Alda do Amaral Rocha De São Paulo


A eventual confirmação de novos casos da doença da “vaca louca” ou encefalopatia espongiforme bovina nos Estados Unidos pode ser o mais duro golpe para a carne americana, mas acabará beneficiando o Brasil, na avaliação de José Vicente Ferraz, da FNP Consultoria.

Na sexta-feira, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgou a suspeita de mais um caso no país – o primeiro foi descoberto em dezembro de 2003. Ontem, testes confirmatórios – uma vez que o resultado era “inconclusivo” – deram negativo para a doença.

Mas um novo caso suspeito – neste o teste também foi inconclusivo – divulgado terça-feira continua a preocupar as autoridades. A amostra, cujo resultado saiu na terça-feira, foi enviada para o Laboratório do Serviço de Veterinária do USDA para testes confirmatórios.

Na opinião de Ferraz, caso haja novos casos, os Estados Unidos terão mais dificuldade para retomar as vendas para mercados que vinha tentando reabrir, como o Japão, um dos mais importantes para a carne bovina americana.

Para ele, a eventual confirmação mostrará que é situação é “mais séria” dos EUA admitiram quando surgiu o primeiro caso. “Causa desconfiança no mercado o fato de os Estados Unidos resistirem a realizar testes mais profundos no rebanho”, afirmou.

O surgimento das novas suspeitas ocorre exatamente quando o USDA dá início a um programa de testes em animais do país, que deve atingir 268 mil cabeças em até 18 meses. Do início de junho até a última segunda-feira, foram testados 8.585 animais pelo método rápido.

Ferraz acredita que o Japão vai “ficar nas mãos” da Austrália se os novos casos se confirmarem. Com isso, a Austrália terá de sair de alguns mercados, que precisarão comprar mais carne brasileira. Outro efeito de uma hipotética confirmação dos casos é a valorização dos preços da carne no mercado internacional, diz Ferraz. Nos EUA, no entanto, o primeiro efeito é baixista. Os contratos de boi gordo com vencimento em agosto na Chicago Mercantile Exchange fecharam com queda de US$ 2,12 para US$ 85,75 por cem libras ontem.


Jornal Valor Econômico – 1/7/2004
http://www.valor.com.br

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