Prof. Dr. José Euclides Stipp Paterniani (*)

A transposição do Rio São Francisco é polêmica. Para discorrer sobre o assunto, é importante lembrar de um conceito básico, mas de extrema importância para iniciar a discussão: não há possibilidade de desenvolvimento de uma região sem água.

O Brasil é o primeiro país, da lista dos mais ricos, em termos de quantidade de água. No entanto, essa água está injustamente distribuída no território brasileiro. Para lutar por um país mais justo – reduzindo as desigualdades sociais e econômicas – e dar condições iguais para o desenvolvimento é necessário combater também essa injustiça: a da má distribuição de água.

A bacia do R io São Francisco é uma das três maiores reservas hídricas do país. A relação de uso nessa bacia indica, que há mais água do que a demanda existente. Assim, o desvio de 1% a 3 % de sua vazão para beneficiar regiões que estão em condições críticas é, acima de tudo, fazer justiça social. Essa quantidade de água desviada do São Francisco é muito pequena, se comparada às reduções das vazões naturais de alguns rios, causadas por uma estiagem atípica.

Grupos contrários à transposição alegam que a mesma pode causar impactos negativos ao meio ambiente. Sabe-se, porém, que muitos destes impactos são, atualmente, perfeitamente controlados e monitorados, de forma a minimizar os danos provocados por um desequilíbrio ambiental. Além disso, são conhecidos os efeitos provocados pela instalação de dezenas de hidrelétricas no país.

Argumentar que é possível assegurar o desenvolvimento sustentável, com dignidade humana, através de políticas de convivência com o semi-árido é, no mínimo, uma atitude não condizente com a política de justiça social e pode acarretar conseqüências trágicas, entregando à própria sorte as populações dessas regiões.

Julgamento antecipado

Criticar o projeto de transposição com argumentos técnicos, que possam contribuir para a busca de novas soluções, e que conduzam a um empreendimento mais eficiente e de menor custo, é salutar e desejável.

Contudo, críticas sem fundamentos técnicos ou científicos, embasadas apenas em questões emocionais, só servirão para atrasar, ainda mais, o desenvolvimento de muitas regiões do Nordeste brasileiro que, desde a época do reinado de D.Pedro II, quando a primeira tentativa de transposição do Rio São Francisco foi feita, não apresentam condições de desenvolvimento.

É prioritário o projeto de revitalização do rio antes da execução da obra, incluindo uma gestão firme sobre os atuais usuários do rio a fim de garantir água de boa qualidade, uso mais racional deste recurso hídrico e evitar problemas relacionados à falta de saneamento.

Se a transposição do rio São Francisco versar sobre os aspectos aqui abordados, sem se curvar a interesses de grupos específicos e nem a interesses políticos, terá grandes chances de sucesso e contribuirá para minimizar a injustiça social no país, bandeira de muitas instituições brasileiras.

(*) Conselheiro da Pró-Terra, professor da Faculdade de Engenharia Agrícola e Coordenador da Pós-Graduação em Engenharia Agrícola da UNICAMP.

E-mail: pater@agr.unicamp.br

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Kelly Dornas

Para implantar a gestão do conhecimento, é pertinente antes entender a cultura organizacional na empresa. Sim, porque as pessoas são o maior bem patrimonial e cada uma delas chega à empresa com seus traços sociais e culturais. Sem contar a cultura propriamente dita, revelada pela missão, visão, valores e objetivos. Assim, o aprendizado nas organizações vai além das habilidades específicas e intrínsecas ao ser humano e se desenvolve em um ambiente de grupo.

Com um ambiente de profundas transformações no meio empresarial, é necessário que as empresas adotem um diferencial competitivo. O momento atual é marcado pelo processo da gestão do conhecimento, com ênfase no aprendizado organizacional. As habilidades individuais perpassam de um conhecimento tácito ao explícito. Com a obtenção do conhecimento dos empregados, de forma sistematizada, a empresa produz resultados estupendos.

O aprendizado individual está ligado ao conhecimento tácito, em que as pessoas têm o conhecimento em suas cabeças. Como tudo gira ao redor delas, tem que se criar uma cultura na empresa em compartilhar esses conhecimentos e talentos individuais. Com um ambiente, incentivado pela alta administração, propício ao diálogo aberto e no qual as pessoas se sintam motivadas, a aprendizagem organizacional se manifesta. A operacionalização deste processo de gestão requer o conhecimento da equipe, bem como a atuação do líder.

No nível organizacional, tem-se o conhecimento explícito, registrado em políticas, manuais e demais documentos da empresa e, também, presente nas tecnologias, serviços, produtos e processos. É preciso que haja uma espiral do conhecimento, para transformar o conhecimento do ativo intangível da empresa – seu capital intelectual, no conhecimento explícito. E, assim, propagar o compartilhamento de experiências entre empregados, como uma atividade de rotina.

Da aprendizagem organizacional, alguns produtos podem ser extraídos e para a tomada de decisão, como a melhoria nos processos, inserção de novos produtos e serviços no mercado, criatividade e inovação.

A gestão do conhecimento tem sido a muitos anos, e no momento atual com maior intensidade, o grande diferencial competitivo no cenário empresarial. As pessoas precisam se convencer que o compartilhando de conhecimento é essencial para a sobrevivência da empresa, atrelado a uma aprendizagem. Benefícios já explicitados, neste contexto, são persuasivos para uma mudança de postura profissional.

Kelly Dornas
Técnica de Nível Superior II
Embrapa Cerrados (Planaltina-DF)
www.cpac.embrapa.br

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Por Daniel Ioshiteru Kinpara

Uma lição aprendida com o Programa Nacional do Álcool (Proalcool) foi que a cana-de-açúcar é uma commodity. Como tal, ela é parte de uma cadeia produtiva. Uma cadeia que não se estende apenas, longitudinalmente, entre fornecedor e consumidor final, mas também transversalmente, interagindo com outras cadeias. Chama-se aqui a atenção para a estreita relação entre açúcar e álcool. Essa relação afeta o fornecimento do álcool no mercado brasileiro e mudou a opinião dos consumidores sobre o uso automotivo desse combustível.

A cada vez que o preço do açúcar sinalizava positivamente no mercado internacional, maior percentual da cana colhida era destinado à produção de açúcar em detrimento da produção de álcool. Na queda do preço do açúcar, o governo era solicitado a comprar o álcool ou a elaborar políticas para incrementar o seu uso, como a adição à gasolina.Para o biodiesel, são sugeridas várias fontes de óleo vegetal, entre elas, algumas provenientes de culturas como a soja, a mamona e o dendê (palma). Como commodities que são, elas possuem, também, relações transversais com outros mercados. Por exemplo, a soja é a base da ração para suínos e aves, como fonte de proteína. A mamona produz um dos óleos mais nobres para lubrificação de motores de alta rotação, como é o caso de turbinas de avião. O dendê, utilizado na alimentação humana, é também usado na substituição da manteiga de cacau na indústria cosmética na qual alcança bons preços.

Essas relações demonstram que, a despeito das questões de viabilidade técnica, é preciso estar atento ao impacto que um e quot;novo produto e quot; pode causar sobre a cadeia produtiva. Um uso alternativo desses óleos para a produção de biodiesel cujas quantidades consumidas são expressivas, pode afetar adversamente outros mercados. Esses efeitos podem ser positivos à medida que se amplia a produção da matéria-prima, ganha-se em escala e se oferece um produto mais barato. Por sua vez, a demanda de mais óleo para fim combustível pode ampliar as áreas plantadas da oleaginosa e aumentar o preço da terra ou deslocar algumas culturas (ou a própria oleaginosa) para áreas menos nobres (terra mais barata), implicando menor eficiência produtiva e aumento nos custos de produção. Para o consumidor, pode acarretar maior despesa com o óleo comestível. O óleo mais barato para uso combustível pode torná-lo escasso no mercado e modificar o hábito de consumo do indivíduo. Outros produtos mais caros passam a ser competitivos.

É preciso cuidado no estudo das fontes de óleos vegetais para o biodiesel. A maior parte dessas fontes já possui cadeias produtivas definidas com impactos significativos na economia. Criar mais um uso alternativo para elas pode, em princípio, mostrar-se alvissareiro, mas os estudos não podem se limitar ao simples impacto do incremento produtivo dessas commodities. É preciso ter em mente que, em alguns casos, os produtos e subprodutos obtidos podem ser competitivos entre si, definindo novo equilíbrio dos mercados, nem sempre com resultados interessantes para o consumidor final.

Artigo de Daniel Ioshiteru Kinpara
Pesquisador da Embrapa Cerrados (Planaltina,DF)
E-mail: kinpara@cpac.embrapa.br
www.cpac.embrapa.br

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Com o objetivo de identificar parcerias para elaboração de projetos de pesquisa, conjuntos, e a captação de recursos junto a instituições financiadoras, a EBDA (Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola S.A.), juntamente com a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb), estará realizando um workshop de pesquisa, na quinta (8/12) e sexta-feira (9/12), no auditório da biofábrica no Campus da Universidade Estadual do Sudoeste Baiano (Uesb), em Vitória da Conquista.

Estarão presentes no evento em torno de 60 professores, pesquisadores e técnicos das universidades estaduais – Uesb, Uesc e Uesf – e da Universidade Federal da Bahia (Ufba), da Embrapa, Fapesb e EBDA. Estes profissionais, durante os dois dias, estarão voltados para trabalhar as demandas identificadas da pesquisa no sentido de elaborar projetos, em rede, visando à melhoria dos sistemas de produção dos produtores familiares contemplados pelos mais de 16 programas agropecuários do Governo do Estado.

Segundo Benedito Carlos Lemos de Carvalho, um dos coordenadores, pela EBDA, este evento é decorrente de uma reunião realizada em agosto deste ano, em Salvador, onde foram levantadas as demandas de pesquisa agropecuária do estado. Também foram realizados os agrupamentos dessas demandas por categorias mais amplas, como as de agricultura, pecuária, agroecologia e demandas institucionais. e quot;A partir dos resultados levantados precisamos definir as linhas de pesquisa e referendá-las junto à comunidade científica e quot;, explicou o coordenador.

Entre as categorias identificadas, foram selecionadas diversas linhas de pesquisa e entre elas estão: Manejo e Conservação de Germoplásma; Melhoria do Sistema de Produção de Mamoneira; Caracterização Molecular do Gesmoplásma da Mamona; Sistema de Produção para Citros; Produção Integrada do Mamão, e Introdução de Novas Tecnologias no Sistema de Produção do Algodão. Outros produtos como o café, o alho, a cebola, a atemóia, o cajueiro-anão, tanto o precoce quanto o comum, a soja, e outros produtos agrícolas também foram vislumbrados. Já na categoria pecuária, temas como: Sistema de Produção Apícola; Desenvolvimento do Sistema de Produção de Leite; Sistema de Produção de Caprinos; Sistema de Produção de Bubalinos, também foram contemplados, dentre outros.

Consta da programação do evento palestras abordando a Política de Ciência, Tecnologia e Inovação na Área de Ciências Agrárias para o Estado da Bahia, proferida por Maurício Campos, da Secti; O Agronegócio e a Sua Interação com a Pesquisa Agrícola, por Joaquim Santana, presidente da EBDA; O Desenvolvimento do Sudoeste Baiano Através das Pesquisas Realizadas na Uesb, pelo professor Abel Rebouças, da Uesb; A Fapesb como Fomentadora do Desenvolvimento Baiano, por Alexandre Paupério, diretor da Fapesb, dentre outros temas de igual importância.

Também serão realizados grupos de trabalho para discussão dos temas das diversas áreas, tais como: Biotecnologia; Solos e nutrição de plantas; Manejo de pastagens, nutrição e sanidade animal; Agroecologia e sistema de cultivo, colheita e pós-colheita.

Segundo Joaquim Santana, após as discussões sobre os diversos temas, serão formulados relatórios e apresentados, conforme cada grupo, para consolidação de um documento final. e quot;O resultado deste trabalho implicará, num futuro breve, em ações que nortearão os trabalhos de pesquisa que darão sustentabilidade ao agronegócio no estado da Bahia e quot;, concluiu.

Fonte

Governo da Bahia
www.ba.gov.br/

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