Da Redação


O anúncio do plano safra feito hoje pelo governo federal desagradou as entidades de pequenos agricultores gaúchos. Foram liberados R$ 7 bilhões para o Plano Safra Agricultura Familiar 2004-2005.
Os agricultores gaúchos terão uma fatia de R$ 1,2 bilhão através de financiamentos. A quantia liberada neste ano é superior à do ano passado. Os recursos são 30% superiores aos R$ 5,4 bilhões anunciados na safra anterior. Segundo previsão do governo federal, as famílias de agricultores atendidas passarão de 254 mil para 350 mil.

Conforme a Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag), os recursos são insuficientes, pois a entidade pediu R$ 13 bilhões para financiar a próxima safra, informou o secretário da entidade Elton Weber.

Já o vice-presidente da Fetag, Sérgio de Miranda, considerou importante o acréscimo no volume de recursos anunciados pelo governo federal. “Mas o ideal seriam R$ 13 bilhões, o dobro do anunciado”. Miranda disse que os recursos ainda são poucos para atender os pequenos agricultores. Ele explicou que na safra do ano passado foram liberados R$ 900 milhões e muitos produtores não tiveram acesso ao crédito para o custeio.

O diretor da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar no RS (Fetraf-Sul), Eloir Grizeli, teme que nem toda a verba anunciada chegue aos agricultores. Segundo o dirigente, a entidade pedia R$ 15 bilhões. Já o Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) avalia que serão necessários R$ 20 bilhões.

O MPA tentará negociar mais recursos com o governo federal. Caso as verbas não sejam ampliadas, os agricultores terão que promover novos protestos nas ruas, informou Áureo Scherer, coordenador do MPA. Ele disse que são cerca de 400 mil famílias de pequenos agricultores. Nesta manhã o MPA promoveu manifestação em frente a uma agência bancária, na avenida Farrapos, na capital, para mostrar o descontentamento.


Portal Terra
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Fabíola Salvador


Nascida em fevereiro, Vitoriosa da Embrapa vinha se desenvolvendo bem, mas morreu por choque de hipertensão

Brasília – A bezerra Vitoriosa da Embrapa, clone de um animal clonado, morreu no último 30 de maio às 13h00, por choque cardiogênico causado por hipertensão arterial. O animal nasceu no dia 5 de fevereiro e vinha apresentando crescimento adequado ao padrão de sua raça, simental, ganhando cerca de 1,2 a 1,3 quilo por dia, segundo a assessoria de imprensa da Embrapa.

Vitoriosa é filha de outro clone, a Vitória da Embrapa, primeiro clone bovino da América Latina, nascido em 2001. Foi gerada a partir de células isoladas de um pedaço de pele retirado da orelha de Vitória, quando esse animal tinha aproximadamente um ano de idade.

Os pesquisadores não podem afirmar que os problemas de hipertensão sejam provocados pelo fato de Vitoriosa ser um animal clonado. “Existem registros de hipertensão arterial em outros casos de clonagem na literatura científica e também em animais que não são clones”, disse o veterinário Rodolfo Rumpf, coordenador do projeto.

A mãe de Vitoriosa, com três anos e três meses de idade, está em ótimo estado de saúde, segundo a Embrapa. A empresa busca uma tecnologia que permita preservar espécies ameaçadas de extinção e também melhorar o rebanho nacional, com a reprodução de animais mais resistentes a doenças e parasitas.

Vitoriosa era resultado de um experimento realizado nos laboratórios de reprodução animal da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, uma das 40 unidades da Embrapa, localizada em Brasília.

O desenvolvimento do clone do clone fazia parte da tese de doutorado da estudante Lílian Iguma, que está sendo desenvolvida no Curso de Pós-Graduação em Biologia Molecular da Universidade de Brasília (UnB).

No experimento foram produzidos 35 embriões que foram transferidos para 17 receptoras, ou “mães de aluguel”, como são mais conhecidas. No dia 5 de fevereiro, também às 13h00, depois de 293 dias de gestação, uma das receptoras deu à luz a bezerrinha.

Desde o seu nascimento, Vitoriosa era monitorada em relação aos aspectos clínicos, hematológicos e bioquímicos pela equipe da Unidade da Embrapa e do Hospital Veterinário da Universidade de Brasília (UnB).


Jornal O Estado de São Paulo – 28/06/2004
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Tânia Monteiro


Brasília – O líder do Movimento dos Sem-Terra (MST) João Paulo Rodrigues reconheceu, em discurso durante o lançamento do Plano de Safra da Agricultura Familiar 2004/2005, que o governo tem feito muita coisa pelo setor e que é a primeira vez na história que há um volume tão grande de recursos (R$ 7 bilhões), “nunca visto antes”.

Entretanto, ele manifestou três preocupações: a liberação de produtos transgênicos, porque inviabiliza mercado para a agricultura familiar; a instituição do seguro-safra, para evitar prejuízo aos investidores em caso de perda; e a garantia da compra antecipada da produção.

João Paulo disse que os agricultores ainda enfrentam muitos problemas nos bancos quando contratam crédito. “Mas não é mais a ditadura dos gerentes”, ressaltou, referindo-se às dificuldades que os gerentes impunham para a concessão dos empréstimos.

Novas invasões
Questionado se haverá novo “abril vermelho”, isto é, uma série de invasões de terras, por exemplo em outubro, o líder do MST disse que “outubro vermelho será com as bandeiras do PT assumindo as prefeituras”, referindo-se às eleições municipais. Ele, no entanto, não descartou novas invasões, mas ressaltou que, provavelmente, não haverá mais invasões de prédios públicos, porque “a luta do MST não é contra o governo, mas contra o latifúndio improdutivo”.

O ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, disse que, a partir de julho, todos os assentamentos de reforma agrária disporão de assistência técnica. “Isso é reforma agrária com qualidade social”, afirmou.

Reivindicações
O presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Manoel dos Santos, disse que a entidade continuará colocando pessoas na rua para fazer reivindicações e pedir avanços sociais. “Mas nós somos obrigados a reconhecer que as coisas melhoraram”, afirmou.

Em resposta, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva encorajou os trabalhadores a continuarem reivindicando. “Não tenham medo de reivindicar. O papel dos movimentos é reivindicar”, afirmou, ressaltando que, quando alguma reivindicação for impossível de cumprir, o governo o dirá sinceramente.


Jornal O Estado de São Paulo – 28/06/2004
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Tânia Monteiro

Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assegurou hoje, durante a cerimônia de lançamento do Plano de Safra para a Agricultura Familiar 2004-2005, que não faltarão recursos para o setor. Ele disse que serão liberados R$ 7 bilhões em créditos para agricultores familiares e assentados da reforma agrária, o que representa um crescimento de 30% em comparação com os alocados no ano passado para o setor.

Segundo ele, se aparecerem pedidos para elevar este valor para R$ 7,5 bilhões ou R$ 8 bilhões, eles serão atendidos. “Sempre é possível arranjar mais um pouco”, afirmou Lula, na cerimônia realizada no Palácio do Planalto.

Ele lembrou que, quando assumiu o governo, apenas 57% dos recursos disponibilizados para a agricultura familiar chegavam aos agricultores e disse que, na última safra, foi alcançado o índice de 85%. O maior obstáculo, anteriormente, eram as exigências cadastrais feitas pelos bancos.

“É claro que ainda falta muita coisa, e precisamos que os bancos privados dêem a sua contribuição”, afirmou, pedindo aos agricultores que, se encontrarem alguma dificuldade, se manifestem e se queixem, porque, muitas vezes, por não saber o que acontece, um ministro ou presidente de banco não toma a medida certa para beneficiar o setor.


Jornal O Estado de São Paulo – 28/06/2004
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