Da redação

A agricultura gerou 155.786 novos empregos formais diretos nos primeiros cinco meses de 2004,
segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). O setor, responsável por 15,1% todas as vagas abertas com carteira assinada no país neste ano, teve um saldo de empregos (admissões menos demissões) de 86.859, um desempenho 6,7% superior ao registrado em igual período de 2003.

Somados aos postos abertos nos setores de madeira, borracha, fumo, couros, têxtil, alimentos e
calçados, que também compõem o agronegócio brasileiro, os novos empregos com carteira assinada chegaram a 324 mil entre janeiro e maio deste ano – ou 31,5% do total gerado no país em 2004. O saldo acumulado por esses setores em 2004 chegou a 317.352 vagas. O Caged é formulado a partir das informações enviadas pelas empresas ao Ministério do Trabalho sobre seus empregados.

Em maio, o país gerou 291.822 mil empregos, o melhor desempenho para o mês desde o início da série histórica, em 1992. Um terço das novas vagas foram abertas na agricultura. No total, foram abertas mais de 1,031 milhão de vagas e registrados 739,4 mil desligamentos. No acumulado de 2004, houve a expansão de 826,7 mil empregados no mercado de trabalho, segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego.

O Caged mostrou ainda que o emprego no interior do país continua a crescer mais do que nas regiões metropolitanas. Nos pequenos e médios municípios, foram criados 181,9 mil empregos, Nas oito maiores áreas metropolitanas, foram apenas 61,7 mil. O desempenho pode ser parcialmente explicado pelo fortalecimento das admissões realizadas nas indústrias de alimentos e bebidas, concentradas fora das regiões metropolitanas.

Em termos regionais, o Caged destaca o desempenho dos estados de São Paulo, com o saldo de 113,7 mil vagas (0,85%); Minas Gerais (54,9 mil, ou 2,15%); e Paraná (25,1 mil, ou 1,05%). Nas nove principais áreas metropolitanas, a variação média foi de 0,62% (61,6 mil postos), enquanto nos municípios não pertencentes a essas áreas, houve saldo de 181,9 mil postos.


Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento
http://www.agricultura.gov.br

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Da redação

A nova estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgada no dia 24, com base em dados de maio, indica que a produção total de cereais, leguminosas e oleaginosas no país deve alcançar 119,6 milhões de toneladas este ano. Este montante é 3,28% inferior ao de 2003, que totalizou 123,6 milhões de toneladas. Comparativamente à estimativa de abril, que era de 120,9 milhões de toneladas, os números de maio apontam queda de 1,1%.
Entre as grandes regiões, a que apresenta queda mais acentuada em relação ao resultado de 2003 é a Sul (-15,73%), que tem a maior participação na produção agrícola brasileira (41,63%). As outras regiões registram aumento de produção: Nordeste com 28,27%, Norte com 17,19%, Sudeste com 5,75% e Centro-Oeste com 4,24%.
Os produtos de maior impacto na queda da produção, em relação a 2003, são a soja e o milho em grão 1ª safra. A retração na produção do milho 1ª safra deve-se à forte concorrência da soja, que resultou em uma diminuição da área cultivada. Além disso, a cultura enfrentou problemas com a estiagem. Quanto à soja, particularmente nas regiões Sul e Centro-Oeste, problemas climáticos e fitossanitários (ferrugem asiática) causaram a queda de 2 milhões de toneladas em relação a 2003.
Na comparação com a safra de 2003, os seguintes produtos apresentam variação negativa na estimativa de produção: feijão em grão 1ª safra (-9%), feijão em grão 3ª safra (-26,28%), milho em grão 1ª safra (-9,10%), milho em grão 2ª safra (-19,28%) e soja (-3,91%). Com variação positiva: algodão herbáceo em caroço (54,95%), arroz em casca (25,51%), feijão em grão 2ª safra (7,16%), sorgo (9,93%) e trigo (2,00%).
Os produtos das lavouras de verão encaminham-se para a conclusão da colheita. A partir deste levantamento, as pesquisas se direcionam para o processo de acompanhamento dos produtos de inverno e os de 2ª e 3ª safras, com mais ênfase para o milho 2ª safra e o trigo. Para o milho da 2ª safra, verifica-se uma expressiva queda de 19,28% na produção, reflexo da estiagem ocorrida na época do plantio. A produção para 2004 é estimada em cerca de 10,7 milhões de toneladas.

Instituto de Economia Agrícola – IBGE
http://www.iea.sp.gov.br/out/inot-tec.htm

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Da redação

Uma técnica indiana capaz de reduzir o consumo de diesel utilizado por geradores em comunidades rurais sem acesso à rede elétrica está sendo testada com sucesso pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT).

Trata-se de um equipamento que utiliza a gaseificação de matéria-prima local, como resíduos agrícolas ou galhos de árvores, para acionar os motores movidos a óleo diesel. A tecnologia utiliza a biomassa desses resíduos, considerados produtos economicamente viáveis para regiões pobres. O consumo de biomassa seca necessária para a produção de energia é da ordem de 1 kg/h para cada kW elétrico gerado. Neste caso, o diesel tem seu consumo reduzido ao mínimo, utilizado apenas para fazer o motor funcionar.

“O gaseificador consegue transformar a biomassa em um gás capaz de substituir 80% do diesel consumido no motor”, disse o coordenador dos estudos com o equipamento, Ademar Hakuo Ushima, pesquisador do Agrupamento de Engenharia Térmica do IPT, à Agência FAPESP.

Uma unidade de gaseificação, desenvolvida pelo Indian Institute of Science, de Bangalore, foi trazida para o Laboratório de Combustão e Gaseificação de Motores do IPT para ser testada com biomassas como casca de cupuaçu, casca de coco de babaçu e cavaco de eucalipto. Após a realização dos experimentos, foi iniciada a etapa de testes de desempenho dos gaseificadores na comunidade de Aquidabam, a 90 quilômetros de Manaus.

“Cada equipamento pode gerar energia elétrica para comunidades de até 150 pessoas a partir da matéria-prima local. Por conta disso, estamos tentando fabricar o equipamento no Brasil por meio de uma parceria com o instituto indiano. Trata-se de uma tecnologia extremamente fácil de ser replicada e produzida no país”, disse Ushima. “Além disso, é possível implementar algumas melhorias no equipamento, fazendo com que a tecnologia esteja totalmente adaptada à realidade nacional”.


SP Notícias – Agência FAPESP
http://www.saopaulo.sp.gov.br/sis/noticias.asp

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Da redação


Brasil e Índia preparam uma nova proposta para os países ricos reduzirem seus subsídios à agricultura. A sugestão deverá circular ainda nesta semana na OMC – Organização Mundial do Comércio, em especial em reuniões que contarão apenas com os representantes dos Estados Unidos, Europa e Austrália, além de brasileiros e indianos. A idéia do Itamaraty é de que o tema seja debatido e os países ricos mostrem seu compromisso em abandonar práticas que distorcem o comércio internacional. “Ainda estamos longe de um acordo neste setor”, reconheceu o embaixador brasileiro para assuntos comerciais do Itamaraty, Clodoaldo Hugueney.

Na avaliação do Brasil e da Índia, os subsídios domésticos devem sofrer reduções profundas, idéia que ganhou força depois que a própria OMC emitiu um laudo arbitral condenando a ajuda estatal dada pelos EUA a seus produtores de algodão. “Temos que basear nossas propostas no setor de subsídios em parte no que foi dito pelos árbitros da OMC”, afirmou um representante de um país em desenvolvimento que, apesar de não fazer parte direta da disputa do algodão, acredita que também será beneficiado pela redução dos subsídios nos EUA.


Jornal O Estado de São Paulo – 24/06/2004
http://www.estadao.com.br

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Da redação

BankTrade Agrícola estima conceder US$ 150 milhões em empréstimos aos produtores rurais. O avanço da produção agrícola brasileira está estimulando a entrada no mercado de novas empresas de comercialização de commodities que também atuam como opção de fonte de investimento para os produtores rurais. É o caso da BankTrade Agrícola Importadora e Exportadora S.A., uma associação entre a Orbitrade S.A. e a Strong Castle – representante de fundos de investimentos norte-americanos e canadenses -, que com apenas seis meses de atividade no mercado prevê o financiamento de algo em torno de US$ 150 milhões em crédito para o setor agrícola.


Aduaneiras
http://www.aduaneiras.com.br

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Fabíola Salvador

Lei de Biossegurança impõe controle duplo sobre pesquisas e produção, o que não ocorre em nenhum lugar do mundo, segundo cientista

Brasília – O projeto da Lei da Biossegurança, do jeito que está, não estimula investimentos em pesquisas ligadas à biotecnologia, segundo o pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Eduardo Romano. “Como está, a legislação traz a certeza de que novos produtos não serão desenvolvidos”, alertou ele em debate na Comissão de Assuntos Sociais do Senado, na quarta-feira.

O texto da lei foi aprovado pela Câmara dos Deputados em fevereiro e aguarda votação no Senado. O principal problema apontado por Romano é a sobreposição de órgãos decisórios sobre liberações dos organismos geneticamente modificados.

Sobreposição
São dois os sistemas de análise adotados no mundo: num único órgão disciplinar, ou seja, uma espécie de Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), ou pulverizado em vários órgãos de fiscalização, equivalentes ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) e à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

“Com exceção do Brasil, não há país no mundo que sobreponha os dois sistemas. A FAO (Fundo das Nações Unidas para a Alimentação) alerta para a necessidade de biossegurança, mas ressalta que a regulamentação não pode ser duplicativa”, afirmou Romano.

O texto aprovado pela Câmara dos Deputados prevê que a CTNBio terá liberdade para liberar pesquisas, mas seus pareceres sobre produção e comercialização vão depender de autorização das áreas técnicas do governo, que poderão contestá-los.

CTNBio
Romano também defendeu que os senadores alterem o texto aprovado pelos deputados no que diz respeito à CTNBio. Pelo texto em exame, a CTNBio é formada por 12 cientistas e 15 técnicos do governo e da iniciativa privada.

“Como é um fórum técnico, achamos que a maioria das cadeiras deve ser ocupada por cientistas”, afirmou. Ele defendeu que essa proporção seja de 15 cientistas e 12 representantes do governo e da iniciativa privada.

Renda
Na mesma audiência, Mariza Barbosa, diretora da Embrapa, afirmou que o cultivo de algodão geneticamente modificado resistente a insetos na China resultou em aumento na renda dos produtores locais. Naquele país, cerca de 30% da área cultivada com algodão é transgênica e feita propriedades com menos de um hectare.

Os ganhos, explicou, foram resultados do aumento do rendimento de 20% das lavouras e redução de 70% nos gastos com pesticidas e inseticidas. Os números foram fornecidos pela FAO, segundo Mariza.

Jornal O Estado de São Paulo – 24/06/2004
http://www.estadao.com.br

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Da redação

O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Roberto Rodrigues, fará amanhã (25/06) em São Paulo, a partir das 12h, a palestra de encerramento do III Congresso Brasileiro de Agribusiness, promovido pela Associação Brasileira de Agribusiness (Abag). Em sua exposição, no Hotel Transamérica (Av. Nações Unidas, 18.591), Rodrigues falará sobre o tema “A criação de vantagens competitivas para o agronegócio brasileiro”.

O agronegócio é hoje uma das principais atividades da economia brasileira. O setor é responsável por 42% das exportações do país e garantiu nos últimos anos o superávit da balança comercial. Segundo o ministro, o Brasil tem todas as condições de se transformar no maior produtor mundial de alimentos na próxima década. Para tanto, destaca, é necessário aumentar os investimentos em pesquisa e infra-estrutura.

“Além de continuarmos apostando no desenvolvimento de novas tecnologias, também precisamos melhorar a nossa rede de armazenagem e o sistema de escoamento da produção agropecuária”, diz Rodrigues.

HOMENAGEM
Depois da palestra na Abag, Rodrigues viaja para Campinas. Às 15h30, ele será homenageado no Instituto Agronômico de Campinas (IAC), onde receberá o Prêmio de Mérito Científico, na categoria de Personalidade do Agronegócio.


Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento
http://www.agricultura.gov.br

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Mônica Scaramuzzo De São Paulo


Pesquisadores brasileiros da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e do Instituto Agronômico de Campinas (IAC) descobriram “por acaso” uma variedade de café arábica naturalmente descafeinada. Esses grãos estavam no banco de germoplasma do IAC há quase 30 anos.

“Uma expedição organizada pela FAO (Organização para Alimento e Agricultura das Nações Unidas), em 1965, levou vários cientistas para colher material genético na Etiópia, país de origem do café”, explicou o professor Paulo Mazzafera, do Instituto de Biologia da Unicamp, que liderou as pesquisas em parceria com uma equipe do IAC. Esse material colhido na Etiópia era usado em cruzamentos de diversidade genética do café.

Paulo Mazzarefa contou que, desde 1987, os pesquisadores brasileiros tentavam, por meio de melhoramento genético, chegar a uma variedade que tivesse um teor de cafeína menor.

Em outubro do ano passado, ao utilizar os grãos de arábica da Etiópia, batizados de AC 1, AC 2 e AC 3, que estavam armazenados no banco de germoplasma do IAC, descobriram, por meio de análise simples, que esses grãos já eram naturalmente descafeinados. “Resolvemos fazer testes mais elaborados, que comprovaram que os grãos realmente tinham teor praticamente zero de cafeína”, disse.

Segundo o IAC, esse grão arábica possui 20 vezes menos cafeína que os tipos convencionais de arábica. O café convencional tem teor de 1% a 1,2% de cafeína, enquanto as análises desse grão da Etiópia revelou 0,06% de cafeína. Os pesquisadores brasileiros encaminharam sua descoberta para a conceituada revista britânica de ciência “Nature”, que publica a descoberta em sua nova edição, a partir de hoje.

O próximo passo, segundo Mazzafera, será retirar sementes, produzir mudas e iniciar o plantio comercial. Esse processo pode demorar cinco anos. “Poderá ocorrer, nesse caso, perda de produtividade”, informou o professor. Paralelamente, os pesquisadores também farão a transferência das características da variedade AC para os grãos arábicas já altamente produtivos. Este é um processo mais demorado, podendo demorar até 15 anos para o grão ser negociado comercialmente.
Cientistas japoneses fizeram o cruzamento de grãos de café geneticamente modificado em grãos de qualidade inferior ao arábica. O Brasil detém a tecnologia do grão arábica, responsável por 80% da negociação mundial.


Jornal Valor Econômico – 23/6/2004
http://www.valor.com.br

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Vinicius Doria De Brasília


A China pode manter o princípio da tolerância zero para as cargas de soja de cerca de 20 navios que deixaram o Brasil antes do dia 11 de junho, quando foi editada a Instrução Normativa com os limites de tolerância para a presença de sementes tratadas e outros organismos estranhos. A afirmação foi feita, por telefone, pelo secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Maçao Tadano, chefe da missão brasileira que negociou em Pequim o fim do embargo à soja do Brasil.

Segundo ele, o acordo firmado não significa que a China flexibilizou sua posição com relação à presença de sementes tratadas nos carregamentos de soja. Apenas reconheceu que o rigor da norma brasileira permite a reabertura das importações do Brasil desde que os carregamentos estejam dentro dos padrões previstos no Instrução Normativa.

Para evitar divergências entre os procedimentos adotados pelas fiscalizações brasileira e chinesa, o acordo prevê que será necessário harmonizar os critérios de coleta de amostras nos dois países nos momentos do embarque e desembarque da soja.

“Naturalmente as autoridades chinesas devem continuar conversando conosco sobre que implementação de normas será adotada para a parte chinesa. Cada país tem a sua própria norma, nós não podemos colocar na China a norma brasileira”, explicou Tadano.

No acordo assinado em Pequim os dois países apenas enfatizaram o interesse comum de resolver as questões relativas à inspeção e quarentena da soja brasileira “de modo amigável, científico e positivo”. No documento, a única garantia dada pelo governo chinês foi de que os “problemas [com a soja] não voltarão a ocorrer nos futuros carregamentos para a China”.

Apesar da garantia, o próprio acordo admite a possibilidade de o problema das sementes voltar a ocorrer. Se isso acontecer, existe apenas o compromisso dos dois países de “intensificar a cooperação” para que esses eventuais problemas sejam solucionados “em tempo hábil”. Tadano afirmou que esses entendimentos, se necessários, serão feitos de forma “fluida e rápida”.

Apesar disso, ele está convencido de que o objetivo da missão brasileira foi cumprido, que era o de destravar o comércio entre os países e reabilitar 23 empresas exportadoras do Brasil que estavam proibidas de vender soja para a China. O secretário está confiante de que a China não irá mais colocar barreiras ao comércio de soja entre os dois países.

Para minimizar riscos, técnicos brasileiros e chineses estarão negociando, a partir dos próximos dias, a harmonização dos procedimentos de coleta de amostras nos carregamentos de soja. O objetivo é fazer com que a coleta realizada no embarque por fiscais brasileiros possa ser comparada com a coleta feita pelos inspetores chineses na hora do desembarque do produto.

Esse é um dos pontos que ainda gera insegurança nos exportadores: a forma como será feita as amostragens da soja. O diretor-geral da Anec – Associação Nacional dos Exportadores de Cereais -, Sérgio Mendes avalia que ainda existe risco de a China “achar problema aonde o Brasil não encontra”. Ele considera, no entanto, que “o acordo tem de dar segurança para o Brasil”. Para um trader, “ainda está tudo muito vago”. (Colaborou AAR)



Jornal Valor Econômico – 23/6/2004
http://www.valor.com.br

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Mônica Scaramuzzo De São Paulo


Pesquisadores brasileiros da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e do Instituto Agronômico de Campinas (IAC) descobriram “por acaso” uma variedade de café arábica naturalmente descafeinada. Esses grãos estavam no banco de germoplasma do IAC há quase 30 anos.

“Uma expedição organizada pela FAO (Organização para Alimento e Agricultura das Nações Unidas), em 1965, levou vários cientistas para colher material genético na Etiópia, país de origem do café”, explicou o professor Paulo Mazzafera, do Instituto de Biologia da Unicamp, que liderou as pesquisas em parceria com uma equipe do IAC. Esse material colhido na Etiópia era usado em cruzamentos de diversidade genética do café.

Paulo Mazzarefa contou que, desde 1987, os pesquisadores brasileiros tentavam, por meio de melhoramento genético, chegar a uma variedade que tivesse um teor de cafeína menor.

Em outubro do ano passado, ao utilizar os grãos de arábica da Etiópia, batizados de AC 1, AC 2 e AC 3, que estavam armazenados no banco de germoplasma do IAC, descobriram, por meio de análise simples, que esses grãos já eram naturalmente descafeinados. “Resolvemos fazer testes mais elaborados, que comprovaram que os grãos realmente tinham teor praticamente zero de cafeína”, disse.

Segundo o IAC, esse grão arábica possui 20 vezes menos cafeína que os tipos convencionais de arábica. O café convencional tem teor de 1% a 1,2% de cafeína, enquanto as análises desse grão da Etiópia revelou 0,06% de cafeína. Os pesquisadores brasileiros encaminharam sua descoberta para a conceituada revista britânica de ciência “Nature”, que publica a descoberta em sua nova edição, a partir de hoje.

O próximo passo, segundo Mazzafera, será retirar sementes, produzir mudas e iniciar o plantio comercial. Esse processo pode demorar cinco anos. “Poderá ocorrer, nesse caso, perda de produtividade”, informou o professor. Paralelamente, os pesquisadores também farão a transferência das características da variedade AC para os grãos arábicas já altamente produtivos. Este é um processo mais demorado, podendo demorar até 15 anos para o grão ser negociado comercialmente.

Cientistas japoneses fizeram o cruzamento de grãos de café geneticamente modificado em grãos de qualidade inferior ao arábica. O Brasil detém a tecnologia do grão arábica, responsável por 80% da negociação mundial.


Jornal Valor Econômico – 23/6/2004
http://www.valor.com.br

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