A Coordenadoria de Defesa Agropecuária estadual de São Paulo anunciou que foram encontrados 76 frascos de vacina contra febre aftosa – com dez doses cada um – jogados em estrada próxima Conchas (194 km a noroeste de SP).
As vacinas descartadas podem ser um indício de uma prática utilizada por alguns pecuaristas: comprar as vacinas, já que há a obrigatoriedade de apresentar as notas fiscais delas à Coordenadoria de Defesa Agropecuária, mas não aplicar o produto no gado no período de vacinação.
“Eu nunca vi, mas dizem que existe isso: para não ter o trabalho de aplicar a vacina, o produtor joga fora”, disse o diretor da Associação de Produtores Rurais de Conchas, Aderci Silveira.
Para serem imunizados, os animais precisam ser manejados dentro da propriedade, o que geralmente faz com que percam peso e se desvalorizem. Além disso, pode surgir no local da aplicação da vacina um tumor que precisa ser removido ao vender a carne.
De acordo com um levantamento feito nas lojas de produtos agropecuários, cada frasco com dez doses da vacina contra aftosa custa de R$ 11,50 a R$ 13,00. Segundo a veterinária Lucília Mariano Fexina, que presta serviço à Coordenadoria de Defesa Agropecuária em Conchas, as lojas locais já informaram que o lote encontrado na estrada não foi vendido recentemente. A coordenadoria vai tentar identificar o proprietário da vacina a partir das informações de semestres anteriores.
Nas notas fiscais das vacinas ficam registrados o fabricante, o lote do produto e o nome do comprador e da propriedade onde os animais serão vacinados. O período de vacinação contra a febre aftosa começa normalmente no dia 1º de novembro, mas neste ano [2005] foi antecipado para o dia 26 de outubro por causa da confirmação do foco da doença em Mato Grosso do Sul. A antecipação foi necessária porque os animais nascidos após junho não tinham ainda sido vacinados e, portanto, estavam mais expostos a um eventual reaparecimento da doença no Estado.
As vacinas encontradas em Conchas valem até dezembro deste ano e, segundo Fexina, devem ter sido fabricadas em 2003.
A assessoria de imprensa da Secretaria da Agricultura do Estado, órgão ao qual a Coordenadoria de Defesa Agropecuária é ligada, informou que não é comum encontrarem frascos de vacinas jogados fora e que o índice de vacinação no Estado é superior a 99%.
No Paraná
O Lanagro (Laboratório Nacional Agropecuário) de Belém (PA) concluiu os exames sobre as suspeitas de febre aftosa no gado do Paraná e o resultado foi enviado ontem para o Ministério da Agricultura. O coordenador da unidade, Aírton Nogueira, deu o indicativo de que o resultado será negativo, mas não quis confirmar. Nogueira disse, em entrevista por telefone, que não poderia adiantar o conteúdo do envelope, mas que ele contém “boa notícia”. “Quem vai divulgar são eles lá de Brasília [o ministro Roberto Rodrigues e técnicos do ministério], mas há boa notícia para o Paraná”, disse o coordenador.
O ministro deve divulgar hoje o resultado. Boa notícia para o Estado é um diagnóstico negativo.
SÍLVIA FREIRE
DA AGÊNCIA FOLHA

Fonte: Folha Online

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Começa hoje, 10 de novembro de 2005, a XXIV Nacional do Cavalo Árabe. O evento será realizado no Parque Permanente de Exposição de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. Até o próximo dia 15/11/05, a cidade receberá cerca de 800 animais puro sangue árabe, para o principal evento brasileiro da raça. A Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo Árabe (ABCCA), organizadora do evento aguarda um público de oito mil pessoas.
O evento é uma opção de lazer gratuito para toda a família. Os cavalos árabes exercem um grande fascínio sobre as crianças que vibram com as apresentações. Considerado como a mais nobre raça do mundo, os exemplares brasileiros da raça poderão ser apreciados em provas de halter (características físicas da raça), performance (diferentes tipos de adestramento).
A funcionalidade da raça será demonstrada em provas como Team Penning (apartação do gado) e Tambor e Baliza. A tradição árabe é mostrada na prova de Traje Típico, na qual cavalo e cavaleiro são trajados com roupas típicas.
Mais informações sobre o evento podem ser obtidas no sita www.abcca.com.br ou pelo telefone (16)3996-6531.
QUALITTÁ Comunicação Empresarial
E-mail: nathalia@qualittacomunicacao.com.br

Fonte: QUALITTÁ Comunicação Empresarial

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Um seminário sobre barreiras não-tarifárias e os impactos da febre aftosa no comércio internacional, acontece no dia 16 de novembro de 2055, na Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (USP/ESALQ). O evento será realizado pelo grupo de alunos que compõe o Programa de Educação Tutorial – Gerenciamento e Administração da Empresa Agrícola (PET-GAEA).
O seminário, que é voltado para os alunos de graduação e pós-graduação de todos os cursos interessados, será realizado na sala BM e F, no departamento de Economia, Administração e Sociologia, das 19h às 22h.
A palestrante será a professora Silvia Helena Galvão de Miranda, docente do departamento de Economia, Administração e Sociologia e pesquisadora do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada – Cepea, que irá explicar o que são barreiras não-tarifárias, suas diversas formas e os impactos das mesmas sobre o comércio internacional no agronegócio brasileiro.
A palestra também deve abordar as repercussões sobre o recente aparecimento dos casos de febre aftosa e o impacto nas exportações da carne brasileira.
As inscrições tem valor simbólico de R$ 2 e inclui certificado. Os interessados em participar podem encaminhar mensagem para pet_gaea@esalq.usp.br até a data do evento. As vagas são limitadas e se restringem aos 90 primeiros inscritos.
Mais informações pelo telefone (19) 3417.8735.
Marcelo Basso
Comunicação – Esalq
E-mail: marcelot@esalq.usp.br  

Fonte: Esalq

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O Dia de Campo na TV apresenta esta semana o tema Cultivo de Açaí em terra firme – a BRS Pará. O programa será exibido dia 11 de novembro de 2005, a partir das 8h (horário local), pelo Canal Rural e parabólica. Este programa é produzido pela Embrapa Informação Tecnológica, localizada em Brasília – DF, e Embrapa Amazônia Oriental, com sede em Belém – PA, unidades da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
O programa apresenta a primeira cultivar de açaí de terra firme do País. Trata-se da cultivar Pará, desenvolvida pela Embrapa Amazônia Oriental. O Pará, – maior produtor nacional de açaí –, é também o primeiro a lançar a única cultivar de terra firme dessa fruteira no mundo, que apresenta como principais características: alta produtividade e precocidade no início da produção (aos 3 anos), que garante a frutificação em baixas alturas.
A cultivar Pará é resultado de dois ciclos de seleção e suas plantas apresentam características altamente desejáveis como precocidade de produção, produtividade de fruto (10 t/ha aos oito anos) e maior rendimento de polpa. Apresenta bom perfilhamento e outras características de interesse em terra firme. Específica para área de terra firme, ela permite uma significativa redução no custo de produção, desde a preparação do solo, passando pelos tratos culturais, até a colheita dos frutos. Outra grande vantagem é que a atividade é considerada uma excelente opção para os agricultores familiares amazônicos, contribuindo para a sua inserção no agronegócio regional.
Estima-se que, somente em Belém, haja cerca de três mil pontos de venda de açaí já processado e um consumo diário em torno de 440.000 kg. E a cada dia cresce o interesse de outros Estados brasileiros pela fruteira nativa da Amazônia. O Rio de Janeiro, por exemplo, consome cerca de 500 toneladas por mês e São Paulo, 150 t. Para outros países seguem aproximadamente mil toneladas mensalmente, principalmente para o Japão, Holanda, Estados Unidos e Itália. Neste caso, o açaí segue em forma de mix – um composto que mistura o suco do açaí a outros produtos como guaraná e acerola, dando-lhe uma roupagem de produto natural e saudável.
Acompanhe no dia de campo na TV as principais diferenças, benefícios e especificidades de cada um dos sistemas de produção propostos pela pesquisa da Embrapa.
O Dia de Campo na TV é interativo. As dúvidas do público sobre a tecnologia apresentada são esclarecidas, ao vivo, por especialistas a partir de perguntas recebidas, durante o programa, pelo telefone 0800 7011140 (ligação gratuita), pelo fax (61) 3273-8949, ou ainda pelo endereço eletrônico diacampo@sct.embrapa.br.
Para aqueles que não puderem assistir ao programa, a Embrapa Informação Tecnológica disponibiliza cópias em VHS que podem ser adquiridas pelos telefones: (61) 3340-9999 / 3448-4236, ou pela Livraria Virtual – www.sct.embrapa.br/liv/.
Ana Laura Lima
Embrapa Amazônia Oriental
Internet: www.cpatu.embrapa.br
E-mail: analaura@cpatu.embrapa.br
Jorge Macau
Embrapa Informação Tecnológica
Internet : www.sct.embrapa.br
E-mail: diacampo@sct.embrapa.br

Fonte: Embrapa Amazônia Oriental

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No princípio era o arado puxado por animais. Depois vieram os implementos agrícolas com sofisticada mecanização, processos de irrigação e uso intensivo de fertilizantes e agro-químicos para atender às necessidades crescentes de produção. E a produtividade foi, durante décadas, o único parâmetro para medir a eficiência do processo agrícola. A degradação das terras alertou para a necessidade de outros indicadores para avaliar os sistemas de produção.
O solo devia ter uso sustentável, capaz de garantir alta produtividade agrícola e de suprir outras necessidades. Estava criado o conceito de solo como recurso natural multifuncional que, como o próprio nome sugere, está relacionado com a capacidade do solo de realizar múltiplas funções, entre as quais se destacam a sustentação da produtividade biológica, a manutenção da qualidade do meio ambiente e a promoção da saúde das plantas e animais, incluído o homem.
Degradação funcionou como sinal de alerta
De forma mais específica, a importância ecológica do solo está relacionada com algumas de suas principais funções: conservação, armazenamento e liberação de água para plantas e subsolo; retenção e liberação de nutrientes; degradação de produtos químicos; promoção e sustentação do crescimento radicular; manutenção de condições favoráveis à atividade biológica e ao habitat e desenvolvimento de plantas e animais; e resiliência, que corresponde à capacidade de retomar a sua forma original.
Nesse contexto, está sendo desenvolvido projeto de pesquisa pela professora Mara de Andrade M. Weill e equipe, da qual participam os professores Edson Eiji Matsura e Paulo Graziano Magalhães, além de alunos de iniciação cientifica, mestrado e doutorado, todos da Faculdade de Engenharia Agrícola da Unicamp (Feagri). Os estudos envolvem sistemas de produção agrícola e sua influência na qualidade do solo. As variáveis de controle incluem a erosão do solo, o desenvolvimento e a produtividade das culturas. A pesquisadora revela que constituem objetivos específicos do projeto a seleção de um conjunto mínimo de atributos ou indicadores para avaliação da qualidade do solo sob diferentes sistemas de manejo, o monitoramento quantitativo e qualitativo do material erodido (água e terra) durante o ciclo da cultura, no caso milho no verão e feijão no inverno, e o estudo da relação entre sistema de manejo e qualidade do solo com erosão e produtividade.
De acordo com Mara, o trabalho avalia dois sistemas de produção: o convencional, com grade aradora e o plantio direto. Para ela, os resultados preliminares indicam que as maiores produtividades ocorreram nas áreas experimentais sob sistema de plantio direto em comparação com aquelas obtidas nas áreas em que foi utilizado o sistema convencional. “A diferença entre as médias chegou a ser superior a mil kg/ha em alguns casos. Constatou-se também que, em algumas parcelas cultivadas no sistema convencional, as perdas por erosão excederam em mais de 100% às perdas oriundas das áreas cultivadas no sistema de plantio direto”, revela a docente.
Plantio direto
A estrutura de um solo funcional se caracteriza pela ocorrência de grandes agregados estáveis, do que resultam entre eles poros grandes, que permitem a livre passagem de ar e água e por onde as raízes das plantas facilmente encontram caminhos para crescimento. Em oposição, solos com estrutura deficiente, adensados ou compactados, pela ausência dos agregados grandes ou macro-poros, impõem restrições ou mesmo impedimento aos processos de transferência de energia e materiais em seu corpo.
Segundo a professora, quando o solo é trabalhado para atividade humana, especialmente no caso da agricultura convencional, sua estrutura é alterada. Na produção agrícola pretende-se utilizá-lo ininterruptamente e por isso a degradação precisa ser minimizada, embora sempre ocorra de alguma forma. Na moto-mecanização convencional uma certa camada do solo é revolvida comumente em uma certa profundidade. “A camada superficial revolvida apóia-se sobre um fundo que com o tempo assemelha-se a uma superfície espelhada, pouco permeável, chamada de pé de arado ou pé de grade. A água penetra rapidamente na parte trabalhada pelo implemento e atinge a superfície espelhada em que se acumula ou escorre, dependendo da declividade do terreno. Ambas as situações causam problemas e por isso de tempo-em-tempo essa superfície precisa ser rompida. Esse sistema de produção convencional tem sido associado à ocorrência de elevadas taxas de erosão e de degradação do solo”.
Como alternativa, diz a docente, foi desenvolvida a técnica do plantio direto, em que a mobilização do solo se dá apenas na linha de plantio. Em uma única operação, a semeadora de plantio direto abre o sulco, segundo a linha do plantio, coloca a semente, o adubo e fecha a abertura. Previamente e antes da semeadura da cultura principal, o terreno recebe uma planta de cobertura, gramínea ou leguminosa, que por dessecamento com herbicida deixa sobre o solo uma cobertura morta. Segundo a pesquisadora, a tecnologia de plantio direto, devidamente estudada, testada e avaliada pela pesquisa oficial, foi implementada ao nível dos produtores no Sul do País, a partir de 1972, onde a cultura de grãos é intensa e a erosão constituía grande preocupação.
Segundo a Federação Brasileira de Plantio Direto na Palha, a área sob plantio direto no Brasil evoluiu de cerca de l00 ha em 1972/73 para quase 22 milhões de ha em 2003/04, considerando as culturas de verão e inverno e a safrinha.
A professora lembra que o sistema de plantio direto na agricultura é considerado conservacionista e que sua tecnologia já está bem desenvolvida para grãos como trigo, milho, soja, feijão e também algodão, com grandes áreas plantadas no Sul e Centro-Oeste do Brasil. No Estado de São Paulo, o sistema não teve tanta penetração, o que pode ser explicado pelo fato de nossa agricultura ser diferenciada, com predomínio de cana-de-açúcar, cítricos, café e de pastagens, além do fato de as condições climáticas de São Paulo exigirem a superação de alguns problemas na aplicação do sistema.
A docente constata, entretanto, o aumento da adesão em São Paulo, onde a área sob sistema de plantio direto cresceu de 45 mil ha em 1997/98 para um milhão de ha em 2000/01. “Em nossos estudos estamos testando o plantio direto e, para efeito de comparação, no mesmo local, realizamos o plantio com sistema convencional em um importante tipo de solo, que ocupa a significativa área de 35 mil km2 (14% do território paulista), anteriormente chamado Latossolo Roxo e, hoje, Latossolo Vermelho. Estamos estudando os efeitos dos sistemas de manejo na qualidade do solo, na produção e no controle da erosão. As parcelas experimentais do Campo Experimental da Feagri são dotadas de sistemas coletores de enxurrada, que permitem coletar e medir quanto se perde de água e de solo e, no caso deste, o que se perde. Com isso pode-se determinar como o sistema de manejo afeta a erosão e o que e quanto está sendo perdido de nutrientes e matéria orgânica, e o que precisa ser reposto. O escopo do projeto é esse”.
Mas tudo isso leva tempo, diz Mara, já que nem tudo o que acontece no solo pode ser mensurado em pouco tempo, pois algumas alterações são observáveis somente depois de anos, e o projeto é de longa duração. “Para a agricultura a produção é indicadora da qualidade do solo. E para o ambiente? Como modificações observadas repercutem e se introduzem no ambiente? A partir de que parâmetros o solo pode ser considerado degradado porque não pode mais desempenhar todas as funções que se esperaria dele? Existe na comunidade internacional a preocupação em desenvolver indicadores que permitam monitorar a qualidade do solo ao longo do tempo. Diferentes autores têm proposto conjuntos mínimos de dados para monitoramento que balizem a avaliação da qualidade e a indicação de medidas corretivas ou preventivas. É o que se busca”. Segundo a docente, o que a pesquisa faz é caracterizar vários atributos do solo que condicionam seu funcionamento, monitorando como eles se alteram com o tempo em função das práticas de manejo, e como essas mudanças influenciam a produção e a intensidade de erosão.
E a professora conclui com entusiasmo: “Completamos o segundo ano dos estudos e encontramo-nos ainda na fase de estabilização da cobertura morta no plantio direto. Estamos aprendendo muita coisa e o trabalho tem sido muito animador, pois já conseguimos detectar mudanças de qualidade nessa cobertura, na densidade de plantio, no controle da erosão. Precisamos de mais tempo para consolidar esses resultados”.
Trabalho em equipe
A professora Mara Weill enfatiza o trabalho em equipe desenvolvido na pesquisa experimental: “Hoje não se faz nada isoladamente”. Ela estuda a parte física e química do solo. O professor Edson Eiji Matsura, da área de irrigação e drenagem, orienta pesquisas para avaliar o efeito da palhada na eficiência da irrigação, na distribuição e homogeneização da água no solo, comparando com o sistema convencional. O professor Paulo Graziano Magalhães, da área de máquinas, desenvolveu com seu grupo um disco dentado a ser acoplado à semeadora de plantio direto e que tem a função de cortar a palha antes da ação do sulcador. Ele estuda a eficiência desse disco e sua influência no solo e no crescimento da planta, comparando com o trabalho realizado pelos discos lisos, mais comuns no mercado.
A professora Mara orienta oito alunos alocados no projeto, quatro de pós-graduação e quatro em iniciação científica. Uma aluna de mestrado pesquisa um indicador integrado de qualidade de solo que agrega informações de alguns atributos simples como densidade do solo, resistência à penetração e umidade, porque qualquer um desses indicadores isoladamente pode levar a uma resposta não adequada. Esse indicador é denominado intervalo hídrico ótimo.
Outra mestranda pesquisa a aplicação de métodos de valoração econômica das perdas de solo por erosão com base nos dados experimentais referentes às perdas detectadas, pois aumento de produção, qualidade e reposição de nutrientes precisam ter viabilidade econômica. Um outro mestrando faz um estudo histórico, resgatando o que aconteceu nos quinze anos anteriores em que o solo foi submetido a diferentes sistemas de preparo, e acompanha as modificações que os dois sistemas de plantio introduzem a partir destes dois últimos anos. Finalmente, um doutorando, de formação estatística, trabalha na seleção e avaliação dos métodos mais indicados de análises e modelagem de dados aplicáveis na avaliação da qualidade do solo e do sistema produtivo agrícola.
CARMO GALLO NETTO
E-mail: carmo@reitoria.unicamp.br

Fonte: Jornal da Unicamp

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Influenza, gripe aviária, H5N1, vírus mutante, pandemia, morbidade, mortalidade. Há pelos menos três semanas a sociedade convive diariamente com um palavreado científico que, dado o contexto em que vem sendo empregado, passou a ter o significado de uma “supergripe iminente de proporções arrasadoras”. De fato, há motivos para preocupação. Até a semana passada, 61 pessoas haviam morrido entre os 118 casos de contaminação humana confirmados desde dezembro de 2003, quando os surtos começaram a se propagar pela Ásia e Europa. Mas cientistas do mundo inteiro tentam evitar que o estado de alerta determinado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) evolua para uma onda de pânico generalizado.
“Sim, o risco de uma pandemia existe, mas é praticamente impossível de ser quantificado”, diz o infectologista Luiz Jacintho da Silva, professor da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp. “Esse risco sempre existiu independente do que está acontecendo agora na Ásia e na Europa”, concorda a infectologista Nancy Bellei, pesquisadora de vírus respiratórios da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Segundo os especialistas, o que vai determinar ou não uma epidemia em escala mundial é a mutação (transformações em sua estrutura genética) do vírus causador da influenza (gripe) a ponto de gerar uma cepa completamente nova, para a qual toda a população é suscetível. Geralmente este fenômeno acontece quando uma cepa, que originalmente só infectava animais, como as aves, atravessa a barreira das espécies, passa a infectar diretamente os seres humanos e, posteriormente, adquire a capacidade de transmissão inter-humanos.
O vírus que está infectando aves na Ásia e na Europa atende pelo nome de H5N1. A sigla faz referência à hemaglutinina (H) e à neuraminidase (N), proteínas que estão no envelope externo do vírus (espécie de cápsula). Cada cepa tem uma composição diferente de hemaglutinina e neuraminidase. A cepa em questão é do tipo H5 (existem H1 até H16) e N1. A hemaglutinina se liga às células humanas permitindo a entrada do vírus. A contaminação de humanos pelo H5N1 é algo recente e, até agora, tem ocorrido somente de aves para pessoas. Mas se um vírus aviário receber um “envelope mais humano” após sofrer uma mutação, ele adquire a capacidade de transmissão inter-humanos, abrindo caminho para a pandemia.
Há pelos menos dois cenários que favorecem mutações capazes de tornar o vírus transmissível de humano a humano. Um deles, chamado de “mix de código genético”, ocorreria da seguinte forma: uma pessoa é infectada, ao mesmo tempo, por um vírus da gripe aviária e por outro influenza, como o que causa a gripe comum. Os dois vírus entram nas células do hospedeiro e começam a se multiplicar. Numa dessas replicações, o material genético dos dois tipos de vírus se misturam e recombinam num terceiro tipo. Este novo vírus pode ter características que permitam a transmissão direta de pessoa para pessoa.
“A disseminação do H5N1 entre aves aumenta em muito a probabilidade de interação com um vírus humano e a possibilidade de ocorrer uma mutação”, diz Luiz Jacintho. “Uma recombinação com outro vírus deverá ocorrer em algum momento; é mais provável ocorrer do que não ocorrer”, completa.
“A chance existe, mas sabe-se por experiência que as co-infecções não são extremamente freqüentes”, observa Nancy. Ela admite, porém, que se uma contaminação desse tipo acometesse uma ou duas pessoas num país populoso, por exemplo a China, seria o suficiente para a epidemia eclodir.
A segunda possibilidade, chamada de “mutações acumuladas”, ocorreria da seguinte forma: quando o vírus infecta um organismo, ele estimula o sistema imunológico e o corpo envia células de defesa para destruí-lo. Para enganar o sistema imunológico, muitos vírus sofrem pequenas mudanças nas proteínas que ficam em sua superfície. No influenza, tais mutações ocorrem com freqüência porque o vírus tem um mecanismo que permite erros no código genético durante a replicação viral. Numa dessas mudanças, o vírus pode se tornar transmissível entre humanos.
“Esse é um caminho bem provável”, diz Nancy. Segundo ela, as condições para que a mutação ocorra são intrínsecas ao vírus. “Quanto mais o vírus se replica, ou seja, duplica sua carga genética para fazer novos vírus, mais chance ele tem de sofrer mutações”, explica. As mutações, de acordo com a especialista, tanto podem ampliar quanto diminuir o seu grau de virulência. “Ao invadir a célula são milhões de vírus e todos eles estão mudando”, diz. “É uma loteria e, em algum momento, pode haver uma determinada mutação que permita a transmissão entre humanos”.
Há ainda, segundo os especialistas, uma terceira possibilidade, não de todo descartada. Nesse outro cenário, ocorreria o mesmo mecanismo do “mix de código genético”, só que o hospedeiro seria um mamífero de outra espécie em vez do homem. Um suíno, por exemplo. A recombinação dos vírus no organismo do hospedeiro criaria as condições necessárias para a sua transmissão entre humanos.
“Todos esses cenários são possíveis, mas é impossível prever qual ocorrerá primeiro”, analisa Luiz Jacintho. Na Indonésia, por exemplo, porcos pegaram H5N1 de aves. São mamíferos que se contaminam facilmente com gripes aviárias. Se, eventualmente, um dos suínos contaminados pelo H5N1 também estiver contaminado pelo influenza da gripe comum, pode ocorrer o quadro que a revista New Scientist descreve como de “pesadelo”: a junção dos dois, resultando num híbrido. O vírus resultante pode ter as características mortais do H5N1 e o grau de contágio duma gripe comum.
Não se trata de mera especulação. Estudos recentes do código genético do H1N1, causador da Gripe Espanhola (responsável por 40 milhões de mortes em 1919) revelaram semelhanças “impressionantes” entre aquele vírus e a cepa H5N1, causadora do atual surto da doença entre aves da Europa e da Ásia. Para alguns observadores, isso sugere que foram necessárias mudanças relativamente pequenas para que um vírus aviário como o de 1918 passasse a infectar humanos. “É provável”, diz Nancy. “Talvez o vírus tenha conservado o miolo de H5 mas desenvolvido o envelope de H1, e aí ficou mais transmissível”, especula. “A genealogia viral é muito difícil de estabelecer com o material obtido daquela época”, completa.
Caso o causador da atual gripe aviária aprenda a “saltar” de pessoa para pessoa uma pandemia é quase certa. Entretanto, segundo os especialistas, ainda é cedo para falar no mesmo grau de letalidade causado pelo vírus da gripe espanhola. “O vírus de agora também é extremamente patogênico, mas não dá para saber”, diz Nancy. “Quando um vírus é muito patogênico e letal, geralmente transmite menos”, completa. “Ainda não dá para especular sobre a letalidade e virulência de uma cepa pandêmica descendente do atual H5N1”, analisa Luiz Jacintho. Ele pondera, porém, que, se já ocorreu com a cepa de 1918, poderá acontecer novamente. “Teoricamente é possível”.
Sabe-se que o intervalo entre as três principais pandemias de influenza que ocorreram no século passado foi de 39 anos entre as chamadas Gripe Espanhola e a Gripe Asiática e de 11 anos entre esta e a Gripe de Hong Kong. Segundo os especialistas, não é possível prever exatamente quando uma nova pandemia ocorrerá, mas é viável, por meio do monitoramento dos vírus influenza e da situação epidemiológica nacional e internacional, identificar indícios de que este fenômeno possa estar mais próximo de acontecer.
Apesar das especulações, todas as contaminações humanas registradas no episódio atual foram transmitidas por aves. O H5N1 está presente nas fezes, sangue e secreções respiratórias das aves infectadas. A contaminação humana pode ocorrer pelo contato direto com as aves infectadas por meio de inalação dessas secreções (inclusive durante a limpeza e a manutenção nos aviários ou criadouros sem os cuidados necessários de proteção) ou durante o abate ou manuseio de aves infectadas. Segundo a OMS, não foi evidenciada transmissão pela ingestão de ovos ou pelo consumo de carnes congeladas ou cozidas de aves infectadas.
Uma vez no organismo, o H5N1 desencadeia um quadro mais grave que a gripe comum. “A gravidade dessas cepas se manifesta pela capacidade de causar pneumonia viral e falência múltipla de órgãos”, diz Luiz Jacintho. Normalmente, os vírus da influenza acometem células do trato respiratório. “No caso do H5N1 também há, além dos sintomas respiratórios, diarréia, encefalite, febre, dor abdominal, náuseas e coma”, explica. “Cepas muito virulentas, como se crê tenha ocorrido em 1918, seriam capazes de infectar outras células, de outros órgãos”, explica.
Até o momento, não foi desenvolvida uma vacina capaz de combater o H5N1. Pesquisas estão sendo desenvolvidas e os governos da Hungria e da Austrália afirmaram que obtiveram resultados efetivos nos últimos testes. Sem um agente que previna o organismo contra a ação do vírus, a única alternativa até agora é o antiviral Tamiflu, produzido exclusivamente pelo laboratório farmacêutico suíço Roche Holding. O medicamento mostrou-se eficaz no tratamento da gripe aviária em humanos. Esta droga, juntamente com outra semelhante, o zanamivir, age inibindo a liberação do vírus da superfície celular, impedindo assim sua replicação. Mas os especialistas desaconselham uma corrida às farmácias para estocar o produto em casa. “Quem estiver doente deve procurar o médico”, diz Nancy. Outra medida é manter-se bem informado.
O governo brasileiro acertou a compra do antiviral Tamiflu, numa quantidade suficiente para tratar 9 milhões de pessoas. Ainda não está definida quando chegará a primeira remessa do medicamento. Na compra, foram gastos R$ 193 milhões. O Ministério da Saúde também deverá providenciar o treinamento de pessoal, o monitoramento de aves migratórias, a fiscalização das importações e a restrições de animais vivos de um estado para outro. Na opinião de Luiz Jacintho, porém, caso a pandemia ecloda, seria impossível impedir a sua entrada no Brasil. A melhor estratégia, segundo o infectologista, seria retardar a disseminação, ganhando tempo até que se tenha disponível uma vacina, e reduzir a mortabidade da epidemia.
Butantan vai desenvolver vacina
O governo federal destinou R$ 3,1 milhões para o Instituto Butantan com o intuito de acelerar a construção de uma unidade de produção de vacina contra a gripe aviária asiática, provocada pelo vírus H5N1. A unidade deverá ficar pronta em janeiro. O Instituto é responsável pela produção de 82% das vacinas no país, inclusive a de prevenção ao Influenza, causador da gripe comum. A Organização Mundial da Saúde (OMS) tem a intenção de reservar um estoque estratégico da vacina, para prevenção em caso de epidemia global, e a auto-suficiência do Brasil seria bem-vinda.
Nenhum país iniciou a produção da vacina em larga escala, mas a OMS já disponibilizou o lote-semente que servirá de matriz. Segundo o Ministério da Saúde, a expectativa é que o País possa iniciar a fabricação da vacina já em 2006. O plano prevê, inicialmente, a produção de 100 mil doses para reserva e ação rápida em caso de pandemia. Há cerca de um mês, o diretor do Instituto Butantan, Isaias Raw, representou o Brasil na 2ª Conferência Européia de Influenza, realizada em Malta. Na oportunidade, apresentou à OMS proposta para que o País seja um dos núcleos mundiais da produção de vacina. Em entrevista (abaixo) ao Jornal da Unicamp, Isaias Raw analisa a escalada da epidemia na Ásia e fala sobre a produção da vacina no Brasil.
Jornal da Unicamp – A gripe aviária na Ásia e na Europa colocou o mundo outra vez em alerta. Há motivo para pânico?
Isaias Raw – Por enquanto o vírus passou de aves para pessoas mas ainda não foi transmitido de um ser humano para outro ser humano. Enquanto o vírus não se adaptar a ponto de passar de uma pessoa para outra, não haverá pandemia.
JU – Na sua opinião, quais as chances do vírus passar por uma mutação que o torne capaz de ser transmitido de uma pessoa para outra?
Isaias Raw – O vírus muda continuamente por dois processos diferentes. No primeiro deles, o vírus da gripe aviária e o vírus da gripe comum entram simultaneamente num mesmo hospedeiro dando origem a um vírus híbrido capaz de ser transmissível de pessoa para pessoa. No outro, o próprio vírus da gripe aviária vai acumulando mutações até desenvolver condições para transmissão de humano a humano. Obviamente o mundo tem de estar preparado, mas até agora não existe nenhuma evidência garantida de que haverá uma pandemia.
JU – O retrospecto histórico registra pandemias de gripe no espaço médio de vinte ou trinta anos. A última grande contaminação em massa foi a Gripe de Hong Kong em 1968, quando 46 mil pessoas morreram. Essa projeção deve ser levada em conta ou não passa de mito?
Isaias Raw – É a mesma coisa que dizer que um vulcão entra em erupção a cada vinte ou trinta anos. Esse cálculo é uma loteria, não tem nenhum significado.
JU – Vacinas estão sendo desenvolvidas e os governos da Hungria e da Austrália afirmaram que obtiveram resultados efetivos nos últimos testes. O senhor acha que desta vez a ciência está próxima de uma vacina definitiva?
Isaias Raw – A Organização Mundial da Saúde encarregou certas instituições, principalmente as norte-americanas e inglesas, de fazer os lotes-semente para produzir a vacina. Essa semente é produzida todos os anos para a gripe comum e a OMS disponibiliza para todos os produtores de vacina. É a mesma vacina padrão no mundo inteiro. No caso da gripe do frango, a semente será produzida a partir do H5N1. Por um processo de atenuação, mudam-se dois aminoácidos do vírus para que se transforme numa vacina que não é agressiva e que portanto pode ser usada. A vacina não é viva.
JU – A ciência e a tecnologia evoluíram significativamente nos últimos anos, mas a ameaça de uma pandemia de gripe continua ameaçando o mundo. Por que é tão difícil desenvolver uma vacina 100% eficaz?
Isaias Raw – O problema é que todos os vírus, que têm RNA em vez de DNA (Ácido Desoxirribonucleico Nucléico, molécula que reproduz o código genético e é responsável pela transmissão das características hereditárias de cada espécie), mudam continuadamente. Quando a célula sintetiza um DNA, ela tem um conjunto de enzimas muito bem organizado, que corrige qualquer erro. Se não fosse isso quase todo mundo teria uma doença genética. Quando uma célula se reproduz, o DNA é sintetizado e depois revisado cuidadosamente e, se houver algum erro, ele tira aquele pedaço e conserta. Não é o caso dos vírus em questão, que em vez de DNA têm RNA (ácido ribonucléico, molécula-irmã do DNA que também armazena instruções genéticas e, ao contrário dele, consegue induzir reações químicas sozinha). A enzima que produz RNA não tem essa capacidade de correção. Então as mutações vão se acumulando continuamente. Por essa razão, a gripe nunca é a mesma todos os anos. Isso torna mais difícil desenvolver uma vacina que funcione para todos.
JU – A semelhança entre o vírus da gripe espanhola e a cepa H5N1, causadora do atual surto da doença entre aves da Europa e da Ásia, é impressionante, e sugere que foram necessárias mudanças relativamente pequenas para que um vírus aviário como o de 1918 passasse a infectar humanos. Isso seria um indicativo de que são grandes as chances de o vírus atual passar a ser transmissível de humano a humano?
Isaias Raw – Não obrigatoriamente. Mesmo porque a gripe de 1918 começou como uma gripe igual a qualquer outra e depois foi piorando. Pode ser como pode não ser. Em 1957, nos Estados Unidos, o governo vacinou toda a população contra a gripe do porco e não aconteceu nada.
JU – Caso o vírus aprenda a “pular” de humano a humano o senhor acredita que uma possível pandemia atingiria as mesmas proporções da gripe espanhola, com milhões de mortes? Ou seja, o mundo está preparado para enfrentar um super-vírus?
Isaias Raw – O problema não é estar preparado ou não. A maior parte da produção de vacina está concentrada no Hemisfério Norte, em paises como Inglaterra, Estados Unidos, Bélgica, França e Canadá. Se essa vacina for usada para conter o começo da pandemia na Ásia, não vai ocorrer nada no mundo. Mas se cada país decidir guardar a vacina para usá-la só quando a pandemia chegar em seu território, a essa altura já esparramou tudo, mesmo porque, com o tráfego aéreo, o número de gente que anda por aí é brutal.
JU – O governo federal já determinou a liberação de recursos para que o Instituto Butantan passe a fabricar vacinas contra a gripe aviária, caso a ciência chegue a uma vacina comprovadamente eficaz. Já há previsão sobre o início da produção?
Isaias Raw – O lote-semente deverá ser embarcado nos próximos dias. Virá de um laboratório inglês. Temos de preparar um laboratório rapidamente para iniciar a produção. Estamos esperando os recursos e a previsão é de que esse laboratório esteja pronto em dezembro. Inicialmente a intenção não é estocar vacina. Primeiro vamos fazer ensaios para verificar se conseguimos produzir uma vacina mais eficaz. Isso será testado primeiro em camundongos e, depois, em voluntários. A produção efetiva deverá começar em fins de janeiro.
JU – Este trabalho também estará sendo feito paralelamente em outros países?
Isaias Raw – Até agora não houve pressão para fazer isso. Por isso, de uma certa forma, estaremos fazendo um pouco na frente dos outros. Mas no contexto atual é possível que todos também comecem a fazer a mesma coisa.
Livro revela impactos da gripe espanhola no país
O século XX conheceu três pandemias: a gripe espanhola (1918), a asiática (1957) e a de Hong Kong (1968). De todos os episódios, o mais trágico foi o de 1918, com 40 milhões de mortes. A doença foi causada pelo vírus Influenza na variação H1N1. Recentemente, duas pesquisas norte-americanas publicadas nas revistas Nature e Science apontam semelhanças entre os vírus da gripe espanhola e o H5N1, causador da atual gripe aviária na Ásia.
Nada, nem as grandes guerras, foram tão letais para a humanidade”, afirmou ao Jornal da Unicamp a historiadora Liane Maria Bertucci, em maio do ano passado, pouco antes de lançar o livro “Influenza, a medicina enferma”. A obra, publicada pela Editora da Unicamp, narra o impacto da gripe espanhola em São Paulo.
A gripe espanhola foi a maior epidemia da humanidade, maior que a peste negra. Em comparação à tuberculose ou Aids, considerando a relação tempo-quantidade de vítimas, a influenza é insuperável”, disse a pesquisadora, que fez graduação, mestrado e doutorado na Unicamp, e atualmente é professora da Universidade Federal do Paraná.
Liane Bertucci conta que, em 1917, as autoridades de São Paulo faziam discursos inflamados sobre a superioridade paulista no tratamento das questões da saúde e da insalubridade, graças à infra-estrutura montada para enfrentar notadamente as moléstias decorrentes da aglomeração urbana. Até meados de 1918, os paulistanos estavam preocupados com a carestia e as informações sobre a Primeira Guerra Mundial. Sérios problemas na agricultura ameaçavam o abastecimento e organizava-se a Missão Médica do Brasil para prestar assistência aos combatentes aliados. Por isso, poucos deram atenção às pequenas notícias vindas da Europa sobre uma doença que já vitimara muitas pessoas.
A epidemia se alastrou rapidamente pelos países em guerra, derrubando soldados de várias nacionalidades. A Missão Médica já estava em Dacar (Senegal) desde 5 de setembro, juntamente com outros navios do Brasil da divisão de guerra. Mais de 50 brasileiros, médicos inclusos, teriam morrido por causa da influenza. A reação foi de pavor quando o Demerara ancorou no Rio de Janeiro em 14 de setembro, depois de passar por Recife e Salvador trazendo mortos a bordo. A imprensa informava que outro navio, o Highland Glen, trazia jovens cujos pais morreram da doença em Portugal e que tinham como destino a cidade de São Paulo.
No dia 21 de outubro, São Paulo estremeceu: a espanhola fazia a primeira morte, um homem. Segundo Liane Bertucci, “a capital já havia começado efetivamente a parar”. Fosse um filme, seria de tirar o fôlego. Repentinamente, as pessoas começam a tossir, suando febris, rostos azulando com a dificuldade respiratória. Os doentes que não são isolados correm desesperadamente para postos de socorro improvisados em escolas, clubes, igrejas, ou para as farmácias atrás de fórmulas que os tornem resistentes à peste – na forma pneumônica, é a morte. Autoridades distorcem e escamoteiam informações sobre a proporção da epidemia. Os médicos, atônitos com a letalidade da doença e a rapidez na propagação, desconhecem e divergem quanto a formas de tratamento.
Liane Bertucci escreve que “o tempo da epidemia é o da solidão, da suspeição generalizada, com o esgarçamento das relações humanas”. Quem permanece imune tranca-se em casa, não recebe amigos nem parentes. Fecham-se bares, cinemas, teatros. Os guardas são aconselhados a evitar apertos de mãos, limitando-se à continência. Abraços e beijos são considerados quase que atos de traição. As tragédias que aconteciam no delírio da febre se repetiam com freqüência”, acrescenta a autora. Gente gripada tentava o suicídio ou matava o mais próximo. Doentes saltavam das janelas de suas casas ou dos hospitais.
Em poucos dias, 11.762 covas foram abertas e 8.040 utilizadas (não apenas de gripados). Os cemitérios do Araçá, Brás, Consolação e Penha ganharam iluminação noturna e o número de coveiros foi quadruplicado para dar conta da demanda. O próprio humor era mais negro, como na charge em que cocheiros disputam violentamente o cliente que quer transportar o caixão. O preconceito contra os pobres também aflorava: o bairro do Brás, por ser o mais populoso e habitado por operários, foi tido pelas autoridades e jornais como o mais sujeito à propagação do mal. “Agora, mais do que nunca, eles eram as classes perigosas”, ironiza a historiadora.
(Luiz Sugimoto)
CLAYTON LEVY
E-mail: clayton@reitoria.unicamp.br

Fonte: Jornal da Unicamp

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Depois de seis meses de queda, os preços dos produtos agropecuários aumentaram 2,1% em outubro [2005], comparado com setembro [2005], em Minas Gerais. No acumulado do ano, no entanto, o IPR – Índice de Preços Recebidos pelos Produtores –, apurado pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (FAEMG), continua apresentando queda acentuada, de 9,7%.
Os dois produtos que puxaram a alta foram o boi gordo e o café, de acordo com o economista do Departamento Técnico da FAEMG, Sérgio Avellar. A alta do boi gordo, de 9,6%, foi puxada pela retenção dos animais nos primeiros dez dias do mês, e também pelas cotações que estavam muito baixas nos últimos meses (no acumulado do ano, a arroba apresenta queda de 12,66%).
A descoberta da febre aftosa no Mato Grosso do Sul, no dia 9 de outubro de 2005, não afetou os preços do boi gordo, como era esperado pelos analistas. De acordo com Sérgio Avellar, os frigoríficos passaram a redirecionar a compra dos animais para os estados onde a doença não foi detectada e também a utilizar plataformas industriais de abate fora de São Paulo – estado que foi embargado pela União Européia. Em Minas, por exemplo, as unidades de grandes frigoríficos que destinavam a produção para o mercado interno passaram a utilizá-las para abastecer o mercado externo.
No caso do café, segundo Avellar, a alta se deve à expectativa do mercado externo de que a próxima safra deverá ficar abaixo do esperado: além da queda natural no Brasil, houve redução dos estoques nos países da América Central, por causa dos furacões e tempestades tropicais que atingiram a região.
As principais baixas foram nas cotações do leite, milho e soja. O leite já acumula queda de 10,45% no ano. Em outubro, os preços caíram 3,26% em relação a setembro. O milho apresentou retração de 2,44%, mas no acumulado do ano registra alta de 9,23%. A soja mantém a tendência de queda desde o início do ano: em outubro caiu 1,73%; no acumulado do ano a redução já chega a 13,63%.
Assessoria de Comunicação da FAEMG
E-mail: imprensa@faemg.org.br

Fonte: FAEMG

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A Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA, na sigla em inglês) divulga nesta sexta-feira (dia 11/11/05) à tarde a relação dos 60 lotes classificados na etapa nacional do 7º Concurso de Qualidade Cafés do Brasil – Cup of Excellence.
O júri, presidido pelo classificador e degustador Sílvio Leite, conselheiro da entidade, está reunido em Areado, cidade ao Sul de Minas, e encerra na manhã de sexta o processo de avaliação e prova sensorial das 139 amostras que concorrem nesta fase, pré-selecionadas entre as 553 inscritas.
Os lotes aprovados na etapa nacional passam, na próxima semana (14 a 18/11/05) pelo crivo final do Júri Internacional, integrado por provadores e profissionais de compra de torrefações e lojas de café da Europa, Ásia e Estados Unidos, que se reunirá em Poços de Caldas (MG), no Centro de Convenções do Palace Hotel.
O resultado dos vencedores, assim como o ranking dos que receberão o Gold Award (cafés que recebem nota superior a 90 pontos, em uma escala de zero a 100), será divulgado no dia 18/11/05, às 18h00, em cerimônia a ser realizada no Cassino, anexo ao Palace Hotel.
Os cafés vencedores do Concurso participarão do leilão internacional, via internet, Cup of Excelence (CoE), organizado pela ACE – Alliance for Coffee Excelence e que será realizado no dia 10 de janeiro de 2006. Disputadíssimo, esse leilão premia os produtores com preços recordes.
Em 2004, o leilão bateu dois recordes: o lote campeão, do produtor Joaquim José de Carvalho Dias (Fazenda Recreio, região Mogiana), de 27 sacas, foi adquirido pela empresa japonesa Maruyama Coffee por US$ 1.805,50 a saca, superando o valor alcançado em 2002, de US$ 1.699,00 a saca. O preço médio dos 36 lotes negociados no leilão do ano passado também foi recorde: US$ 673 a saca (em 2004 ficou em US$ 410).
Avaliação sensorial
O sucesso do Concurso de Qualidade Cafés do Brasil – Cup of Excellence (CoE), promovido desde 1999 pela BSCA com o apoio do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), está na sua metodologia e no seu protocolo de seleção dos lotes de cafés: em um formulário, os provadores anotam as notas, numa escala de 0 a 100, para propriedades como corpo, sabor, doçura e grau de acidez de cada uma das amostras. Obrigatoriamente, na primeira etapa eliminatória, a do Júri Nacional, a nota de corte é de 80 pontos. Já na segunda fase, Internacional, a nota de corte deve ser igual ou superior a 80.
Esta metodologia foi introduzida no Brasil a partir de 1997, através do Projeto Café Gourmet da OIC – Organização Internacional do Café e da OMC – Organização Mundial do Comércio. De acordo com Sílvio Leite, ela é a ideal para se avaliar a faixa de cafés finos.
“Por meio dela podemos discernir sabores como achocolatado, amendoado ou caramelado. Além disso, os cafés também são provados com ponto de torra muito específico e em temperaturas diferentes porque, por exemplo, quando fica de morno para frio, algumas reações acontecem naquela xícara, como o grau de doçura. Se ele mantém a doçura, sem amargor ou adstringência, significa que este café não tem grãos verdes ou imaturos. São com essas percepções que trabalhamos”.
Eduardo Buitron
Tempo de Comunicação
E-mail: tempocom@uol.com.br

Fonte: Brazil Specialty Coffee Association

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A Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais – Epamig, vinculada à Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), realiza na próxima sexta-feira, 11/11/05, a 2ª Reunião Técnica da Banana e o Dia de Campo: Variedades de bananeiras resistentes a doenças, no Centro Regional do Norte de Minas (CTNM), em Nova Porteirinha.
O encontro, que tem como público-alvo produtores, engenheiros agrônomos e técnicos agrícolas da região, vai destacar os métodos para controle e combate da Sigatoka, doença que atinge a fruta antes da colheita.
A região Norte é a maior produtora de banana prata de Minas Gerais. O evento faz parte da programação do Consórcio Jaíba, um dos projetos estruturadores do Governo de Minas, do qual a Epamig é integrante.
As inscrições para a Reunião Técnica da Banana e o Dia de Campo são gratuitas e devem ser feitas no local, no dia do evento. Na oportunidade, a Epamig vai lançar a edição 228, da revista Informe Agropecuário, que tem o tema Doenças pós-colheita de frutas.
Rose de Oliveira
Ascom Epamig
E-mail: comunicacao@epamig.br

Fonte: Epamig

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O senador americano Javier Souto entregou, na última segunda-feira (7/11/05), nos EUA, a chave da cidade de Miami à Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), pelo empenho no projeto que visa liberar a exportação de genética e de carne zebuína para aquele país, para o México e América Central. Através do Brazilian Cattle Genetics, a ABCZ está trabalhando num projeto de exportação que propõe transformar Miami na porta de entrada para os principais produtos oriundos do gado zebu.
“A ABCZ certificará o material genético e a carne zebuína brasileira, que será processada em frigoríficos nacionais. A Flórida tem estrutura e logística ideal para receber nossos produtos”, disse Gérson Simão, gerente de Relações Internacionais da ABCZ, que recebeu, juntamente com o seu assessor Jorge Dias, a chave da cidade de Miami – ambos representaram o presidente Orestes Prata Tibery Júnior.
Segundo Gérson Simão, o senador Javier Souto é um grande entusiasta da iniciativa por entender que Miami será bastante beneficiada com o projeto. Além da chave, Simão e Dias receberam a medalha de reconhecimento e o diploma de visitante especial de Miami.

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Pesquisadores da Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna, SP) estão elaborando mapas de distribuição geográfica de doenças e pragas do café em cenários futuros resultantes do aquecimento climático global.
Com dados dos últimos 30 anos, usando um modelo de simulação, foram obtidos mapas para o cenário atual, e estes foram comparados com os mapas projetados para os cenários futuros, em uma visão mais otimista e outro em visão mais pessimista e foi constatado que haverá uma maior incidência de bicho-mineiro-do-cafeeiro, pois quanto mais a atmosfera está aquecida mais aumenta a geração dessa praga.
Raquel Ghini, pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente responsável pela pesquisa, esclarece que a idéia é trabalhar com outras doenças do café e também com outras culturas importantes para exportação. Será possível também elaborar estratégias para a agricultura se proteger das pragas que podem se manifestar daqui a alguns anos. Pode-se simular cenários e estudar as estratégias mais eficientes.
Doenças que hoje não são consideradas importantes podem se desenvolver em outras condições climáticas e, sabendo com antecedência, a Embrapa pode desenvolver variedades resistentes e outros métodos de controle. O mesmo trabalho foi realizado com nematóides do cafeeiro e os mapas obtidos também evidenciaram que poderá haver aumento da doença causada por esses microrganismos.
Em outro projeto de pesquisa, que também tem por finalidade estudar os efeitos das mudanças climáticas globais sobre as doenças de plantas, foram construídas estufas de topo aberto para injeção de CO2 para simular alterações atmosféricas e seus efeitos na ocorrência de doenças. Com isso, serão avaliados parâmetros epidemiológicos, o ciclo e a ocorrência das doenças, como oídio da soja, brusone do arroz, ferrugem do cafeeiro e do feijoeiro.
Cristina Tordin
Embrapa Meio Ambiente

Fonte: Embrapa Meio Ambiente

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Mais de 25 mil toneladas de carne suína encontram-se retidas nos portos de Paranaguá e Itajaí, em função da paralisação dos fiscais de controle sanitário. A situação preocupa toda a cadeia produtiva da carne suína já que o principal importador do produto brasileiro, a Rússia, suspende operações a partir do dia 20 de novembro de 2005, em função do início do inverno local.
O Presidente da Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS), Rubens Valentini, solicitou hoje ao Ministro Interino da Agricultura, Luís Carlos Guedes Pinto, que seja providenciado um substituto legal para os Certificados Sanitários Para Exportação. “Com o bloqueio dos portos russos, que congelam a partir do final deste mês e somente voltam a trabalhar a partir de março do próximo ano, a retenção das exportações vai comprometer o setor de forma dramática”, antevê Rubens Valentini.
O Presidente da ABCS ressalta que esses problemas ocorrem exatamente no momento em que a imagem das carnes brasileiras atravessam seu momento mais delicado no mercado externo.
Valentini acredita que o Brasil precisa produzir notícias boas no mercado internacional. Ele alerta para o fato de que os principais concorrentes vão saber utilizar plenamente esse tipo de informação negativa, na medida em que o Brasil se consolida como o principal fornecedor de proteína animal do planeta.
Em contato com a ABCS, o Deputado Odacir Zonta (PP-SC) acredita que o movimento grevista poderá ser suspenso ainda hoje [10/11/05], caso o Ministério do Planejamento concorde com os termos da proposta acordados entre os fiscais e o Ministério da Agricultura. Zona espera uma resposta do Ministro Paulo Bernardo, do Planejamento, para o final do dia de hoje ainda.

Fonte: CNA

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A K9 Tecnologia, entidade credenciada pelo Ministério da Agricultura – MAPA, realiza o rastreamento e a certificação de origem do seu rebanho. Conheça nosso software e veja os benefícios que você, produtor, pode obter. Entre em contato conosco.

Contato
Eber Constantinov

E-mail
eberk9@riser.com.br

Telefone
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Responsável pela Informação
Eber Constantinov

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