Vinicius Doria, Paulo Braga e Cynthia Malta De Brasília, Buenos Aires e Chapecó


Ao contrário do que o Ministério da Agricultura anunciou na quarta-feira, Rússia e Argentina mantiveram suspensas as importações de carnes do Brasil ontem. A medida foi tomada após a descoberta de um foco de aftosa em Monte Alegre, noroeste do Pará. Após a suspensão, o governo brasileiro enviou informações sobre o caso aos dois países.

O governo argentino negou a informação do Ministério da Agricultura brasileiro de que o embargo seria suspenso ontem e disse que a reabertura da fronteira do país a carnes provenientes do Brasil vai demorar até meados da próxima semana.

Anteontem, o ministério brasileiro emitiu um comunicado em que mencionava um suposto compromisso do secretário de Agricultura argentino, Miguel Campos, de que a proibição ao ingresso de carnes brasileiras terminaria ontem. A assessoria de Campos informou ter havido um “problema de interpretação” em relação ao que foi dito pelo secretário ao ministro interino da Agricultura, Linneu Costa Lima. Segundo a versão argentina, Campos teria se comprometido a suspender a medida assim que os documentos encaminhados pelo Brasil sobre os casos de aftosa no Pará fossem analisados pelas autoridades sanitárias.

No início da noite de ontem, o ministro interino da Agricultura, Costa Lima disse que Campos determinou à Senasa análise imediata dos documentos. Segundo ele, Campos afirmou que a divulgação equivocada pela imprensa argentina sobre o caso de aftosa no Brasil, confundindo o Pará com o Paraná (Sul), contribuiu para a decisão de suspender as importações de carne brasileira.

Costa Lima disse ainda que a Rússia pediu informações complementares à embaixada brasileira no país. Até ontem, a embaixada não havia recebido o pedido. Costa Lima conversará hoje com primeiro-vice-ministro da Agricultura da Rússia, Sergei Dankvert, para esclarecer o caso, segundo nota do Mínistério.

Costa Lima não explicou o porquê da informação do dia anterior, segundo a qual o embargo dos dois países seria levantado.

As vendas de carne para os dois países estão suspensas por causa do surgimento de um foco de aftosa no Noroeste do Pará, em uma região que está fora da zona livre da doença reconhecida internacionalmente. Os fiscais russos que trabalham nos portos brasileiros pararam de emitir na sexta-feira passada o certificado da pré-vistoria. As vendas para a Argentina estão suspensas há três dias.

O embargo já afeta o faturamento das empresas catarinenses que exportam suínos e frangos para a Rússia e Argentina. A expectativa é de queda este mês enquanto os estoques sobem. Os preços se mantêm pois as vendas domésticas estão aquecidas. A avaliação, que ontem foi enviada ao governador do estado, Luiz Henrique da Silveira, é do analista do mercado de carnes do Instituto de Planejamento e Economia Agrícola de Santa Catarina (Icepa), Jurandi Machado.

Segundo o estudo, o embargo russo à carne suína significa para os exportadores catarinenses 920 toneladas menos por dia e queda no faturamento das empresas em US$ 1,23 milhão ao dia. No caso da suspensão argentina, o prejuízo é, segundo Machado, de 183,2 toneladas a menos por dia e queda no faturamento das empresas em US$ 245 mil ao dia.

Neste ano, até maio, Santa Catarina exportou 82 mil toneladas – quase 47% das exportações brasileiras – para a Rússia, com receita de US$ 104,2 milhões. Para a Argentina, até maio, o país exportou 13,1 mil toneladas de carne suína, sendo 5,7 mil toneladas de Santa Catarina. No caso das vendas de frango aos russos, o impacto do embargo é de ” 141,8 toneladas a me-nos por dia e queda no faturamento das empresas em US$ 154 mil ao dia.


Jornal Valor Econômico – 25/6/2004
http://www.valor.com.br

Compartilhe esta postagem nas redes sociais

Comments are closed, but trackbacks and pingbacks are open.