De acordo com o presidente da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais – Epamig, Baldonedo Napoleão, 2005 termina como um dos períodos mais produtivos da Empresa. e quot;Nós assumimos a empresa, no início de 2003, com grandes dificuldades nas áreas de gestão, financeira e de estrutura. Podemos celebrar agora não só o fim do ano, mas, também, o fim de mais uma etapa e a chegada de um novo tempo para a Epamig. Nós conseguimos aumentar em mais de 200% as verbas para pesquisa. Se fossem 20% já seria muita coisa, mas foram mais de 200% de aumento das verbas de pesquisas e quot;, diz Baldonedo.

Projetos e recursos deram um salto nesta gestão

Baldonedo destaca as iniciativas tomadas em 2005, que embasam o ótimo desempenho da Epamig neste ano, como a prospecção de demandas, o novo modelo de gestão da pesquisa pública (gestão participativa das Fazendas Experimentais), sobre o incremento dos trabalhos de transferência de conhecimento tecnológico, de difusão tecnológica e da venda de produtos tecnológicos. Baldonedo destaca, também, a marca nacional que a Epamig já tem consolidada, como excelência em pesquisa e a meta de se tornar excelência em gestão. Para ilustrar o caminho que tem sido trilhado para conquista dessa meta, o presidente da Epamig cita a evolução dos números referentes aos projetos de pesquisa. No período de dez./2002 a nov./2005, os projetos em execução aumentaram de 105 para 177. Aumento foi de 69%. Os recursos subiram de R$ 3.224.559 para R$ 8.371.741, aumento de 160%!

No mesmo período, os Projetos em negociação passaram de 36 para 125, significando um aumento de 247%. E as verbas passaram de R$ 4.309.432 para R$ 13.504.115. O aumento foi de 213%!

As pesquisas da Epamig têm dois grandes objetivos: o primeiro é aumentar a produtividade. Por exemplo, no Brasil, nos últimos anos, no setor de grãos, o espaço físico, geográfico, sofreu uma diminuição em termos de hectares, mas aumentou muito a produção. Isto significa que numa área menor estamos produzindo mais, isso é tecnologia. É o que a Epamig faz, trabalho para aumentar a produtividade, para melhorar a qualidade; pesquisa para que haja maior produção com menos recursos, em menor área.

E o segundo: a Epamig faz, também, pesquisa dirigida, no sentido de proteger animais e plantas contra doenças e pragas. Nós estamos, neste momento, tendo nos bananais de São Paulo um surto forte de Sigatoka Negra. Também em São Paulo, temos problemas com a morte súbita de citrus, nas laranjeiras que dizima os laranjais. Além desses problemas, existem outros mais comuns como a ferrugem do café, a ferrugem da soja, a Febre Aftosa. E essas questões são pesquisadas permanentemente pela Epamig.

Minas Gerais chegou ao final de 2005 com essa marca extraordinária, não temos surto de Aftosa, não temos explosão de questões sanitárias nos vegetais, seja no café, na banana ou na soja. A agricultura e a pecuária prosperam em Minas fortemente amparados pela pesquisa, pela assistência técnica e pelo controle sanitário, o que garante o sucesso da agropecuária do Estado.

Outros destaques em 2005

Epamig, referência nacional: Presidente da Epamig é eleito para vice-presidência do Consepa: Baldonedo Napoleão, foi eleito, em Brasília e por unanimidade, à vice-presidência do Conselho Nacional dos Sistemas Estaduais de Pesquisa Agropecuária – Consepa, que congrega todas as Empresas Estaduais de Pesquisa Agropecuária (Oepas) do País. Segundo Baldonedo, e quot;o resultado desta eleição significa para a Epamig, sem dúvida nenhuma, o reconhecimento do trabalho que a Empresa vem fazendo e quot;.

Baldonedo também foi escolhido para coordenar debate sobre e quot;Os institutos de pesquisa tecnológica nos sistemas de inovação: financiamento, oportunidades e desafios e quot;, durante a Conferência Regional do Sudeste de Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento, promovida pelo Ministério de Ciência e Tecnologia.

Bolsas de incentivo à pesquisa: A Epamig lidera ranking de bolsas de incentivo à pesquisa da Fapemig. Dentre as nove instituições mineiras inscritas, a Epamig foi a que mais bolsas conseguiu: 44 das 95 concedidas vieram para pesquisadores da Epamig.

A Epamig na Semana Nacional de Ciência e Tecnologia: Em exposição 31 anos de muita pesquisa pelo desenvolvimento de Minas Gerais. A Epamig expôs seus produtos em Belo Horizonte e nas Unidades do interior, para que os visitantes pudessem ter uma idéia do quanto a tecnologia está presente no nosso dia-a-dia.

Iniciativas na área do desenvolvimento da capacidade de gestão:

  • Criação do DPPD – Departamento de Prospecção de Demandas;
  • Criação da ASCOM – Assessoria de Comunicação;
  • Criação do DPTD – Departamento de Transferência e Difusão de Tecnologia;
  • Implantação dos Planos Diretores das Unidades do Interior: Pitangui, ILCT/Juiz de Fora, Leopoldina;
  • Criação da ADESO – Assessoria de Desenvolvimento Organizacional
  • Estruturação do DPPE – Departamento de Pesquisa
  • Estruturação do DPNT – Departamento de Negócios Tecnológicos
  • A criação da Divisão de Propriedade Intelectual.

Visitas e reuniões do presidente da Epamig às Unidades da Epamig e aos municípios: e quot;A tecnologia é a moeda do mercado e os municípios têm direito a ela e quot;, diz Baldonedo. Esta frase justifica as visitas do presidente da Epamig aos municípios mineiros nas quais ele apresentou os vários programas de pesquisa da Empresa e os benefícios que as populações podem ter com o avanço da agropecuária em suas cidades. Baldonedo também visitou, em 2005, todos os Centros Tecnológicos da Epamig e reuniu-se com os funcionários dos Centros e das Fazendas Experimentais a eles subordinados. Na sede, Baldonedo Napoleão realizou reuniões gerenciais nos dois semestres com as chefias de Gabinete, Assessorias, Departamentos e Centros Tecnológicos.

Novas fazendas experimentais

Dentro da proposta de fortalecer a pesquisa agropecuária em todo o Estado de Minas, a Epamig busca parcerias para implantação de novas fazendas experimentais. Fazendas que tenham gestão inovadora, como a de São João del-Rei, a Fazenda Experimental Risoleta Neves (FERN). A FERN tem gestão participativa: Além da Epamig, o Conselho Gestor da Fazenda conta com representantes da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), Associação dos Municípios da Microrregião dos Campos das Vertentes (Amver), da Emater regional e da Associação Comercial e Industrial daquela cidade e dos produtores rurais de São João del-Rei. Nesses moldes, negociações estão avançadas para implantação de outras em Lavras, Januária, Itabira e Teófilo Otoni.

É meta da atual diretoria estabelecer a presença da EPAMIG em todas as regiões do Estado e quot;seja no sentido de apoiar o desenvolvimento já existente na região, como no Noroeste de Minas, no Pontal do Triângulo, no Jequitinhonha, no Centro Norte e na Zona da Mata, seja para apoiar o desenvolvimento de atividades que ainda não existam e quot;, explica Baldonedo Napoleão.

Dias de Campo: Se destacaram pela novidade no mercado, seguindo tendência de diversificiação em Minas, como alternativa para o sucesso dos produtores rurais e do Estado. O 1º. Dia de Campo, em Minas, sobre Biodiesel e o 1º. Dia de Campo em Minas sobre Uvas Apirênicas (sem sementes), ambos no Norte de Minas. A Epamig também promoveu o 1º. Dia de Campo, do Estado, sobre Soja Transgênica, no Triângulo Mineiro; a realização, em São João del-Rei, do 1º Encontro Nacional de Bovinocultura, promovido pelo Consepa, que foi organizado e dirigido pela Epamig; a recuperação da periodicidade do Informe Agropecuário. Em 2005 foram lançados os seis Informes previstos mais uma edição especial, sobre o café; a participação da Epamig na 1ª. Superagro Minas, a supermostra do agronegócio mineiro, realizada em Belo Horizonte, em que a Empresa foi destaque.

E mais: e quot;Todos nós, agentes das mudanças que aqui acontecem, percebemos os avanços neste ano que termina. Nós fizemos a melhor edição do Congresso Nacional de Laticínios, em Juiz de Fora; participamos da Expocafé, na Fazenda Experimental de Três Pontas, que também foi sucesso; inauguramos o Núcleo Epamig Uva e Vinho, em Caldas; demos prosseguimento ao Programa Microrregional de Desenvolvimento Tecnológico da Agropecuária – Prodesag, que vai permitir, juntamente com o trabalho de prospecção de demandas, a expansão da tecnologia da Epamig para todas as regiões de Minas Gerais. Tivemos, também, o concurso público. Todos os 153 aprovados já estão trabalhando na Epamig e, em breve, deveremos chamar os 217 aprovados que estão no quadro de reserva. A Epamig, ao longo deste 2005, esteve presente nos grandes eventos, dos governos estadual e federal, das áreas de agropecuária e ciência e tecnologia. A Epamig, este ano, deu um grande salto de qualidade.

Todos esses indicadores foram importantes para que a Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa) e o Governo de Minas destacassem, durante todo o ano de 2005, a importância do trabalho da Epamig na sustentação e desenvolvimento do agronegócio que, em Minas, teve crescimento acima da média nacional.

Fonte

EPAMIG
http://www.epamig.br
Rose de Oliveira – Jornalista
E-mail: comunicacao@epamig.br

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Autoria:

Moacir José Sales Medrado é pesquisador e chefe-geral da Embrapa Florestas.
Vitor Afonso Hoeflich é pesquisador da Embrapa Florestas.
Alberto William Viana de Castro é pesquisador da Embrapa Amazônia Oriental.

Contato:

Maria Paraguaçu Cardoso

EMail:

mariah@cnpf.embrapa.br

DDD e Telefone(s):

(41)3675-5742

Palavras-Chave:

pesquisa; transferência de tecnologia

Resumo:

Apesar do alto índice de produção científica no sul do País e, em função da adoção de um modelo de sistema de inovação essecialmente mercadológico, a maioria dos resultados é validada somente durante o próprio processo de pesquisa e, desta forma, o impacto das inovações geradas e efetivamente transferidas não são avaliadas.

Nesse caso, podemos considerar a Embrapa Florestas uma exceção, pois nos últimos anos ela vem avaliando os impactos econômicos, sociais e ambientais da tecnologias geradas e transferidas de forma efetiva.

A predominância de programas ineficientes de difusão tecnológica na maioria das instituições de pesquisa e desenvolvimento torna imprescindível a atuação de empresas de assistência técnica estaduais, secretarias municipais de agricultura institutos públicos de pesquisas para que as tecnologias geradas pelas instituições de P e amp;D cheguem também aos pequenos produtores rurais.

Corpo:

Os principais resultados gerados pelas instituições de pesquisa da região sul estão relacionados ao melhoramento genético de exóticas (eucalipto, pínus e acácia-negra) e de nativas (erva-mate; e seringueira), tecnologias de propagação de espécies florestais, sistemas agroflorestais (com ênfase em erva-mate e bracatinga; e silvipastoris),controle de pragas e doenças florestais; silvicultura de espécies nativas e introduzidas,restauração e recuperação de ecossistemas, e conservação de recursos genéticos.

Em função da adoção, na região, de um modelo de sistema de inovação essencialmente mercadológico, a maioria dos resultados é validada durante o próprio processo de pesquisa. Todavia, não existe entre as instituições da região a prática de avaliar o impacto das inovações geradas e transferidas de forma efetiva. A Embrapa Florestas talvez seja a única instituição da região sul que tem avaliado impacto de suas tecnologias. Iniciou o processo selecionando três de suas tecnologias mais importantes: o eucalipto bentami , o controle biológico da vespa-da-madeira e o software SISPLAN.

Os benefícios econômicos atribuídos à instituição pela adoção das três tecnologias avaliadas no período de 1999 a 2004 foram expressivos e crescentes. De forma individualizada, foram os seguintes os impactos econômicos:

  1. Eucalyptus benthamii: 1999 (R$ 4 mil), 2000 (R$ 9,7 mil), 2001 (R$ 50,8 mil), 2002 (R$ 98,8 mil), 2003 (R$ 151,2 mil) e 2004 (R$ R$ 210 mil);
  2. Manejo integrado: 1999 (R$ 13,1 milhões), 2000 (R$ 16,8 milhões), 2001 (R$ 21,2 milhões), 2002 (R$ 27,6 milhões), 2003 (R$ 42,9 milhões) e 2004 (R$ R$ 56 milhões);
  3. SISPLAN: 1999 (R$ 19,9 milhões), 2000 (R$ 28,2 milhões), 2001 (R$ 41,1 milhões), 2002 (R$ 64,7 milhões), 2003 (R$ 95,8 milhões) e 2004 (R$ R$ 117,6 milhões). No agregado (soma das três tecnologias) o impacto foi de: 1999 (R$ 33,0 milhões), 2000 (R$ 45,0 milhões), 2001 (R$ 64,4 milhões), 2002 (R$ 92,5 milhões), 2003 (R$ 138,8 milhões) e 2004 (R$ 173,8 milhões).

Totalizando, assim, cerca de R$ 555,5 milhões no período avaliado. Esse montante supera em 7,2 vezes o gasto total com capital, custeios e pessoal realizado pela Unidade nos respectivos seis anos, que foi de R$ 77,2 milhões (FONTE: Setor de Orçamento e Finanças – SOF da Embrapa Florestas).

Para a avaliação do impacto social, utilizou-se o software AMBITEC-Social. As três tecnologias apresentaram índices positivos e, portanto, socialmente desejáveis, sendo que os índices de Impacto Social foram:

  • Eucalyptus benthamii – tolerante a geadas severas (0,99);
  • Manejo integrado da vespa-da-madeira (Sirex noctilio) em povoamento de pínus (2,40) ;
  • SISPLAN – sistema computacional para gestão florestal de pínus (2,70).

A avaliação de impacto ambiental foi efetuada com o uso do sistema AMBITEC-Agro desenvolvido pela Embrapa Meio Ambiente, que mostrou índices positivos para as três tecnologias que apresentaram os seguintes índices:

  • Eucalyptus benthamii – tolerante a geadas severas (0,80);
  • Manejo integrado da vespa-da-madeira (Sirex noctilio) em povoamento de pínus (2,15);
  • SISPLAN – sistema computacional para gestão florestal de pínus (1,3).

De forma resumida, as tecnologias apresentam impactos econômicos, sociais e ambientais altamente positivos e desejáveis. No período analisado, anualmente, houve crescimento no número de usuários e na área de adoção das tecnologias, indicando que deram certo e continuam atendendo à demanda dos produtores.

Vale ressaltar, no entanto, que ainda prevalece na região o mesmo obstáculo levantado pelo Instituto de Pesquisas Florestais -IPEF em 2002 e que relacionava-se com o fato de que havia um e quot;programa ineficiente de difusão tencnológica na maioria das instituições de P e amp;D, fazendo com que grandes propriedades e empresas privadas sejam as mais beneficiadas pelos avanços de P e amp;D, em detrimento das pequenas propriedades e organizações não-governamentais. e quot;Ressaltamos também que, na região Sul como nas demais regiões brasileiras, não são apenas as empresas florestais e especialmente as grandes que demandam e necessitam de conhecimento e de tecnologias florestais na região Sul. Os pequenos produtores, principalmente agora, com a existência de programas de incentivo ao plantio florestal em condições acessíveis como o PROPFLORA e o PRONAF Florestal são importantes clientes e usuários dos resultados da pesquisa florestal.

Com a ampliação dos programas florestais para pequenos produtores cresce a importância das empresas de assistência técnica estaduais, das secretarias municipais de agricultura e dos institutos públicos de pesquisa.

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Autoria:

Moacir José Sales Medrado é pesquisador e chefe-geral da Embrapa Florestas.
Vitor Afonso Hoeflich é pesquisador da Embrapa Florestas.
Alberto William Viana de Castro é pesquisador da Embrapa Amazônia Oriental.

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Maria Paraguaçu Cardoso

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(41) 3675-5742

Palavras-Chave:

sistema de inovação; ciência e tecnologia

Resumo:

Apesar do sistema regional de inovação na região Sul está, de certa forma, bem estruturado com excelentes instituições de pesquisa, acredita-se que o estabelecimento de índices C e amp;T e amp;I, compostos por indicadores sintéticos de áreas importantes como produção científica, base educacional, disponibilidade de recursos humanos qualificados, e amplitude e difusão das inovações empresariais pode ajudar , em muito, na elaboração de políticas específicas para cada estado. Em relação à inovação no setor florestal a falta de um plano estratégico e atual exige a criação de um Fórum de Gestores de C e amp;T e amp;I do na região para que se possa discutir uma governança da pesquisa florestal na região, que seja baseada em um entendimento de que a competição deve ser travada com outros institutos internacionais, principalmente no que tange à garantia de um nível tecnológico de ponta.

Corpo:

O sistema regional de inovação na região Sul está, de certa forma, bem estruturado com boas universidades federais e estaduais, IPPs e IPMs fortes, algumas empresas com departamentos de pesquisa funcionando, fundações de apoio à pesquisa (FAP) operantes e secretarias de ciência e tecnologia trabalhando de forma cooperativa para o desenvolvimento da região. Em função disso, a região sul tem conseguido estabelecer uma relação de troca com o Governo Federal através do Ministério de Ciência e Tecnologia sendo uma região que tem recebido bastante investimentos na área de C e amp;T e amp;I.

Acredita-se, no entanto, que seria muito interessante que os estados da região Sul estabelecessem seus índices C e amp;T e amp;I. Tais índices, compostos por indicadores sintéticos de áreas importantes como produção científica, base educacional, disponibilidade de recursos humanos qualificados, e amplitude e difusão das inovações empresariais podem ajudar , em muito, na elaboração de políticas específicas para cada estado.

Em relação à inovação no setor florestal a situação muda um pouco, pois temos um quadro em que a maioria dos IPPS e IPMs não têm planejamento estratégico e atual, com modelos mercadológicos em um regime de competição muito acentuado. É necessário, portanto, o estabelecimento de um Fórum de Gestores de C e amp;T e amp;I do setor florestal na região para que se possa discutir uma governança da pesquisa florestal na região, que seja baseada em um entendimento de que a competição deve ser travada com outros institutos internacionais, principalmente no que tange à garantia de um nível tecnológico de ponta.

Um outro aspecto a ser considerado é o fato de, da mesma forma que as empresas nacionais de outros setores, as empresas florestais têm uma baixa taxa de inovação. A inovação por processo suplanta em muito a inovação por produto e as demandas das empresas para IPPs e IPMs são na maioria das vezes para inovações incrementais. Em função disso, os IPPs e IPMs da região Sul trabalham em demandas muito pontuais e emergenciais, perdendo uma concepção e uma visão das linhas básicas de pesquisa de importância estratégica para o setor florestal no médio e longo prazos.

A predominância de recursos das empresas para o custeio dos IPMs e IPPs tem ocasionado uma concentração da pesquisa em alguns poucos segmentos do setor de base florestal (papel e celulose; e móveis; produção de produtos de valor agregado.). Em função disso, muitos segmentos tais como produção de serrados e de energia apresentam um e quot;gap e quot; tecnológico muito acentuado. Outro agravante é a concentração dos investimentos de pesquisa na área industrial em detrimento do investimento na produção da matéria-prima.

O investimento privado na pesquisa florestal da região ainda é baixo e pode ser atribuído ao grau de incerteza das empresas privadas do setor de base florestal, ao pouco entendimento da sociedade e dos políticos sobre a importância do agronegóci e, em especial, o florestal, para as economias locais, regional e nacional e pela desarticulação do sistema regional de inovação para o setor florestal.

Somente com a criação de um sistema organizado e coordenado de pesquisa florestal na região é que nós poderemos balancear as inovações incrementais com as radicais. Especificamente em relação aos IPMs, é importante considerar a necessidade desses institutos de se organizarem em conjunto com as universidades às quais estão ligados, para a realização de um plano estratégico que possibilite a prospecção de demandas de pesquisas básicas e estratégicas para o setor florestal. Uma outra ferramenta muito importante e que deve ser prestigiada é a Rede de Inovação e Prospecção Tecnológica para o Agronegócio (RIPA) que foi consolidada no âmbito do CT-Agronegócio, um dos fundos setoriais para o desenvolvimento da ciência, tecnologia e inovação do MCT. Essa rede tem como um dos principais objetivos do projeto o subsídio ao Comitê Gestor do Fundo Setorial de Agronegócio do MCT, formuladores de políticas públicas, definidores de prioridades. A Rede terá uma estrutura virtual, por meio de um portal nacional de oferta e demanda de tecnologias (http://www.ripa.com.br/) para o agronegócio; e uma estrutura física, com a implantação de um centro de referência em cada uma das cinco regiões. Na região Sul ele será a Secretaria de Ciência e Tecnologia do Estado do Paraná. O impacto que essa rede poderá causar será proporcional à atenção que os atores envolvidos no SIR, em especial aqueles que atuam direta ou indiretamente no agronegócio regional dispensarem a ela.

É essencial que se tenha claro que o Sistema de C e amp;T e amp;I para o setor de base florestal deva ser visto como um conjunto de organizações e instituições, sob coordenação do Estado e dentro de seu limite, seguindo os seguintes princípios:

  1. Considerar a especificidade das demandas e os arranjos produtivos locais;
  2. Estar sob a orientação da política industrial e de ciência e tecnologia dos estados;
  3. Respeitar as políticas fiscal, financeira, salarial, previdenciária, educacional e de saúde;
  4. Ter como objetivo a produção e a difusão efetiva de inovações para produção de produtos florestais madeireiros e não madeireiros para todos os tipos de produtores e empresas;
  5. Respeitar os preceitos do desenvolvimento sustentável.

Com o SIR estabelecido dever-se-á estabelecer de forma urgente um Plano Estratégico para o Setor Florestal Regional – PEF. Durante a elaboração do PEF é importante se estabelecer um entendimento entre os atores responsáveis pelo desenvolvimento florestal sustentável regional no sentido de selecionar regiões produtoras para o desenvolvimento de Arranjos Produtivos Locais (APLs) que incluam pequenas, médias e grandes empresas florestais e se caracterizem por ter um número significativo de empreendimentos e de indivíduos atuando em torno de uma atividade produtiva predominante e que compartilhem formas percebidas de cooperação e alguns mecanismos de governança.

Em resumo, é importante que se proceda na região o estabelecimento de:

  1. Um Fórum de Diretores de IPPs e IPMs que desenvolvem pesquisa florestal na região;
  2. Um modelo de governança da C e amp;T e amp;I florestal na região;
  3. Um modelo de transferência de tecnologia para o setor florestal;
  4. Um programa estratégico para o setor florestal da região; uma fortalecimento da Rede de Inovação e Prospecção Tecnológica para o Agronegócio (RIPA) que foi consolidada no âmbito do CT-Agronegócio.
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Autoria:

Priscila Zaczuk Bassinello Pesquisadora da Embrapa Arroz e Feijão pzbassin@cnpaf.embrapa.br

Contato:

Priscila Zaczuk Bassinello

EMail:

pzbassin@cnpaf.embrapa.br

DDD e Telefone(s):

62 3533-2110

Palavras-Chave:

Arroz alimentação nutrição

Resumo:

O arroz é considerado o vilão das boas dietas. Entretanto, ao contrário do que se imagina, o cereal é altamente benéfico à saúde.

Corpo:

O arroz é considerado o vilão das boas dietas. Muitas pessoas acreditam que o grão não possui nutrientes e só faz encher a barriga. Por isso, o produto é um dos primeiros a ser cortado do cardápio de quem quer emagrecer. No entanto, essa idéia, apesar de bastante difundida, não condiz com a realidade.

As recomendações para uma vida saudável incluem a adoção de uma alimentação equilibrada. Produtos de origem animal, como carnes, ovos, leite e seus derivados, devem ser ingeridos com moderação, ao passo que frutas e legumes podem ser consumidos em maior quantidade. Os cereais estão também inclusos neste último grupo, do qual faz parte o arroz.

O grão é rico em proteínas, sais minerais e vitaminas do complexo B. A título de exemplificação, a ingestão de 100 gramas de arroz cozido (cerca de quatro colheres de sopa) por crianças na faixa etária de 1 a 5 anos de idade é capaz de suprir as necessidades diárias de 14% em proteínas, 6% em cálcio, 3% em ferro e 10% em zinco.

Além disso, o cereal é uma excelente fonte energética de baixa caloria. Enquanto uma xícara de arroz (120 gramas) possui 270 quilocalorias, um sanduíche x-salada tem em média 490 quilocalorias e uma embalagem de macarrão instantâneo, 445 quilocalorias.

Portanto, o que geralmente engorda é o consumo de alimentos pouco nutritivos e altamente calóricos muitas vezes utilizados para substituir o arroz ou as refeições tradicionais.

É certo ainda que o arroz branco polido, costumeiramente ingerido pelo brasileiro, perde grande parte de seus nutrientes durante o processamento industrial, preservando carboidratos e proteínas.

A despeito disso, felizmente, esta não é a única forma possível de saborear o cereal. Vale lembrar que a combinação típica do arroz com feijão eleva a qualidade nutricional do produto.

Há também o grão integral que conserva todos os nutrientes do arroz e, quando bem feito, torna-se tão soltinho e gostoso quanto o produto convencional. Existe ainda o arroz parboilizado, cujos grãos passam por um tratamento hidrotérmico que ajuda a manter o valor nutritivo, assim como no caso do arroz integral.

E quem pensa que o produto só vai à mesa na forma de grãos se engana. Atualmente, o farelo do arroz, um subproduto da industrialização, é utilizado na elaboração de cereais matinais, bolachas e pães.

Existe até uma empresa em Santa Catarina que usa a massa alimentícia do arroz para produzir um tipo de macarrão consumido por descendentes de países asiáticos no Brasil. A vantagem deste produto sobre aquele feito a partir do trigo é justamente não conter glúten, o que permite sua apreciação por celíacos.

Um outro uso industrial é o amido de arroz acetilado, um espessante empregado para reduzir o teor de gordura de alguns biscoitos fritos. Isso porque a substância tem a propriedade de diminuir a absorção de óleo durante o preparo do alimento.

Um exemplo adicional vem de uma empresa de Los Angeles (EUA), que mistura a farinha do arroz aos populares chips. Com isso, a companhia conseguiu melhorar a textura do produto comercializado, tornando-o mais crocante e macio e não quebradiço e duro.

A classe médica, por sua vez, tem chamado a atenção para uma outra característica do arroz. Alguns profissionais apontam uma função terapêutica, a saber, o auxílio no combate à diabetes. Isso é atribuído ao modo lento e gradual em que o cereal é absorvido pelo organismo, apresentando baixo índice glicêmico.

Inclusive, o farelo de arroz, desde que se procedam ajustes em sua conservação, poderia virar ingrediente da farinha multimistura, uma opção barata e eficaz para reverter a desnutrição de crianças atendidas pela Pastoral da Criança no Brasil.

Enfim, nada depõe contra o arroz para lhe conferir a má fama. A percepção errônea disseminada por várias pessoas não se sustenta sob argumentos e tem sua origem em algo infelizmente bastante comum: mero preconceito.

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