O futuro da mão-de-obra rural no Brasil esbarra num grande obstáculo: a falta de escolaridade. Ao mesmo tempo em que a tecnologia avança no campo, com máquinas e sistemas de plantio e de condução das criações e lavouras cada vez mais sofisticados, a mão-de-obra, dizem especialistas, parece não evoluir com tanta velocidade.

Programas de qualificação da mão-de-obra rural existem, mas eles têm vindo, muitas vezes, acompanhados de cursos alfabetizantes, para que o trabalhador possa absorver os ensinamentos da qualificação.

Prova de que a qualificação é cada vez mais necessária é a mudança de perfil da mão-de-obra contratada no campo a partir de 2002, quando houve uma retomada das contratações, que vinham em linha descendente desde 1996.

Segundo estudo do economista Sérgio Avellar e do agrônomo Pierre Vilela, ambos da Federação de Agricultura de Minas Gerais, o estoque de pessoas ocupadas na agropecuária voltou a crescer, puxado pela diversificação da pauta de exportações e pelo aumento dos preços internacionais das principais commodities agrícolas.

e quot;As novas vagas criadas durante este período diferem profundamente, porém, das vagas geradas no passado e quot;, dizem os pesquisadores. e quot;Agora o nível de exigência tecnológica é maior, requerendo um trabalhador mais qualificado e, conseqüentemente, com nível salarial mais elevado. e quot;

O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), sistema privado de qualificação profissional, já alfabetizou cerca de 300 mil trabalhadores rurais. e quot;São 240 horas de curso à noite, só para alfabetização e quot;, diz o secretário-executivo do Senar, Geraldo Gontijo. e quot;Quando este ciclo se encerra, entramos com os cursos de qualificação de grupos que trabalham com a mesma atividade, com carga horária em torno de 40 horas. e quot;

Globalização

Alfabetização e qualificação andam juntas, diz Gontijo. e quot;Como ensinar um sujeito a operar uma máquina super-sofisticada, se ele é analfabeto? e quot;, questiona, ao acrescentar que, no mundo globalizado, a competitividade também está relacionada à qualidade profissional.

Para a pesquisadora do Instituto de Economia Agrícola (IEA), Maria Carlota Meloni Vicente, a perspectiva futura para o trabalho rural é realmente a de um crescimento da mão-de-obra qualificada, principalmente para operar máquinas. Diante das dificuldades estruturais de educação básica no campo, porém, Maria Carlota comenta que alguns setores em franco crescimento tomam para si a tarefa de qualificar os trabalhadores. e quot;Em São Paulo, por exemplo, as usinas de cana qualificam elas mesmas seus operadores de máquinas. e quot;

Isso porque a expansão dos plantios para o oeste do Estado, onde as operações serão 100% mecanizadas, também está exigindo, e quot;e rápido e quot;, diz Carlota, um trabalhador tecnificado.

Por causa do avanço da mecanização, a massa de trabalhadores rurais no Estado de São Paulo, atualmente em um milhão e 70 mil pessoas, entre proprietários, parceiros e assalariados, deve se manter estável, acredita Carlota. e quot;O número de vagas não deve aumentar e quot;, diz. e quot;Mas a qualificação será essencial. e quot;

Avanço

O presidente da Comissão Nacional de Relações do Trabalho da Confederação de Agricultura ePecuária do Brasil (CNA), Rodolfo Tavares, diz que, em relação à mão-de-obra rural, o que se está observando, basicamente, é um avanço das normas de saúde e segurança no trabalho, contido, entre outras regulamentações, na Norma Regulamentadora 31 (Clique aqui para acessar o arquivo PDF da NR31), que descreve e cria uma regulamentação para utilização do trabalho no meio rural.

Esta norma vem de encontro à própria modernização do setor agrícola. e quot;Com o sucesso do agronegócio e o destaque do setor junto à sociedade brasileira, é natural que se busque uma forma civilizatória de relações de trabalho também no campo. e quot;

O avanço desta norma, segundo Tavares, é que ela enfoca uma série de circusntâncias da prestação de serviço do meio rural que anteriormente não eram precisas ou previstas na legislação em vigor.

Em 256 artigos, ela trata dos mais variados temas, desde habitação, alojamento, aplicação de defensivos, máquinas, ferramentas, ergonomia, e trata também dos serviços de apoio a essas normas, como serviços especializados de saúde e segurança de trabalho rural. e quot;A NR31 tornou, enfim, bem claro qual é o tipo de relação de trabalho rural desejado pela sociedade. e quot;

Essas normas, para Tavares, apontam para o futuro, para atender às necessidades de uma agricultura cada vez mais mecanizada e uma mão-de-obra cada vez mais qualificada. e quot;Isso gerará mais encargos, pois a mão-de-obra barata vai sendo cada vez mais escassa. e quot;

Tavares acrescenta, porém, que o desafio é a velocidade com que essa substituição da mão-de-obra barata pelo trabalhador rural qualificado ocorrerrá. e quot;O trabalhador que não tem qualificação perde seu posto no campo e estará fadado à marginalização na cidade, ampliando as estatísticas de subemprego, sub-habitação no meio urbano e quot;, diz Tavares.

Fonte

Tânia Rabello
Senar MS
E-mail: imprensa@senams.org.br
Internet: http://www.senarms.org.br/

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Os novos empregos gerados pelo campo em Mato Grosso do Sul apresentaram retração de 85% em 2005, conforme revelam os dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Demitidos). São 1.436 novas vagas geradas de janeiro a outubro deste ano (diferença entre os 32.248 admitidos e 30.812 demitidos) contra 9.438 vagas no ano passado. As demissões deste ano representam aumento de 14,5% em relação às do mesmo período do ano passado.

Os dados são uma comprovação de como é crítica a situação no setor agropecuário. No primeiro semestre o baque foi sentido fortemente com a quebra da produção de soja e outros produtos, motivada pela estiagem atípica do verão e que teve continuidade no outono e inverno e também em função dos baixos preços, com queda de até 50% em relação aos níveis atingidos em 2004. O problema é que os agricultores já vinham de uma safra marcada pela estiagem.

Depois, em outubro, a confirmação de febre aftosa em Eldorado e Japorã veio para complicar ainda mais a situação do campo. Foi o mês em que o setor apresentou a maior redução na geração de empregos, o saldo entre admitidos e demitidos foi negativo em 1.308 vagas. Neste mesmo período em 2004 eram 290 vagas a mais.

O resultado do fechamento de mercados internacionais e mesmo de São Paulo para a carne e boi em pé de Mato Grosso do Sul refletiu em outros setores. Em outubro a indústria da transformação também registrou queda de geração de empregos, com saldo negativo em 457 vagas. Até então o setor vinha sendo um dos principais responsáveis pelos resultados positivos na geração de empregos em Mato Grosso do Sul. Ontem [17/11/05] São Paulo publicou resolução permitindo a entrada de boi em pé para abate e carne com osso de Mato Grosso do Sul, medida que o setor espera que estanque o processo de perdas. Setembro foi o segundo mês consecutivo de saldo negativo na geração de empregos no Estado.

Fonte

Fernanda Mathias
Senar – Mato Grosso do Sul
E-mail: senar@senarms.org.br
Internet: http://www.senarms.org.br/

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Preocupados com a inserção do jovem universitário no mercado de trabalho, o Universia Brasil e o Instituto Via de Acesso firmam parceria a fim de disponibilizar informações sobre capacitação profissional e oportunidades de estágio e de primeiro emprego aos estudantes.

A parceria visa reforçar o apoio prestado aos universitários que estão à procura de um espaço num mercado tão competitivo. O Universia irá disponibilizar vagas de estágios de mais de 600 empresas cadastradas para os associados do Via de Acesso, além dos conteúdos de mesas-redondas sobre o aproveitamento dos estudantes pelo mercado, organizadas pelo instituto.

O Instituto Via de Acesso ministrará palestras sobre o mercado de trabalho aos alunos das universidades parceiras do portal Universia, além de realizar os cursos e workshops de seu programa de Capacitação.

A primeira ação para concretizar a parceria foi realizada por meio de uma palestra ministrada aos alunos da PUC-Campinas (Pontifícia Universidade Católica de Campinas-SP). O tema abordado foi Atitude – Combustível para entrar e se manter no mercado de trabalho.

Mais informações: http://www.universia.com.br/

Fonte:

Agência USP de Notícias
E-mail: agenusp@usp.br
Internet: http://www.usp.br/agen/

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Em breve, um sistema de sensores inteligentes deverá ser um eficiente aliado da pecuária brasileira. Na USP de Pirassununga, pesquisadores desenvolveram uma rede wireless (sem fio) que está sendo testada no monitoramento remoto de bovinos. A tecnologia, inédita no Brasil, já conta com reconhecimento internacional. Os resultados acabam de ser publicados na revista científica norte-americana American Computers and Eletronic in Agriculture.

Os testes estão sendo realizados no Laboratório de Física Aplicada e Computacional (Lafac) da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA). O wireless floating base sensor network protocol (FBSN), como foi denominado o protocolo, é composto de uma rede de sensores móveis que captam os sinais elétrico-cerebrais de bovinos.

O professor Ernane Costa, que coordena o projeto, explica que a idéia é simples: e quot;Enquanto as redes wireless convencionais são controladas por uma estação de rádio com base fixa, nosso sistema é composto de sensores móveis e cada nó da rede pode ser, aleatoriamente, transformado em outra estação de rádio base e quot;, descreve. Ou seja, quando os nós da rede transformam-se em estações base, os sensores conseguem se comunicar entre si e transmitir informações para uma base principal.

O Lafac está desenvolvendo um projeto usando esta nova tecnologia. Em cada animal será instalado um sensor – subcutâneo (sob a pele) ou fixado na orelha – do tamanho aproximado de uma moeda de 10 centavos. e quot;Estes pequenos sensores serão capazes de indicar a localização de cada animal e quot;, diz o pesquisador. Sensores um pouco maiores, do tamanho de uma caixa de fósforos, podem captar reações cerebrais do animal (por pequenos aparelhos de Eletroencéfalograma) e controlar sua temperatura, por exemplo. No Lafac, estudos com este tipo de monitoramento já foram realizados com sucesso. e quot;Nosso sistema vem complementar as pesquisas feitas neste campo e quot;, conta Costa.

Manejo reduzido

Em grandes fazendas de gado, o manejo dos animais, em muitos casos, exige a presença do trabalhador. No sistema desenvolvido no Lafac, um computador irá centralizar todas as informações enviadas via rede sem fio. e quot;Podemos imaginar uma grande área com mais de 100 mil cabeças de gado, por exemplo. Se um deles se desgarra a capacidade de comunicação dos sensores permite que um sinal seja encaminhado a um computador central, que alertará sobre a ausência e quot;, exemplifica o pesquisador.

O professor lembra que, se o sistema fosse feito sobre encomenda de uma empresa especialista na área, o projeto iria custar cerca de US$58 mil. Nos laboratórios do Lafac, o custo foi de apenas R$42 mil, com verba cedida pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). e quot;Adaptamos tecnologias e equipamentos, o que permitiu baratear o custo de implantação e quot;, conta o pesquisador.

Ele lembra que a tecnologia também pode ser adaptada para ser usada em alarmes inteligentes e operações militares, para registros de deslocamentos de tropas. Os pesquisadores do Lafac deverão prestar assistência a uma empresa do setor agrícola que irá implantar o sistema em pivôs de irrigação. e quot;É comum em grandes plantações ocorrer roubos de peças destes equipamentos. Com uma rede de sensores wireless inteligentes, a retirada de qualquer parte do equipamento seria detectada por um sistema central e quot;, conta. Segundo Costa, dependendo dos investimentos da empresa, a tecnologia poderá ser implantada em seis meses ou um ano. Clique aqui para acessar o trabalho completo.

Informações

Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA)
Professor Ernane Costa
E-mail: ernane@usp.br

Fonte:

Antonio Carlos Quinto
Agência USP de Notícias
E-mail: agenusp@usp.br
Internet: http://www.usp.br/agen/

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Os efeitos nocivos dos produtos transgênicos ? saúde acabam de ser demonstrado em nova pesquisa. Desta vez foi na Austrália, onde os cientistas do CSIRO (Commonwealth Scientific and Industrial Research Organization) abandonaram um projeto sobre produção de transgênicos, desenvolvido ao longo de uma década, em seus últimos estágios da pesquisa, após terem constatado que as ervilhas modificadas para resistir a insetos tinham causado uma inflamação nos tecidos dos pulmões de ratos. Os resultados, publicados esta semana no e quot;Journal of Agricultural and Food Chemistry e quot;, indicam que a reação alérgica nos ratos foi desencadeada porque a proteína foi alterada.

A divulgação deste novo experimento sucede a recente pesquisa desenvolvida pela cientista russa, Doutora em Biologia, Irina Ermakova, que demonstrou que ratos fêmeas alimentados com soja transgênica deram ? luz ratos com peso muito abaixo do normal ou nasceram mortos.

Os cientistas australianos adicionaram um gene do feijão que pudesse produzir uma proteína nas ervilhas que atacasse as larvas de determinados insetos. Os seres humanos têm comido a proteína natural do feijão por anos. Mas uma equipe na escola de John Curtin, de pesquisa médica, descobriu que quando os ratos foram alimentados com as ervilhas transgênicas sofreram uma reação adversa e seu tecido de pulmão ficou inflamado.

Na Rússia, a doutora em Biologia Irina Ermakova tornou público os resultados da pesquisa liderada por ela no Instituto de Atividades Nervosas e Neurofisiologia da Academia de Ciências Russa (RAS). Essa é a primeira pesquisa que determina claramente a dependência entre ingerir soja geneticamente modificada e a reação ? s criaturas vivas.

Testes

Durante o experimento, a Dra. Ermakova adicionou flocos de soja geneticamente modificadas aos alimentos de ratos fêmeas duas semanas antes da gestação, durante a gestação e enfermagem. No grupo de controle havia ratos fêmeas que não tinham se alimentado com comidas geneticamente modificadas. O experimento foi formado com três grupos de três ratos fêmeas: o primeiro era o grupo controle, o segundo era o grupo com adição de soja transgênica e o terceiro grupo com a adição de soja tradicional. Os cientistas contaram o número de ratos fêmeas que deram ? luz a ratos com vida e os nascidos mortos.

De acordo com os resultados da pesquisa, o alto nível de anormalidade e morte posterior ao parto foi detectado a partir das fêmeas que foram alimentadas com adição de soja transgênica ? comida. E 36% dos ratos nascidos vivos estavam abaixo do peso, ou seja, com menos de 20 gramas, o que mostra uma evidente baixa condição.

e quot;As estruturas de morfologia e bioquímica dos ratos são muito similares as dos seres humanos e isso faz com que esses resultados nos preocupem muito e quot;, disse Irina Ermakowa ao escritório de imprensa NAGS. De acordo com o vice-presidente da NAGS, Aleksey Kulikov, a informação recebida pela Dra. Ermakova confirma a necessidade de testes em grande escala de produtos transgênicos influenciando outras criaturas.

Fonte

Agência Estadual de Notícias
Internet: http://www.agenciadenoticias.pr.gov.br
E-mail: aen@secs.pr.gov.br

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