A suspensão temporária das compras de carnes brasileiras por Rússia e Argentina, após a descoberta de um foco de febre aftosa em Monte Alegre (PA), fez os exportadores brasileiros deixarem de embarcar, até ontem, cerca de US$ 36 milhões em carnes. Os prejuízos maiores são com a carne suína, já que a Rússia, o maior cliente do Brasil, suspendeu as compras desde o dia 18. No dia 23, foi a vez da Argentina, terceiro mercado para a carne suína brasileira, anunciar a suspensão das importações.

De acordo com o diretor-executivo da Abipecs (reúne exportadores de carne suína), Cláudio Martins, o país deixou de embarcar para Rússia e Argentina cerca de US$ 25 milhões, o equivalente a 20 mil toneladas. Os cálculos têm como base os embarques em todo o mês de maio, que somaram quase 50 mil toneladas.

Martins, que também é diretor da Abef (exportadores de frango), estima que as perdas com as vendas de frango somam US$ 3 milhões. Esse valor corresponde a um volume de 4 a 5 mil toneladas que o Brasil embarca para a Rússia num período de 10 dias.

No caso da carne bovina, a estimativa é de perdas de US$ 8 milhões em embarques que deixaram de ser realizados para a Rússia, segundo a Abiec (reúne exportadores de carne bovina). Os cálculos levam em consideração os embarques feitos entre janeiro e junho deste ano para o país, que totalizaram US$ 83 milhões.

O secretário de Produção e Comercialização do Ministério da Agricultura, Linneu da Costa Lima, se reuniu ontem em Moscou com o diretor do Serviço Federal de Supervisão Veterinária e Fitossanitária da Rússia, Sergey Dankvert, para negociar o fim do embargo à carne brasileira. Ainda não há previsão para a retomada dos embarques. As negociações prosseguirão hoje.

Uma fonte que teve contato com a missão brasileira disse que as negociações devem ter “desfecho positivo”. Segundo essa fonte, a reunião de hoje será técnica, para discutir a possível abertura do mercado brasileiro ao trigo russo.

Em Brasília, o secretário de Política Agrícola, Ivan Wedekin, disse que é possível liberar a importação de trigo da Rússia, desde que o produto atenda às exigências fitossanitárias e tenha preço competitivo. A liberação das importações de trigo da Rússia está sendo negociada como compensação para a reabertura do mercado russo às carnes do Brasil. “O Brasil precisa de trigo, não é auto-suficiente e nem será no curto prazo. Se tiver qualidade e preço, pode vir da Rússia, Ucrânia ou Argentina”, disse.

A análise de risco para o trigo russo já foi feita, no entanto, o Brasil quer informações sobre cinco ervas daninhas que atacam as lavouras da Rússia.

A secretaria de Defesa Agropecuária soube, por agências internacionais de notícias, do pedido da Associação Irlandesa de Criadores de Gado para que a União Européia suspenda a importação de carne bovina do Brasil, mas não recebeu nenhuma informação oficial de novos embargos.


Jornal Valor Econômico – 30/6/2004
http://www.valor.com.br

Alda do Amaral Rocha e Vinicius Doria De São Paulo e Brasília

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