Rosana de Fátima Cunha


A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, participa da Exposição Agropecuária, Industrial e Comercial de Mato Grosso (Expoagro), com palestras técnicas, apresentação do sistema de leilão eletrônico e de informações geográficas, além da difusão de informações do agronegócio.
No evento, que acontece até 18 de julho, no Parque de Exposições de Cuiabá (MT), a Superintendência de Informações do Agronegócio da Conab explicará os projetos GeoSafras, para a modernização da estimativa de safra de grãos, e o SigaBrasil, um sistema de informações geográficas que vai atender usuários do agronegócio.
A Conab pretende monitorar por satélite a estimativa da safra brasileira de grãos em todos os estados até 2006. O projeto utilizará suporte de modelos agrometeorológicos que serão testados nas culturas de café, cana-de-açúcar, milho e soja até o fim de 2004. De acordo com o especialista Divino Figueiredo, o GeoSafras está em pleno andamento nos estados produtores, como Paraná e Rio Grande do Sul (soja e milho), Mato Grosso (soja), Minas Gerais e Espírito Santo (café).
Em maio, o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Roberto Rodrigues, lançou o projeto em Brasília. Segundo ele, o mecanismo tirará o Brasil de um grande atraso tecnológico. “O objetivo é atualizarmos semanalmente os dados essenciais à formulação da política agrícola brasileira”, diz. “Era um sonho de todo o setor”.
O SigaBrasil é um sistema de informações geográficas para atendimento à comunidade de usuários da cadeia do agronegócio brasileiro. O sistema oferece informações e mapas via Internet, integrando bancos de dados de produção agrícola, rede de armazéns, rede viária (rodovias, ferrovias e hidrovias), agroindústrias, assentamentos e acampamentos.
A Conab espera migrar o SigaBrasil para um ambiente de software livre na área de sistemas de informações geoespaciais, além de prover um banco de dados geográficos que permita a construção de um ambiente para desenvolver aplicativos e ferramentas para o mundo geográfico do agronegócio.
Na última sexta-feira, a Conab promoveu um leilão especial no estande da exposição. Os interessados conheceram o funcionamento dos pregões eletrônicos, normalmente realizados em Brasília. Foram oferecidos 12 lotes de farinha de mandioca com os lances seguindo as normas do regulamento, como acontece numa operação normal. A venda foi realizada em tempo real, acompanhada por interessados e representantes regionais da Conab.


Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – 12/7/2004
http://www.agricultura.gov.br/

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Karla Mendes

Produtores rurais, profissionais do agronegócio e interessados do ramo têm agora uma importante ferramenta ao seu alcance, para comprar produtos de conhecimento, como livros, software, multimídias e videocursos, totalmente direcionados para a área. Está sendo lançado na 75ª Semana do Fazendeiro de Viçosa, que começa hoje, o Agriportal (www.agriportal.com.br), o maior site de vendas da internet brasileira voltado para o agronegócio. O site está no ar há cerca de um mês, em caráter experimental, e já tem mais de 3 mil itens.
“Vimos a necessidade que as pessoas têm de encontrar produtos de conhecimento do agronegócio de forma rápida e fácil. Resolvemos juntar a necessidade do mercado com a tecnologia que dominamos”, diz Flávio Lima, gerente-geral da Agromídia Software Ltda., primeira empresa graduada da incubadora de Empresas da Universidade Federal de Viçosa (UFV), responsável pelo site. “Este site vem suprir a carência de produtores rurais e demais interessados, que estavam em busca desses produtos e não sabiam onde encontrá-los”, completa. Segundo Lima, a vantagem do site é ser voltado exclusivamente para vendas de produtos agrícolas, já que nenhum outro site encaixa-se nessa modalidade. “As pessoas acharam fácil. É alto o acesso, há muitas visitas, cadastros e grande movimento de vendas”, comemora.

Ele explica que, nesse momento inicial, o foco principal da página são os produtos do conhecimento do agronegócio, sendo que há também um espaço para o artesanato e a cachaça, que são destaques do Estado. A idéia é que, no médio prazo, também sejam ofertados outros produtos, como insumos agrícolas. Mas as novidades não param por aí. Lima revela que está sendo desenvolvido um outro site de conteúdo do agronegócio, em parceria com o ESTADO DE MINAS e o portal UAI, a ser lançado nos próximos meses. Nesse site, vai ser possível obter informações sobre as mais diversas culturas desenvolvidas no País.


Jornal Estado de Minas – Suplemento Agrícola – 12/7/2004
http://www.uai.com.br/em.html

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Gustavo Porto


Ribeirão Preto, SP – Uma doença desconhecida nos pomares paulistas de laranja, cujos sintomas e testes feitos no Brasil e na França descartam a relação com qualquer tipo de praga já relatada, está preocupando os agricultores. Segundo a Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus), a doença foi relatada pela primeira vez em março nas regiões Central e Sul do Estado, apontadas como as novas fronteiras citrícolas do parque comercial brasileiro, principalmente por não registrarem até agora casos de morte súbita dos citros, última doença relatada.

Os sintomas da doença aparecem tanto na árvore, como nos frutos. Ainda não se sabe também se ela é causada por um fungo, bactéria ou vírus. De acordo com o Fundecitrus, os ramos das plantas atingidas ficam amarelados, parte da árvore fica sadia e outra é atingida. Há também casos de desfolha, queda nos frutos e deformações nas laranjas, principalmente nos gomos. Anda não há levantamento sobre a área de ação da nova doença. As cidades mais atingidas até agora são Araraquara, São Carlos, Taquaritinga, Tambaú, Itirapina, Avaré, São Simão, Rincão, Matão e Boa Esperança do Sul

A incidência da doença já atinge 100% das árvores e um alto grau de severidade em pomares acompanhados pela Fundecitrus. De acordo com o secretário-geral da entidade, Nelson Gimenes Fernandes, “o problema é muito grave porque há pouca informação sobre essa praga”, disse. A única ação é a mesma adotada para a morte súbita dos citros. “Muitos produtores optaram por arrancar as árvores doentes e por queimá-las. Outros, adotaram a poda dos ramos contaminados”, afirmou Gimenes.

Os impactos econômicos da doença ainda são uma incógnita para o setor, mas a união de vários fatores pode explicar a gravidade da praga. “A doença nasceu no coração da citricultura brasileira e não tem direção para se espalhar, ao contrário da morte súbita. Não sabemos a velocidade com que ela se espalha. É uma soma de problemas e a doença está livre para progredir com rapidez”, disse o presidente do Fundecitrus, Ademerval Garcia.

O presidente da Associação Brasileira de Citricultores (Associtrus), Flávio de Carvalho Pinto Viegas, fez duras críticas ao sigilo adotado pelo Fundecitrus e pela indústria, que só divulgou a nova doença quatro meses após o primeiro relato. “É um absurdo. As lideranças citrícolas e os produtores deveriam estar acompanhando esse problema de perto. Por isso, eu sequer tenho condições de avaliar essa doença neste momento”, afirmou.

A doença deverá ser um dos principais temas da Câmara Setorial de Citricultura do Ministério da Agricultura, criada há quase um ano, mas que será instalada somente na próxima sexta-feira. O evento será na Estação Experimental de Citricultura de Bebedouro e deverá contar com a presença do ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues.



Jornal O Estado de São Paulo – 12/7/2004
http://www.estadao.com.br

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Márcia Godinho Marinho


No mês de abril, foi publicada no Diário Oficial da União a Instrução Normativa nº 21 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), que determina normas operacionais e procedimentos de rastreabilidade e reconhecimento de gado em todo o país. Desde a publicação desta normativa, os produtores de Bagé demonstraram preocupação com o período de implantação
das mudanças no cadastro nacional.
Para que os produtores fiquem atentos aos prazos exigidos pela medida, o presidente da Associação/Sindicato Rural de Bagé, Paulo Ricardo de Souza Dias atenta aos criadores sobre os prazos estabelecidos e os procedimentos a serem efetuados. “Recomendamos aos interessados cumprir a atual legislação para evitar transtornos”, solicita Dias.
A Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul) encaminhou à Confederação Brasileira da Agricultura e Pecuária (CNA) e ao Ministério da Agricultura, uma correspondência solicitando modificações nas Instruções Normativas 088/2003 e 021/2004, relativas ao Sistema Brasileiro de
Identificação e Certificação de Origem Bovina e Bubalina (SISBOV). A federação junto com os sindicatos está trabalhando para adequar o sistema à realidade gaúcha e brasileira.
A Instrução Normativa 048/2004 de 21 de junho de 2004 reduziu prazo de 90 dias para 40 dias para o abate da exportação No mesmo dia 21, o ministro Roberto Rodrigues cria um grupo de trabalho que terá 90 dias para discutir e adequar a legislação do SISBOV através da Portaria 138.
O sistema foi implantado para registrar e monitorar, individualmente, todos os bovinos e bubalinos nascidos no Brasil, ou importados. O sistema prevê que todos os rebanhos devam ser rastreados a partir de 40 dias de idade de maneira padronizada através de brinco fixado na orelha do animal.
Entre as alterações, a decisão do Mapa estabelece que a partir de 1º de agosto a rês que participar de feiras interestaduais, nacionais e internacionais e de leilões de raça terá de constar no cadastro do Sisbov. Em novembro, a regra valerá para todos os remates. A contar de 31 de maio deste ano, está previsto prazo de 365 dias em que, de maneira escalonada, apenas será liberado para abate o gado que estiver na base de dados do sistema. Depois de 30 de novembro, por exemplo, o animal deve estar registrado há 180 dias.
Responsável pela Informação
Márcia Godinho Marinho
assessoriadeimprensa@ruralbage.com.br

Fonte
Associação Rural de Bagé – 11/7/2004
http://www.ruralbage.com.br

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De Paris


A reunião de ministros do Brasil, Estados Unidos, União Européia, Índia e Austrália acabou em Paris com persistente impasse em todas as áreas da negociação agrícola: subsídios à exportação, apoio doméstico e corte de tarifas. Ficou claro que para haver um acordo minimalista até o fim deste mês e evitar novo fiasco na Organização Mundial de Comércio, o grosso das divergências será empurrado para a fase seguinte da negociação.

Houve momentos de tensão. Robert Zoellick, principal negociador comercial dos EUA, em certo momento não agüentou mais. Reclamou que estava cansado de ouvir os mesmos argumentos e disse que era hora de mudar de postura. Com o cansaço estampado nos rostos após um dia e meio de discussões na embaixada do Brasil, os ministros não mencionaram sequer pontos de convergências.

A preocupação é com reações negativas do G-90, grupo que reúne países em desenvolvimento da África, Pacifico, Caribe, e que reclama de exclusão. Celso Amorim, do Brasil, Zoellick, dos EUA, e Pascal Lamy, da UE, estarão hoje nas Ilhas Maurício, onde o G-90 se reúne, para convencer o grupo a “baixar a bola”, na expressão de um negociador. A mensagem é para os países analisarem com calma os resultados até agora obtidos, pois o pacote em gestação é equilibrado.

O melhor resumo do encontro foi o de Amorim: “Houve aproximação de conceitos que têm potencial de permitir um avanço.” O mediador agrícola da OMC, Tim Groser, participou da discussão. Amorim acha que ele tem elementos para fazer “um texto razoável”.

Um dos principais impasses tem como pano de fundo a vitória do Brasil contra os subsídios do algodão dados pelos EUA. Amorim disse que o Brasil não pode perder na negociação o que ganhou na disputa. Já os EUA não podem reconhecer a derrota, pois vão apelar na OMC. Assim, a redefinição da categoria de subsídios conhecida como “caixa azul” ficará para mais tarde. Mas o Brasil será pressionado a fazer concessões. Amorim diz ser evidente que “o que se ganha na negociação tem mais solidez a longo prazo”, uma maneira de indicar que está pronto a negociar, com toda a prudência possível.

Sobre o corte de tarifas, houve aceitação geral de fórmula de bandas como base da negociação. A fórmula pressupõe corte das tarifas mais altas e permite que os países em desenvolvimento liberalizem num ritmo mais lento.

Mas negociadores apontam dificuldades inclusive entre Brasil e Índia. O ministro Kamal Nath deixou claro que “o avião não decola” se a negociação não levar em conta a especificidade da agricultura indiana, com 600 milhões de agricultores que sobrevivem plantando de 1 a 1,5 hectares. Mais tarde, Zoellick insistiria na importância de baixar tarifas para reduzir custos para os consumidores. Amorim retrucou dando apoio a Índia e deixando claro que a resistência a baixar tarifas por causa de desenvolvimento rural e segurança alimentar é do G-20.

Outro problema diz respeito a proporção para produtos sensíveis dos países industrializados, que terão cortes tarifários menores. Os EUA mostraram-se mais abertos ao tema. Groser apontou incoerência na posição da UE, que cobra abertura dos países em desenvolvimento e ao mesmo tempo quer seguir protegendo seu mercado. Os europeus continuam cobrando a equivalência entre a eliminação de subsídios à exportação e créditos e ajuda alimentar. (AM)

Possibilidade de expansão das vendas estimula agronegócio

De São Paulo

As vendas de produtos agrícolas brasileiros para a China mais do que triplicaram nos últimos quatro anos. O volume de embarques saltou de US$ 644 milhões em 2000 para US$ 2,04 bilhões em 2003, aponta levantamento do Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (Icone). Graças à excelente performance, a China é hoje o segundo maior cliente do Brasil nesse segmento, perdendo apenas para a União Européia.

A pauta exportadora, porém, é limitada. Com embarques de US$ 1,6 bilhão, a soja e seus derivados responderam por 80% das exportações do agronegócio brasileiro para a China no ano passado. Já o complexo carnes (bovina, de frango e suína) representou 12,4%. As exportações de carne de frango somaram US$ 119,8 milhões em 2003, as de carne suína, US$ 54,9 milhões, e as de carne bovina, US$ 31 milhões.

Apesar dessa concentração, o pesquisador sênior do Icone Mário Jales acredita que há um grande potencial de crescimento para as vendas agrícolas do Brasil para a China. Ao contrário do que acontece na indústria, a produção agrícola dos dois países é bastante complementar.

“O Brasil é eficiente em produtos que necessitam de grandes propriedades e alta mecanização, como soja, milho ou algodão”, explica Jales. “A China tem muita mão-de-obra, mas de pouca terra fértil. Por isso, tem bons índices de produtividade em frutas, verduras ou vegetais”, diz.

O pesquisador ressalta também que, apesar de ser um dos maiores produtores agrícolas do mundo, a China necessita importar cada vez mais alimentos. O motivo é o tamanho da população: US$ 1,3 bilhão de pessoas.

Por uma questão de segurança alimentar, o país incentiva o cultivo de cereais, como trigo, milho ou arroz. Mas essa política chinesa prejudica mais os Estados Unidos, que é um grande produtor de cereais, do que o Brasil.

O Icone está realizando um estudo em parceria com a Universidade de Pequim para identificar as oportunidades do agronegócio brasileiro na China. Segundo Jales, o algodão é um dos produtos com maior potencial. “O Brasil é eficiente e possui índices de produtividade imbatíveis no Centro-Oeste. Já a China é uma grande produtora de têxteis.”

Com a liberalização do mercado de tecidos e confecções – prevista para o início de 2004 com o fim do Acordo Multifibras – a China deve se tornar ainda mais competitiva no setor têxtil, incrementando suas exportações de tecido e aumentando as importações de algodão. Dessa forma, o que pode ser um problema para a indústria têxtil brasileira se tornaria uma vantagem para os produtores agrícolas.

Também há espaço para o Brasil incrementar as vendas de açúcar, suco de laranja e café para a China. Só que se trata de um processo complicado, porque depende de uma mudança nos hábitos alimentares dos chineses, ressalta Jales. Atualmente, 12% da dieta americana é composta de açúcar. Na média mundial, esse percentual baixa para 6%, e atinge apenas 1% na China.

Com a “ocidentalização” e urbanização do país, o consumo desses produtos irá aumentar, mas a passos lentos. Jales lembra que o enriquecimento da classe média chinesa também deve impactar as vendas de carnes. O motivo é simples: está aumentando o número de lares com geladeira, o que permite que as pessoas comprem a carne congelada que chega do Brasil.

O pesquisador alerta, porém, para os riscos do mercado chinês, como a recente interrupção nas vendas de soja brasileira para o país. “As exportações agrícolas para a China são muito promissoras, mas o risco de descumprimento de contratos põe em xeque esse potencial”. (RL)



Jornal Valor Econômico – 12/7/2004
http://www.valor.com.br

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