Almícar Brumano – Enviado Especial*


RIO DE JANEIRO – O Brasil caminha para entrar de vez no mercado internacional de software e tecnologia. No mês passado, o Centro de Desenvolvimento de Software da TATA Consultancy Services do Brasil (TCS), localizado em Brasília, recebeu a certificação CMM (Capability Maturity Model for Software) de nível 5, considerada a mais alta em Tecnologia da Informação do mundo. Em toda a América do Sul, somente um outro centro, no Uruguai, detinha a certificação. Com isso, o Brasil se insere no restrito grupo de nações que operam centros de desenvolvimento de softwares com este grau de capacitação. Para o mercado brasileiro, isto pode representar uma corrida das outras empresas de Tecnologia da Informação atrás de melhor qualificação.
A TCS do Brasil é uma joint- venture criada entre a TCS da Índia e o Grupo TBA, brasileiro. O centro de desenvolvimento (fábrica de softwares) da empresa em Brasília já atende a clientes de ponta, que atuam nos mercados de telecomunicações, finanças, automotivo, manufatura, produção industrial, entre outros. A sede da TCS do Brasil fica em São Paulo, com filiais no Rio de Janeiro, Curitiba e Brasília.
Para o presidente da empresa, César Castelli, “o reconhecimento internacional alcançado com esta certificação é um divisor de águas na indústria nacional. A partir de agora, o Brasil poderá, a exemplo de Estados Unidos e Índia, aumentar suas exportações de serviços de tecnologia com alto valor agregado. Estamos prontos para competir em condições de igualdade e com o mesmo reconhecimento que o mercado internacional confere aos principais pólos desenvolvedores do mundo.”
O que representa a conquista da certificação CMM5 para o centro de desenvolvimento de Brasília é poder atender as empresas sediadas no país, principalmente as multinacionais, em seus sistemas tecnológicos. Castelli destaca que, antes, essas empresas tinham que recorrer ao mercado estrangeiro, pagando em dólares por seus softwares, e, agora, podem contar com produtos de qualidade, só que pagando em reais.
A certificação CMM é fornecida pelo Software Engineering Institute (SEI), uma das mais renomadas entidades do mundo na área de Tecnologia da Informação. O processo de obtenção da certificação demanda um nível de capacitação em desenvolvimento de alta excelência, que é aferida por meio de uma rígida auditoria, conhecida como assessment. A primeira parte da avaliação é voltada para a parte documental, e acontece nos Estados Unidos. Posteriormente, um profissional credenciado pelo SEI faz uma inspetoria no centro de desenvolvimento em questão.
O CMM determina o modelo de capacitação de maturidade de uma organização para a produção de softwares. A certificação é composta por um donjunto de conceitos e práticas que visam aperfeiçoar o processo como um todo, seja do ponto de vista gerencial ou de engenharia de software. Desta forma, a empresa que obtém a certificação oferece a seus clientes alta confiabilidade de resultados, pontualidade dos compromissos e precisão nos orçamentos.

Fragata indiana utiliza alta tecnologia

O anúncio da conquista da certificação CMM5 pela TCS do Brasil não poderia ter sido feito em local mais sugestivo que uma das mais modernas máquinas de guerra do mundo: a fragata da marinha indiana Gur Tabar (Machado de Batalha), que esteve ancorada no porto do Rio de Janeiro, entre os dias 22 e 25 de junho. A embarcação foi construída há dois meses no estaleiro Baltic Shipyard, em São Petersburgo, na Rússia, e possui armamentos de última geração, assim como uma alta tecnologia.
No evento, além de representantes da TCS, participaram o almirante da marinha indiana Madanjit Singh, o capitão da fragata, A.G. Thapliyal, e o embaixador da Índia, Amitava Tripathi. Embora tenha sido construído na Rússia, a Gur Tabar utiliza a tecnologia indiana. Todas as armas são controladas por computadores, há um complexo de comunicações de ponta e uma sala de guerra eletrônica, cheia de monitores que mais parecem jogos de videogames. À disposição do capitão e de sua tripulação estão sensores, sonares, radares de defesa e ataque.
Para agregar, analisar e disseminar as informações geradas pelos diversos sensores, a embarcação é equipada com um software complexo e ágil, o Trebovanie-M, que facilita o processo rápido de tomada de decisões por meio da exposição de cenários táticos, que é fundamental numa batalha.
Compõem o poderio bélico da fragata mísseis que viajam a três vezes a velocidade do som, torpedos anti-submarinos que fazem 1Km/s, armas de calibre 100 mm, foguetes, além de outras armas poderosas. A Tabar opera com helicópteros multi-uso Kamov-31 AEW e os Kamov-28 ASW para todo o tipo de clima.

(*) O repórter viajou a convite da TBA Informática


Jornal Hoje em Dia – 5/7/2004
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Paulo Braga De Buenos Aires


Apesar de o órgão de fiscalização sanitária da Argentina ter insistido que a decisão de fechar o mercado de carnes ao Brasil – por conta da descoberta de um foco de aftosa no Pará – e a demora em reabri-lo foram motivadas por critérios estritamente técnicos, o episódio deixou claro que as autoridades brasileiras terão de ser mais cuidadosas com a transmissão de informações ao parceiro do Mercosul se quiserem evitar problemas futuros.

Fontes familiares com as negociações que acabaram encerrando o embargo às carnes brasileiras afirmaram que desde o início da crise o secretário de Agricultura argentino, Miguel Campos, mostrou disposição política para reabrir o mercado, mas a postura sofreu resistência por parte do Senasa, órgão responsável pela fiscalização sanitária do país.

O governo brasileiro chegou a anunciar que o mercado seria reaberto no dia 24, um dia depois da entrada em vigor do embargo. A informação teria sido dada por Campos aos secretário de Produção e Comercialização do Ministério da Agricultura, Linneu Costa Lima, mas foi desmentida depois pelo governo argentino. No mesmo dia, uma fonte do Senasa disse ao Valor que a abertura só ocorreria tão rapidamente se fosse tomada uma decisão política que passasse por cima do órgão.

O Senasa alegou que não tinha informações oficiais suficientes para determinar se o foco de febre aftosa em Monte Alegre, no noroeste do Pará, representava uma ameaça ao rebanho local, e os dados só foram enviados oficialmente à Argentina depois de entrar em vigor o veto às compras de carne brasileira.

O fechamento das fronteiras foi comemorado pelos produtores de carne suína da Argentina, que ressaltaram não só o suposto rigor técnico do Senasa mas se sentiram vingados pelos prejuízos que sofreram quando o Brasil fechou seu mercado à carne argentina depois da descoberta de aftosa na província de Salta, perto da fronteira com a Bolívia, em setembro de 2003.

De acordo com Juan Uccelli, presidente da Associação Argentina de Produtores de Suínos, a medida tomada pelo Brasil “afetou não só as vendas a esse país mas as vendas a muitos outros mercados”. Assim como o Pará, Salta também não é uma região exportadora de carne. Uccelli defendeu que a Argentina continue ” pagando na mesma moeda ” as ações adotadas pelo Brasil e considerou que a atitude argentina demonstra maturidade.

O produtor também elogiou o Senasa e fez uma crítica ao secretário da Agricultura Miguel Campos. Sem mencioná-lo, Uccelli disse em um comunicado emitido antes da reabertura do mercado “não saber até quando durará a decisão (tendo em conta que em todo governo e neste também há funcionários com a camisa verde e amarela)”. O secretário de Agricultura argentino foi adido de agricultura na embaixada argentina no Brasil durante o governo de Carlos Menem.

Uccelli também afirmou que “os próximos passos” a serem seguidos pela Argentina devem ser “continuar controlando o resto das doenças que o Brasil tem mediante auditorias sérias”. Diante de tal postura dos argentinos, daqui para a frente, o Brasil terá de ficar atento e não dar motivos para a colocação de novas travas pelo vizinho do Mercosul.


Jornal Valor Econômico – 5/7/2004
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Marli Olmos De São Paulo

Ritmo de crescimento das vendas de caminhões é superior ao de carros de passeio

A indústria automobilística pegou uma carona no Brasil que está dando certo, o do agronegócios, e conseguiu, graças a um forte impulso nas vendas de veículos de carga, retomar o ritmo do crescimento, com possibilidades de superar previsões. De janeiro a junho, o mercado total de veículos expandiu 11,7% na comparação com o primeiro semestre de 2003, num total de 723.155 unidades. Mas foi o segmento de caminhões – que alcançou a marca de 23% – o responsável pelo avanço.

“Contávamos com uma bolha por conta da soja que, em nossos cálculos, acabaria por volta de julho a agosto; no entanto, as programações das encomendas continuam firmes para os meses seguintes”, conta Gilson Mansur, diretor de vendas da DaimlerChrysler, fabricante da linha Mercedes-Benz.

A Ford registrou crescimento de 30% nas vendas de caminhões no primeiro semestre e a Daimler prevê que o mercado total desse segmento chegará perto de 72 mil unidades neste ano, o que representa aumento de 15%. Segundo Mansur, as previsões iniciais indicavam crescimento mais modesto, em torno de 5% a 10%.

A Pirelli está investindo US$ 100 milhões para ampliar a capacidade de produção em duas fábricas de pneus para caminhões, segundo o presidente da empresa Giorgio Della Setta.

As projeções de crescimento provocaram, recentemente, alertas de executivos das montadoras em torno da possibilidade de o setor enfrentar falta de peças e componentes por conta de escassez de investimentos nos fornecedores.

O presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes Automotivos (Sindipeças), Paulo Butori, confirma: “Para produzir mais caminhões, o setor de autopeças terá que investir”.

Butori aponta o aumento das encomendas de componentes para caminhões, que vem da soma dos bons resultados da safra agrícola com o aumento das exportações. Apenas no primeiro semestre, a venda de caminhões Mercedes-Benz para o exterior apresentou a alta expressiva de 364%.

O ritmo dos investimentos nas autopeças vem seguido caminho inverso. A indústria de componentes desabou do auge de US$ 1,798 bilhão investidos em 1997, ano do recorde de produção de veículos no país, para US$ 260 milhões em 2002. Em 2003, aplicou US$ 400 milhões. Para este ano, Butori calcula US$ 600 milhões.

“Estamos muito aquém do necessário”, afirma o dirigente. Ele aponta a falta de rentabilidade como motivo do pouco interesse das empresas em investir. Os custos de matérias-primas e impostos é que provocam esse quadro, justifica.

Mas, se de um lado, a demanda por veículos sobe vertiginosamente em regiões de pujança com os produtos agrícolas, por outro, nos centros urbanos – onde se concentra mais da metade das vendas de carros de passeio -, consumidores ainda inseguros provocam a estagnação no segmento de automóveis.

Nos cinco primeiros meses do ano, o licenciamento de carros de passeio novos em todo o país aumentou 4,2%, um avanço tímido se comparado ao segmento de carga.

A estagnação no negócio de carros de passeio preocupa os produtores. Segundo o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Rogelio Golfarb, sem escala nas linhas de veículos de passeio, as montadoras não conseguem convencer as matrizes a continuar investindo no país. Essa condição, diz ele, é essencial para sustentar a competitividade do país.

Por isso, a indústria automobilística mantém-se mobilizada para convencer o governo a reduzir carga tributária e criar linhas de crédito para carros. O problema, lembra Golfarb, é encontrar uma fórmula que não afete o plano econômico do governo. “Não podemos pedir coisas que abalem a política de superávit fiscal e a taxa de juros básica, voltadas ao controle da inflação”, destaca.

Golfarb estima que investimentos em qualidade de processos e em novos modelos de automóveis só virão com força quando o mercado interno chegar a 2 milhões de veículos por ano. A previsão para 2004 é de 1,54 milhão de unidades. O recorde, em 1997, foi de 1,94 milhão. “Temos uma estrutura de qualidade, competitividade e engenharia que poucos países têm; mas somente com escala e garantia de rentabilidade poderemos manter a modernidade de nossas fábricas”, diz.


Jornal Valor Econômico – 5/7/2004
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Da redação

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos – USDA – divulgou, na sexta-feira que o segundo resultado para a doença da “vaca louca” considerado inicialmente “inconclusivo” – anunciado dia 29 de junho – foi confirmado como negativo, informou a Dow Jones Newswires. Desde o início de junho, 8.585 testes rápidos para detectar encefalopatia espongiforme bovina foram realizados. Japão e Coréia do Sul mantêm o embargo à carne americana desde dezembro de 2003, quando foi detectado um caso da doença nos EUA.


Jornal Valor Econômico – 5/7/2004
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Alda do Amaral Rocha De São Paulo


A Medida Provisória 183, que acaba com o chamado crédito presumido para as agroindústrias, deve ir hoje à votação na Câmara dos Deputados sob forte pressão do setor. As agroindústrias afirmam que a medida aumentará os custos dos alimentos e reduzirá a competitividade das exportações brasileiras do agronegócio.

A MP 183 extingue o crédito presumido de 80% sobre o PIS e Cofins nas compras que a agroindústria faz de pessoas físicas. O mecanismo surgiu para compensar o aumento das alíquotas do PIS – que foi de 0,65% para 1,65% em 2002 – e da Cofins, que passou de 3% para 7,6% em 2003. Na ocasião, também foi estabelecido o princípio da não-cumulatividade, que permite às empresas a dedução do pagamento do imposto ao longo da cadeia. No entanto, as agroindústrias não se beneficiam desse mecanismo, pois compram principalmente de pessoas físicas, que não pagam PIS e Cofins.

Assim, o fim do crédito presumido preocupa porque a maioria das compras de agroindústrias é feita de pessoas físicas, observa o presidente da Perdigão, Nildemar Secches. No caso do abatedouros, por exemplo, além de milho e soja para ração, que são, em grande parte adquiridos de produtores, há ainda compra de suínos de produtores independentes, lembra.

Sem o crédito presumido, as agroindústrias terão de repassar os maiores custos com PIS e Cofins para os preços dos produtos, acrescenta César Borges, vice-presidente da Caramuru Alimentos. Estimativas feitas pela Associação Brasileira da Indústria de Alimentos – Abia -, citadas por Secches, indicam um aumento médio de até 5,51% nos preços de alimentos.

Ainda conforme a Abia, com a extinção do crédito presumido a carga tributária do setor de alimentos chegaria a R$ 10,6 bilhões contra R$ 6 bilhões em 2003. Secches criticou o aumento da carga no setor justamente num momento em que, em todo o país, ela já corresponde por 40% do PIB.

As agroindústrias também não consideram a decisão do governo de isentar adubos e defensivos de PIS e Cofins como uma vantagem que poderia compensar o fim do crédito presumido ao setor.


Jornal Valor Econômico – 5/7/2004
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Fernando Lopes De São Paulo

Concentração: Múlti americana Cargill vende seus negócios de citros no Brasil para Cutrale e Citrosuco

O seleto grupo das “cinco Cs”, que na última década dominou as exportações brasileiras de suco de laranja, ficou ainda menor. Com o anúncio da venda dos negócios de citros da multinacional americana Cargill no país para Cutrale e Citrosuco, na sexta-feira, essas duas empresas de capital nacional passaram a concentrar praticamente 70% dos embarques, ficando os demais 30% divididos entre Citrovita, controlada pelo grupo Votorantim, e da Coinbra, do francês Dreyfus. As exportações brasileiras renderam US$ 1,33 bilhão em 2003 e o Estado de São Paulo respondeu por 95% do total, segundo o Programa de Estudos dos Negócios do Sistema Agroindustrial da Universidade de São Paulo (PENSA/USP).

Para especialistas ouvidos pelo Valor, a decisão da Cargill deixa pelo menos duas certezas: o Brasil ganha força no comércio internacional de suco, uma vez que o negócio fortalece as posições de duas companhias nacionais, e os produtores brasileiros de laranja ficam ainda mais enfraquecidos em suas relações com as indústrias, já que as “Cs” passaram a ser apenas quatro. As transações, realizadas pela Cargill separadamente com a Cutrale e com a Citrosuco, serão submetidas ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Segundo Maria Helena Miessva, gerente de assuntos corporativos da Cargill no Brasil, a decisão da multinacional de deixar a área de citros no país, na qual atuava desde 1977, é coerente com seu objetivo de se consolidar como “corporação global que se preocupa em oferecer soluções para os clientes”, evitando o rótulo de “trading de commodities”. Fontes do setor observam, entretanto, que o fato de a empresa ter manifestado a intenção de continuar com a fábrica de suco que tem na Flórida (EUA), contraria o discurso oficial.

Sigilosas, as negociações surpreenderam até os mais bem informados. Bruno Soter, do escritório Barbosa, Müssnich e amp; Aragão Advogados, que representou a Citrosuco na transação, confirmou que foi tudo muito rápido e que os valores envolvidos não serão divulgados.

O advogado não deu mais detalhes, mas, aparentemente, a Citrosuco gastou mais do que a Cutrale na divisão, porque assumiu o melhor ativo da Cargill Juice, que é a fábrica de Bebedouro. Alvo recente de modernização e ampliação, a unidade tem capacidade para processar cerca de 30 milhões de caixas de 40,8 quilos de laranja. Também passaram às mãos da Citrosuco, controlada pelo Grupo Fischer, duas das quatro fazendas de laranja da Cargill, em Comendador Gomes (MG) e Cajubi, na região de Bebedouro, além de um terminal de estocagem em Limeira, também no interior de São Paulo.

À Cutrale coube a fábrica de Uchôa (SP), com capacidade para 14 milhões de caixas, e as fazendas de Uberlândia e Planura, ambas em Minas Gerais. Juntas, as quatro fazendas que pertenciam à Cargill têm capacidade para produzir 5 milhões de caixas de laranja por safra, conforme informações divulgadas pela multinacional ao Valor em janeiro deste ano. Na época, a companhia americana também informou que seu faturamento no setor alcançou cerca de US$ 200 milhões no ano passado.

“Éramos compradores, para expandir nossos negócios e aproveitar a onda positiva dos agronegócios brasileiros no mundo. Com o negócio, conseguiremos otimizar nossa operação e ganharemos eficiência logística, o que nos permitirá, entre outras vantagens, acelerar nossa expansão na Ásia”, afirmou Maurílio Lobo, diretor comercial da Citrosuco. A empresa já tinha fábricas em Matão e Limeira, ambas em São Paulo, e passou a contar, também, com mais de 20 fazendas. Em 2003, a Citrosuco, que respondeu por 24% das exportações, segundo o PENSA/USP, faturou cerca de US$ 400 milhões.

“Trata-se de um ganho de escala que certamente trará benefícios no mundo todo. Estamos aumentando a possibilidade de atender ao mercado e ganhar clientes, num negócio que é importante para o país”, disse Marcos Moraes, diretor da Cutrale. A empresa, responsável por 31% dos embarques brasileiros de suco no ano passado, já contava com quatro fábricas em São Paulo – em Colina, Araraquara, Itápolis e Conchal.

Tanto Cutrale quanto Citrosuco anunciaram que pretendem manter as fábricas adquiridas e que vão honrar todos os contratos firmados pela Cargill com seus fornecedores de laranja. A empresa americana informou que os 1.651 funcionários que mantinha na área de citros – dos quais 711 “safristas” que trabalhavam cerca de seis meses por ano – serão demitidos.

Para Ademerval Garcia, presidente da Associação Brasileira dos Exportadores de Cítricos (Abecitrus), é importante o fato de a saída da Cargill não afetar a representatividade do Brasil no exterior. Para Flávio Viegas, presidente da Associação Brasileira de Citricultores (Associtrus), o aumento da concentração no setor preocupa os produtores, que atualmente já enfrentam dificuldades nas negociações de preços de fornecimento de laranja com as indústrias em decorrência de séria crise de preços.

Viegas lembra que em 1977 Cutrale e Citrosuco, também em operações separadas, decidiram compraram os ativos das empresas Citral, Sucorrico e Tropsuco e que em seguida fecharam as fábricas adquiridas. Ele e outros especialistas temem principalmente pelo futuro da unidade de Uchôa, que a Cargill vendeu para a Cutrale mas que já estava praticamente desativada.

“A venda dos negócios da Cargill para Cutrale e Citrosuco é mais um sinal de que é preciso maior coordenação entre os produtores, seja em cooperativas, pools ou associação. E põe Citrovita e Dreyfus em xeque”, afirma o professor Marcos Fava Neves, do PENSA/USP.

Aposta em gordura vegetal

Cibelle Bouças De São Paulo

No mesmo dia em que a americana Cargill anunciou a venda de suas operações de suco de laranja no país, a sua subsidiária brasileira concluiu a compra da unidade de gorduras vegetais do grupo Maeda, localizada em Itumbiara (GO). A transação durou nove meses e foi concluída na madrugada de sexta-feira. O valor do negócio foi mantido em sigilo pelas empresas.

A Cargill informou que a compra, feita com recursos próprios, atende à estratégia do grupo de incrementar a sua participação no mercado de ingredientes.

Além da unidade adquirida, a Cargill mantém uma fábrica de gorduras vegetais em Mairinque (SP). Com a aquisição, a empresa amplia sua capacidade de produção de 7 mil para 12 mil toneladas por mês e se torna a segunda em participação de mercado no segmento de gorduras vegetais, depois da Bunge Alimentos. A segunda posição era ocupada, até então, pelo Maeda.

A Cargill informou ainda, por meio de sua assessoria, que manterá os 130 empregados da unidade e que irá preservar a marca Gordura Vegetal Maeda este ano, enquanto estuda um novo nome para os produtos.

Jorge Maeda, presidente do grupo Maeda, disse que a venda faz parte da estratégia do grupo de concentrar-se no agronegócio – produção de algodão, soja, sorgo, milho e seus subprodutos.

Segundo o executivo, os produtos agrícolas apresentam margens de lucro superiores às dos produtos industrializados, voltados para o atacado. “O negócio foi feito visando exclusivamente aumentar o lucro”, disse Maeda.

Ele não quis informar a projeção de lucro para o ano, mas garantiu que “irá incrementar muito em relação aos R$ 9 milhões de 2003”. Isso porque o aumento de 38% na produção de algodão – segundo Maeda, mais rentável que o negócio com gordura vegetal – suprirá o faturamento antes obtido com a unidade de Itumbiara. Já a receita do grupo deve se manter em torno de R$ 320 milhões.

Ainda este mês, o grupo inaugura uma unidade de beneficiamento de algodão em Roda Velha (BA), com capacidade para processar 100 toneladas de pluma por dia. Maeda não informou o valor investido na unidade.


Jornal Valor Econômico – 5/7/2004
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De Brasília


A demora para solucionar os problemas criados pela China, com o caso das sementes de soja tratadas com fungicida, e por Rússia e Argentina, com o embargo à carne brasileira, fez do ministro Roberto Rodrigues alvo de críticas de empresários e analistas. O governo foi acusado de inabilidade na condução das negociações e de estar despreparado para enfrentar disputas como essas no comércio internacional.

Tranqüilo, depois de receber uma ligação do ministro da Agricultura da Argentina, Miguel Campos, comunicando o fim do embargo às importações de carne, Roberto Rodrigues recebeu o Valor para uma entrevista e desabafou: “Essas negociações não são feitas com bravatas”. Mas reconheceu que esse tipo de problema poderá ocorrer com mais freqüência e o Brasil precisa estar melhor preparado. A seguir, os principais trechos da entrevista:

Valor: A atuação do governo nos embargos da China à soja e de Rússia e Argentina às carnes foi criticada pela iniciativa privada. Os problemas não seriam apenas técnicos, mas envolviam interesses comerciais dos países importadores. O Brasil está preparado para esse tipo de disputa no comércio externo?

Roberto Rodrigues: O Brasil, ao assumir essa posição de liderança no mercado mundial do agronegócio, fica sujeito a ações dessa natureza por parte de quem perde mercado ou é afastado por causa da concorrência. Por isso, temos que trabalhar em duas vertentes: no custo de produção e na qualidade. O que incomoda muito é que o governo não consegue acompanhar o crescimento do agronegócio. Em vez de ser a alavanca que estimula o crescimento desse processo, corre o risco de ser um freio. É por esta razão que eu determinei, no início do ano, com a ajuda do setor privado, estudos que levem a uma reforma estrutural do Ministério da Agricultura. A verdade é que temos uma máquina [administrativa] que é a mesma há 20, 30 anos, com uma agricultura que é infinitamente maior e mais poderosa do que era.

Valor: O problema com a China está definitivamente resolvido?

Rodrigues: Eu tinha que mostrar técnica e politicamente que os argumentos que embasavam a decisão dos chineses estavam errados. E isso não se faz nem com bravatas, nem com rapidez. Eu tive que criar uma instrução normativa que tivesse parâmetros de mistura [de sementes tratadas] diferentes dos parâmetros utilizados internacionalmente para desmontar o argumento técnico da China, que não aceitava os padrões internacionais. Mas eu também não podia impor [este padrão] à iniciativa privada brasileira. Tinha que negociar com todos os agentes, produtores, armazenadores, beneficiadores, exportadores, cada qual com um interesse diferente. Não tinha como ser mais ágil do que fomos.

Valor: Mas não há qualquer garantia de que a China não voltará a criar novos problemas…

Rodrigues: Tem razão. Mas o mecanismo está equacionado. No caso da soja, a grande lição é que, sem uma articulação vigorosa entre setor privado e o Estado, as coisas não caminham.

Valor: No caso do embargo à carne brasileira por Rússia e Argentina, ficou claro que o Pará (foco da febre aftosa), mesmo fora da área exportadora, atrapalhou os Estados livres da doença. Esta situação não poderá se repetir no futuro?

Rodrigues: Nesse caso, não tem perdão. Temos que eliminar a aftosa no Brasil e na América do Sul, não há outra solução. Aí, nós esbarramos em outro problema, o orçamentário. Para erradicar a doença, estudos mostram que seriam necessários US$ 0,30 por cabeça. Nós temos 180 milhões de cabeças. Precisaríamos de R$ 170 milhões só para acabar com a aftosa no país. Nosso orçamento de defesa [agropecuária] este ano é de R$ 68 milhões, o menor dos últimos anos. E tem que atender tudo: aftosa, brucelose, raiva, “vaca louca”, transgênicos, fiscalização em portos, aeroportos, ferrugem do café, ferrugem da soja… É o que eu falei, o Estado não acompanha a demanda da sociedade. Morro de medo de ser a âncora em vez de ser a alavanca do desenvolvimento.

Valor: O que está sendo feito?

Rodrigues: Eu falei com o presidente que temos que ter um projeto continental. Ele aceitou a minha proposta de que houvesse um compromisso dos presidentes do continente de alocar US$ 0,30 por cabeça em cada país para eliminar a aftosa da América do Sul. O Brasil deve liderar esse processo, e o presidente topou essa parada. Mas este é só um capítulo.

Valor: Quais são os outros?

Rodrigues: Na reestruturação do ministério, quero criar uma secretaria de negociação internacional. Nós temos mais de 120 protocolos sanitários assinados com os mais diversos países do mundo. Precisamos organizar tudo isso. Precisamos de uma secretaria que tenha agilidade. Quando surgir um problema, ela precisa ter todos os dados na ponta da língua para agir instantaneamente. Hoje nós não temos isso. Também estou propondo ao Itamaraty que sejam escolhidos dez adidos agrícolas para atuar em embaixadas selecionadas: Bruxelas, Moscou, Beijing, Tóquio, Washington, Paris, Genebra, Buenos Aires, por exemplo.

Valor: Mas ainda não há recursos para mudar essa estrutura…

Rodrigues: Estamos iniciando as discussões para o orçamento do ano que vem e tenho o compromisso do presidente de que a defesa sanitária será tratada com outra visão. A idéia é de que, só para a aftosa, tenhamos os R$ 170 milhões, com a ajuda dos Estados. Este ano temos R$ 68 milhões, pedimos complementação de R$ 60 milhões e, por motivos de contingenciamento, fomos avisados de que só teremos mais R$ 44 milhões.

Valor: No caso da Rússia e da Argentina, o problema não foi só técnico. A abertura desses mercados demandou muita negociação, existem pressões dos produtores locais de carnes que nunca aceitaram plenamente a entrada do produto brasileiro. Não existe aí um problema comercial e político?

Rodrigues: É verdade, mas a barreira colocada é de caráter técnico. No caso da Rússia, eu até acho que ela poderia questionar o assunto, afinal a Rússia fica longe, lá na Eurásia… Mas a Argentina? Os argentinos conhecem o Brasil, os nosso procedimentos de defesa sanitária, o rigor com que esse assunto é tratado aqui e sabem que o foco [de aftosa} no Pará fica mais perto de Miami do que de Buenos Aires.

Valor: Quanto o Brasil perdeu com esses embargos?

Rodrigues: São navios parados, frigoríficos lotados, suspensão de abates… é muito difícil saber com exatidão quanto o Brasil perdeu. Mas, com certeza, é bem mais do que o orçamento de defesa sanitária do Ministério da Agricultura.

Valor: Com relação às negociações internacionais para remover barreiras ao comércio agrícola, como os subsídios dos países ricos, as discussões no âmbito da Rodada de Doha não estão muito lentas, apesar da vitória do Brasil sobre os EUA na questão do algodão?

Rodrigues: Eu estava apostando numa flexibilização maior nas negociações entre União Européia e Mercosul. Mas na reunião da Unctad, em São Paulo, foi justamente onde houve a “brecada” maior. Primeiro, porque a oferta agrícola da UE é muito tímida. Segundo, nós acabamos fazendo uma boa oferta, mas ainda carente de definições em algumas áreas. Estou achando essa negociação muito flácida. Curiosamente, na OMC [Organização Mundial do Comércio] as coisas avançaram mais, graças ao G-5 [Grupo países mais representativos das diversas posições sobre a questão agrícola mundial]. Teremos uma reunião em Bruxelas para examinar uma versão do “framework” [acordo-quadro] que tem que ser apresentado até o final de julho na OMC. Estou com uma visão mais otimista em relação à Doha do que sobre o acordo Mercosul-UE.

Valor: E o senhor sempre acreditou que o acordo com a UE iria puxar as negociações na OMC…

Rodrigues: Sempre achei isso. Até a reunião da Unctad, onde eu realmente me assustei com essa previsão. Não acho, porém, que o acordo com a União Européia esteja perdido. É da negociação esse tipo de coisa, mas estou um pouco mais otimista com a OMC. Posso até estar enganado.

Valor: Com os subsídios em xeque, principalmente depois da vitória do Brasil na OMC com o caso do algodão, o senhor acredita que as barreiras sanitárias vão ficar cada vez mais fortes?

Rodrigues: Não tenho nenhuma dúvida disso. Redução de tarifas ou melhoria de cotas não significam garantia de acesso a mercados. Outras barreiras surgirão e na área sanitária temos que melhorar muita coisa.

Valor: O último levantamento de safra confirmou a queda de 3% na produção em relação à safra passada. Quais são as perspectivas para o a próxima safra, a 2004/05?

Rodrigues: Para a próxima safra nós temos alguns problemas complicados. Um deles é o crescimento dos custos de produção. Aí entra a taxa de juros, que na média vai subir um pouco. Hoje existe uma intenção de plantio, ainda indefinida, de aumento da área plantada em 3 milhões de hectares. Se isso acontecer, podemos ter uma produção de 10 a 15 milhões de toneladas a mais do que este ano. Podemos chegar a 135, 140 milhões de toneladas potencialmente.

Valor: E o Brasil tem estrutura para dar suporte a essa supersafra, se ela de fato acontecer?

Rodrigues: Até 130 milhões de toneladas, não tenho nenhuma preocupação. Acima disso, há complicadores. Estamos fazendo o que deve ser feito. O Ministério dos Transportes está soltando R$ 1,7 bilhão para consertar 10 mil quilômetros de estradas. Há um número muito grande de empresas privadas com dinheiro pronto para investir em terminais portuários. Temos uma série de ações que podem melhorar as condições da agricultura brasileira, para até 130 milhões de toneladas. Daí para a frente fica mais complicado. Teremos que fazer muito mais, atrair investimentos privados, aprovar o PPP [Parcerias Público-Privadas, em discussão no Congresso].

Valor: O setor privado criticou o Plano de Safra 2004/05 por direcionar boa parte do crédito rural subsidiado para o pequeno e o médio produtor, deixando para os grandes as taxas livres de mercado.

Rodrigues: Acho que nós precisávamos ter um pouco mais de recursos para médios e grandes produtores com taxas de juros mais baratas. Tivemos que fazer uma opção: ou pouco dinheiro com taxas baixas ou mais dinheiro com taxas mais altas. Ficamos com a segunda opção, sabendo desde sempre que era aumento de taxa de juros. Isso pode afetar as previsões para a próxima safra. Afeta o custo da produção e o investimento em inovação tecnológica. Mas eu tenho esperança de agregar mais alguma coisa, um pouco mais de equalização ainda para a próxima safra. Vamos ver. (VD)


Jornal Valor Econômico – 5/7/2004
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Francisco Alberto Pino (*)

Cada vez que o ser humano consegue criar ou desenvolver alguma coisa nova, em qualquer campo, imediatamente cria-se uma divisão: o grupo dos que têm e o dos que não têm acesso a tal novidade. Em muitos casos, isso não tem lá grande importância e às vezes o segundo grupo é formado apenas por aqueles que simplesmente não querem ou não precisam da novidade. Em outros casos, porém, a novidade torna-se mais um fator de desigualdade econômica e social. É o que freqüentemente acontece com novos produtos tecnológicos, já que alguns países – e empresas e grupos – não são capazes de desenvolvê-los, necessitando adquiri-los de outros.
O advento recente da Era da Informação trouxe consigo o agravamento da dicotomia entre os que podem e os que não podem acessar informação, em particular, a informação agrícola, principalmente a de natureza estatística e econômica. Neste caso, há que se considerar dois tipos de exclusão. O primeiro refere-se à geração de informação; o segundo, à sua transmissão e utilização.
O acesso às estatísticas agrícolas cada vez mais é feito de modo eletrônico, utilizando-se computadores conectados à Internet. Essa tecnologia não está acessível a todos, principalmente nas regiões rurais pobres do mundo, enquanto nas regiões mais ricas ou em desenvolvimento seu uso vem crescendo rapidamente, inclusive no estado de São Paulo. Pesquisas divulgadas recentemente no IEA mostram que 8,5% das unidades de produção agrícola, correspondentes a 24% da área plantada, já utilizam Internet em suas atividades (1).
Comumente, as novas tecnologias chegam primeiramente aos grandes centros e depois se espalham para os cada vez menores; começam nas zonas urbanas e depois passam às rurais. Paradoxalmente, entretanto, os novos recursos de transmissão de informações a grandes distâncias podem vir a se mostrar extremamente úteis exatamente nos rincões mais distantes do país, que carecem de outros meios de comunicação. A agricultura em áreas longínquas de um país de grande extensão territorial pode vir a se beneficiar muito de tecnologias muito mais baratas do que as convencionais: um pequeno computador, uma linha telefônica, eventualmente via satélite, e o acesso à Internet, em contraste com as linhas telefônicas com cabos, os equipamentos de radiotransmissão, as estradas, etc.
Não se trata apenas de adquirir e manter equipamentos de computação e softwares, mas também de saber utilizá-los de maneira eficaz. Por outro lado, mesmo que se resolva a questão de disponibilizar tais equipamentos e conhecimentos, resta o fato de que, quanto pior uma região (em termos sócio-econômicos), piores suas estatísticas. É nos países e nas regiões mais pobres e atrasadas que faltam estatísticas agrícolas confiáveis. Para se ter idéia da importância das estatísticas agrícolas como base para a informação agrícola, considere-se que 72% das visitas ao site do IEA referem-se a elas (2).
O assunto vem adquirindo tal importância, que se tornou prioridade na Food and Agriculture Organization (FAO) (3), a qual reconhece que o conhecimento e o acesso à informação são essenciais para combater efetivamente a fome e a pobreza, já que grande parte das populações pobres do mundo encontram-se em regiões rurais ou ligadas às atividades agrícolas (4).
No Brasil, o crescimento recente da importância dos agronegócios na economia, principalmente nas exportações, torna inadiável a melhoria das estatísticas agrícolas e do acesso a elas e aos demais tipos de informação agrícola por parte dos produtores rurais, principalmente os ligados à agricultura familiar (5). O governo pode contribuir na questão da melhoria das estatísticas agrícolas, mas as organizações de produtores rurais poderão contribuir também na preparação de seus associados ou empregados para o uso da informática e da informação agrícola, bem como patrocinando ou facilitando o acesso a linhas de financiamento para aquisição de equipamentos adequados.
Os produtores rurais de nível empresarial têm adotado expontaneamente as novas tecnologias de informação, mas os demais podem precisar de um processo de indução, bem como de incentivos. Sugerem-se, ainda, formas adicionais de acesso coletivo em bairros rurais, em unidades de cooperativas, associações e sindicatos, em unidades de assistência técnica, etc. Pode-se antever que os países que não conquistarem rapidamente uma posição firme nessa questão poderão vir a ter sérias perdas de competitividade, especialmente num mercado globalizado. Há somente duas situações possíveis: digitalmente incluído ou excluído.
Em particular, urge a adoção de uma política adequada de pesquisa sobre estatísticas agrícolas no IEA, uma das instituições mais tradicionais no ramo, principalmente no sentido de utilização de sensoriamento remoto, tecnologia que já se encontra suficientemente amadurecida para imediata aplicação (6).

NOTAS

(1) REZENDE, J.V. Uso da Internet pelos agricultores aumenta 27% em SP, no período de um ano. Disponível em: http://www.iea.sp.gov.br/out/verTexto.php?codTexto=754 . Acesso em 30/12/2003.
FRANCISCO, V.L.F.S. Acesso do setor rural à Internet no Estado de São Paulo. Informações Econômicas, SP, v.33, n.5, p. 53-56, maio 2003.Acesso em 30/12/2003.
Ver também FRANCISCO, Vera L.F.S.; PINO, Francisco A. Farm computer usage in São Paulo State, Brazil. Revista Brasileira de Agroinformática, v.4, n.2, p.81-89, 2002.
(2) Média de um ano (out.2002-set.2003). Considerando-se apenas as dez URLs mais visitadas e desconsiderando-se visitas à página inicial e a menus obteve-se a seguinte distribuição: estatísticas agrícolas (72%), análises e artigos (13%), publicações (6%), notícias (4%), outros (5%).
(3) FAO. Rural digital divide distancing development, FAO warms: one billion bypassed by information revolution. Disponível em: http://www.fao.org/english/newsroom/news/2003/26167-en.html . Acesso em 11/12/2003.
(4) A FAO promoveu em dezembro p.p. uma Conferência de Cúpula sobre a Sociedade de Informação (World Summit on the Information Society).
(5) PINO, Francisco A. Estatísticas agrícolas para o século XXI. Agricultura em São Paulo, SP, v.46, n.2, p.71-105, 1999.
(6) LUIZ, A.J.B. Estatísticas agrícolas por amostragem auxiliadas pelo sensoriamento remoto. São José dos Campos: Instituto de Pesquisas Espaciais, dez, 2003. (Tese de Doutoramento). 

(*) Francisco Alberto Pino – E-mail: pino@iea.sp.gov.br


Instituto de Economia Agrícola – 28/06/2004
http://www.iea.sp.gov.br/out/verTexto.php?codTexto=1211

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Da Redação


A Coordenação do Simtec 2004 definiu a programação de palestras técnicas que ocorrerão durante os quatro dias de evento, sempre a partir das 15 horas, no Engenho Central. Ministradas por especialistas e pesquisadores, as palestras enfocarão temas variados e diretamente ligados ao setor sucroalcooleiro.

O Pólo Nacional de Biocombustíveis, sediado em Piracicaba, será o tema da primeira palestra da Mostra de Tecnologia do Simtec 2004, ministrada pelos professores José Roberto Postali Parra e Luiz Carlos Corrêa Carvalho. Também o “Desenvolvimento tecnológico na visão da indústria de equipamentos” e “As perspectivas para o mercado sucroalcooleiro” serão alguns dos assuntos abordados na programação de abertura das palestras.

Na quarta-feira, dia 14 de julho, o engenheiro Ivan Chaves de Souza falará sobre os “Fatores que afetam o custo da cana”. Entre os assuntos do segundo dia de palestras estão: “A química e a físico-química na produção e uso do biodiesel”; “Cana pura”; “Seqüestro de carbono e gases do efeito estufa nos sistemas com e sem queima da cana-de-açúcar”; “Nova tecnologia de resfriamento de açúcar baseada na transferência indireta de calor sem uso de ar” e “Apresentação do Centro de Tecnologia Canavieira”.

O presidente do BNDES, Carlos Lessa, abre a programação de palestras do terceiro dia da Mostra de Tecnologia do Simtec 2004. O especialista abordará o tema “O BNDES e o incremento à tecnologia”. Em seguida, o engenheiro Marcos Guimarães de Andrade Landell discutirá “Manejo varietal sob a ótica dos ambientes de produção”. Neste dia também serão enfocados os temas “Transporte, armazenamento e logística em sistemas agroindustriais”; “Impacto do clima na produção de cana em São Paulo”; “O uso da energia na indústria sucroalcooleira” e “Usina de biodiesel – implantação de unidade para produção de 8 milhões de litros/ano”.

O encerramento da programação da Mostra de Tecnologia do Simtec 2004 terá palestra com o engenheiro Waldeck Bosi Filho, sobre “Análise de falhas e sua importância nos componentes dos equipamentos de preparo e moagem de cana”, e também, “Condensador ecológico”, com o engenheiro Ricardo Pontieri Augusto; a “Importância das negociações comerciais internacionais para o desempenho do setor sucroalcooleiro”, com a professora Heloísa Lee Burnquist; e finalizando a programação, “Do Pro-álcool ao Flex Fuel: a evolução tecnológica da agroindústria da cana-de-açúcar no Brasil”, palestra ministrada pelo diretor da Unica, Antonio de Pádua Rodrigues.

Atualização

Para a coordenação do Simtec, a Mostra de Tecnologia é um importante painel de reciclagem profissional e atualização técnica. “Os temas permitem aos participantes discutirem e receberem informações atualizadas sobre assuntos ligados ao setor sucroalcooleiro, desde o plantio até o desenvolvimento de pesquisas e otimização de custos”, explica.

José Vaz lembra que a programação foi cuidadosamente elaborada, com o intuito de atender a necessidade de reciclagem profissional do setor. “Os palestrantes, sem sua maioria, são profissionais de alto nível técnico, que respondem por significativos avanços nos segmentos em que atual. Nossa proposta é justamente a levar esse conhecimento ao público participante da Mostra”, completa. A programação completa das palestras – com datas e horários – está disponível no site oficial do Simtec – www.simtec.com.br.  

Serviço
2º SIMTEC – Simpósio Internacional e Mostra de Tecnologia da Agroindústria Sucroalcooleira Período: 13 a 16 de julho de 2004
Local: Engenho Central/Piracicaba – SP
Público-alvo: Empresários e técnicos do setor agroindustrial sucroalcooleiro do mercado nacional e internacional
Coordenação: José de Jesus Vaz, Matheus Balarin Berto, Mateus Galvani Antonelli.
Realização: Simespi (Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas, de Material Elétrico, Eletrônico, Siderúrgicas e Fundições de Piracicaba, Saltinho e Rio das Pedras), Coplacana (Cooperativa dos Plantadores de Cana do Estado de São Paulo), Acipi (Associação Comercial e Industrial de Piracicaba), Ciesp/Regional Piracicaba e Prefeitura Municipal de Piracicaba.
Patrocínio: Bayer CropScience, Caterpillar, Dedini, FMC, Cosan e Grupo J.C. Antonelli.

Informações: (19) 3417.8604 – www.simtec.com.br

CW Consultoria de Comunicação
http://www.simtec.com.br/main.asp

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Rosane de Oliveira

Encontro durou mais de três horas no Ministério da Quarentena

Um acordo para retomada das exportações da soja brasileira para a China foi fechado nesta segunda, dia 21, em Pequim. A medida foi anunciada após uma reunião tensa de mais de três horas entre cinco representantes brasileiros – entre eles, o secretário de Defesa Agropecuária, Maçao Tadano – e cinco do governo chinês. Também participaram do encontro o governador gaúcho Germano Rigotto e o secretário da Agricultura do Rio Grande do Sul, Odacir Klein.

As autoridades envolvidas nas negociações realizam uma confraternização após a reunião no Ministério da Quarentena, que define questões relativas a políticas sanitárias, fitossanitárias, de barreiras e de controle das importações pela China, especialmente em alimentos.

As informações são da enviada especial Rosane de Oliveira.
 







Secretário gaúcho apresenta detalhes de acordo com a China
Odacir Klein participou de negociações sobre fim do embargo à soja
O secretário da Agricultura do Rio Grande do Sul, Odacir Klein, esclareceu alguns detalhes sobre o acordo que deve ser assinado em instantes para a retomada das exportações de soja brasileira para a China. Klein participou da reunião com o Ministério da Quarentena que durou mais de três horas e onde foram acertadas diretrizes para o fim do embargo. 
Conforme o secretário, os chineses reconheceram a Instrução Normativa nº 15 do Ministério da Agricultura brasileiro, que determina tolerância de um grão de semente a cada quilo de soja exportada para consumo alimentar. As cargas que estão a caminho da China e que partiram do Brasil antes da entrada em vigor das novas regras serão inspecionadas ao chegar ao destino. Cargas que partiram em data posterior já foram inspecionadas e serão recebidas sem problemas.
Em entrevista ao programa Gaúcha Atualidade Klein revelou que também ficou acertado que as 22 empresas de exportação que estavam proibidas de negociar soja com a China ficarão livres do embargo desde que cumpram a Instrução Normativa nº 15.
Com informações da Rádio Gaúcha.


Agrol – 21/06/2004
http://www.clicrbs.com.br/agrol/

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Jorge Reti


Em visita às duas Unidades da Embrapa em São Carlos (SP) – Embrapa Instrumentação Agropecuária e Embrapa Pecuária Sudeste – o secretário para Inclusão Social do Ministério da Ciência e Tecnologia, Rodrigo Rollemberg, disse que há previsão de R$ 18 milhões para ações de popularização da ciência e tecnologia, dos quais R$ 4 milhões estão liberados para investimentos em museus de ciência. Ele também anunciou o lançamento de edital, ainda este mês, para cinco projetos de Unidades Móveis de Ciência, um em cada região do País. “Precisamos e queremos tecnologias apropriadas, pouco intensivas em capital, mas grandemente absorvedoras de mão- de-obra e agregadoras de valor”, ponderou Rollemberg, que também é presidente do Fundo Setorial do Agronegócio.

Nas Unidades da Embrapa em São Carlos, o secretário pôde ver tecnologias e sistemas de produção que estão realizando a inclusão social, por meio da melhoria de renda, do saneamento básico e da proteção ambiental. Na Embrapa Instrumentação Agropecuária, Rollemberg conheceu a fossa séptica biodigestora, para uso em banheiros e vasos sanitários de propriedades rurais, que tem levado higiene ao produtor rural, eliminando também a poluição de solos, lençóis freáticos e águas.

Na Embrapa Pecuária Sudeste o secretário conheceu os resultados do projeto de produção leiteira em propriedades familiares (pequenas propriedades), por meio do qual centenas de pequenos produtores de leite estão aumentando sua renda, graças à adoção de tecnologias e bom gerenciamento, reduzindo assim o êxodo rural e a pobreza no campo.

Rollemberg foi recebido pelo chefe geral da Embrapa Instrumentação Agropecuária, Ladislau Martin; pelo chefe geral da Embrapa Pecuária Sudeste, Nelson Novaes e pelo representante da comunidade científica no Fundo Setorial do Agronegócio, pesquisador Silvio Crestana, da Embrapa Instrumentação Agropecuária. São Carlos, 15 de junho de 2004.

Embrapa Pecuária Sudeste – São Carlos – SP
https://www.cppse.embrapa.br/

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Da Redação de Brasília

O Japão poderá financiar pesquisas na área de biocombustíveis no Brasil, especialmente etanol e biodiesel. O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, apresentou ontem ao governo japonês uma proposta para que o JBIC (Japan Bank for International Cooperation) financie os estudos de viabilidade de uso e comercialização dos biocombustíveis brasileiros naquele país. Rodrigues, que está em visita oficial ao Japão, disse que o custo desses estudos fica em US$ 300 milhões.

O ministro explicou, em entrevista por telefone, que o Japão está adotando políticas de redução de gás carbônico e uma das propostas é viabilizar a mistura de combustíveis renováveis à gasolina e ao óleo diesel na proporção de até 10%. O Brasil poderia ser, em quatro ou cinco anos, um dos principais fornecedores de etanol e biodiesel para o Japão. A demanda estimada é de 10 bilhões de litros por ano, que obrigaria o Brasil a aumentar a área plantada de cana para produção de álcool dos atuais 3 milhões de hectares para 5 milhões de hectares.

O ministro também confirmou que o país poderá voltar a exportar manga para o Japão, depois de 23 anos de embargo. Segundo Rodrigues, o governo brasileiro enviou recentemente ao Japão os últimos esclarecimentos relacionados com a negociação da fruta. (VD)

Fonte
Jornal Valor Econômico – 1/6/2004
http://www.valor.com.br

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Gustavo Faleiros, Marília de Camargo César e Sergio Bueno De São Paulo e Porto Alegre

O interior do país está crescendo a um ritmo mais acelerado do que o das regiões metropolitanas e isso não se deve apenas ao agronegócio. O Brasil colhe, hoje, os frutos da descentralização dos investimentos industriais nos anos 90.

O emprego formal cresceu 1,5% nas regiões metropolitanas até abril e o dobro deste percentual (3,0%) no interior do país, segundo dados compilados pelo Ministério do Trabalho. De janeiro a abril, a receita de ICMS na Grande São Paulo subiu 4,9% sobre igual período de 2003. Mas excluindo-se a região metropolitana, a arrecadação no Estado aumentou 12,8%.

Em Ribeirão Preto, quase 540 empresas devem exportar mais de US$ 1 milhão este ano e os embarques aéreos estão 50% maiores, indicando que parte expressiva das vendas externas não são de bens agrícolas. Em Caxias do Sul, o emprego formal cresceu 5,2% até abril e a indústria foi responsável por 75% das 5,5 mil novas vagas. Em Nova Friburgo, no Rio, o setor têxtil estima aumentar em 30% sua mão-de-obra em 2004 e as empresas de lingerie, na falta de mão-de-obra feminina, estão quebrando o preconceito e contratando homens.

Na catarinense Blumenau, as grandes empresas não abrem novas vagas, mas pequenas confecções e um pólo de software fizeram o emprego industrial com carteira assinada aumentar 6,9% neste início de 2004, enquanto na capital do Estado, Florianópolis, o emprego com carteira assinada caiu 1%.

O consumo de energia também revela a consistência do crescimento no interior do país. No Mato Grosso, atendido pelo Grupo Rede, o consumo de energia rural aumentou 22,7% até abril em relação a 2003, enquanto a média geral no Estado subiu 9,5%. A Eletropaulo, contudo, registrou queda de 3,7% no primeiro trimestre.

Fonte: Jornal Valor Econômico – SP – 1/6/2004

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De janeiro de 2003 a abril deste ano foram gerados no país 1,3 milhão de novos empregos formais, sendo 535 mil apenas nos quatro primeiros meses deste ano. A informação é do ministro do Trabalho e Emprego, Ricardo Berzoini.

Com o crescimento da economia, segundo o ministro, este número deverá subir para dois milhões de novos empregos até o final do ano. “Este é um processo de decolagem. A economia teve que praticamente parar no ano passado, para sofrer os reparos necessários na política econômica. Este ano nós já estamos colhendo os bons resultados do processo de investimentos, de ampliação do crédito, de melhoria da atividade econômica interna e das exportações. Estamos otimistas de que é possível ganhar velocidade cada vez maior”, disse o ministro. Ricardo Berzoine esteve no Aeroporto de Guarulhos para assinar convênio com a Infraero, que vai gerar três mil vagas para o Programa Primeiro Emprego.

Jornal Estado de Minas
http://www.uai.com.br/uai/noticias/agora/politica/110398.html

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Virada Contra o Colesterol
Juliane Zaché e Lena Castellón


O colesterol está entre os principais vilões do coração e do cérebro. Ele prejudica a circulação sanguínea e predispõe a problemas cardiovasculares como infarto e derrame, duas das maiores causas de morte do ser humano. Esta é uma constatação sabida pela medicina há tempos. No entanto, a maioria da população não consegue vencê-lo. Um estudo discutido na semana passada durante um simpósio organizado pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), em São Paulo, mostrou que mesmo pessoas em tratamento apresentavam índices acima dos determinados pela entidade. De acordo com o trabalho, patrocinado pelo laboratório MerckSharp e Dhome, dos 120 pacientes pesquisados, 54% estavam com as taxas fora dos padrões ideais. Entre os de alto risco para doenças cardíacas, apenas 22% podiam festejar vitória, mesmo assim porque haviam recebido doses maiores de medicamentos.

Isto É – 2/6/2004
http://www.zaz.com.br/istoe/1808/medicina/1808_capa_colesterol_01.htm

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