Da redação

O governo federal lançará um projeto-piloto de implantação de seguro rural para lavouras de soja ou milho na região Centro Sul ainda neste ano. A afirmação é do secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Ivan Wedekin, ao comentar a publicação hoje, no Diário Oficial da União, do decreto 5.121. Ele regulamenta a Lei 10.823/2003, que autorizou o Tesouro Nacional a conceder subvenção econômica ao prêmio do seguro rural. O orçamento previsto para o pagamento da subvenção este ano é de R$ 20 milhões.

Entre outros itens, o decreto cria o Comitê Gestor Interministerial do Seguro Rural, que definirá as diretrizes e prioridades da política de subvenção, entre as quais, as culturas, espécies animais e regiões a serem amparadas pelo benefício. As funções do Comitê incluem a definição dos parâmetros mínimos e disposições contratuais, inclusive os riscos cobertos, para cada linha de seguro subvencionável e outras exigências técnicas para enquadramento no programa de subvenção. Ele será composto por representantes dos ministérios da Agricultura, Fazenda, Planejamento, Orçamento e Gestão e Desenvolvimento Agrário, além da Superintendência de Seguros Privados (Susep).

Para realizar suas atribuições, o Comitê firmará contratos, convênios ou parcerias com instituições públicas ou privadas, especialmente para transferência de recursos financeiros, desenvolvimento de projetos-piloto e realização de levantamentos, estudos e projetos. O Comitê também aprovará o Plano Trienal do Seguro Rural, cujos percentuais ou valores máximos da subvenção estarão sujeitos à aprovação pelo Poder Executivo. O Plano Trienal será aplicado a partir do exercício financeiro seguinte ao de sua aprovação.

O Comitê também vai elaborar proposta anual contendo estimativas de valor máximo da subvenção e os respectivos valores e percentuais médios, observados os limites orçamentários estabelecidos no orçamento do Mapa destinado ao programa. De acordo com o decreto, o seguro rural será contratado junto a sociedades seguradoras autorizadas a operar em seguros pela Susep.

Segundo o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, com a regulamentação da Lei 10.823,o governo está cumprindo mais uma etapa para que o Brasil comece acabar com o que ele considera ser o problema central da agricultura brasileira, que é a exigência de crédito rural. “Nos países desenvolvidos, onde funciona o seguro de renda, o seguro rural, não há problema de crédito agrícola. Os bancos não se preocupam em emprestar para o setor, porque existe um mecanismo de proteção ao crédito”, assinalou. Para ele, o seguro rural será essencial para garantir a estabilização de renda ao produtor agrícola.

Para a efetivação do seguro rural ainda restam duas etapas: a definição da estrutura da gestão (inclusive os aspectos operacionais de pagamento da subvenção, monitoramento, fiscalização e controle) e dos aspectos técnicos, como produtos e regiões prioritárias.

Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – 1/7/2004
http://www.agricultura.gov.br

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Mariangela Morenghi

A integração entre a agricultura e a pecuária através do Sistema de Plantio Direto foi o tema principal da discussão desta quinta-feira pela manhã no 9º Encontro Nacional de Plantio Direto na Palha. O evento, realizado no Parque de Exposições Tancredo Neves, em Chapecó (SC), é uma promoção da Federação Brasileira de Plantio Direto na Palha em parceria com o governo do Estado de Santa Catarina, Epagri e Prefeitura Municipal de Chapecó.

Agricultores e pecuaristas estão procurando sistemas de produção alternativos para aumentar a eficiência e rentabilidade de seus negócios. O professor Aníbal de Moraes, da Universidade Federal do Paraná, explica que para a pecuária a agricultura é uma opção na reforma de pastagens e recuperação do solo, enquanto que no caso inverso, a diversificação de propriedades e a utilização na alimentação animal de plantas em rotação com cultivos de grãos surge como possibilidade. “O desafio em sistemas integrados é encontrar um nível ótimo de biomassa que beneficie tanto a cultura de verão instalada no sistema de semeadura direta, quanto a produção animal no período de pastejo, de forma a garantir uma alta produtividade do sistema”, acrescenta.

Para o engenheiro agrônomo da Embrapa Gado de Corte (Campo Grande/MS), Armindo Kichel, o manejo inadequado leva à degradação das pastagens, queda na produtividade e empobrecimento do solo e aumento da erosão. A integração da lavoura e pecuária é uma alternativa para reverter este quadro. Segundo Kichel, o Plantio Direto de soja sobre pastagens pode ser feito em áreas em degradação para a recuperação e renovação de pastagem, oferecendo uma excelente cobertura do solo com palha de boa qualidade. Por outro lado, esta técnica também reduz, após alguns anos de pasto, a ação de plantas invasoras e quebra o ciclo de pragas e doenças da soja.

Estimativa apresentada pelo pesquisador da IAPAR, Enir Oliveira, afirma que 50% das áreas de pastagem no Brasil estejam degradadas. Estas áreas apresentam perda da capacidade produtiva da forrageira, podendo ocasionar também um desgaste profundo, que afeta o solo e outros recursos naturais pela compactação ou erosão. Isto ocorre naturalmente com a exploração da pecuária, pela retirada de nutrientes pelo gado e por perdas ocasionadas pela ação de chuvas ou efeito do preparo do solo com o uso de grade.

O gerente técnico da Monsanto, Márcio Scaléa, afirma que com manejo adequado do Plantio Direto a situação pode ser revertida. Scaléa apresentou trabalho sobre a renovação de pastagens em áreas degradadas. “O produtor deve levar em conta que herbicidas são mais eficientes do que grades na eliminação de pastos degradados, principalmente quando há presença de invasoras”, explica. Analisando a compactação, acidez e fertilidade do solo, o relevo da área e a presença de invasoras, é possível diagnosticar a melhor alternativa de recuperação da área degradada. “A questão está em fazer um bom diagnóstico”, conclui.

Maxpress – 1/07/2004
http://www.maxpressnet.com.br/

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Lebna Landgraf


De acordo com levantamento, recém concluído, pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, a ferrugem asiática provocou perdas de cerca de 4,5 milhões de toneladas de soja, na safra 2003/04. Associando o que deixou de ser colhido e os gastos com o controle químico (fungicidas e despesas com aplicação), o custo ferrugem foi de aproximadamente US$ 2 bilhões. “Esses valores representam praticamente o dobro de prejuízo levantado na última safra”, calcula o diretor presidente da Embrapa, Clayton Campanhola.

Antes da safra, foi detectado o surgimento de uma nova raça do fungo P. pachyrhizi, causador da ferrugem, o que provocou quebra de fontes de resistência. Isso inviabilizou o desenvolvimento de cultivares resistentes à ferrugem. Outro problema foi a presença contínua desse fungo na entressafra, em lavouras “safrinhas”, no Cerrado (BA, GO, MA, MG, MT, SP e TO). “Apesar disso, as chuvas irregulares e as temperaturas elevadas, no início da safra, evitaram a explosão da ferrugem. Além do mais, os produtores estavam de prontidão para fazer o controle químico”, diz o pesquisador da Embrapa Soja, José Tadashi Yorinori. De acordo com a Embrapa, na safra 2003/04, os estados mais atingidos com a ferrugem foram Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais e São Paulo. No MT,
lavouras com cultivares precoces e irrigadas por pivô central ou sem irrigação foram pulverizadas até duas vezes. Em outras regiões, lavouras não tratadas ou tratadas com deficiência foram afetadas pela ferrugem, em diferentes graus de severidade. “Essas áreas também serviram de fontes de disseminação para áreas vizinhas, que tinham lavouras mais tardias”, explica.

No Paraná, segundo produtor de soja atrás apenas do MT, a progressão da doença foi impedida pela forte estiagem e altas temperaturas, em janeiro. De modo geral, os produtores controlaram adequadamente a doença. A maior redução da produção de soja no Estado foi causada pela
estiagem. A falta de chuva também foi a grande responsável pelas perdas econômicas no Rio Grande do Sul e Santa Catarina, apesar de registros da ferrugem.

Dentre todos os Estados afetados, a Bahia foi o que apresentou maior eficiência no controle da doença. O esforço concentrado de órgãos de pesquisa pública e da iniciatica privada permitiu uma ampla divulgação do problema e das ações de controle a serem adotadas. “Além de todo o trabalho de divulgação, foi de fundamental importância a conscientização dos produtores e a pronta resposta com a adoção das medidas de controle”, aponta Tadashi.

Em outros estados onde as perdas foram elevadas, houve falta de informação ou de conscientização sobre os riscos potenciais por parte dos produtores e da assistência técnica no combate a doença. “Também detectamos que, ao final da safra, quando o problema tornou-se grave, houve falta de fungicidas e elevação exagerada dos preços dos produtos no mercado”, diz.

Pesquisa e assistência técnica Desde 2001, a Embrapa Soja e as instituições parceiras têm acompanhamento a evolução da doença, pesquisando e difundido as medidas de controle. Entre as principais ações estão: o acompanhamento da ocorrência da ferrugem durante a safra na entressafra; avaliação da eficiência de fungicidas no controle da ferrugem e orientações sobre o uso e momento correto da aplicação; pesquisas sobre fontes de resistência genética, avaliação da reação de linhagens e cultivares de soja à ferrugem, capacitação contínua de agrônomos, técnicos agrícolas e produtores de soja, através de cursos, treinamentos, palestras, dias de campo, atendimento de consultas telefônicas e pessoais e visitas a lavouras e, principalmente, informações sobre a ocorrência da ferrugem e providências a serem tomadas para controle, em tempo real, no Sistema de Alerta, na página da Embrapa Soja, na Internet.

Apesar dos esforços da pesquisa, até o momento, nenhuma cultivar mostrou-se suficientemente tolerante à doença. Atualmente, o controle químico é o mais eficiente, porém, seu uso eficaz e econômico depende: da capacidade de identificar a doença na fase inicial; do levantamento e
acompanhamento das primeiras ocorrências e da vistoria contínua das lavouras; da adequação da densidade de semeadura para maior penetração do fungicida na folha; da escolha correta do(s) fungicida(s), em relação a fase de desenvolvimento da soja e da severidade de infecção; da
observação das condições climáticas no momento da aplicação; da adoção de equipamento e tecnologias corretas de aplicação – tanto para tratamento aéreo como terrestre e da capacidade operacional para aplicação do fungicida no momento correto, principalmente, em períodos
chuvosos.


Maxpress – 1/07/2004
http://www.maxpressnet.com.br/

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Carlos Gil

Encontro virtual terá participação de profissionais de diversos países e faz parte da programação do 23º Congresso Mundial de Buiatria

A Universidade Anhembi Morumbi promoverá, no dia 16 de julho, às 9h30, uma web conferência sobre cirurgias em bovinos. O evento é gratuito e aberto a profissionais da área, mediante inscrição prévia. A conferência faz parte da programação científica do 23º Congresso Mundial de Buaitria, que será realizado em Quebéc – Canadá, de 11 a 16 de julho.

Na conferência virtual, profissionais especializados de países como Uruguai, México, França, Canadá e Marrocos, além do Brasil, debaterão as diferentes abordagens cirúrgicas em ruminantes. A organização está a cargo do Dr. Denis Harvey, da Universidade de Montreal, e do Dr. Maurício Garcia, Vice-Reitor da Universidade Anhembi Morumbi e médico veterinário buiatra. O mediador será o Dr. Neimar Roncati, coordenador do curso de Medicina Veterinária da Anhembi Morumbi.

A duração prevista é de três horas e as palestras serão ministradas em língua inglesa. As vagas são limitadas. Os interessados em acompanhar a web conferência devem se inscrever pelo telefone 11-6090-4576.

Maxpress – 1/07/2004
http://www.maxpressnet.com.br/

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