Assis Moreira De Genebra


A disputa do frango salgado encabeçada por Brasil e Tailândia contra a União Européia (UE) enfim começará a ser examinada na Organização Mundial de Comércio (OMC). Sete meses depois de instalado, o painel (comitê de arbitragem) tem agora os três árbitros escolhidos para o caso: o neozelandês Hug McPhail, que já foi cinco vezes juiz de disputas; o atual embaixador do Paquistão, Manzoor Ahmad; e a especialista de Cingapura Elisabeth Chelliah. Eles terão pelo menos nove meses para decidir quem tem razão.

Brasil e Tailândia contestam uma regulamentação européia que modificou as tarifas incidentes sobre suas importações de frango. O peito de frango salgado era classificado como “carne salgada” e sujeito a tarifa ad valorem de 15,4%. Pelo novo sistema, o produto passou a ser submetido a uma tarifa específica de 104,2 euros por 100 quilos.

O resultado é uma tarifa ad valorem maior do que a União Européia poderia aplicar, reduzindo os ganhos dos exportadores brasileiros e tailandeses.

A maior taxação dos cortes de frango salgado pela União Européia vem afetando as exportações brasileiras. Entre janeiro e maio deste ano, as vendas brasileiras para o bloco europeu recuaram 12% sobre o mesmo período de 2003, de acordo com a Abef – Associação Brasileira dos Exportadores de Frango.

A demora nas disputas da Organização Mundial do Comércio é cada vez mais freqüente, beneficiando, na prática, os acusados. Em certos casos, vale até mesmo nem gastar dinheiro e tempo, acreditam especialistas.

Produção de aves para corte bate recorde em maio

Alda do Amaral Rocha De São Paulo

A produção nacional de pintos de corte em maio passado foi o maior da história em um mês. Foram produzidas 358,7 milhões de aves, um aumento de 12,18% sobre igual mês de 2003, segundo a Associação Brasileira dos Produtores de Pintos de Corte (Apinco). Sobre o mês anterior, abril, o incremento é de 3,4%.

No acumulado até maio, a produção totaliza 1,720 bilhão, alta de 9,9% em relação a igual período de 2003, informa a Apinco.

Com maio teve um dia a mais que abril, a Apinco considera que a produção ficou praticamente estável. José Carlos Godoy, secretário-executivo da Apinco, admitiu, no entanto, que o avanço do alojamento pode estar relacionado com a perspectiva de que as exportações de carne de frango continuem favorecidas.

Reconheceu ainda que os números também sugerem que o consumo de carne de frango no mercado interno pode estar passando por uma reativação.

“A ave alojada em maio está no mercado há 15 dias e ainda assim os preços do frango vivo estão se mantendo”, disse Godoy. O atual preço do frango vivo em São Paulo, R$ 1,60 por quilo, é o melhor do ano, segundo Godoy.

Oto Xavier, da Jox Assessoria Agropecuária, não acredita em recuperação da demanda interna. Para ele, o crescimento da produção se deve à perspectiva de avanço das exportações. Internamente, disse Xavier, o mercado continua ofertado.

Godoy, da Apinco, destacou que o setor de pintos de corte está produzindo plenamente nos últimos meses, até superando o potencial de produção. Enquanto a produção efetiva em maio foi de 358,7 milhões, o potencial de produção era de 345,5 milhões.

Isso é possível através da manutenção de matrizes além da idade normal de descarte produzindo e da chamada “muda forçada”. Por esse método, a galinha, após um período de descanso, é colocada para botar ovos novamente depois das usuais 68 semanas de produção.

Contexto

Um novo surto de influenza atinge o Vietnã. A epidemia afetou aves da província de Bac Liu, no sul do país. Segundo o Departamento de Saúde Animal, foram sacrificados cinco mil frangos para conter o vírus. Testes iniciais feitos deram positivo para a cepa H5 da gripe aviária e novos testes estão sendo feitos para determinar se esta é uma variante perigosa do H5N1, que levou ao sacrifício de mais de 100 milhões de aves na Ásia no início deste ano.



Jornal Valor Econômico – 1/7/2004
http://www.valor.com.br

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