Da redação

O governo federal lançará um projeto-piloto de implantação de seguro rural para lavouras de soja ou milho na região Centro Sul ainda neste ano. A afirmação é do secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Ivan Wedekin, ao comentar a publicação hoje, no Diário Oficial da União, do decreto 5.121. Ele regulamenta a Lei 10.823/2003, que autorizou o Tesouro Nacional a conceder subvenção econômica ao prêmio do seguro rural. O orçamento previsto para o pagamento da subvenção este ano é de R$ 20 milhões.

Entre outros itens, o decreto cria o Comitê Gestor Interministerial do Seguro Rural, que definirá as diretrizes e prioridades da política de subvenção, entre as quais, as culturas, espécies animais e regiões a serem amparadas pelo benefício. As funções do Comitê incluem a definição dos parâmetros mínimos e disposições contratuais, inclusive os riscos cobertos, para cada linha de seguro subvencionável e outras exigências técnicas para enquadramento no programa de subvenção. Ele será composto por representantes dos ministérios da Agricultura, Fazenda, Planejamento, Orçamento e Gestão e Desenvolvimento Agrário, além da Superintendência de Seguros Privados (Susep).

Para realizar suas atribuições, o Comitê firmará contratos, convênios ou parcerias com instituições públicas ou privadas, especialmente para transferência de recursos financeiros, desenvolvimento de projetos-piloto e realização de levantamentos, estudos e projetos. O Comitê também aprovará o Plano Trienal do Seguro Rural, cujos percentuais ou valores máximos da subvenção estarão sujeitos à aprovação pelo Poder Executivo. O Plano Trienal será aplicado a partir do exercício financeiro seguinte ao de sua aprovação.

O Comitê também vai elaborar proposta anual contendo estimativas de valor máximo da subvenção e os respectivos valores e percentuais médios, observados os limites orçamentários estabelecidos no orçamento do Mapa destinado ao programa. De acordo com o decreto, o seguro rural será contratado junto a sociedades seguradoras autorizadas a operar em seguros pela Susep.

Segundo o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, com a regulamentação da Lei 10.823,o governo está cumprindo mais uma etapa para que o Brasil comece acabar com o que ele considera ser o problema central da agricultura brasileira, que é a exigência de crédito rural. “Nos países desenvolvidos, onde funciona o seguro de renda, o seguro rural, não há problema de crédito agrícola. Os bancos não se preocupam em emprestar para o setor, porque existe um mecanismo de proteção ao crédito”, assinalou. Para ele, o seguro rural será essencial para garantir a estabilização de renda ao produtor agrícola.

Para a efetivação do seguro rural ainda restam duas etapas: a definição da estrutura da gestão (inclusive os aspectos operacionais de pagamento da subvenção, monitoramento, fiscalização e controle) e dos aspectos técnicos, como produtos e regiões prioritárias.

Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – 1/7/2004
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Mariangela Morenghi

A integração entre a agricultura e a pecuária através do Sistema de Plantio Direto foi o tema principal da discussão desta quinta-feira pela manhã no 9º Encontro Nacional de Plantio Direto na Palha. O evento, realizado no Parque de Exposições Tancredo Neves, em Chapecó (SC), é uma promoção da Federação Brasileira de Plantio Direto na Palha em parceria com o governo do Estado de Santa Catarina, Epagri e Prefeitura Municipal de Chapecó.

Agricultores e pecuaristas estão procurando sistemas de produção alternativos para aumentar a eficiência e rentabilidade de seus negócios. O professor Aníbal de Moraes, da Universidade Federal do Paraná, explica que para a pecuária a agricultura é uma opção na reforma de pastagens e recuperação do solo, enquanto que no caso inverso, a diversificação de propriedades e a utilização na alimentação animal de plantas em rotação com cultivos de grãos surge como possibilidade. “O desafio em sistemas integrados é encontrar um nível ótimo de biomassa que beneficie tanto a cultura de verão instalada no sistema de semeadura direta, quanto a produção animal no período de pastejo, de forma a garantir uma alta produtividade do sistema”, acrescenta.

Para o engenheiro agrônomo da Embrapa Gado de Corte (Campo Grande/MS), Armindo Kichel, o manejo inadequado leva à degradação das pastagens, queda na produtividade e empobrecimento do solo e aumento da erosão. A integração da lavoura e pecuária é uma alternativa para reverter este quadro. Segundo Kichel, o Plantio Direto de soja sobre pastagens pode ser feito em áreas em degradação para a recuperação e renovação de pastagem, oferecendo uma excelente cobertura do solo com palha de boa qualidade. Por outro lado, esta técnica também reduz, após alguns anos de pasto, a ação de plantas invasoras e quebra o ciclo de pragas e doenças da soja.

Estimativa apresentada pelo pesquisador da IAPAR, Enir Oliveira, afirma que 50% das áreas de pastagem no Brasil estejam degradadas. Estas áreas apresentam perda da capacidade produtiva da forrageira, podendo ocasionar também um desgaste profundo, que afeta o solo e outros recursos naturais pela compactação ou erosão. Isto ocorre naturalmente com a exploração da pecuária, pela retirada de nutrientes pelo gado e por perdas ocasionadas pela ação de chuvas ou efeito do preparo do solo com o uso de grade.

O gerente técnico da Monsanto, Márcio Scaléa, afirma que com manejo adequado do Plantio Direto a situação pode ser revertida. Scaléa apresentou trabalho sobre a renovação de pastagens em áreas degradadas. “O produtor deve levar em conta que herbicidas são mais eficientes do que grades na eliminação de pastos degradados, principalmente quando há presença de invasoras”, explica. Analisando a compactação, acidez e fertilidade do solo, o relevo da área e a presença de invasoras, é possível diagnosticar a melhor alternativa de recuperação da área degradada. “A questão está em fazer um bom diagnóstico”, conclui.

Maxpress – 1/07/2004
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Lebna Landgraf


De acordo com levantamento, recém concluído, pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, a ferrugem asiática provocou perdas de cerca de 4,5 milhões de toneladas de soja, na safra 2003/04. Associando o que deixou de ser colhido e os gastos com o controle químico (fungicidas e despesas com aplicação), o custo ferrugem foi de aproximadamente US$ 2 bilhões. “Esses valores representam praticamente o dobro de prejuízo levantado na última safra”, calcula o diretor presidente da Embrapa, Clayton Campanhola.

Antes da safra, foi detectado o surgimento de uma nova raça do fungo P. pachyrhizi, causador da ferrugem, o que provocou quebra de fontes de resistência. Isso inviabilizou o desenvolvimento de cultivares resistentes à ferrugem. Outro problema foi a presença contínua desse fungo na entressafra, em lavouras “safrinhas”, no Cerrado (BA, GO, MA, MG, MT, SP e TO). “Apesar disso, as chuvas irregulares e as temperaturas elevadas, no início da safra, evitaram a explosão da ferrugem. Além do mais, os produtores estavam de prontidão para fazer o controle químico”, diz o pesquisador da Embrapa Soja, José Tadashi Yorinori. De acordo com a Embrapa, na safra 2003/04, os estados mais atingidos com a ferrugem foram Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais e São Paulo. No MT,
lavouras com cultivares precoces e irrigadas por pivô central ou sem irrigação foram pulverizadas até duas vezes. Em outras regiões, lavouras não tratadas ou tratadas com deficiência foram afetadas pela ferrugem, em diferentes graus de severidade. “Essas áreas também serviram de fontes de disseminação para áreas vizinhas, que tinham lavouras mais tardias”, explica.

No Paraná, segundo produtor de soja atrás apenas do MT, a progressão da doença foi impedida pela forte estiagem e altas temperaturas, em janeiro. De modo geral, os produtores controlaram adequadamente a doença. A maior redução da produção de soja no Estado foi causada pela
estiagem. A falta de chuva também foi a grande responsável pelas perdas econômicas no Rio Grande do Sul e Santa Catarina, apesar de registros da ferrugem.

Dentre todos os Estados afetados, a Bahia foi o que apresentou maior eficiência no controle da doença. O esforço concentrado de órgãos de pesquisa pública e da iniciatica privada permitiu uma ampla divulgação do problema e das ações de controle a serem adotadas. “Além de todo o trabalho de divulgação, foi de fundamental importância a conscientização dos produtores e a pronta resposta com a adoção das medidas de controle”, aponta Tadashi.

Em outros estados onde as perdas foram elevadas, houve falta de informação ou de conscientização sobre os riscos potenciais por parte dos produtores e da assistência técnica no combate a doença. “Também detectamos que, ao final da safra, quando o problema tornou-se grave, houve falta de fungicidas e elevação exagerada dos preços dos produtos no mercado”, diz.

Pesquisa e assistência técnica Desde 2001, a Embrapa Soja e as instituições parceiras têm acompanhamento a evolução da doença, pesquisando e difundido as medidas de controle. Entre as principais ações estão: o acompanhamento da ocorrência da ferrugem durante a safra na entressafra; avaliação da eficiência de fungicidas no controle da ferrugem e orientações sobre o uso e momento correto da aplicação; pesquisas sobre fontes de resistência genética, avaliação da reação de linhagens e cultivares de soja à ferrugem, capacitação contínua de agrônomos, técnicos agrícolas e produtores de soja, através de cursos, treinamentos, palestras, dias de campo, atendimento de consultas telefônicas e pessoais e visitas a lavouras e, principalmente, informações sobre a ocorrência da ferrugem e providências a serem tomadas para controle, em tempo real, no Sistema de Alerta, na página da Embrapa Soja, na Internet.

Apesar dos esforços da pesquisa, até o momento, nenhuma cultivar mostrou-se suficientemente tolerante à doença. Atualmente, o controle químico é o mais eficiente, porém, seu uso eficaz e econômico depende: da capacidade de identificar a doença na fase inicial; do levantamento e
acompanhamento das primeiras ocorrências e da vistoria contínua das lavouras; da adequação da densidade de semeadura para maior penetração do fungicida na folha; da escolha correta do(s) fungicida(s), em relação a fase de desenvolvimento da soja e da severidade de infecção; da
observação das condições climáticas no momento da aplicação; da adoção de equipamento e tecnologias corretas de aplicação – tanto para tratamento aéreo como terrestre e da capacidade operacional para aplicação do fungicida no momento correto, principalmente, em períodos
chuvosos.


Maxpress – 1/07/2004
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Carlos Gil

Encontro virtual terá participação de profissionais de diversos países e faz parte da programação do 23º Congresso Mundial de Buiatria

A Universidade Anhembi Morumbi promoverá, no dia 16 de julho, às 9h30, uma web conferência sobre cirurgias em bovinos. O evento é gratuito e aberto a profissionais da área, mediante inscrição prévia. A conferência faz parte da programação científica do 23º Congresso Mundial de Buaitria, que será realizado em Quebéc – Canadá, de 11 a 16 de julho.

Na conferência virtual, profissionais especializados de países como Uruguai, México, França, Canadá e Marrocos, além do Brasil, debaterão as diferentes abordagens cirúrgicas em ruminantes. A organização está a cargo do Dr. Denis Harvey, da Universidade de Montreal, e do Dr. Maurício Garcia, Vice-Reitor da Universidade Anhembi Morumbi e médico veterinário buiatra. O mediador será o Dr. Neimar Roncati, coordenador do curso de Medicina Veterinária da Anhembi Morumbi.

A duração prevista é de três horas e as palestras serão ministradas em língua inglesa. As vagas são limitadas. Os interessados em acompanhar a web conferência devem se inscrever pelo telefone 11-6090-4576.

Maxpress – 1/07/2004
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De Washington e São Paulo


Uma onda de alívio percorreu o mercado financeiro ontem, depois que o Federal Reserve (o banco central americano) elevou a taxa básica de juro dos Estados Unidos de 1% para 1,25% ao ano. Foi a primeira alta em quatro anos, mas o mercado reagiu positivamente ao fato de o Fed ter atuado dentro do previsto e esclarecido que os próximos passos serão “comedidos”.

As bolsas americanas, que estavam em baixa, subiram. Nova York fechou em alta de 0,2%. O otimismo foi maior no mercado brasileiro, onde a Bovespa subiu 1,67%, voltando aos 21.148 pontos pela primeira vez desde 27 de abril. O dólar comercial fechou em baixa de 0,67%, a R$ 3,0870. Os juros caíram no mercado futuro e o risco Brasil recuou 0,62%, para 646 pontos.

O mercado também ficou animado com o fato de o Banco Central ter revisto para cima, de 5,2% para 6,4%, a previsão do IPCA para 2004, tacitamente indicando aceitar uma inflação acima do centro da meta, o que esvaziou o receio de uma eventual elevação da taxa básica (Selic).

O economista-chefe do Fundo Monetário Internacional, Raghuram G. Rajan, disse ao Valor que a economia brasileira está razoavelmente protegida por dois fatores principais: os sinais de crescimento e as reformas estruturais. “O Fed sinalizou a continuidade do gradualismo. Isso traz conforto especial aos países que mais sofrem com a volatilidade, como o Brasil”, disse Drausio Giacomelli, vice-presidente do JP Morgan. Só não se espera uma enxurrada de captações internacionais porque a maior parte das empresas brasileiras de primeira linha antecipou o lançamento de títulos ou está com excesso de liquidez. Além disso, não há demanda por crédito em dólares nos grandes bancos.

Fed promete ser comedido e tranqüiliza os mercados

Alívio – Sem surpresas, BC americano sobe juro básico de 1% para 1,25%

Tatiana Bautzer De Washington

O Federal Reserve (Fed, o banco central americano) elevou ontem a taxa básica de juro dos Estados Unidos para 1,25% ao ano, animando os mercados financeiros com um texto informando que os próximos passos de sua política monetária serão “comedidos”. Logo após o anúncio da decisão, as bolsas, que estavam em baixa temendo indicações de uma postura mais drástica, voltaram a subir. Também recuaram as taxas de juros de títulos públicos, que haviam subido devido à incerteza em relação à atitude do Fed.

No texto explicativo da decisão, o Fed afirma que “embora alguns novos números de inflação estejam elevados, uma parte da alta nos últimos meses parece ter ocorrido por fatores transitórios”, o que leva o mercado a crer que o BC americano não reagirá de maneira brusca. “Com a expectativa de uma inflação relativamente baixa, o Comitê do Mercado Aberto acredita que a política (monetária) acomodativa pode ser removida num ritmo provavelmente comedido”, diz o Fed. A decisão de elevar a taxa foi unânime entre os 11 membros do Comitê.

Para o economista do Lehman Brothers em Nova York, Drew Mathus, a decisão foi “exatamente o que o mercado esperava, e a observação sobre fatores transitórios evita as preocupações com atraso do Fed na reação à inflação”. A reação positiva do mercado, que experimentou uma “alta de alívio” à tarde, reflete a menor possibilidade de acelerar o ritmo de alta dos juros para coibir a inflação. Com isso, as bolsas americanas subiram e os títulos do Tesouro de 10 anos chegaram a ser negociados projetando juro de 4,58%, bem abaixo da abertura, mas fecharam o dia cotados a 4,6%.

Apesar da tranqüilidade de ontem, o mercado estará muito atento aos próximos números da inflação nos EUA – e não apenas aos índices tradicionais, como o de preços ao consumidor e gastos pessoais. Também serão observadas as séries que indicam tendências no atacado, como o índice de preços do Institute of Supply Management (ISM), que subiu expressivamente em abril, mas recuou 2,27% em maio – o que mostra um exemplo de transitoriedade da alta citada pelo Fed. Portanto, índices de inflação acima do esperado poderão provocar mais turbulência.

O porta-voz da Casa Branca, Scott McClellan, declarou que o governo americano vê a mudança com naturalidade e não teme desaceleração econômica. “A alta dos juros reflete o crescimento da economia e a geração de empregos.” O único efeito sobre a economia real parece ser, até agora, a redução na demanda por financiamentos imobiliários, que está em baixa há três semanas.

Vários analistas lembraram que o início da elevação de juros pelo Fed neste ano está ocorrendo de maneira bem diferente das decisões de 1994. Naquela época, apesar de mensagens cifradas enviadas pelo Fed em suas reuniões, o mercado não percebeu a mudança na interpretação do BC americano sobre a inflação e sofreu mais quando as taxas começaram a subir rapidamente. Desta vez, a percepção em relação à atitude do Fed foi mais precisa e os ajustes começaram bem antes.

O efeito sobre países em desenvolvimento está sendo positivo, ao contrário da reação em 1994, que culminou com a crise do México. O economista-chefe para a América Latina do Barclays, Jose Barrionuevo, acredita que “haverá um impacto mais limitado sobre as moedas de países emergentes”. Ele prevê que as empresas brasileiras e o governo terão novas oportunidades de captar recursos no mercado internacional entre julho e agosto, desde que haja sinais concretos de que o crescimento econômico é sustentável.


Jornal Valor Econômico – 1/7/2004
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Da Redação

Biocombustíveis

A Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo formalizou, ontem, a criação da Câmara Setorial Especial de Biocombustíveis, que deverá uniformizar as propostas estratégicas para este setor, que inclui o álcool combustível e o biodiesel. O professor Miguel Dabdoub, do Laboratório de Desenvolvimento de Tecnologias Limpas, da USP de Ribeirão Preto, presidirá a câmara e coordenará os projetos.

Prêmio Illy

As inscrições para o 14º Prêmio Brasil de Qualidade de Café, promovido pela torrefadora italiana Illy, começam hoje e se estendem até 8 de outubro. O prêmio foi criado para valorizar os melhores produtores de café do país. Serão distribuídos R$ 100 mil em prêmios para os 50 finalistas. Só podem participar os produtores de café arábica, de bebida fina, preparado por via seca (café natural) ou via úmida (cereja descascado).


Jornal Valor Econômico – 1/7/2004
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Assis Moreira De Genebra


A disputa do frango salgado encabeçada por Brasil e Tailândia contra a União Européia (UE) enfim começará a ser examinada na Organização Mundial de Comércio (OMC). Sete meses depois de instalado, o painel (comitê de arbitragem) tem agora os três árbitros escolhidos para o caso: o neozelandês Hug McPhail, que já foi cinco vezes juiz de disputas; o atual embaixador do Paquistão, Manzoor Ahmad; e a especialista de Cingapura Elisabeth Chelliah. Eles terão pelo menos nove meses para decidir quem tem razão.

Brasil e Tailândia contestam uma regulamentação européia que modificou as tarifas incidentes sobre suas importações de frango. O peito de frango salgado era classificado como “carne salgada” e sujeito a tarifa ad valorem de 15,4%. Pelo novo sistema, o produto passou a ser submetido a uma tarifa específica de 104,2 euros por 100 quilos.

O resultado é uma tarifa ad valorem maior do que a União Européia poderia aplicar, reduzindo os ganhos dos exportadores brasileiros e tailandeses.

A maior taxação dos cortes de frango salgado pela União Européia vem afetando as exportações brasileiras. Entre janeiro e maio deste ano, as vendas brasileiras para o bloco europeu recuaram 12% sobre o mesmo período de 2003, de acordo com a Abef – Associação Brasileira dos Exportadores de Frango.

A demora nas disputas da Organização Mundial do Comércio é cada vez mais freqüente, beneficiando, na prática, os acusados. Em certos casos, vale até mesmo nem gastar dinheiro e tempo, acreditam especialistas.

Produção de aves para corte bate recorde em maio

Alda do Amaral Rocha De São Paulo

A produção nacional de pintos de corte em maio passado foi o maior da história em um mês. Foram produzidas 358,7 milhões de aves, um aumento de 12,18% sobre igual mês de 2003, segundo a Associação Brasileira dos Produtores de Pintos de Corte (Apinco). Sobre o mês anterior, abril, o incremento é de 3,4%.

No acumulado até maio, a produção totaliza 1,720 bilhão, alta de 9,9% em relação a igual período de 2003, informa a Apinco.

Com maio teve um dia a mais que abril, a Apinco considera que a produção ficou praticamente estável. José Carlos Godoy, secretário-executivo da Apinco, admitiu, no entanto, que o avanço do alojamento pode estar relacionado com a perspectiva de que as exportações de carne de frango continuem favorecidas.

Reconheceu ainda que os números também sugerem que o consumo de carne de frango no mercado interno pode estar passando por uma reativação.

“A ave alojada em maio está no mercado há 15 dias e ainda assim os preços do frango vivo estão se mantendo”, disse Godoy. O atual preço do frango vivo em São Paulo, R$ 1,60 por quilo, é o melhor do ano, segundo Godoy.

Oto Xavier, da Jox Assessoria Agropecuária, não acredita em recuperação da demanda interna. Para ele, o crescimento da produção se deve à perspectiva de avanço das exportações. Internamente, disse Xavier, o mercado continua ofertado.

Godoy, da Apinco, destacou que o setor de pintos de corte está produzindo plenamente nos últimos meses, até superando o potencial de produção. Enquanto a produção efetiva em maio foi de 358,7 milhões, o potencial de produção era de 345,5 milhões.

Isso é possível através da manutenção de matrizes além da idade normal de descarte produzindo e da chamada “muda forçada”. Por esse método, a galinha, após um período de descanso, é colocada para botar ovos novamente depois das usuais 68 semanas de produção.

Contexto

Um novo surto de influenza atinge o Vietnã. A epidemia afetou aves da província de Bac Liu, no sul do país. Segundo o Departamento de Saúde Animal, foram sacrificados cinco mil frangos para conter o vírus. Testes iniciais feitos deram positivo para a cepa H5 da gripe aviária e novos testes estão sendo feitos para determinar se esta é uma variante perigosa do H5N1, que levou ao sacrifício de mais de 100 milhões de aves na Ásia no início deste ano.



Jornal Valor Econômico – 1/7/2004
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Alda do Amaral Rocha De São Paulo


A eventual confirmação de novos casos da doença da “vaca louca” ou encefalopatia espongiforme bovina nos Estados Unidos pode ser o mais duro golpe para a carne americana, mas acabará beneficiando o Brasil, na avaliação de José Vicente Ferraz, da FNP Consultoria.

Na sexta-feira, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgou a suspeita de mais um caso no país – o primeiro foi descoberto em dezembro de 2003. Ontem, testes confirmatórios – uma vez que o resultado era “inconclusivo” – deram negativo para a doença.

Mas um novo caso suspeito – neste o teste também foi inconclusivo – divulgado terça-feira continua a preocupar as autoridades. A amostra, cujo resultado saiu na terça-feira, foi enviada para o Laboratório do Serviço de Veterinária do USDA para testes confirmatórios.

Na opinião de Ferraz, caso haja novos casos, os Estados Unidos terão mais dificuldade para retomar as vendas para mercados que vinha tentando reabrir, como o Japão, um dos mais importantes para a carne bovina americana.

Para ele, a eventual confirmação mostrará que é situação é “mais séria” dos EUA admitiram quando surgiu o primeiro caso. “Causa desconfiança no mercado o fato de os Estados Unidos resistirem a realizar testes mais profundos no rebanho”, afirmou.

O surgimento das novas suspeitas ocorre exatamente quando o USDA dá início a um programa de testes em animais do país, que deve atingir 268 mil cabeças em até 18 meses. Do início de junho até a última segunda-feira, foram testados 8.585 animais pelo método rápido.

Ferraz acredita que o Japão vai “ficar nas mãos” da Austrália se os novos casos se confirmarem. Com isso, a Austrália terá de sair de alguns mercados, que precisarão comprar mais carne brasileira. Outro efeito de uma hipotética confirmação dos casos é a valorização dos preços da carne no mercado internacional, diz Ferraz. Nos EUA, no entanto, o primeiro efeito é baixista. Os contratos de boi gordo com vencimento em agosto na Chicago Mercantile Exchange fecharam com queda de US$ 2,12 para US$ 85,75 por cem libras ontem.


Jornal Valor Econômico – 1/7/2004
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Vinicius Doria De Brasília

Apenas o MT não poderá exportar; segue embargo argentino

A Rússia decidiu ontem retomar as importações de carne do Brasil, acabando com o embargo de 13 dias. Pelo acordo firmado em Moscou, apenas permanecerão suspensas as exportações da carne do Mato Grosso, porque o Estado faz divisa com o Pará, onde foi registrado o caso de febre aftosa. Agora só a Argentina mantém o mercado fechado para as carnes brasileiras. A retomada do comércio com a Rússia foi comunicada ao ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, no início da manhã de ontem pelo secretário de Produção e Comercialização, Linneu da Costa Lima, que está chefiando a missão enviada a Moscou.

A restrição imposta à exportação de carne do Mato Grosso se deve ao acordo sanitário de 2002, que abriu o mercado russo para a carne bovina brasileira. Por este acordo, sempre que surgir um caso de aftosa no Brasil, os Estados vizinhos ao foco da doença ficam proibidos de exportar para aquele país por um período de até um ano. A medida vai atingir seis frigoríficos matogrossenses, habilitados pelo governo russo. “No entanto, a nossa expectativa é de que consigamos liberar esse Estado rapidamente, antes do prazo de doze meses”, disse Roberto Rodrigues.

O Mato Grosso foi responsável por 4,9% das exportações brasileiras de carne bovina para a Rússia no ano passado, quando foram vendidas 83,4 mil toneladas, ou US$ 100 milhões. Tocantins, que também faz divisa com o Pará, não tem estabelecimentos credenciados pela Rússia para exportar carne.

A missão também discutiu em Moscou a possibilidade de o Brasil permitir a importação de trigo da Rússia. Rodrigues negou a relação entre as duas negociações, mas admitiu que o mercado brasileiro poderá ser aberto ao trigo da Rússia a partir de 2005. “Hoje, nós temos um superávit comercial muito grande com a Rússia e uma das formas de reduzir isso é a importação de trigo. Mas a Rússia não tem excedentes de trigo para exportar para o Brasil este ano”, afirmou. Fontes do próprio governo afirmam, contudo, que a possível abertura ao trigo russo serviu como moeda de troca na negociação para o fim do embargo. O Ministério da Agricultura está fazendo a análise de risco do cereal.

No caso da Argentina, que proibiu as importações de carne brasileira na semana passada, ainda não há acordo, apesar de todas as informações sobre o foco de febre aftosa já terem sido prestadas. O diretor do Departamento de Defesa Animal do ministério da Agricultura, Jorge Caetano Júnior, levou as explicações ao Comitê Veterinário Permanente do Mercosul, que se reuniu por dois dias em Montevidéu. Mesmo assim, o embargo argentino não foi suspenso. O governo decidiu então enviar ontem para Buenos Aires mais um negociador, dessa vez o chefe da Divisão de Assuntos Sanitários e Fitossanitários, Adauto Lima Rodrigues. Ele vai se reunir hoje com o subsecretário Economia e Agricultura da Argentina, Javier Orquisa.

Fonte da Senasa, órgão responsável pela fiscalização sanitária na Argentina, disse que a atitude do Brasil de prestar novas informações foi considerada positiva pelo governo. Mas o Senasa ainda precisa analisar mais detalhadamente as informações. A fonte disse que não há prazo para a reabertura.

A postura adotada pela Argentina preocupa o governo brasileiro. Na opinião de uma autoridade envolvida com o problema, “não há nenhum motivo técnico” que justifique a manutenção do embargo às carnes brasileiras. Nem mesmo os países europeus, que costumam ser bastante rigorosos com a qualidade dos alimentos que importam, admitem restringir a entrada das carnes do Brasil. Depois de manter contatos com autoridades da União Européia, o Itamaraty enviou um comunicado ao Ministério da Agricultura afirmando que “a União Européia não cogita adotar nenhuma nova medida em relação à importação de carne do Brasil”. (Colaboraram AAR e Paulo Braga, de Buenos Aires)


Jornal Valor Econômico – 1/7/2004
http://www.valor.com.br

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