Assis Moreira De Genebra

A União Européia enviará uma missão técnica a Brasil e Argentina entre 9 e 17 de agosto para avaliar se o sistema de inspeção desses países é adequado para evitar a exportação de cítricos contaminados ao mercado europeu. A expectativa é que Bruxelas aceite os controles fitossanitários argentino e brasileiro, o que facilitaria as exportações, que foram afetadas por restrições fitossanitárias da UE.

O problema começou em 2003, com o bloqueio de cargas de laranja de Brasil e Argentina na Espanha por causa de frutos contaminados com a doença da “mancha negra”.

As exportações do Mercosul foram retomadas este ano, depois que Bruxelas adotou norma admitindo a entrada da laranja originária de áreas comprovadamente livres de “mancha negra” e de cancro cítrico. Antes, frutas oriundas de áreas com controle químico eram aceitas. As exportações (cerca de US$ 25 milhões por ano), foram afetadas, segundo Girabis Evangelista Ramos, diretor do Departamento de Defesa e Inspeção Vegetal do Ministério da Agricultura do Brasil, também por causa do impacto da notícia em outros mercados. Girabis é presidente do Comitê Fitossanitário do Cone Sul.


Jornal Valor Econômico – 27/7/2004
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De Genebra

“A agricultura brasileira é um perigo para a agricultura européia porque o volume de suas exportações tem conseqüências sobre os preços europeus e colocam em risco a renda de nossos agricultores. ” A afirmação é de Jean Michel Lemetayer, vice-presidente da Copa, confederação agrícola européia, que não deixa margem a dúvidas de que Bruxelas precisa limitar o acesso das exportações brasileiras, tanto na negociação da OMC como entre Mercosul-União Européia.

“Não temos como agüentar as exportações brasileiras de carne bovina, frangos, suínos”, disse. “Frangos e suínos consomem cereal e esta é uma maneira de o Brasil exportar o produto”, afirmou. Na negociação Mercosul-União Européia, ele ataca também o acesso que Bruxelas quer dar ao etanol brasileiro. “Estamos no início do desenvolvimento de política agroindustrial de etanol, em confrontação importante com o setor do petróleo, e cota de l bilhão de litros para o Brasil nos ameaça ? ” .

Também presente em Genebra, um dos principais especialistas brasileiros, Pedro de Camargo Neto, constata que na atual arquitetura de acordo-quadro em discussão na OMC o Brasil de fato não ganhará em acesso substancial aos mercados.

Só ganhará no pilar de subsídios a exportações, mas modestamente. Primeiro, com a eliminação dos subsídios a exportação, suas vendas de carnes e açúcar terão mais espaço em mercados que os europeus vão acabar deixando de exportar. E ganha com a necessidade de os americanos reduzirem os créditos a exportação agrícola.

“Mas não dá para o Brasil ceder em suas demandas, porque isso é muito pouco para tanto tempo de negociações ? ? , diz Camargo Neto. Em Brasília, fontes deixam claro que para o governo a prioridade é a redução substancial das distorções provocadas pelos subsídios dos paises ricos, para reduzir por sua vez o custo da política agrícola brasileira.

Ontem, várias organizações não governamentais conclamaram o Brasil e o resto do G-20 a resistir as pressões para fechar um acordo modesto. (AM)


Jornal Valor Econômico – 27/7/2004
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Assis Moreira De Genebra

Comércio exterior – Estados Unidos colocaram ontem novas propostas na mesa, para ter mais flexibilidade

Os Estados Unidos, a União Européia e o G-20 continuaram se afrontando ontem nos pontos centrais da negociação agrícola, refletindo a dificuldade que os ministros terão para quebrar o impasse até sexta-feira para fazer a Rodada de Doha avançar.

“Queremos resultados, mas estamos cercados de problemas”, disse o ministro de Comércio da Índia, Kamal Nath, ao chegar ontem. A direção da OMC continuou fazendo consultas desde cedo até tarde da noite, deixando alguns negociadores impacientes porque está claro que o jogo agora é entre os cerca de 30 ministros que estarão em Genebra.

Hoje e amanhã, ministros dos cinco países que pesam na negociação agrícola – Estados Unidos, União Européia, Brasil, Austrália e Índia – estarão reunidos na cidade suíça. “Essa reunião demonstra a importância e o interesse deles em obter alguma coisa”, disse o embaixador Clodoaldo Hugueney, um dos principais negociadores brasileiros. “Agora, se vai resolver o impasse eu não sei, porque tem muito para discutir”.

Os Estados Unidos colocaram ontem mais propostas na mesa, para ter flexibilidade de não cortar substancialmente os subsídios internos e ao mesmo tempo assegurar para suas exportações o máximo de acesso aos mercados.

Como não conseguem arrancar mais acesso aos mercados da EU, Japão e outros protecionistas, os americanos aumentam a pressão para os países em desenvolvimento cortarem mais tarifas. Mas Washington visou desta vez também a flexibilidade que será dada aos países industrializados para que seus “produtos sensiveis” fiquem quase excluídos de liberalização. Pela proposta americana, quanto mais um país tiver produto sensível, portanto a ser protegido, mais deve pagar um preço através de corte tarifário.

Os americanos não falam em cifras. Mas um exemplo ajuda a entender: se um país diz que tem 100 produtos sensíveis, deve cortar as tarifas em 30%, em todo caso menos que o corte geral. Mas se tem só 30 produtos nessa categoria, reduziria apenas 15% das alíquotas.

Já a União Européia, também em documento apresentado, defende a proposta inicial do mediador agrícola de definir produto sensível aqueles que tem atualmente cotas tarifárias (restrição a exportação). Mas não quer pagar o preço: não aceita expansão de cotas e recusa que todas as linhas tarifárias sofram cortes.

“Quase todos nossos produtos são sensíveis, porque ao preço mundial não agüentamos competir” ? , disse sem rodeios o francês Jean Michel Lemetayer ,vice-presidente da Copa, confederação de agricultores europeus.

Por sua vez, o Brasil, Índia e seus aliados do G-20 apresentaram ao mediador agrícola, Tim Groser, emendas ao texto de base para um acordo, atacando justamente as demandas americanas sobre subsídios internos e a européia sobre acesso ao mercado.

Na prática, o G-20 defende que essas e outras questões sensíveis, que ameaçam bloquear o acordo, sejam empurradas para a próxima fase da negociação.

Clodoaldo Hugueney confirma que o problema dos produtos sensíveis está difícil. “Ai temos dois problemas”, diz Hugueney. “Primeiro, é a forma como produto sensível está tratado no documento (da OMC), deixando a porta aberta para que um numero imenso de produtos entre nessa categoria, ao coincidir com os produtos que tem cotas tarifarias, o que impede que tenhamos substancial melhora em acesso ao mercado. E o segundo problema é a discriminação, porque para os países em desenvolvimento isso ficaria a se negociar no futuro”.

Quanto ao comissário europeu Pascal Lamy, que ontem obteve apoio dos estados membros a sua estratégia negociadora, indicou que vai tentar obter concessões dos americanos para que cortem subsídios internos, incluindo a polêmica caixa azul, pelo qual poderia dar bilhões de dólares a agricultores no caso de queda de preços.

Na negociação de produtos industriais, as discussões prosseguiam tarde da noite, ontem. Pelo menos dois terços dos países não aceitam negociação setorial obrigatória para eliminar tarifas em determinados setores. Agora, até o Chile está no lado dos outros países em desenvolvimento. Mas os EUA, UE, Canadá e Japão dizem que precisam de algo substancial na área, para que haja um pacote equilibrado até sexta-feira.

A OMC está bloqueada pelos policiais. O acesso é restrito. Quase todos os 500 funcionários foram autorizados a trabalhar de suas próprias residências.

O porta-voz da OMC disse que a entidade leva a “sério” preocupações com segurança dos ministros levantadas pelas autoridades suíças.

O presidente do Conselho Geral já avisou que a negociação termina na sexta-feira. Pode-se até parar o relógio por algumas horas. Mas, no sábado, a área próxima da OMC deverá estar liberada, na expectativa de 100 mil visitantes que virão para a tradicional festa de Genebra à beira do Lago Leman.


Jornal Valor Econômico – 27/6/2004
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Da Redação

Pela primeira vez no Brasil um grupo especializado na criação de caprinos e ovinos estrutura uma equipe de veterinários altamente especializados, para montar uma central de tecnologia em reprodução animal. O Rebanho Caroatá, do empresário e pecuarista Luiz Felipe Brennand, associou-se a uma equipe formada por profissionais dos mais experientes do país em tecnologia da reprodução – Luiz Roberto Medeiros, Gustavo Férrer, Osvaldo Gomes e Orlando Procópio – para fundar a Caroatá Genética. A idéia é oferecer aos criadores e selecionadores de caprinos e ovinos de todo o País, modernas técnicas reprodutivas e material genético de alta qualidade.

A Caroatá Genética, que já está funcionando em Gravatá, a 90 quilômetros do Recife, utiliza, segundo os representantes do grupo, o que existe de mais atual na oferta de serviços de coleta em animais doadoras, implantação e congelamento de embriões, comercialização de embriões congelados, comercialização de receptoras com prenhez confirmada, congelamento de sêmen, comercialização de sêmen congelado e inseminação artificial por laparoscopia.

“A união de forças não poderia ter sido melhor pois além de pesquisadores, os veterinários responsáveis pelo projeto são pioneiros no desenvolvimento e otimização das técnicas de reprodução animal do mercado nacional. A equipe é referenciada como a que concentra o maior volume de conhecimentos e tecnologia em reprodução de caprinos e ovinos,” afirmou o empresário pecuarista. O Caroatá, organizado por Luiz Felipe Brennand, é escolhido há quatro anos consecutivos como o melhor rebanho de caprinos Boer do País.

Para o criador, a Caroatá Genética tem tudo para expandir sua atuação: “Nossa expectativa é consolidar o Brasil como pioneiro em genética e tecnologia de reprodução na caprino-ovinocultura”, afirma. Para tanto, justifica, já está em fase final de construção um laboratório de reprodução animal, projetado de acordo com as normas internacionais. A expectativa da equipe é de que o laboratório seja inaugurado e receba a certificação do Ministério da Agricultura no início do segundo semestre.

Diferencial

Luiz Roberto Medeiros ressalta como diferencial da Caroatá Genética a qualidade da equipe, “seguramente a que vem obtendo os melhores resultados com reprodução de caprinos e ovinos do País. Gustavo Férrer, por exemplo, é Ph.D. em técnicas de reprodução assistida na Universidade de Davis, na Califórnia/EUA e pesquisador do CNPq”. Ele explica que “investir em técnicas de reprodução e em melhoramento genético significa, além de benefício para o criador, acelerar o desenvolvimento de uma raça, possibilitando a expansão da caprino-ovinocultura em todo o País.

A transferência de embriões, por exemplo, é uma tecnologia que vem sendo largamente utilizada na reprodução de caprinos e ovinos de genética superior. Analisar a genealogia do animal, escolher a melhor genética a ser trabalhada, a doadora com melhor histórico familiar. Enfim, identificar os animais capazes de transmitir características raciais procuradas. A principal meta da técnica de transferência de embriões é aumentar a velocidade com que a raça evolui e se multiplica. Os criadores têm percebido a necessidade de investir em tecnologia da reprodução”, finaliza.

Luiz Roberto Medeiros, especialista em técnicas de biotecnologia da reprodução pela Universidade de Gainesville, na Flórida/EUA, usa números para dar uma idéia de como o trabalho pode trazer resultados: “Uma fêmea em condições naturais tem em média 1,5 cria por ano. Com a técnica de transferência de embriões, o número pode ser multiplicado por dez”, diz.

A Caroatá Genética, também promove leilões de caprinos Boer e ovinos Santa Inês e Dorper. Um deles é o Leilão Caroatá, que terá a sua quarta edição no próximo dia 28 de agosto, em Gravatá. Está sendo organizado em parceria com os criadores paraibanos Pompeu Borba, (Rebanho FCV), Sérgio e Álvaro Borba (SA) e se destaca por apresentar um dos maiores faturamentos do País. No ano passado, as vendas atingiram o valor de R$ 882 mil.

No mesmo dia do IV Leilão Caroatá, o Rebanho Caroatá promove o Concurso Marrã do Futuro, com participação de fêmeas Boer, Santa Inês e Dorper. Os animais premiados serão incluídos no Leilão.


Gazeta Mercantil – 27/7/2004
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Da Redação

Washington e Des Moines (EUA), 27 de Julho de 2004 – As ações da Tyson Foods, uma das maiores processadoras mundiais de carnes, registraram sua maior queda este ano, depois que a empresa informou que os ganhos no atual trimestre recuarão em relação ao mesmo período do ano anterior, já que as proibições de frangos e carne bovina dos Estados Unidos afetam as vendas.

Os papéis da Tyson caíram US$ 0,50, ou 2,5%, para US$ 19,45, na Bolsa de Valores de Nova York, após um declínio anterior de 6%. Essa será a maior queda em vinte e quatro horas, desde 24 de dezembro, um dia após os Estados Unidos anunciarem seu primeiro caso de Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB), a doença da “vaca louca”. As ações avançaram 65%, frente ao mesmo período do ano anterior, alcançando a maior alta no período de cinco anos, de US$ 21,28, em 6 de julho.

O lucro no presente trimestre será menor que o de US$ 0,42 por ação, obtido no quarto trimestre de 2003, segundo executivos da Tyson, que citaram os contínuos vetos à exportação da carne bovina e de frangos dos EUA, devido à “vaca louca” e à gripe de aves, assim como um déficit no gado pronto para o abate, devido às restrições às importações do Canadá, que também apresentou caso de EEB.

“Estamos surpresos com a reação do mercado”, disse Gregg Tenser, vice-presidente da NWQ Management, em Los Angeles, que detém 200 mil ações da Tyson, e gerencia US$ 20 bilhões em ativos. Tender disse que as expectativas sempre foram de “queda” para o quarto trimestre, em comparação com 2003 – antes da divulgação do caso da “vaca louca” – quando a Tyson registrou aumento de 75% nos ganhos, ajudada por alta “monstruosa” dos preços da carne bovina.

Já a Pilgrim’s Pride, prevendo preços menores para aves, elevou ontem as sugestões de ganhos para todo o ano antes das despesas de US$ 2,23 a US$ 2,34 por ação.

A sua indicação anterior antes das despesas de reestruturação do setor de aves havia sido de US$ 1,65 a US$ 1,85 por ação.

Nas demonstrações, os ganhos do terceiro trimestre fiscal ficaram iguais a 15 centavos de dólar por ação, a processadora de aves, com sede em Pittsburg, no Texas, incluiu 60 centavos de despesas. A companhia havia divulgado ganhos de 42 centavos no trimestre de igual período do ano passado.

Gazeta Mercantil – 27/7/2004
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Da Redação

Genebra (Suíça), 27 de Julho de 2004 – Representantes dos agricultores europeus mostraram-se preocupados com o conteúdo do projeto de acordo de liberalização comercial, que consideraram desequilibrado, porque favorece outros países em detrimento de seus interesses.

O Comitê de Organizações Agrícolas e a Confederação Geral de Cooperativas Agrícolas da União Européia (UE) disseram que o documento não tem um tratamento similar a todos e precisa ser melhorado durante a reunião do Conselho Geral da Organização Internacional do Comércio (OMC) desta semana, em Genebra.

Eles criticam o pedido para a UE eliminar todos seus subsídios à exportação, enquanto outros países desenvolvidos, principalmente os EUA, permanecem abertos.

Os representantes do bloco criticam que o tratamento à agricultura seja desequilibrado em relação a outros temas do Programa de Doha, enquanto que na questão agrícola estabelece certas modalidades concretas de negociação.

Os agricultores também temem que a revisão que se propõe para a chamada “caixa verde” (destinada a programas de desenvolvimento rural sem relação com níveis de produção nem preços) ameace os novos mecanismos de ajuda da UE.

Os representantes dos agricultores europeus, que soma duas organizações similares do Canadá e Japão, encaminharam uma carta aos principais dirigentes da OMC para que “levem em conta o papel que tem a agricultura na sociedade, além das implicações econômicas do comércio”, durante as negociações.

“Estamos preocupados com a evolução da discussão sobre acesso aos mercados”, dizem as organizações na carta. Comenta-se também que qualquer acordo deve oferecer flexibilidade para que os países usem “os instrumentos mais apropriados de acordo com as situações específicas.”.

Segundo o documento, o tratamento aos produtos sensíveis deve levar em conta as preocupações dos meios rurais e de segurança alimentícia, o que não se cumpre na minuta de acordo, segundo os representantes da UE. Por fim, eles pedem que as negociações garantam que a competitividade dos camponeses europeus, “que incorrem em altos custos para cumprir padrões de segurança alimentícia, meio ambiente e saúde animal, não seja prejudicada por importações que não cumprem com as mesmas condições.”

Gazeta Mercantil – 27/7/2004
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