De Luís Eduardo Magalhães

As oportunidades de investimento no cerrado brasileiro atordoam a imaginação. Um mundo de oportunidades. Com alguns desses dizeres (e uma enormidade de fotos) a empresa norte-americana AgBrazil apresenta em sua página na internet os serviços que oferece a agricultores e investidores dos EUA: tours para o Oeste da Bahia, assessoria técnica e jurídica para análise e compra de propriedades e a imigração para o país.

A empresa com sede no Missouri, dirigida por um norte-americano que morou no Brasil, Philip F. Warnken, promove esse tipo de turismo que começa a se tornar comum na região de Barreiras e Luís Eduardo Magalhães, as duas principais cidades do Oeste baiano. Segundo o Sindicato Rural de Luís Eduardo Magalhães, cinco americanos mantêm propriedades no município.

Clay Earl, americano do Kansas que chegou à área onde se localiza Luís Eduardo em 1973, explica o porquê do interesse dos fazendeiros do Norte: enquanto nos EUA o hectare de terra custa entre US$ 6 mil e US$ 8 mil, no cerrado baiano terras de boa qualidade podem ser encontradas por cerca de US$ 2 mil. “Normalmente, vêm os agricultores mais velhos, já estabelecidos. Procuram terras para os filhos. Não há mais grandes áreas disponíveis de boa qualidade nos EUA e as que existem são caras”, diz Earl, proprietário de uma fazenda de 4.500 hectares.

O fazendeiro, que planta algodão e soja, atua como “guia” para os grupos de estrangeiros que visitam a região. No ano passado, ele recebeu cerca de 60 pessoas. Este ano, foram cem visitantes até o último mês. Os investidores/agricultores pagam US$ 1.700 (a partir de Brasília) pela estadia de uma semana no Oeste baiano, que inclui visitas a fazendas produtoras de café, soja, algodão e frutas. “Eles têm muitas dúvidas sobre as condições de infra-estrutura, escoamento de produção, valor e qualidade das terras. Indagam sobre segurança. Mas depois de uma semana aqui, vêem que essa não é uma questão relevante”, diz Earl, casado com uma baiana, pai de três filhos e dono de um marcado sotaque baiano.

Segundo Earl, a implantação de uma propriedade agrícola de tamanho médio (entre mil e 2 mil) em áreas de melhor qualidade ( de maior intensidade de chuvas) exige investimento da ordem de R$ 500 mil. (J.A.D.)


Jornal Valor Econômico – 28/6/2004
http://www.valor.com.br

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