Da redação
As exportações brasileiras de leite aumentaram 107% nos primeiros cinco meses do ano, para US$ 28,5 milhões, em relação aos US$ 11,5 milhões em 2003. Em volume, as vendas externas de produtos lácteos cresceram 61%, atingindo 17,6 mil toneladas em relação as 10,9 mil toneladas do ano anterior. Em Minas Gerais, estado responsável por 30% da produção brasileira, o aumento nas exportações foram mais expressivos, chegando a 727% em receita, para US$ 8,7 milhões em comparação a US$ 1 milhão. Em volume, o aumento foi de 459%, de 800 toneladas para 4,6 mil toneladas em relação aos cinco primeiros meses de 2003. Porém, os preços pagos ao produtor registraram queda de 14% neste período.

Segundo o presidente da Comissão Técnica da Pecuária de Leite da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Rodrigo Alvim, o Brasil está exportando produtos de maior valor agregado, como leite fracionado, leite condensado e leite em pó. “Neste ano o País conseguirá pela primeira vez ser exportador líquido de lácteos. Isso pelo ganho de competitividade do setor que ainda tem muito a crescer, já que há mercados inexplorados como a China. Aliás, esse é um destino que poderá registrar consumo de 50 bilhões de litros de leite/ano, mais de duas vezes a produção brasileira que é o quinto maior produtor do mundo”, disse.

“Os valores estão mais expressivos que as quantidades, pois estamos começando a exportar produtos de valor agregado e não só commodities como o leite em pó a granel”, comemora Alvim. Entre os novos produtos estão leite em pó fracionado, que vai direto para o consumidor, queijos, leite condensado e leite evaporado concentrado em sachê, que é consumido com café em vários países. “O Brasil venceu três concorrências da Organização das Nações Unidas e está mandando leite em pó fracionado para o Iraque. Em abril, uma cooperativa do Paraná exportou mais de 600 toneladas de queijo especial com massa mofada”, ressalta.

Alvim destaca ainda a capacidade de adequação da indústria brasileira e os novos mercados que os produtos lácteos vêm conquistando. Só o leite condensado, segundo ele, está sendo vendido a mais de 40 países, com o consumo sendo despertado pelas exportações brasileiras. Os principais destinos do produto, segundo ele, são Estados Unidos, Trinidad e Tobago, Argélia, países da Liga Árabe e Venezuela, chegando até mesmo às Ilhas Canárias.

Por outro lado, o representante da CNA salienta que as importações brasileiras de produtos lácteos vêm caindo tanto em valor quanto em quantidade. Só em Minas Gerais, a queda chega a 52% em valor e 60% em volume. O Brasil importa, basicamente, leite em pó e queijos da Argentina, Uruguai e União Européia.

“Em novembro de 2003 e março de 2004 tivemos superávit na nossa balança comercial e devemos chegar à condição de exportador líquido”, reforça Alvim. Ele salienta ainda que apenas o Brasil tem potencial para crescer e atender novas demandas, como a da China.

Segundo ele, nos Estados Unidos, a produção já trabalha com altos índices, enquanto a Nova Zelândia não dispõe de espaço físico para aumento de produção. Já a União Européia, que junto com Nova Zelândia detém 65% do mercado internacional de lácteos, tem problemas com zoonoses e restrições à poluição ambiental. “Já o Brasil tem propriedade subutilizadas por falta de correção de solo e áreas de cerrado a serem exploradas”, compara.

Fonte: Gazeta Mercantil (Ana Paula Machado) e Hoje em Dia/MG (Maria Célia Pinto), adaptado por Equipe MilkPoint


MilkPoint – 24/06/2004
http://www.milkpoint.com.br/mn/girolacteo/artigo.asp?nv=1 e amp;id_artigo=19243

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Vinicius Doria, Paulo Braga e Cynthia Malta De Brasília, Buenos Aires e Chapecó


Ao contrário do que o Ministério da Agricultura anunciou na quarta-feira, Rússia e Argentina mantiveram suspensas as importações de carnes do Brasil ontem. A medida foi tomada após a descoberta de um foco de aftosa em Monte Alegre, noroeste do Pará. Após a suspensão, o governo brasileiro enviou informações sobre o caso aos dois países.

O governo argentino negou a informação do Ministério da Agricultura brasileiro de que o embargo seria suspenso ontem e disse que a reabertura da fronteira do país a carnes provenientes do Brasil vai demorar até meados da próxima semana.

Anteontem, o ministério brasileiro emitiu um comunicado em que mencionava um suposto compromisso do secretário de Agricultura argentino, Miguel Campos, de que a proibição ao ingresso de carnes brasileiras terminaria ontem. A assessoria de Campos informou ter havido um “problema de interpretação” em relação ao que foi dito pelo secretário ao ministro interino da Agricultura, Linneu Costa Lima. Segundo a versão argentina, Campos teria se comprometido a suspender a medida assim que os documentos encaminhados pelo Brasil sobre os casos de aftosa no Pará fossem analisados pelas autoridades sanitárias.

No início da noite de ontem, o ministro interino da Agricultura, Costa Lima disse que Campos determinou à Senasa análise imediata dos documentos. Segundo ele, Campos afirmou que a divulgação equivocada pela imprensa argentina sobre o caso de aftosa no Brasil, confundindo o Pará com o Paraná (Sul), contribuiu para a decisão de suspender as importações de carne brasileira.

Costa Lima disse ainda que a Rússia pediu informações complementares à embaixada brasileira no país. Até ontem, a embaixada não havia recebido o pedido. Costa Lima conversará hoje com primeiro-vice-ministro da Agricultura da Rússia, Sergei Dankvert, para esclarecer o caso, segundo nota do Mínistério.

Costa Lima não explicou o porquê da informação do dia anterior, segundo a qual o embargo dos dois países seria levantado.

As vendas de carne para os dois países estão suspensas por causa do surgimento de um foco de aftosa no Noroeste do Pará, em uma região que está fora da zona livre da doença reconhecida internacionalmente. Os fiscais russos que trabalham nos portos brasileiros pararam de emitir na sexta-feira passada o certificado da pré-vistoria. As vendas para a Argentina estão suspensas há três dias.

O embargo já afeta o faturamento das empresas catarinenses que exportam suínos e frangos para a Rússia e Argentina. A expectativa é de queda este mês enquanto os estoques sobem. Os preços se mantêm pois as vendas domésticas estão aquecidas. A avaliação, que ontem foi enviada ao governador do estado, Luiz Henrique da Silveira, é do analista do mercado de carnes do Instituto de Planejamento e Economia Agrícola de Santa Catarina (Icepa), Jurandi Machado.

Segundo o estudo, o embargo russo à carne suína significa para os exportadores catarinenses 920 toneladas menos por dia e queda no faturamento das empresas em US$ 1,23 milhão ao dia. No caso da suspensão argentina, o prejuízo é, segundo Machado, de 183,2 toneladas a menos por dia e queda no faturamento das empresas em US$ 245 mil ao dia.

Neste ano, até maio, Santa Catarina exportou 82 mil toneladas – quase 47% das exportações brasileiras – para a Rússia, com receita de US$ 104,2 milhões. Para a Argentina, até maio, o país exportou 13,1 mil toneladas de carne suína, sendo 5,7 mil toneladas de Santa Catarina. No caso das vendas de frango aos russos, o impacto do embargo é de ” 141,8 toneladas a me-nos por dia e queda no faturamento das empresas em US$ 154 mil ao dia.


Jornal Valor Econômico – 25/6/2004
http://www.valor.com.br

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