Fábio Alves

Nova York – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em discurso para mais de 600 empresários, analistas e investidores, voltou a afirmar a disposição do Brasil em endurecer nas negociações comerciais. “Na sua política externa, o Brasil resolveu se transformar em um ator do mundo globalizado e não mais em apenas um coadjuvante. Queremos fazer valer nossa capacidade produtiva na agricultura e na indústria. Em anos anteriores, o Brasil agia como uma nação insignificante. Resolvemos mostrar nossa cara para o mundo”, afirmou Lula.

Ele disse que, nas negociações comerciais, as pessoas que não se fazem respeitar levam desvantagens. “Em se tratando de comércio, ninguém quer comprar mais do que vender. Todo mundo quer vender mais. O espaço é pequeno e há uma briga enorme de países para exportar mais e construir superávits, e não déficits comerciais. É uma briga sem amigos e é preciso ter competência e determinação política, além de vantagens comparativas”, afirmou.

Investimentos
Lula reafirmou a intenção do governo de concluir até o final deste ano a integração de toda a América do Sul dentro do Mercosul. E, para que isso aconteça, ele pediu aos empresários e investidores, para investir mais nas áreas de infra-estrutura na região.

Em relação à sua postura nas negociações na Alca e em outros fóruns comerciais, Lula disse que ninguém respeita quem adota uma postura submissa. “Em vez de ficar reclamando que os negociadores americanos são duros, nós é que temos que deixar de ser moles”.

Gafe
Ao falar sobre a integração comercial no Hemisfério Sul, o presidente acabou cometendo uma gafe. Ele disse que havia apenas “três países na América do Sul com os quais o Brasil não faz fronteira: Bolívia, o Chile e o Equador”, quando na verdade apenas o Chile e o Equador não fazem fronteira com o Brasil.


Jornal O Estado de São Paulo – 23/06/2004
http://www.estadao.com.br

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