grave ao Brasil pela depressão dos preços internacionais”. Segundo Azevedo, esses subsídios provocaram uma queda no preço internacional do algodão da ordem de 12,6% no período.

Por fim, a OMC concordou com outras duas reivindicações: o programa “Step 2” constitui subsídio proibido por exigir a exportação ou o consumo do produto americano em detrimento do importado; e as chamadas garantia de crédito à exportação devem ser consideradas incompatíveis com o Acordo sobre Subsídios e Medidas Compensatórias, estabelecido no âmbito da própria OMC. Em relação ao último ponto, Azevedo destacou que o Brasil também questiona as garantias concedidas a soja, milho e arroz.

“Estamos muito esperançosos, apesar de saber que o impacto não é imediato”, diz Jorge Maeda, presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão, referindo-se ao fato de que os Estados Unidos podem apelar. E isso deve ocorrer, conforme sinalizou o representante comercial americano, Robert Zoellick, em conversa com o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, na semana passada em São Paulo. Orçado em US$ 270 mil, o painel do algodão já custou US$ 2 milhões ao setor privado brasileiro. “Mas valeu a pena”, diz Maeda, acrescentado que o caso é um marco da história da OMC.

Jornal Valor Econômico – 21/6/2004
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Karla Mendes e Graziela Reis

País caminha para exportar mais derivados de leite do que importa. Avanço no exterior é puxado por produtos sofisticados

Este ano, a balança comercial de lácteos no Brasil vai dar uma reviravolta. Pela primeira vez na história, o País passará da condição de importador para exportador desses produtos. A mudança é resultado do avanço das exportações de derivados de leite com maior valor agregado, que estão ganhando importantes espaços do mercado internacional. Apenas de janeiro a maio, a venda de lácteos para o mercado externo atingiu a marca de US$ 23,8 milhões, o que representa crescimento de 106% sobre os US$ 11,6 milhões registrados em igual período de 2003, segundo a Comissão Nacional de Pecuária de Leite da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Ao todo, foram 17,6 mil toneladas vendidas ao exterior.

Só em maio, esse aumento foi de 188,7%, passando de US$ 2,5 milhões para US$ 7,3 milhões. “A gente já está com a balança comercial praticamente zerada”, observa o assessor da CNA Marcelo Martins. Até dezembro, as estimativas mais modestas calculam que o montante atinja, US$ 80 milhões, o que vai equilibrar a balança brasileira ou ajudá-la, pois as importações de lácteos têm diminuído muito. Nos cinco primeiros meses do ano, as importações recuaram 44,3%, de US$ 54,5 milhões para US$ 30,4 milhões. “Caminhamos para um superávit anual de lácteos, algo que nunca tivemos”, diz o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), Gilman Viana Rodrigues.

Mercado doméstico ruim para o setor e o câmbio favorável à exportação são os principais responsáveis pelos bons resultados das exportações, explica Rodrigues. “Temos mercado para vários produtos de maior valor agregado, de queijo a doce de leite”, diz. “Mas precisa haver qualidade e padrão tecnológico e sanitário de ponta”, reforça. Até 2003, o principal produto exportado era o leite condensado. Este ano, o produto continua importante, mas houve ampliação de leite em pó fracionado e não-fracionado. “O Brasil tem conseguido se destacar nas licitações da Organização das Nações Unidas (ONU) para o World Food Program”, lembra Marcelo Martins. As conquistas do setor são creditadas a importantes estratégias adotadas no passado. “As medidas antidumping de 2001 foram fundamentais, pois as importações de lácteos caíram substancialmente. O segundo fator é a manutenção do preço do leite em patamares altos no exterior”, justifica.

PARA TODOS
Além das multinacionais, outras empresas têm se despontado como exportadoras. A Serlac, trading constituída em 2002 e que só exporta produtos de cinco empresas: as mineiras Embaré e Itambé, Iupiza (Alagoas), CCL (São Paulo) e Confepar (Paraná). “São concorrentes aqui que se juntaram para colocar o excedente lá fora”, explica o diretor da Serlac, André Mesquita. A trading exportou 5,5 mil toneladas em 2003, faturando US$ 8 milhões. Este ano, a perspectiva é vender US$ 40 milhões, ou 25 mil toneladas. “De janeiro a maio, já embarcamos US$ 15 milhões”, diz Mesquita.

O ingresso do Brasil no mercado internacional é alternativa aos países europeus, que estão reduzindo subsídios aos produtores, o que tem elevado os preços dos produtos, avalia o diretor da Serlac. “A Europa era o grande exportador do mundo. Agora, o Brasil começa a ocupar esse espaço”, ressalta. Os principais compradores dos produtos da trading estão na África, América Central e Oriente Médio, que importam leite em pó fracionado, leite condensado e vaporado.

A maior parte das exportações da Serlac vêm da Itambé, que, até o maio, exportou US$ 7 milhões, dos quais 3 mil toneladas de leite em pó e 1 mil de leite condensado. “Isso corresponde a 4% do faturamento, mas nossa meta é que as exportações atinjam US$ 30 milhões até o fim do ano, 8% do total”, destaca Jacques Gontijo, vice-presidente da Itambé. Para isso, a empresa investiu R$ 30 milhões na ampliação da fábrica de Sete Lagoas, uma das unidades exportadoras.

Como o mercado internacional está “comprador” dos lácteos brasileiros de maior valor agregado, exportar não é privilégio de grandes marcas. A mineira Leiteria de Minas, que fica em Conceição do Pará, por exemplo, deu início à venda de queijo do tipo parmesão (hard cheese) para os Estados Unidos neste ano. “Estamos prospectando outros países e nossa meta é exportar 70% da produção”, diz o sócio e diretor comercial do laticínio, Vicente Camiloti. No mercado interno, seus principais clientes são indústrias.

Segundo Camiloti, o custo para exportar é alto, mas a valorização do produto chega a 20%. “Na soma, é compensador”, garante. É por esse motivo que o diretor da Laticínios São Vicente, de São Vicente de Minas, Paulo Gribel, iniciou recentemente os estudos para começar a exportar queijos especiais. “Estamos tendo muitas sondagens, sobretudo de norte-americanos, que compravam da Europa e agora estão achando o queijo de lá caro, por causa da valorização do euro”, diz. Ele pretende começar a vender parte da produção de camembert, brie, processado sabor cheddar, queijo para fondue e gorgonzola para o mercado externo no médio prazo. “Será fácil porque a procura por queijos brasileiros de qualidade está voraz”, conta.

Jornal Estado de Minas – 21/06/2004
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Por João Pedro Stedile


A imprensa endeusa o agronegócio, sem destacar que ele proporciona apenas 500.000 empregos

Desde que o governo Lula assumiu o mandato, estranhamente a imprensa brasileira, de forma unânime, tem se dedicado cotidianamente a pregar loas ao sucesso do agronegócio.

Por que essa campanha unificada, permanente, logo agora? Uma das explicações pode ser a influência crescente dos neoliberais no governo Lula, representados pelos ministérios da Agricultura, ou melhor, da exportação agrícola, da Indústria e Sadia, e da área econômica. Outra explicação pode ser a tentativa de impedir que o governo se anime a fazer uma reforma agrária massiva. E, assim, pregam que o único caminho para resolver os problemas da pobreza e da falta de emprego no campo seria o modelo do agronegócio.

Ora, a pobreza, o desemprego e a desigualdade social que existem no meio rural brasileiro são justamente frutos de quinhentos anos de um modelo agrícola que privilegia as exportações, desde que por aqui chegaram os europeus… e seus interesses.

20 milhões sem sapatos

A imprensa brasileira, monopolizada por sete grupos e claramente vinculada aos interesses de classe dos grandes proprietários e das empresas transnacionais exportadoras de matérias-primas, faz o seu papel de propaganda. Mostra todos os dias máquinas agrícolas novinhas, navios carregados e índices de exportação agrícola, como se isso fosse sinônimo de soluções econômicas e sociais. E esconde que no meio rural brasileiro temos 30 milhões que vivem em condições de pobreza absoluta, que 20 milhões nunca calçaram um par de sapatos, que 50 milhões de brasileiros passam fome todos os dias. Que 30 milhões de pessoas já não têm sequer seus dentes. Esquece de mostrar que apenas 8 por cento da população chega à universidade, e que, no Nordeste brasileiro, 60 por cento da população do meio rural é ainda analfabeta.

Esquece de dizer que no país de maior fronteira agrícola do mundo existem 4,5 milhões de famílias de trabalhadores sem terra!

Quais desses problemas o modelo do agronegócio resolve? Nenhum. Ao contrário, é justamente esse modelo agrícola que gerou tanta desigualdade, pobreza e desemprego.

Porque o modelo agrícola do agronegócio é organizado para produzir dólares, e produtos que interessam aos europeus, aos asiáticos, não aos brasileiros. E por isso não produz comida, empregos e justiça social. O agronegócio concentra. Leva para fora as riquezas produzidas aqui, em vez de distribuí-las.

Mas queria aproveitar a paciência de vocês para mostrar que, mesmo do ponto de vista da lógica do capitalismo nacional, o modelo do agronegócio é irracional, ou burro, se quiserem. Ou seja, esse modelo só interessa ao capital internacional, e nem sequer ao desenvolvimento do capitalismo brasileiro.

Vamos aos dados estatísticos, resultados desse modelo agrícola cantado em prosa e verso.

O Brasil tem aproximadamente 350 milhões de hectares agricultáveis, que poderiam ser dedicados à lavoura. Mas, graças à concentração da propriedade da terra, cultivamos 50 milhões de hectares, apenas 14 por cento do que deveríamos cultivar. E essa área cultivada permanece estável desde 1985.

As fazendas modernas do agronegócio ocupam 75 por cento dessa área cultivada, as melhores terras, para produzir apenas soja, algodão, cacau, laranja, café, cana-de-açúcar e eucalipto. E que interessam ao mercado externo. Imaginem se o povo brasileiro tivesse de colocar na mesa apenas esses produtos!

E existe outra parcela de estabelecimentos agrícolas, que fazem parte desse modelo, piores ainda, pois se dedicam apenas à pecuária extensiva ou a especular com a renda da terra. Segundo dados do INCRA, baseados em declarações dos proprietários, existem no Brasil 54.761 imóveis rurais classificados como “grandes propriedades improdutivas”, portanto desapropriáveis, que somam nada menos que 120 milhões de hectares (uma Europa inteira parada…).

A falácia da modernidade

O Plano Nacional de Reforma Agrária aplicou a conceituação da Lei Agrária e dividiu todas as propriedades existentes entre pequenas (até 200 hectares, em média), médias (de 200 a 2.000 hectares) e grandes propriedades (acima de 2.000 hectares). E depois analisou o comportamento dos fatores de produção em relação a cada setor.

Em relação ao emprego, a pequena propriedade dá trabalho para 14 milhões de pessoas, a média para 1,8 milhão e a grande propriedade do agronegócio para apenas 500.000.
A famosa modernidade capitalista é uma falácia, 63 por cento de toda a frota de tratores brasileiros é usado por propriedades com menos de 200 hectares. E as propriedades acima de 1.000 hectares possuem apenas 36 por cento dos tratores. Ou seja, a tal grande propriedade “moderna” não consegue nem ativar a indústria nacional de tratores. Por essa razão é que faz vinte anos que a demanda de tratores não aumenta. A indústria está vendendo em torno de 50.000 tratores por ano, enquanto no início da década de 80 chegou a vender 65.000.

Mas na hora de utilizar o crédito rural, dos bancos oficiais, com recursos públicos e taxas de juros diferenciadas, pode-se ver também os diferentes interesses. Na última safra (2003/04), a pequena propriedade teve acesso a 3 bilhões de reais, e a média e grande propriedade utilizaram 24 bilhões de reais do Banco do Brasil. E, o que é pior, apenas dez empresas transnacionais ligadas ao agronegócio pegaram no Banco do Brasil 4 bilhões de dinheiro público, brasileiro. Dez empresas transnacionais acessaram mais crédito do que todos os 4 milhões de famílias de pequenos agricultores. E ainda tem gente que acredita que as empresas transnacionais vêm aqui aplicar capital estrangeiro. Ao contrário, elas vêm acessar a nossa poupança nacional. Estamos financiando essas empresas estrangeiras, e a imprensa bate palmas!

Em termos dos resultados da produção, segundo o IBGE, a grande propriedade representa apenas 13,6 por cento de toda a produção, 29,6 por cento a média propriedade e 56,6 por cento de toda produção agropecuária nacional vem da agricultura familiar. E, por ramos de produção, é ainda mais claro a que interesses cada segmento defende. Mesmo na produção animal, a pequena propriedade representa 60 por cento de toda a produção, em função da produção de leite, de suínos e aves.

No quesito assalariados rurais, que é o símbolo do capitalismo, a média propriedade dá emprego para 1 milhão de pessoas, a grande propriedade para apenas 500.000. E, mesmo sendo familiar, a pequena propriedade dá emprego, além de aos seus familiares, para quase 1 milhão de assalariados rurais.

Desvio vem da colônia

O Brasil vem sendo vítima dessa política de estímulo às exportações agrícolas desde o colonialismo. E todos sabem que esse modelo não desenvolveu nenhum país. Mesmo em termos de exportação, o país ganha quando exporta mercadorias, de origem industrial, com alto valor agregado. É por isso que a Embraer sozinha, com suas exportações de avião, representa a metade do valor de toda a exportação de soja! Ninguém se desenvolve exportando matérias-primas. E no caso brasileiro é ainda pior, pois quem está ganhando dinheiro com as exportações agrícolas são as transnacionais, como a Monsanto, a Cargill, a Bunge, a ADM, que controlam o comércio agrícola mundial. Elas têm um lucro médio de 28 por cento sobre o valor exportado, sem produzir um grão sequer.

Se o Brasil quiser resolver os problemas de emprego, pobreza no meio rural e desigualdade social, certamente não será pelo caminho do agronegócio. Será pela reforma agrária, que é a democratização da propriedade da terra. Pela organização da produção agrícola através da agricultura familiar, e orientando a produção para alimentos destinados ao mercado interno, para o povo. Se todo o povo brasileiro tivesse renda para se alimentar direito, haveria uma demanda nacional infinitamente superior ao que hoje é exportado. A solução é dar condições para o povo comprar comida.

Se a política não mudar, seguiremos tendo uma minoria ganhando muitos dólares, a pobreza aumentando, e o governo fazendo discurso para dizer que vai aumentar a bolsa-família para atender os famintos, que continuarão aumentando.

Até que, um dia, o acúmulo dessas contradições gere uma nova e verdadeira política.

João Pedro Stedile é dirigente do MST e da Via Campesina Brasil.

Revista Caros Amigos – 20/06/2004
http://carosamigos.terra.com.br

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João Alberto Aguiar


Um pequeno dispositivo eletrônico de 10 centímetros de comprimento por 10 centímetros de largura, capaz de medir objetivamente o comportamento do gado em apenas 15 segundos, pode se tornar um aliado do pecuarista a partir do momento em que for lançado em série, provavelmente no início de 2006. Com o aparelho, que é acoplado a um recipiente móvel qualquer, normalmente uma balança, é possível levantar dados sobre o comportamento do animal no tocante, por exemplo, à movimentação da cauda, coices, intensidade de mugidos e da respiração e saltos.
“Os dados levantados servem de base para uma análise das reações do animal, que recebe uma determinada pontuação, de zero a 9.999. Sendo assim, é possível descobrir se ele possui um temperamento mais agressivo ou mais calmo”, explica a capixaba Walsiara Estanislau Maffei, formada em Zootecnia pela Universidade Federal de Lavras, no final de 1999, uma das responsáveis pelo desenvolvimento do método.
Quanto maior a pontuação do animal durante o teste, maior a sua reatividade, que está relacionada com a produtividade e a fertilidade. Segundo Walsiara, quanto mais calmo for o animal, maior a chance de ele vir a produzir carne de melhor qualidade e em maior quantidade, pois no último caso há ganho de peso, o que interessa aos produtores, principalmente os exportadores. Experimentos indicam que o animal mais dócil também produz couro de melhor qualidade e é mais fértil.
Os testes com o dispositivo eletrônico estão sendo feitos com criadores das fazendas Colonial, em Janaúba (Norte de Minas); Naviraí Agropecuário, em Uberaba (Triângulo Mineiro) e Mato Grosso do Sul; Rancho da Matinha, em Uberaba; e Perdizes, do grupo paulista Quilombo. O pecuarista interessado em participar do projeto ou conhecer mais sobre a técnica pode fazer contato através do e-mail wemaffei@uol.com.br . Para Walsiara Maffei, a repercussão do projeto está acima da esperada.
“A gente já sabia que o aparelho, que é inédito no mundo, seria importante para o setor pecuário. Isso porque o Brasil é hoje o maior exportador de carne bovina do mundo, e precisa de uma carne de qualidade. O melhoramento genético, a partir de um rebanho de temperamento mais calmo, vai melhorar muito a qualidade da carne e dar mais competitividade ao país no exterior. A procura de informações sobre o método, por parte dos criadores, tem sido muito grande”, observa Walsiara, acrescentando que o método é eficiente também para outros animais, como suínos e equinos.
O aparelho, que começou a ser desenvolvido há cerca de dois anos, em parceria com o Departamento de Engenharia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), está patenteado pela escola. O método recebeu o nome de Reatividade Animal em Ambiente de Contenção Móvel, tese de mestrado defendida por Walsiara na escola de Medicina Veterinária da UFMG, em fevereiro deste ano. A zootécnica não está satisfeita apenas com a possibilidade de arrecadar dividendos com a comercialização do dispositivo, já que possui um terço da patente, ao lado de outros profissio nais. “A repercussão do projeto é um reconhecimento do meu trabalho e estudo.”

Tecnologia chega para expandir pecuária bovina

O aparelho eletrônico, que mede de forma objetiva o temperamento de animais, surge no momento em que a pecuária bovina de corte do país passa por um período de expansão. Em 2004, a produção brasileira deverá alcançar 8 milhões de toneladas, o que representaria um aumento de 4% em relação a 2003. O rebanho bovino também continua em crescimento, atualmente estimado em 191,2 milhões de cabeças, segundo dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). O abate total neste ano está estimado em aproximadamente 40 milhões de cabeças bovinas.
De acordo com o Mapa, a produtividade do setor também tem avançado, com redução da idade de abate e aumento da taxa de desfrute do rebanho. Esses fatores têm sido importantes devido à necessidade crescente de geração de excedentes para atender ao crescimento da procura do produto por parte do mercado externo. Quanto ao consumo per capita de carne bovina no país, a situação é de estagnação nos últimos anos, devendo, neste ano, permanecer na faixa de 36,7 quilos, praticamente o mesmo de 2003.
De janeiro a abril de 2004, as exportações brasileiras de carne bovina foram de US$ 667 milhões, o equivalente a um crescimento de 54,85% na comparação com o mesmo período do ano passado. Entre maio de 2003 e abril de 2004, as vendas totais de carne bovina atingiram US$ 1,746 bilhão, com elevação de 47,5%. A expectativa do Governo brasileiro é de que as vendas externas cresçam neste ano de 15% a 20%. Em 2003, as exportações brasileiras de carne bovina in natura e industrializada somaram US$ 1,5 bilhão.

Pecuarista testa invento de olho na objetividade

Avaliar o comportamento do gado não é novidade para Luciano Borges Ribeiro, da Fazenda Rancho da Matinha, em Uberaba, no Triângulo Mineiro. Criador de gado Nelore há 27 anos, há seis anos ele vem se dedicando de forma sistemática à análise da conduta dos bois e vacas, se mais calma ou nervosa. “Antes, o nosso julgamento, às vezes, era subjetivo. Com o novo aparelho eletrônico, as avaliações ficam mais objetivas”, explica. O foco da fazenda é a produção de touros para reprodução. O material genético é fornecido tanto para centrais de inseminação, que coletam o sêmen para a venda em escala, quanto para a monta natural.
“Como fornecedores de material genético, temos que procurar sempre o que existe de melhor no mercado, o que produz o melhor resultado econômico possível”, comenta Ribeiro. Através das avaliações feitas com o plantel, o pecuarista descobriu que animais que se reproduzem mais precocemente são também precoces para o abate. “Uma das características observadas nas fêmeas precoces é que elas, via de regra, são de bom temperamento. Com apenas 24 meses de vida já estavam parindo. Quanto ao boi, esse também é mais interessante economicamente, pois fornece a melhor carne.”
Apesar de o aparelho eletrônico estar sendo testado pelo criador há cerca de um ano, segundo ele, dentro do que foi preestabelecido, ainda não existe um parecer sobre a novidade. “Ainda não chegamos a lugar nenhum. O processo de seleção do gado é demorado, já que o ciclo de vida do animal é longo”, pondera. Ribeiro espera que, com a ajuda do aparelho, seja possível se obter o diagnóstico do temperamento de um animal quando ele estiver na desmama, com algo em torno de sete meses de vida. “Dessa forma, se o animal for ruim, já o descarto com antecedência.”
Para o professor José Aurélio Garcia Bergmann, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), orientador do trabalho desenvolvido pela zootécnica Walsiara Estanislau Maffei, a fase de testes ainda deve durar cerca de dois anos. “O aparelho é eficiente. Mas, em ciência, é preciso ter uma prova concreta”, afirma.

Jornal Hoje em Dia – Belo HorizonteMG – 20/06/2004
http://www.hojeemdia.com.br/

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Priscilla Murphy/AE


Entrevista: Celso Amorim, ministro das Relações Exteriores

O Governo brasileiro está disposto a confrontar a China na Organização Mundial de Comércio (OMC) se todas as alternativas para uma solução amigável do embargo à soja brasileira falharem, disse o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. O chanceler fez balanço das negociações feitas durante a 11a Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad), na semana passada.

O conflito da soja pode prejudicar o relacionamento do Brasil com a China?
CELSO AMORIM
– Evidentemente, queremos resolver a questão da soja. Temos tratado disso inclusive do ponto de vista político. Eu mesmo intercedi, nossos embaixadores têm entrado em jogo diplomático, não puramente técnico. Há intenção de contatos políticos de alto nível e uma missão já partiu para a China. O importante é resolver isso amistosamente. Mas o recurso à OMC é possibilidade que existe. Se tiver que ser, será. Mas espero que antes disso seja resolvido e tenho confiança de que será.

No G-5, os Estados Unidos e a União Européia firmaram compromisso de eliminar subsídios?
– Vi disposição positiva. Este é um problema entre UE e EUA, que nos afeta. Mas é a primeira vez que estamos tendo oportunidade de opinar. Se não houvesse o G-20, não estaríamos nem discutindo se haveria eliminação de subsídios. Senti da parte de ambos (os representantes de comércio da UE, Pascal Lamy, e dos EUA, Robert Zoellick, que estiveram na Unctad) que têm preocupações. Os europeus dizem: ’Só posso eliminar os subsídios se as outras formas de apoio também forem eliminadas’. Os americanos dizem que só podem eliminar o elemento de subsídio que existe nas outras formas de apoio. Fizemos reflexão profunda sobre como podemos avançar. Não só nessa área, mas também na de acesso a mercados e apoio doméstico. E conseguimos, creio eu, identificar áreas onde há possibilidade de progresso na discussão técnica em todos esses temas. Identificamos convergências potenciais. Senti um clima de encontrar uma solução, embora haja uma necessidade de equivalência. É uma coisa sutil chegar lá. Mas tenho confiança de que podemos chegar porque estamos trabalhando nesse sentido.

Por que o atual momento é janela de oportunidade para o avanço das negociações comerciais?
– Primeiro, porque a economia mundial está crescendo e não se sabe por quanto tempo vai continuar a crescer. Os momentos de crescimento são mais propícios às negociações. Em segundo lugar, chegamos a estágio nas negociações com a UE em que, se não complicarmos o jogo agora, podemos concluir. Mas se paralisarmos o jogo, vai mudar a Comissão Européia, outras negociações vão se desenvolver ou não e vamos perder esse impulso. Acho que seria lamentável.

O Itamaraty mudou em relação ao Governo passado?
– O Itamaraty é ministério de Estado, que defende o interesse do Estado brasileiro. Sempre há interpretação de quais são os melhores interesses, que não são necessariamente as mesmas. Há mudança de ênfase. A ênfase na integração sul-americana é mais forte, no comércio e na cooperação Sul-Sul, sem detrimento das outras negociações. E acho que houve modificação também na intensidade. A política externa brasileira nunca foi tão tratada na mídia internacional. Nunca houve visita presidencial para nenhum país que tenha sido tão noticiada quanto a visita do presidente Lula à China. Em grande parte, é pela figura do presidente, do que ele simboliza. Mas o Itamaraty também, digamos, tem assumido suas responsabilidades em termos de intensidade. É um engajamento profundo, mas com o Brasil. Não que outros não tenham feito isso, mas estamos fazendo com um entusiasmo que nem sempre esteve presente.

Ainda existe alguma esperança de concluir a Alca este ano?
– Tenho mantido contato constante com Zoellick sobre a Alca também. Temos tentado avançar com um espírito pragmático. Hoje a negociação com a UE está mais avançada porque envolve apenas dois blocos, não 34 países. Conversando diretamente com o interessado, é mais fácil avançar. Coloquei muito esforço na Alca, não foi pouco não. Em outubro, abandonei o presidente da República em Moçambique para ir conversar com o Zoellick, para chegarmos a um arcabouço que resultou em Miami. Na minha opinião, tínhamos um modelo que poderia levar rapidamente a uma finalização. Daí surgiram algumas dúvidas que na prática significavam reabrir Miami, demos um passo atrás. A negociação com a UE está muito mais avançada e as coisas que avançam exigem mais concentração, pois não temos equipes infinitas. Então, hoje em dia a concentração número um é a OMC e a número dois é a UE. Não porque a Alca seja menos relevante. É só porque está mais atrasada, não por nosso desejo.

Jornal do Comércio/RJ – 19/06/2004
http://www.jornaldocommercio.com.br/

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Da Redação


A decisão da Rússia de vetar a importação de carnes bovina, suína e de aves do Brasil, sob a alegação do aparecimento de um foco de febre aftosa no Pará, foi considerada “estranha” por autoridades e representantes do setor. Especialistas admitem que o governo russo pode estar usando o incidente para sinalizar seu poder de retaliação em benefício de sua indústria aeronáutica que tem dois concorrentes na licitação brasileira para reequipamento da FAB (Força Aérea Brasileira).
A concorrência, conhecida como Projeto F-X BR, estimada em mais de US$ 700 milhões, visa a compra de aviões caça supersônicos que substituirão os atuais Mirage (franceses) e F-5 (norte-americanos), cuja vida útil está no limite. A definição em torno das primeiras aeronaves, no entanto, determinarão o futuro do reequipamento da FAB nas próximas duas décadas.

A Rússia já havia pedido informações sobre o incidente, pois é responsável pela importação de 12% da produção nacional, mas a proibição era considerada uma possibilidade remota por Cláudio Martins, diretor da associação dos exportadores de frangos e carne suína. A Rússia importou carnes no valor de US$ 500 milhões em 2003, com projeção de US$ 300 milhões para 2004.

No processo de venda dos aviões de combate para o Brasil, a abertura do mercado russo aos produtos agropecuários brasileiros é apresentada como a principal contrapartida, além dos itens de exportação vinculados ao processo de transferência de tecnologia e exportação de componentes decorrentes da produção no Brasil de partes dos aviões, tanto os Sukhoi como os MIG-29 M/M2 ofertados.

A Rússia está adotando nova ofensiva para estimular a venda de seus produtos aeronáuticos ao Brasil, diante do anúncio pelo ministro da Defesa, José Viegas, de que a decisão sobre a compra estaria prestes a ser feita. A decisão depende apenas de uma reunião do Conselho de Defesa Nacional, a ser convocada pelo presidente Lula.

Jornal do Comércio Online – 19/06/2004
http://jc.uol.com.br/

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ADRIANE D´AVILA*/ Gramado


Filhos e netos de produtores ajudam a inovar na administração de propriedades rurais

A possibilidade de agregar idéias inovadoras de jovens ao tradicionalismo de uma geração mais conservadora é um desafio que surge como alternativa para melhorar a eficiência da propriedade rural. De acordo com o consultor em transformação organizacional Carlos Alberto Pescada, a presença do jovem é importante para a visualização de novos negócios. É preciso, no entanto, ter persuasão na família para que isso ocorra. Conforme Pescada, o segredo não é mudar o foco da propriedade, e sim a essência do negócio – por exemplo, por meio do uso de novas tecnologias.

O consultor falou para os jovens presentes no 19º Seminário Cooplantio, realizado nesta semana em Gramado e que neste ano teve um dia destinado à nova geração do agronegócio. O estudante de administração de empresas Ângelo Augusto Rigo, 20 anos, e a publicitária Camila Nunes, 25, participaram do evento. Ambos têm em comum a busca por novas idéias e pela satisfação profissional, além da paixão pela agricultura.

– Quando era menor, roubava o trator do pai para sair campo afora. Gostava de plantar e de cuidar da lavoura junto com o capataz da fazenda – lembra Rigo.

Cursando o terceiro ano de administração de empresas na Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (URI) em Erechim, Rigo está se preparando para gerenciar as duas propriedades da família: no Rio Grande do Sul (1,6 mil hectares) e em Rio Azul, no Paraná (50 hectares). A atividade é diversificada entre a produção de grãos e a pecuária.

Rigo busca implementar os conhecimentos adquiridos em cursos e palestras na administração das fazendas, ao lado do pai. O futuro administrador de empresas salienta que para conhecer bem a atividade é preciso colocar a mão na lavoura, mas é importante sempre buscar novidades:

– É preciso começar de baixo para conhecer de fato a atividade.

Esta convicção é compartilhada por Camila. Há um ano, a publicitária descobriu que a sua satisfação profissional poderia estar nas terras da família. Camila sempre morou em Porto Alegre, e nos fins de semana visitava a propriedade do avô em Capivari do Sul. No ano passado, começou a se interessar mais pela atividade agropecuária. Largou a cidade e foi trabalhar com o avô, Heitor Nunes.

– Sou contratada da fazenda e participo desde o fechamento da folha de pagamento até a supervisão das lavouras – explica.

As idéias, destaca Camila, são ouvidas com atenção pelo avô.

– Estou sempre em busca de novidades do setor, fazendo cursos técnicos. É importante termos um espaço como este para buscarmos mais informações – diz Camila.

* Adriane d´Avila, da RBS Rural, viajou para Gramado a convite da Cooplantio

Jornal Zero Hora – Caderno Campo e Lavoura – 18/06/2004
http://www.clicrbs.com.br/jornais/zerohora

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Da Redação


Conheça as vencedoras do Prêmio Cooperativa do Ano 2004, promovido pela revista Globo Rural e pela OCB – Organização das Cooperativas Brasileiras

Já são conhecidos os vencedores do Prêmio Cooperativa do Ano 2004, uma parceria da revista Globo Rural e OCB – Organização das Cooperativas Brasileiras. O júri reuniu-se esta semana em Brasília para analisar os 40 casos finalistas, e definiu os vencedores em oito categorias. Em sete delas as ganhadoras são do estado do Paraná. A cooperativa Agrária Mista Entre Rios venceu em duas categorias: gestão profissional e responsabilidade social. O objetivo do prêmio é reconhecer os melhores trabalhos desenvolvidos por cooperativas agropecuárias de todo o país. Nesta primeira edição, houve um total de 137 inscrições. A entrega dos troféus será realizada no dia 1 de julho, em Brasília, durante as comemorações do Dia Internacional do Cooperativismo.

Confira abaixo as cooperativas vencedoras, seus respectivos projetos e os jurados do prêmio:

Educação Cooperativista
Coamo Agroindustrial Cooperativa (PR)
Projeto: Formação de Líderes Cooperativistas

Gestão Profissional
Cooperativa Agrária Mista Entre Rios (PR)
Projeto: Gestão Profissional Agrária

Inovação Tecnológica
Cooperativa Tritícola Mista Alto Jacuí- Cotrijal (RS)
Projeto: Sistema de Alerta e Monitoramento de Doenças Cotrijal

Intercooperação
Cooperativa Agropecuária Cascavel- Coopavel (PR)
Projeto:Convênio Coopavel-Carpil

Marketing
Cooperativa Central Agropecuária Sudoeste- Frimesa (PR)
Projeto: Posicionamento da marca Frimesa

Meio Ambiente
Cooperativa Agroindustrial Lar (PR)
Projeto: Gestão Ambiental Lar

Qualidade e Produtividade
Cooperativa Agrícola Consolata- Copacol (PR)
Projeto: Qualidade Total na Avicultura

Responsabilidade Social
Cooperativa Agrária Mista Entre Rios (PR)
Projeto: Responsabilidade Social Agrária

Revista Globo Rural
http://revistagloborural.globo.com/GloboRural/

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DA SUCURSAL DE BRASÍLIA


Além da frustração com o volume de financiamento previsto para a próxima safra, os agricultores criticaram outros pontos do plano anunciado ontem pelo governo. A CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) avalia que a manutenção dos limites de financiamento será prejudicial ao setor.
Segundo o vice-presidente da entidade, Marcel Caixeta, o governo deveria ter elevado os limites devido ao aumento dos custos de produção em relação à safra atual. “Não é o [plano] que o agricultor esperava. Foi pior porque o governo manteve os limites de financiamento, enquanto os custos de produção subiram muito.”
“Quem tirava R$ 200 mil para plantar soja, agora vai tirar os R$ 200 mil novamente, mas vai comprar menos insumos. Vai ter menos dinheiro para plantar sua safra”, afirma Caixeta.
Como os limites de financiamento não foram alterados, os agricultores precisarão recorrer a juros de mercado se quiserem mais recursos para plantar. “É juro que a agricultura não suporta.”
O ministro da Fazenda, Antonio Palocci Filho, rebateu as críticas de que os recursos para o plano da safra não foram suficientes.
“Há uma ampliação grande dos recursos. Se você considerar o Moderfrota e os [programas] específicos para os vários segmentos, assim como os recursos de comercialização e investimentos, todos esses investimentos aumentaram no geral em 40%.”

Folha de São Paulo – 19/06/2004
http://www1.folha.uol.com.br/fsp

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Da Redação


O 3º Congresso Brasileiro de Agribusiness, que será realizado nos dia 24 e 25, em São Paulo, contará com a participação dos ministros Roberto Rodrigues (agricultura) e Luiz Fernando Furlan (desenvolvimento), além do empresário Antônio Ermírio de Moraes, do grupo Votorontim. O objetivo do encontro, organizado pela Associação Brasileira de Agribusiness (ABAG), é discutir o atual momento e as tendências do agronegócio brasileiro. O evento será dividido em quatro painéis de discussão, que abordarão os seguintes temas: competitividade, a sanidade e seus impactos globais, agricultura energética e negociações internacionais.

O congresso será aberto com uma palestra do ministro Roberto Rodrigues, às 14h do dia 24. O primeiro painel, sobre competitividade, acontece no mesmo dia. A mesa de discussões será presidida por Ricardo Conceição, vice-presidente de agronegócios do Banco do Brasil, com mediação de Antônio Ermírio de Moraes.

Os debates sobre a sanidade estão marcados para as 17h30, também do dia 24. João Almeida Sampaio Filho, presidente da Sociedade Rural Brasileira, presidirá a mesa. As discussões girarão em torno dos temas defesa animal e vegetal, certificação e rastreabilidade e sanidade e mercado.

No dia 25, acontecem os painéis agricultura energética, às 9h, e negociações internacionais, às 11h. O primeiro será presidido por Márcio Lopes de Freitas, presidente da Organização das Cooperativas Brasileiras, com participação de Marco Antonio Fujihara, diretor da PriceWaterhouseCoopers, de Luiz Carlos Corrêa Carvalho, diretor da ABACG e Usina Alto Alegre, e também de José Zílio, diretor da Bunge.

O debate sobre negociações internacionais contará com Pérsio Luiz Pastre, diretor da CNH Latin América e vice-presidente da Anfavea, e Eduardo Pereira de Carvalho, presidente da União da Agroindústria Canavieira de São Paulo. Também estarão presentes Marcos Sawaya Jank, presidente do Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais e Gilman Viana Rodrigues, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais. Ainda no dia 25, o ministro Luiz Furlan dará uma palestra, às 12h15, sobre abertura de novos mercados.

SERVIÇO
Quando: dias 24 e 25, quinta e sexta-feira.
Onde: no Hotel Transamérica, em São Paulo.
ONDE SABER MAIS

Associação Brasileira de Agribusiness
http://www.abag.com.br/

Fonte
@gropauta – 19/06/2004
http://www.agropauta.com.br

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Da Redação


Pecuaristas têm dia 26 de julho para listagem de animais no sistema de rastreabilidade

As comissões técnicas de pecuária de corte e de leite da Federação da Agricultura do Paraná (Faep) anunciam ter sido prorrogado até 26 de julho próximo o prazo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para cadastramento de animais no Sistema Brasileiro de Identificação e Certificação de Origem Bovina e Bubalina (Sisbov).
Um alerta: continua inalterado o prazo de 40 dias aos produtores rurais já cadastrados até as 14 horas de 26 de maio último. A prorrogação, que atende solicitação das entidades produtoras, deve-se à grande procura por certificação. Os pecuaristas de corte não podem se esquecer estar vigente desde 31 de maio a quarentena ainda maior (de 90 dias) para o abate com destino à exportação. Ela será de um ano (365 dias) no fim de 2005.

DIFERENÇAS

Os produtores de leite reclamam que, em relação ao Sisbov,o Governo não considera as características próprias desta atividade. Na pecuária de corte, existe agregação de valor para cada boi rastreado na medida em que o sistema foi criado para facilitar as exportações de carne. Na pecuária de leite, porém, isto não ocorre porque o produto final é o leite, e não a carne.
Em razão dessas diferenças substanciais, deveria ser voluntária a adesão ao Sisbov por parte dos produtores de leite. Mesmo porque, as exigências para produção de leite de alta qualidade estão estabelecidas pela Instrução Normativa nº 51/2002 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), que trata da produção, identidade e qualidade do leite, diz Rodrigo Alvim, presidente da Comissão Nacional de Pecuária de Corte da Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).
“A pecuária leiteira foi colocada à margem da discussão dos critérios da rastreabilidade”, diz Alvim. A Instrução Normativa 51/02 garante a certificação do produto final pela identificação do produtor e não pela certificação de animal por animal. Afinal, queijo e leite em pó não são produzidos a partir do leite de uma só vaca. No caso de uma picanha, por exemplo, é possível identificar o boi de onde foi retirada, possibilitando diferencial que agrega valor. Na pecuária de leite, em momento algum ocorre essa agregação de valor.

Zoonews – 19/06/2004
http://www.zoonews.com.br/

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SANDRA MANFRINI e PATRÍCIA ZIMMERMANN da Folha Online, em Brasília


O Plano Safra 2004/2005, lançado hoje pelo governo, cria novos instrumentos de financiamento agrícola que devem atrair investimentos ao setor produtivo. Essa é a expectativa do ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, que afirmou hoje que os novos instrumentos vão “dar outra dimensão para a agricultura”.

Uma das novidades é o CRA (Certificado de Recebíveis do Agronegócio), que é um título que poderá ser emitido por pessoas jurídicas do agronegócio, instituições financeiras e empresas de securitização para levantar recursos junto a investidores do mercado financeiro.

Além disso, será lançado o CDA (Certificado de Depósito Agropecuário), um papel representativo de promessa de entrega do produto agropecuário depositado em armazém, e o WA (Warrant Agropecuário), um título de crédito que confere direito de penhor sobre o produto descrito no CDA correspondente.

Os dois documentos são emitidos pelo armazenador a pedido do depositante e serão uma nova moeda para os produtores rurais, que poderão vender o certificado como se vendesse o produto ou levantar um empréstimo com o warrant.

“Estamos lançando um plano lastreado no conceito de que o Estado não pode ser um obstáculo ao crescimento da agricultura”, afirmou Rodrigues durante a solenidade de lançamento do Plano Safra.


Folha Online – 18/06-2004
http://www1.folha.uol.com.br/folha/

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PATRÍCIA ZIMMERMANN da Folha Online, em Brasília

O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, confirmou hoje que a Rússia suspendeu a importação de carne bovina brasileira depois que o ministério divulgou haver foco de febre aftosa no Estado do Pará.

Rodrigues considerou “natural” a decisão da Rússia e disse que o governo brasileiro já enviou comunicado para a OIE (organização mundial de saúde animal) e para os países com quem o Brasil mantém relações comerciais.

A expectativa é a de que o problema seja resolvido rapidamente, disse o ministro.

Aftosa

Ontem, o Ministério da Agricultura confirmou que foi localizado um foco da febre aftosa no município de Monte Alegre, no noroeste do Pará. A localização acontece após 34 meses sem a identificação de casos no Brasil.

Como essa região já era considerada pelo próprio ministério como de alto risco para a doença, o gado do Pará não pode ser exportado nem circular por outros Estados.

No entanto, produtores e exportadores brasileiros dizem que o fato vai, no mínimo, atrapalhar esforços que o governo vinha fazendo para abrir os mercados japonês e americano para a carne fresca brasileira.

Folha Online – 18/06-2004
http://www1.folha.uol.com.br/folha

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VINICIUS ALBUQUERQUE da Folha Online


A OMC (Organização Mundial do Comércio) decidiu nesta sexta-feira que os EUA quebraram as regras do comércio internacional ao subsidiar sua produção de algodão, reforçando assim a causa do Brasil contra o país, segundo o embaixador Clodoaldo Hugueney, responsável no Itamaraty pelas negociações no âmbito da organização.

Em seu veredicto final, a OMC reafirmou a decisão tomada em abril, de que a política americana de subsídios à produção de algodão prejudica a produção brasileira.

A decisão da OMC pode vir a afetar todo o montante de subsídios agrícolas no mundo, avaliado em cerca de US$ 300 bilhões por ano.

Como o relatório é confidencial, só as autoridades dos dois países tiveram acesso ao texto.

Satisfeitos

“Estamos bastante satisfeitos”, limitou-se a dizer, após o veredicto da OMC em abril, o embaixador. De acordo com a queixa apresentada pelo Brasil à OMC, o prejuízo aos produtores do país, em conseqüência do esquema norte-americano, foi de algo em torno de US$ 480 milhões.

A documentação brasileira apresentada à OMC procurava demonstrar que, ao subsidiar seus produtores, o governo norte-americano acaba provocando queda nos preços internacionais do produto, prejudicando, portanto, os demais produtores (o preço do algodão, só neste ano, caiu 15%). Há estudos que indicam que o fim do subsídios dos EUA faria com que os preços subissem pelo menos 12%.

O subsídio, sempre segundo a documentação brasileira, provoca desvio de comércio, no jargão especializado. Ou seja, graças ao apoio a seus produtores, os Estados Unidos conseguem vender seu algodão no mercado, por exemplo, da União Européia, que, em tese, deveria ficar para outros produtores, entre eles o Brasil.

O Brasil argumentou, em seu recurso, pelo fim da chamada “cláusula da paz”, mecanismo pelo qual os países-membros da OMC concordaram em não provocar disputas com seus parceiros nessa área até 31 de dezembro passado. O Brasil alegou ainda que os Estados Unidos estão violando os limites de subsídios ao algodão a que se comprometeram na chamada Rodada Uruguai, a mais recente rodada de liberalização comercial, encerrada em 1993.

A decisão da OMC pode influir nas negociações da chamada Rodada Doha, lançada há três anos, mas estancada desde então principalmente por conta da negativa dos países ricos a mexer substancialmente nos subsídios internos e à exportação que concedem a seus produtores.

Com agências internacionais


Folha Online – 18/06-2004
http://www1.folha.uol.com.br/folha

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Da Redação


BRASÍLIA – O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, anunciou hoje a liberação de recursos da ordem de R$ 39,5 bilhões para a safra 2004/2005 – um aumento de 45% em relação à safra anterior. Os juros, em sua maioria, foram mantidos em 8,75% ao ano para empréstimos de custeio, investimentos e comercialização.

De acordo com o ministro, o novo plano busca aumentar a produção, expandir a área de cultivo e ampliar as exportações e o saldo comercial do agronegócio. Rodrigues ressaltou que o ponto mais importante são os novos papéis que serão lançados no mercado financeiro para alavancar o agronegócio.

Para o ministro, o Brasil tem todas as condições de ser um exemplo do agronegócio, pois possui terra, tecnologia tropical e gente qualificada para desenvolver o setor.

Agência Brasil

Panorama Brasil – 18/06/2004
http://www.panoramabrasil.com.br

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