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Os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA), um dos mecanismos lançados pelo governo para financiar a safra 2004/05, está atraindo a atenção do Banco do Brasil, Banco Santos, Santander Banespa e Itaú. As instituições preparam-se para lançar o título, tão logo seja aprovada medida provisória que regulamenta a comercialização do papel. O secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Ivan Wedekin, afirmou ao Valor que a norma, elaborada em conjunto pelas pastas de Agricultura e Fazenda, Banco Central e Comissão de Valores Mobiliários (CVM), será publicada em três semanas. “O CRA permitirá a maior canalização de recursos para o setor agrícola”, diz Wedekin.

O CRA é um título de crédito emitido por processo de securitização, que pode ser lastreado por Cédulas do Produtor Rural (CPR), contratos de exportação, duplicatas rurais, títulos de contas a receber e pode compor a carteira dos fundos de investimentos.

O papel complementa a CPR, já que pode ser emitido por qualquer pessoa jurídica do agronegócio. A CPR é emitida apenas por produtores e cooperativas.

Ademiro Vian, assessor técnico da Federação Brasileira da Associação de Bancos (Febraban), diz que os bancos devem atrair com o papel o mesmo volume de recursos gerados hoje com a CPR, de R$ 20 bilhões ao ano.

“Ainda não é possível prever quando o mercado atingirá esse valor”, disse Vian. Para ele, parte do montante virá das indústrias que investem diretamente no campo. Vian afirmou ainda que alguns produtores devem substituir o financiamento dos bancos pelo novo instrumento.

Os planos para lançar o CRA já estão adiantados no Banco do Brasil. José Carlos Vaz, gerente executivo da diretoria de agronegócios da instituição, disse que irá lançar o papel assim que a medida provisória for publicada. “O mercado de CRAs deve se consolidar em dois anos, diferente da CPR, que levou dez anos para chegar a R$ 20 bilhões.”

O Banco Santos planeja lançar o CRA no segundo semestre. “Todo instrumento criado para dar hedge ao produtor é um bom negócio”, diz Moacir Teixeira, superintendente de agronegócio. O Santander e o Itaú não responderam ao pedido de entrevista.


Jornal Valor Econômico – 28/6/2004
http://www.valor.com.br

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