ADRIANE D´AVILA*/ Gramado


Filhos e netos de produtores ajudam a inovar na administração de propriedades rurais

A possibilidade de agregar idéias inovadoras de jovens ao tradicionalismo de uma geração mais conservadora é um desafio que surge como alternativa para melhorar a eficiência da propriedade rural. De acordo com o consultor em transformação organizacional Carlos Alberto Pescada, a presença do jovem é importante para a visualização de novos negócios. É preciso, no entanto, ter persuasão na família para que isso ocorra. Conforme Pescada, o segredo não é mudar o foco da propriedade, e sim a essência do negócio – por exemplo, por meio do uso de novas tecnologias.

O consultor falou para os jovens presentes no 19º Seminário Cooplantio, realizado nesta semana em Gramado e que neste ano teve um dia destinado à nova geração do agronegócio. O estudante de administração de empresas Ângelo Augusto Rigo, 20 anos, e a publicitária Camila Nunes, 25, participaram do evento. Ambos têm em comum a busca por novas idéias e pela satisfação profissional, além da paixão pela agricultura.

– Quando era menor, roubava o trator do pai para sair campo afora. Gostava de plantar e de cuidar da lavoura junto com o capataz da fazenda – lembra Rigo.

Cursando o terceiro ano de administração de empresas na Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (URI) em Erechim, Rigo está se preparando para gerenciar as duas propriedades da família: no Rio Grande do Sul (1,6 mil hectares) e em Rio Azul, no Paraná (50 hectares). A atividade é diversificada entre a produção de grãos e a pecuária.

Rigo busca implementar os conhecimentos adquiridos em cursos e palestras na administração das fazendas, ao lado do pai. O futuro administrador de empresas salienta que para conhecer bem a atividade é preciso colocar a mão na lavoura, mas é importante sempre buscar novidades:

– É preciso começar de baixo para conhecer de fato a atividade.

Esta convicção é compartilhada por Camila. Há um ano, a publicitária descobriu que a sua satisfação profissional poderia estar nas terras da família. Camila sempre morou em Porto Alegre, e nos fins de semana visitava a propriedade do avô em Capivari do Sul. No ano passado, começou a se interessar mais pela atividade agropecuária. Largou a cidade e foi trabalhar com o avô, Heitor Nunes.

– Sou contratada da fazenda e participo desde o fechamento da folha de pagamento até a supervisão das lavouras – explica.

As idéias, destaca Camila, são ouvidas com atenção pelo avô.

– Estou sempre em busca de novidades do setor, fazendo cursos técnicos. É importante termos um espaço como este para buscarmos mais informações – diz Camila.

* Adriane d´Avila, da RBS Rural, viajou para Gramado a convite da Cooplantio

Jornal Zero Hora – Caderno Campo e Lavoura – 18/06/2004
http://www.clicrbs.com.br/jornais/zerohora

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