Se Deus é brasileiro, como afirma o folclore nacional, sua cidade natal deve ser Petrolina. Essa, ao menos, é a crença de Arnaldo Eijsink, que comanda no Brasil as operações de agronegócios do Carrefour, rede francesa de supermercados com muitas unidades no país. A natureza fez dessa cidade, situada no pobre Nordeste brasileiro, uma estufa a céu aberto, com sol constante, solo fértil e baixa umidade – uma barreira natural contra doenças.
“A liberalização plena elevaria a renda real líquida das atividades agrícolas em 46%, segundo o Banco Mundial”
Após a chegada da irrigação, com água do rio São Francisco, na década de 80, Petrolina converteu-se em prodígio de horticultura. Uvas maturam em 120 dias, em comparação com 180 no resto do mundo, o que permite duas colheitas por ano. Aspargos são colhidos com o dobro da freqüência usual em climas temperados.
Outros brasileiros podem discordar de Eijsink, mas apenas para afirmar que suas próprias regiões é que são paraísos agrícolas. São Paulo, no Sudeste, produz açúcar e suco de laranja mais baratos do mundo. Os infindáveis cerrados do Centro-Oeste são ideais para o cultivo de soja, de longe a maior commodity agrícola brasileira.
O Brasil é o maior exportador mundial de carne bovina, café, suco de laranja e açúcar, e se aproxima rapidamente dos líderes em soja, carne de aves e de porco. Diferentemente do que ocorre com os concorrentes, as terras não estão escasseando no Brasil. A agricultura ocupa atualmente 60 milhões de hectares. A atividade poderia estender-se por outros 90 milhões de hectares sem tocar a floresta amazônica, diz Silvio Crestana, diretor da Embrapa, o principal instituto de pesquisa agrícola do país.
Se os países ricos repentinamente demolissem as barreiras comerciais e zerassem os subsídios, as atividades agrícolas brasileiras entrariam em marcha acelerada. Uma liberalização plena elevaria o valor real da produção agrícola e alimentícia em 34% e a renda real líquida das atividades agrícolas em 46%, segundo cálculos do Banco Mundial. Num cenário mais realista, a renda brasileira cresceria US$ 3,6 bilhões por ano.
Daí a grande importância da Rodada Doha de conversações multilaterais de comércio. Os brasileiros temem que o resultado de Rodada seja chover no molhado – aprovação de reduções nas tarifas máximas que soem bombásticas, mas sem reduzir em muito as efetivamente aplicadas. “Uma redução de 50% pode significar nada”, diz Marcos Jank, do Icone, instituto de pesquisas e planejamento pró-liberalização do comércio.
Nesse momento, os agricultores brasileiros sentem-se mais amaldiçoados do que abençoados. O início da década de 2000 foi de anos milagrosos, com preços internacionais aquecidos para diversas das principais commodities e um câmbio competitivo, o que deu um empurrão extra nas exportações. Mas os preços recuaram e, o que foi mais prejudicial, o real registrou forte valorização frente ao dólar.
A seca abateu-se sobre o Sul do país durante a mais recente temporada de plantio. O valor da produção agrícola (não incluindo a pecuária) deverá cair 16%, para R$ 80 bilhões (US$ 35 bilhões), em 2005. As exportações de carne bovina foram atingidas por um surto de febre aftosa. Os juros reais, no Brasil, são os mais altos do mundo, e o sistema de transporte de commodities é digno de um país atrasado do Terceiro Mundo, não de uma superpotência agrícola.
No curto prazo, a produção provavelmente crescerá lentamente, se é que crescerá. A Agroconsult, uma firma de consultoria, prevê “forte redução” na extensão de terras a serem plantadas com algodão, arroz e, pela primeira vez em seis anos, soja. Em junho, 20 mil proprietários rurais e 3 mil tratores foram a Brasília exigir ajuda financeira do governo.
A vocação agrícola brasileira sobreviverá à crise. O país ampliou suas riquezas naturais com décadas de investimentos em pesquisa e desenvolvimento, criando a “primeira agricultura tropical competitiva” do mundo, nas palavras de José Roberto Mendonça de Barros, diretor da MB Associados. O crescente apetite chinês por produtos do agronegócio brasileiro, aguçado pela urbanização, parece tão inevitável quanto a ascensão chinesa ao status de superpotência.
Entretanto, o ritmo do desenvolvimento brasileiro é incerto. Ele será determinado, em parte, por três fatores: câmbio, juros e crescimento econômico. O empenho de produtores e do governo em enfrentar os déficits de transportes e gerenciamento desempenharão um grande papel. Alguns tipos de pequenas propriedades agrícolas ficarão para trás. Outros obstáculos estão no mundo rico, cujos subsídios e barreiras comerciais prejudicam as exportações brasileiras.
No Brasil, um debate sobre o que conceder em troca da liberalização do comércio agrícola reacendeu a velha suspeita de que a exportação de commodities é uma atividade de segunda categoria para um país ambicioso. Livre comércio agrícola, tudo bem, dizem, mas não às custas do setor industrial. Ao discutir o agribusiness, os brasileiros buscam definir que tipo de país o Brasil deveria ser.
A agricultura é a Cinderela da economia brasileira. À época dos governos militares, os ditadores brasileiros acreditavam que o desenvolvimento industrial seria a marca de um país avançado, e até o final da década de 80 exploraram a agricultura para proporcionar recursos à indústria e oferecer alimentos baratos às massas urbanas. Exportações e preços eram controlados. Os plantadores de algodão, por exemplo, eram sujeitos a cotas de exportação, o que os obrigava a fornecer o produto a preços baixos ao setor têxtil. O governo compensava parcialmente tais restrições assegurando preços mínimos. Na década de 90, os subsídios diminuíram e as restrições foram abolidas. Ao mesmo tempo, o Brasil reduziu as tarifas sobre insumos importados, o que melhorou os termos de troca para a agricultura.
Investidores estrangeiros, alguns dos quais ausentes há algum tempo do Brasil, aproveitaram a oportunidade. Tradings como Cargill, Bunge e Archer Daniels Midland trouxeram financiamento relativamente barato, infra-estrutura e vínculos internacionais para o setor da soja e de outros grãos. Multinacionais como a francesa Danone e a suíça Nestlé, abocanharam a distribuição de leite e outros laticínios. Em 1997, o governo eliminou os impostos sobre as exportações de commodities, o que reduziu os custos entre 10% e 20%, no que “talvez tenha sido o maior estímulo à agricultura no Brasil”, diz Sergio Barroso, presidente da Cargill do Brasil. Uma forte desvalorização do real em 1999 deu outro impulso favorável.
Isso coincidiu com uma migração épica, que começou no fim da década de 70: do Sul, tradicional celeiro do país, para o Centro-Oeste. O movimento migratório ainda não cessou.
As grandes empresas estão seguindo a trilha dos pioneiros. A Brascan, companhia brasileiro-canadense, está transferindo sua produção de carne bovina de São Paulo, onde os custos são altos, para o Mato Grosso. A Sadia, maior processadora de carne de aves, está concentrando a nova produção na mesma região. O atrativo, diz Luiz Murat, diretor financeiro da companhia, é “o mais baixo custo (de produção) de grãos no mundo”.
Isso foi inegavelmente benéfico para a economia brasileira. A participação da agricultura no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro é de 8,8%, não maior do que em economias comparáveis, salienta relatório da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). A conquista do cerrado resulta de avanços revolucionários, como a invenção de variedades de soja que se desenvolvem em condições tropicais.
No setor canavieiro, um programa da década de 70 visando produzir álcool combustível para os automóveis a partir da cana-de-açúcar, em substituição à gasolina, somou-se à criatividade técnica brasileira, do que resultou a criação de um núcleo de alta tecnologia no Estado de São Paulo. Além de produzir açúcar e álcool aos mais baixos custos no mundo, o governo federal desenvolve novas iniciativas de aproveitamento da cana, que baixam ainda mais os custos e ampliam a linha de produtos.
No topo da cadeia canavieira estão os automóveis híbridos, veículos capazes de promover a combustão de álcool e gasolina em quaisquer proporções, que já representam quase dois terços dos carros vendidos no Brasil.
Padrões de sofisticação nórdica convivem com infra-estrutura decrépita, cumprimento errático da lei e práticas sanitárias relapsas, que mais lembram o Terceiro Mundo.
Um lembrete disso, e um choque para os brasileiros, foi quando em outubro irrompeu um surto de febre aftosa no Mato Grosso do Sul, o que levou alguns dos principais importadores da carne bovina brasileira a suspender parcialmente as importações, comprometendo o que se anunciava como um ano recorde para as exportações. Os pecuaristas logo atribuíram a culpa ao vizinho Paraguai, de onde pode ter vindo o gado infectado, e ao governo, que reduziu a alocação de recursos para fiscalização da saúde animal. Mas parte da culpa, aparentemente, é dos próprios criadores, alguns dos quais ignoraram parte da regulamentação que exige a vacinação de seus rebanhos.
Os pecuaristas são tradicionalmente uma “raça teimosa”, com pouca paciência para respeitar o comportamento exigido pela legislação. A atividade pecuarista é um caso notório, mas não se trata de um exemplo isolado. Os agricultores brasileiros, campeões mundiais no cultivo de soja, desrespeitaram repetidamente contratos de venda de grãos assinados com tradings quando tiveram oportunidade de negociar preços melhores com outros compradores. Instituições frágeis e contratos pouco confiáveis constituem “o mais importante problema para o setor agrícola”, afirma Decio Zylbersztajn, economista da USP.
Se essa é a principal dificuldade, um segundo, e não muito menor problema, é a frágil infra-estrutura, que prejudica as vantagens em custo da terra e de mão-de-obra. Apenas 10% das estradas do país são pavimentadas, em comparação com 29% na Argentina, segundo relatório da OCDE. O Brasil negligenciou suas ferrovias, meio mais sensato do que as rodovias para o transporte de grãos. Os rios navegáveis não atravessam o coração do país. O avanço da agricultura para o cerrado tem sido uma marcha para longe dos consumidores. Apesar da maior escala das propriedades rurais no Centro-Oeste, seu ponto de equilíbrio entre despesas e receitas é 12% mais alto do que nas fazendas da região sul, estima Fernando Pimentel, da AgroSecurity, uma firma de consultoria, devido, em larga medida, aos custos de transporte mais elevados. É também do Centro-Oeste que a pecuária e a agricultura avançam sobre a floresta amazônica, sendo essa a mais séria ameaça à imagem do Brasil no exterior.
O Brasil está atacando esses problemas, mas de maneira errática. Os consumidores, tanto estrangeiros como brasileiros, estão domando a indisciplina agrária. Os estrangeiros impõem suas exigências através das empresas que interligam os produtores rurais brasileiros com redes varejistas que operam em países importadores. No caso da soja, os vínculos vitais são das grandes tradings estrangeiras com algumas empresas brasileiras, como a Incopa. Nos mercados de carne de aves e de porco, multinacionais brasileiras como Sadia e Perdigão dão orientação sobre rações animais e cuidados veterinários, entre outros aspectos, a milhares de pequenos criadores, assumindo depois o abate, a embalagem e o embarque do produto final, freqüentemente sob suas próprias marcas.
As exigências para exportar, investir em tecnologia e em segurança alimentar, e para levantar financiamento externo, estão incentivando o surgimento de grandes companhias, suficientemente transparentes para se submeter à fiscalização do público consumidor, e fortes o bastante para assumir o controle de concorrentes.
Os abatedouros de gado estão voltando. Uma década atrás, a Sadia saiu desse mercado porque não tinha condições de competir com empresas que fugiam ao recolhimento de impostos. Depois de um crescimento de 100% nas exportações de carne bovina nos últimos cinco anos, os abatedouros estão buscando respeitabilidade e escala, tendência que acelerará depois do susto com o surto da febre aftosa. Mais de 20 abatedouros de médio e grande porte foram vendidos ou alugados no ano passado, diz Marcus Vinícius Pratini de Moraes, presidente da associação de exportadores de carne bovina do Brasil. Entre os compradores está a Friboi, que adquiriu as operações da Swift Armour na Argentina. A Sadia voltou ao mercado.
Investidores estrangeiros estão começando a buscar novas oportunidades no agronegócio brasileiro. Segundo a Conferência sobre Comércio e Desenvolvimento da ONU, estão prestes a ser injetados no setor alcooleiro US$ 3 bilhões na forma de investimentos estrangeiros e nacionais. Outro alvo é o processamento de carne bovina.
Será que a rodada Doha reduzirá as barreiras o suficiente para gerar novos fluxos comerciais? A recente proposta americana, agressiva quanto a tarifas e subsídios a exportações, porém tímida quanto a subsídios domésticos, criaria mais comércio do que a posição da UE, que tende para a redução dos subsídios domésticos, mas quer impedir um maior acesso a mercados.
Mas o Brasil tem suas próprias resistências em relação às negociações e concessões que tem pela frente. As conversações de comércio também colocaram interesses industriais centrados em São Paulo e Manaus, base do setor eletrônico, contra o centro agrário, que está ” ganhando peso político ” , diz Marcelo de Paiva Abreu, um economista da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. O livre comércio deverá ter impactos desfavoráveis em alguns setores. Mas o sol, o solo e a água – e a aplicação de conhecimento científico -, deverão assegurar o sucesso da agricultura brasileira.
(Tradução de Sergio Blum)
The Economist

Fonte: Valor Econômico

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Durante três dias especialistas, agricultores, extensionistas, professores e estudantes de diversos países e estados brasileiros, participarão dos debates sobre o desenvolvimento local – valorizando saberes e reconhecendo direitos, durante o VI Seminário Internacional sobre Agroecologia e o VII Seminário Estadual sobre Agroecologia.
Os eventos acontecem nos dias 16, 17 e 18 de novembro, no auditório Dante Barone, na Assembléia Legislativa, em Porto Alegre. Este ano as vagas são limitadas e as inscrições podem ser feitas gratuitamente pelo site www.emater.tche.br.
O evento contará com o apoio da Secretaria Especial Interlegis, do Senado Federal, para a transmissão do Seminário, via videoconferência, em rede nacional, nos três dias, das 9h às 12h e das 14h às 18h, aos demais Legislativos Estaduais, o Senado Federal e à Câmara dos deputados. O Seminário poderá ser assistido, ainda, por meio do sistema de videostreaming (link disponibilizado no portal Interlegis), através do Site www.Interlegis.gov.br.
Os Seminários vão discutir formas de contribuição para o processo de produção de estilos de agricultura de base ecológica e estratégias de desenvolvimento rural, tendo como referência a sustentabilidade e suas múltiplas relações com a preservação de recursos naturais. A questão será abordada em 16 palestras desenvolvidas a partir de seis eixos temáticos: o desenvolvimento e meio ambiente; a alimentação adequada como direito planetário; o saber local como patrimônio da humanidade; a tecnologia social e manejo de agroecossistemas sustentáveis; a comunicação como ferramenta do empoderamento; e o desenvolvimento e a ecologia. Também consta da programação, a apresentação de algumas experiências agroecológicas desenvolvidas no Brasil.
Entre os palestrantes estão a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, o representante do Brasil na ONU para questões de segurança alimentar, Flávio Valente; o representante do Consea, Francisco de Menezes; da Universidade Federal da Bahia, Nancy Mangabeira Unger; o professor da Universidad Autónoma de Chapingo, no México, Carlos Guadarrama Zugasti; a professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Ilza Tourinho Girardi, representante do Ministério Público, Juliana Santilli; do Instituto de Ganadería Tropical, de Cuba, Fernando Funes Aguilar; o jornalista, Marcelo Canellas, e Gustavo Cimadevilla, da Universidad Nacional de Río Cuarto, na Argentina. Frei Betto encerrará o evento.
Os eventos sobre Agroecologia são uma realização conjunta da Emater/RS-Ascar, da Embrapa Clima Temperado, da Assembléia Legislativa, do Ministério do Desenvolvimento Agrário e do Governo do Estado do RS, sendo promovido por várias entidades e instituições de Ensino, Pesquisa e Extensão Rural. Conta ainda com o apoio de diversas organizações da esfera governamental e não governamental, entre as quais destaca-se a Associação Brasileira de Agroecologia (ABA-Agroecologia).
Programação
Dia 16/11 – Quarta-feira
Pronunciamentos de abertura 
9h – Abertura oficial
Antecedentes e fundamentos 
10h – Agroecologia e desenvolvimento local 
Representante da EMATER/RS-ASCAR
Tema A – Desenvolvimento e meio ambiente
10h30min – Desenvolvimento local: valorizando saberes e reconhecendo direitos 
Palestrante: Marina Silva (Ministério do Meio Ambiente – DF)
12h – Debate
12h30min – Intervalo para almoço
Tema B – Alimentação adequada como direito planetário (universal)
14h – A promoção do direito humano à alimentação adequada
Palestrante: Flávio Luiz Schieck Valente (ONU – Brasília, DF)
14h45min – Cultura e regionalidade 
Palestrante: José Jerundino Machado Itaqui (CONDESUS – RS)
15h30min – Debate
16h – Intervalo
16h30min – Alimentação saudável na visão do CONSEA
Palestrante: Francisco Antonio Fonseca de Menezes (CONSEA – Brasília, DF)
17h15min – Experiência agroecológica sistematizada 1 
Palestrante: Representante da entidade executora
18h – Debate
18h30min – Atividade cultural
19h – Encerramento das atividades do dia
Dia 17/11 – Quinta-feira
Tema C – Saber local como patrimônio da humanidade
8h – O segredo da catingueira: saber popular em tempos de crise
Palestrantes: Nancy Mangabeira Unger (UFBA – BA)
8h45min – Saber local versus saber acadêmico
Palestrante: José Maria Wiest (UFRGS – RS)
9h30min – Debate
10h – Intervalo
10h30min – Instrumentos jurídicos de proteção à agrobiodiversidade e aos conhecimentos tradicionais associados
Palestrante: Juliana Santilli (Ministério Público – DF)
11h15min – Experiência agroecológica sistematizada 2 
Palestrante: Representante da entidade executora
12h – Debate
12h30min – Intervalo para almoço
Tema D – Tecnologia social e manejo de agroecossistemas sustentáveis
14h – Impacto ambiental e sustentabilidade da produção de café no México: um enfoque desde o tipo de agricultor
Palestrante: Carlos Guadarrama Zugasti (Universidad Autónoma de Chapingo – México)
14h45min – A experiência internacional no cultivo de árvores: uma receita para a insustentabilidade
Palestrante: Ana Filippini (WRM – Uruguay)
15h30min – Debate
16h – Intervalo
16h30min – O modelo PEDS como tecnologia social na gestão de bacias hidrográficas para o desenvolvimento rural sustentável
Palestrante: Daniel José da Silva (UFSC – SC)
17h15min – A integração agropecuária nos sistemas agroecológicos
Palestrante: Fernando Funes Aguilar (Instituto de Ganadería Tropical – Cuba)
18h – Debate
18h30min – Atividade cultural
19h – Encerramento das atividades do dia
Dia 18/11 – Sexta-feira
Tema E – Comunicação como ferramenta do empoderamento
8h – Comunicação e meio ambiente: quando a informação não basta, o saber local é a diferença 
Palestrante: Gustavo Ramón Cimadevilla (Universidad Nacional de Río Cuarto – Argentina) 
8h45min – Programa de capacitação em Agroecologia na EMATER Pará 
Palestrante: Gilberta Carneiro Souto
9h30min – Debate
10h – Intervalo
10h30min – Mais alimentos para o mundo: estratégias discursivas da propaganda para assujeitar o agricultor ecologista ao discurso produtivista
Palestrante: Ilza Maria Tourinho Girardi (UFRGS – RS)
11h15min – Informação e cidadania
Palestrante: Marcelo Canellas (Rede Globo – DF)
12h – Debate
12h30min – Intervalo para almoço
Tema F – Desenvolvimento e ecologia
14h – Ética, ecologia e cidadania
Palestrante: Frei Betto (São Paulo – SP)
15h – Debate
15h30min – Mística Procedimentos finais
15h45min – Plenária para elaboração, discussão e aprovação de propostas
16h30min – Pronunciamentos finais: representantes da Comissão Organizadora
16h45min – Encerramento
Assessoria de Imprensa da Emater/RS 
Michelle Pereira e Raquel Aguiar 
E-mail: imprensa@emater.tche.br

Fonte: Emater RS

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Durante a semana do dia 14 a 20 de novembro de 2005, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – Administração Regional de Mato Grosso do Sul (SENAR-AR/MS) oferece três cursos profissionalizantes para os trabalhadores rurais. Os municípios que terão acesso aos cursos de Formação Profissional Rural são: Coxim, São Gabriel do Oeste e Terenos.
Do dia 16 a 18 de novembro em Coxim, o SENAR-AR/MS disponibiliza para os trabalhadores o curso de Instalação de Cerca Elétrica, no qual o aluno irá conhecer e entender como é feita a instalação dessa cerca. Constata a eficiência e as vantagens quando comparada com a do tipo convencional.
No programa do curso são abordados ainda: importância da cerca elétrica, os tipos de cercas elétricas, características básicas dos equipamentos e acessórios, execução do projeto, localização e instalação do eletrificador e outros. Os alunos participarão de exercícios práticos e teóricos.
Já do dia 16 a 20 de novembro em São Gabriel do Oeste, será oferecido o curso de Administração da Pequena Empresa Rural, no qual o participante visa à construção de conhecimentos na área de gestão das pequenas propriedades rurais.
Por meio de aulas teóricas e práticas, o aluno aprenderá como administrar uma empresa rural, funções da administração, sistema e planejamento administrativos, análise e avaliação da empresa, levantamento de dados e outros, para formação de profissionais.
E também do dia 17 a 19 de novembro em Terenos, será realizado o curso de Operação e Manutenção de Motosserra com o objetivo de conhecer e aplicar as técnicas adequadas na operação e manutenção. Os alunos aprenderão a reservação ambiental, motores, técnicas de cortes e outros. O participante participará de aulas teóricas e práticas.
Para mais informações sobre esses eventos entre em contato com o Sindicato Rural de Coxim (67) 3291-1453, de São Gabriel do Oeste (67) 3295-1663, Terenos (67) 3246-7854, ou acesse o portal do SENAR-AR/MS (www.senarms.org.br).
Tatiane N. Pereira
SENAR-AR/MS
E-mail: imprensa@senarms.org.br

Fonte: SENAR-AR/MS

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A Caramuru Alimentos, que processa anualmente 1 milhão de toneladas de soja, com exportações para a Europa fortemente centradas no farelo da oleaginosa, deverá pagar pela primeira vez aos agricultores na safra 2005/06 um prêmio pelo grão não-transgênico, numa estratégica de se firmar nos mercados interno e externo como uma empresa que esmaga apenas o produto convencional, disse à Reuters o vice-presidente do grupo brasileiro.
“Estamos estruturando a comercialização de venda e compra da próxima safra, e pela primeira vez haverá um prêmio ao produtor de não-transgênico,” disse o vice-presidente César Borges de Souza, em entrevista por telefone. Segundo ele, antes da lei que regulamentou o plantio de soja transgênica no Brasil, no início deste ano, não havia como pagar um prêmio pelo grão convencional.
“Como liberou, sentimos a necessidade de definir isso na época de plantio. Percebemos que agora haverá aumento de plantio de transgênico e precisa mos marcar posição”. De acordo com o vice-presidente da Caramuru, o valor do prêmio ainda não foi definido, mas deverá ser fechado por antecipação com os sojicultores.
“Estamos trabalhando um nível de prêmio suficiente para poder repassar uma parte para os produtores,” acrescentou, lembrando que antes da regulamentação era “confuso” estabelecer diferenças entre o convencional e o transgênico e que “os prêmios obtidos lá fora eram bastante pequenos”. Antes da lei, a soja modificada era plantada de forma clandestina em algumas regiões do Brasil, com sementes contrabandeadas, principalmente no Rio Grande do Sul.
O industrial salientou que o processamento da Caramuru em 2005, que atingirá um volume semelhante ao de 2004, é feito “totalmente com soja não-transgênica”. Isso só é possível porque a originação de soja do grupo é feita principalmente em Goiás, onde estão localizadas as fábricas da Caramuru, em Itumbiara e São Simão.
Segundo a Faeg (Federação da Agricultura do Estado de Goiás), 90 por cento das 7 milhões de toneladas de soja colhidas no Estado em 04/05 foi convencional.
Questionado se os prêmios pagos por uma grande empresa como a Caramuru, dona da marca de óleo Sinhá, a quarta mais vendida no país (atrás apenas de outras produzidas por multinacionais), poderiam significar uma tendência no Brasil de agregar valor aos produtos convencionais, Souza disse que ainda é “prematuro falar, estamos em momento de transição”.
Segundo ele, o fortalecimento do plantio de soja convencional no país dependerá muito dos mercados. Ele salientou que há alguns “novos” destinos para o produto não-transgênico, como a Rússia e a Austrália. Mas disse que os grandes compradores são os europeus (Inglaterra, Alemanha, França, Noruega, Dinamarca, Suécia, Suíça, Itália).
Do total exportado pela Caramuru, a maior parte vai para a Europa, 65 por cento na forma de farelo e 35 por cento em grão.
Nessa ofensiva em busca de maiores ganho s, ele disse que vai trabalhar principalmente o prêmio pelo farelo. Declarou também que um “bom prêmio” já é pago pela lecitina e que já há “perspectivas” para o óleo.
Valor estipulado
Segundo o presidente da Faeg, Marcel Caixeta, “o prêmio pela soja convencional deveria ser entre 1 e 1,5 dólar por saca, pelo menos,” pois o grão não-transgênico exige mais cuidados. Caixeta disse que a Caramuru ainda não entrou em contato com a federação, mas o mercado é comprador do produto. “Recebemos missões da França, Itália, Grécia e Espanha”.
Ele acrescentou ainda que os prêmios poderiam ajudar o produtor em um momento em que os preços internacionais estão mais baixos e o dólar em queda reduz os lucros.

Fonte: Reuters

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A fim de facilitar o escoamento das exportações, o BNDES pretende acabar com as filas de até 80 quilômetros de extensão, formadas por milhares de caminhões à espera de acesso aos portos.
O banco está com “a carteira aberta” para financiar os chamados “estacionamentos reguladores de fluxo dos portos”. Serão grandes áreas onde os caminhões podem fazer paradas e, de posse de uma senha, aguardar a entrada nos portos.
Além de resolver transtornos em rodovias, o projeto geraria um mercado volumoso, pois caminhoneiros aproveitariam a parada para reabastecer, fazer pequenos reparos, comer e descansar.
Esse tipo de estacionamento logístico, regulador do fluxo, de acordo com o chefe do Departamento de Transporte e Logística do BNDES, Rômulo Martins, é inédito do país. O banco já tem estudos para um projeto em Santos.
“A BR, da Petrobras, é “doida” para participar de um projeto desse. Em Santos, cerca de 7.000 caminhões ficam em média um dia esperando para entrar no porto. Imagine a receita gerada por um comércio como esse.”
Financiamentos para esses estacionamentos, previstos no orçamento da área de logística, são considerados prioritários pelo BNDES. Os operadores dos projetos deverão ser privados, escolhidos por meio de licitação.
Além de investimentos para evitar gargalos terrestres, Martins diz que os portos precisam resolver entraves marítimos, por meio da realização de dragagens.

Fonte: Folha de São Paulo

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A União Européia (UE) sinaliza que a abertura de sua agricultura pode representar a liberalização de seu mercado para a importação extra de 600 mil toneladas de carne do mundo. O Estado apurou que a proposta foi feita ontem [12/11/05] pelo comissário de Comércio da UE, Peter Mandelson, em reunião fechada com o chanceler brasileiro, Celso Amorim, na embaixada do Brasil, em Roma. Foi uma tentativa para desbloquear as negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC).
Apesar da proposta, os impasses não foram superados. Os europeus ainda querem que o Brasil libere os setores automotivo e de máquinas.
O Brasil, um dos exportadores mais competitivos de carne no mundo, teria o potencial de conquistar grande parte dessa abertura prometida pelos europeus relativos às 600 mil toneladas de carne. O Itamaraty, durante a reunião de ontem [12/11/05], questionou se os cortes tarifários de fato gerariam tal abertura.
Depois de uma semana de troca de farpas, acusações mútuas e muita irritação, os governos do Brasil e da UE passaram também a negociar as possibilidades de abertura dos mercados agrícolas e de produtos industriais.
Amorim deixou claro que os europeus ainda têm muito o que esclarecer sobre suas ofertas e posição. “Muitos pontos técnicos ainda precisam ser elucidados”, afirmou.
Brasil e UE estão sendo os responsáveis pelo principal impasse nas negociações da OMC. De um lado, os brasileiros exigem maiores aberturas do mercado europeu aos produtos agrícolas. Já Bruxelas insiste que não pode oferecer mais e, em troca, quer amplas liberalizações por parte dos mercados emergentes nos setores industrial e de serviços.
Diante do impasse, a reunião ministerial da entidade, marcada para dezembro em Hong Kong, pode não atingir os objetivos de fechar um acordo sobre o ritmo de abertura dos mercados. Tanto Amorim como Mandelson já reconheceram que isso não será possível. “Continuo acreditando que precisamos de uma Hong Kong 2”, afirmou Amorim. Ele se refere a uma eventual nova reunião ministerial em 2006 para concluir o trabalho que deveria ter sido fechado em Hong Kong.
Ontem [12/11/05], Mandelson pelo menos reconheceu que o Brasil mostrou novas idéias sobre a abertura de seu mercado para produtos industriais. Nos últimos dias, o País indicou que poderia aceitar um corte de tarifas de 50% se os europeus estivessem de acordo com uma redução de 54% nas tarifas para produtos agrícolas. Os europeus aceitam cortes de 39%.
Mas durante as reuniões em Genebra, Mandelson sequer admitiu que o Brasil teria sinalizado a abertura. Agora, mudou de discurso. “Discutimos tarifas para produtos industriais. Não houve uma oferta de fato por parte do Brasil como fizemos em agricultura, mas posso confirmar que exploramos as idéias e parâmetros apresentados”, afirmou Mandelson.
“Não definiria essa reunião de hoje (ontem – 12/11/05) como uma mudança ou uma superação do impasse, mas como um melhor entendimento do que um outro governo pensa sobre a negociação e quais são os limites de cada um”, disse Mandelson.
Segundo ele, não houve avanços, mas um “desenvolvimento no intercâmbio de idéias”. Para Amorim, as divergências ainda prosseguem. “Brasil não quer reduzir o nível de ambição da rodada de negociações.”
De acordo com Amorim, o debate de ontem [12/11/05] ficou em torno do que cada proposta significa em termos de ganhos ou prejuízos para os setores industriais e agrícolas. “Aprofundamos o debate sobre os números propostos para os cortes.”
“Ninguém sabe qual o cálculo que os europeus usaram para chegar a esse número (600 mil toneladas de carne) e indicaram que isso será esclarecido numa próxima reunião”, afirmou Clodoaldo Hugueney, embaixador do Brasil na OMC.
Hoje, o Brasil tem o direito de exportar 150 mil toneladas de carne por ano aos europeus. Bruxelas lembrou que produtores de carne da Irlanda têm protestado contra a possibilidade de maior abertura do mercado europeu de carnes. Jamil Chade

Fonte: O Estado de São Paulo

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Nas últimas semanas, além das dores de cabeça internas, surgiram outras. Algumas inesperadas, como a confirmação de inúmeros focos da febre aftosa no Mato Grosso do Sul, que deixaram a Argentina em estado de alerta. E de revolta.
– Não dá para confiar. Soubemos da existência da febre aftosa no Mato Grosso do Sul através da Europa. Como é que pode algo assim? – reclama um assessor da área de agricultura do governo argentino.
O funcionário referia-se a um aviso emitido pela OIE, organismo internacional responsável pelo controle das enfermidades animais.
– Que integração é essa? – indigna-se.
Há três anos, a Argentina também negou, o quanto pode, a existência de tal doença na sua boiada. Mas o governo era outro, como justificam agora.

Fonte: Jornal do Brasil

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Em queda pelo décimo dia consecutivo, a cotação do dólar nos R$ 2,15 nesta sexta-feira [11/05/05]. A moeda norte-americana era negociada com baixa de 0,27%, a R$ 2,163 na venda, no início da tarde, no menor valor desde abril de 2001. O ingresso de recursos no país, ampliada pelas captações e exportações continua pressionando a divisa dos EUA para baixo. Na opinião de analistas, os juros altos no Brasil favorecem o ingresso destes recursos, pois a taxa básica brasileira está em 19% ao ano, enquanto nos Estados Unidos ficam em 4% ao ano.
O volume de negócios no câmbio nesta sexta-feira, no entanto, está reduzido, segundo analistas. Devido ao feriado nos EUA (Dia do Veterano), não houve negociação com títulos da dívida externa nem o cálculo do risco-país. Na quinta, o dólar experimentou a nona queda seguida, na menor cotação desde 12 de abril de 2001. A moeda norte-americana recuou 0,45% e encerrou os negócios valendo R$ 2,169 na venda. Em nove dias, a queda acumulada é de 5,32%.
Com o custo da moeda mais reduzido, analistas consideram normal a possibilidade de aumentar o volume de compras no mercado. Além disso, com a proximidade do final de semana, o mercado começa a ficar mais cauteloso, por conta do noticiário do final de semana. Os boatos de que o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, teria ameaçado deixar o governo, por causa das críticas da colega da Casa Civil, Dilma Roussef, ampliaram as preocupação entre os investidores nesta sexta-feira, diante da crise política.

Fonte: Correio do Brasil

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