Os dejetos de animais podem se transformar em créditos para venda no mercado de carbono. O processamento dos resíduos por meio de biodigestores é capaz de reverter o que seria um problema em solução ambiental.

As antigas esterqueiras utilizadas para armazenamento dos detritos evoluíram. Atualmente as lagoas – como são chamados os locais onde os dejetos são depositados – são revestidas de material impermeabilizante como plástico e PVC, para que o solo não seja contaminado. Nos biodigestores, estas lagoas são cobertas por uma lona, e quot;que se assemelha a um balão e quot;, explica Aírton Kunz, pesquisador do núcleo de Meio Ambiente da Embrapa Suínos e Aves, de Concórdia/SC.

Um dos gases produzidos com a degradação dos dejetos, o metano possui capacidade vinte e uma vezes maior de aquecimento global do que o gás carbônico (CO2). Os biodigestores permitem uma grande redução na emissão desse gás, segundo o pesquisador. e quot;A utilização desta técnica é um avanço no ponto de vista ambiental e quot;.

A produção de biogás é constante. Sofrendo pequenas variações de acordo com o clima. No verão, a atividade é maior e, no inverno, a produção cai, principalmente nos estados do sul do país.

A suinocultura se destaca pela alta capacidade de produção de biogás, mas os dejetos de outros animais também podem ser aproveitados, como caprinos, bovinos e aves. Além do mercado de créditos de carbono, eles podem ser utilizados para sistemas de aquecimento.

Apesar das vantagens, essa não é a única solução para a questão dos dejetos, segundo Kunz. e quot;É uma parte do processo e quot;, diz, afirmando que também é gerado um resíduo e que, para um efeito mais completo, são necessárias lagoas para tratamento suplementar dos componentes.

A atividade está em crescimento. e quot;Entre 5% a 10% dos produtores já adotam essa técnica e quot;, avalia Kunz, em uma estimativa otimista. A viabilidade econômica para entrada no mercado de carbono impulsionou a atividade, que desperta interesse principalmente dos grandes produtores. e quot;Os custos de tramitação podem ser altos para os pequenos empreendimentos e quot;, explica.

A técnica é simples, mas, para se enquadrar nos parâmetros do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo – MDL – e ter reconhecimento no Mercado de Carbono, deve seguir as normas internacionais avalizadas pela ONU, devendo ser implantada por pessoas com conhecimentos específicos. Algumas empresas fazem a intermediação entre os produtores e o Mercado, respondendo até mesmo pela instalação dos biodigestores nas propriedades.

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Ambiente Brasil
Danielle Jordan

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