Autoria:

Moacir José Sales Medrado é pesquisador e chefe-geral da Embrapa Florestas.
Vitor Afonso Hoeflich é pesquisador da Embrapa Florestas.
Alberto William Viana de Castro é pesquisador da Embrapa Amazônia Oriental.

Contato:

Maria Paraguaçu Cardoso

EMail:

mariah@cnpf.embrapa.br

DDD e Telefone(s):

(41) 3675-5742

Palavras-Chave:

setor florestal; madeira; agronegócio

Resumo:

O Brasil é um importante produtor e consumidor de madeira, e estudo realizado recentemente pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) uma tendência do crescimento desse consumo e também na produção de alguns setores no Brasil, principalmente os de celulose e papel e de painéis reconstituídos.

O setor florestal brasileiro é parte importante do agronegócio nacional. As estatísticas mostram a geração de 6,5 milhões de empregos (9% da população economicamente ativa brasileira – PEA), a contribuição anual de mais de RS $ 22,0 bilhões (4,5% do PIB nacional), a exportação de US$ 5,5 bilhões (7,5% das exportações brasileiras) e a arrecadação anual, em 60.000 empresas, de R$ 4,8 bilhões (2% do total arrecadado no país). Esses números dizem respeito quase exclusivamente ao que se gera com madeira, celulose, papel e móveis.

O impacto do setor florestal na economia brasileira seria ainda maior se nas estatísticas nacionais a ele fossem creditados os benefícios das atividades geradoras de produtos não madeireiros como erva-mate, castanha-do-Brasil, borracha, dentre outras. Sabe-se que somente na cadeia produtiva da erva-mate há, pelo menos, cerca de 800.000 emprego.

Para melhorar a eficiência e da eficácia da produção florestal madeireira e não madeireira nacional, com melhoria da condução e da colheita das plantações florestais e, principalmente, da exploração das florestas naturais, é necessário um esforço para a organização de um Sistema de C e amp;T e amp;I para o setor de base florestal.

Corpo:

O Brasil é um importante produtor e consumidor de madeira. Estudo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES, considerando dados da Sociedade Brasileira de Silvicultura – SBS, aponta uma tendência de elevação no consumo de madeira e na produção de alguns setores no Brasil, principalmente os de celulose e papel e de painéis reconstituídos. Nesse estudo registra-se que em 2001, o consumo nacional de madeira foi estimado em 400 milhões de metros cúbicos e que a necessidade de plantio seria da ordem de 630 mil hectares por ano.

O setor florestal brasileiro é parte importante do agronegócio nacional. Entretanto, tem características que o torna diferenciado dos outros componentes desse sistema. A produção florestal, comparativamente à atividade agrícola, implica prazos maiores para o retorno dos investimentos, em conseqüência do tempo necessário para a colheita de árvores e de seus produtos. O negócio florestal propriamente dito está, também, fortemente ligado à conservação do meio ambiente. A atividade agrícola, embora praticada em superfície maior que os outros usos da terra, geralmente não atribui a si esta responsabilidade ambiental. As populações, em geral, identificam as florestas como sinônimo de qualidade ambiental.

Cerca de 64 % do território brasileiro, o que corresponde aproximadamente a 544 milhões de hectares, é coberto com florestas. Parte dessa área destina-se a Reserva Legal (RL) e Preservação Permanente – APPs (florestas ciliares, áreas muito declivosas, topos de morros) enquanto que cerca de 15 milhões de hectares são Florestas Nacionais (Flonas); há também inúmeras áreas de florestas privadas destinadas ao manejo sustentado e, ainda, 2,6 milhões de hectares de florestas nativas inseridas nos reflorestamentos. Apenas 6,4 milhões de hectares são de plantações florestais. Vale ressaltar que uma parte considerável das áreas de RL e APPs encontram-se desflorestadas e com outra destinação de uso, necessitando recuperação ou restauração, respectivamente.

As estatísticas do setor florestal brasileiro evidenciam a geração de 6,5 milhões de empregos (9% da população economicamente ativa brasileira – PEA), a contribuição anual de mais de RS $ 22,0 bilhões (4,5% do PIB nacional), a exportação de US$ 5,5 bilhões (7,5% das exportações brasileiras) e a arrecadação anual, em 60.000 empresas, de R$ 4,8 bilhões (2% do total arrecadado no país). Esses números dizem respeito quase exclusivamente ao que se gera com madeira, celulose, papel e móveis, em que os apoios em ciência, tecnologia e processos gerenciais, produtivos e industriais, permitiram que se alcançasse produtividades de até 70 m3/ha/ano, bem acima da produtividade média do setor, de 25 m3/ha/ano. Com relação especificamente a eucalipto, já estão sendo avaliados, a nível experimental, clones com 110 m3/ha/ano. Essas marcas são muito superiores ao que se consegue na Finlândia, Portugal, Estados Unidos e África do Sul, com 5, 10, 15 e 18 m3/ha/ano, respectivamente.

O impacto do setor florestal na economia brasileira seria maior se nas estatísticas nacionais a ele fossem creditados os benefícios das atividades geradoras de produtos não madeireiros como erva-mate, castanha-do-Brasil, borracha, dentre outras. Sabe-se que somente na cadeia produtiva da erva-mate há, pelo menos, cerca de 800.000 empregos.

Mesmo dentro do subsetor de plantações florestais comerciais, há espaços para ampliação das receitas, através do crescimento da área plantada e melhoria da eficiência de muitos produtores florestais e de algumas empresas que ainda operam com rendimentos abaixo do potencial atual brasileiro.

A melhoria da eficiência e da eficácia da produção florestal madeireira e não madeireira nacional englobará a melhoria da condução e da colheita das plantações florestais e, principalmente, da exploração das florestas naturais, além da geração de tecnologias para produção de novos produtos que possibilitem um maior aproveitamento por árvore, o aproveitamento e a reciclagem de resíduos. Este procedimento passará, necessariamente, pelo estabelecimento de eficientes sistemas de inovação e de informação florestal. E a Embrapa Florestas vem contribuindo de forma significativa no estabelecimento destes sistemas.

Além dessas tendências técnicas, será fundamental que produtores e empresas do setor continuem seus processos de modernização. Especificamente em relação às empresas, tem-se enfatizado que a sustentabilidade das organizações se dará sob a égide não somente da inovação na área técnica, mas também nos aspectos gerenciais. Essa orientação indica que as organizações nesse século enfrentarão desafios e terão que se pautar pelos seguintes princípios: interdependência, valorização da sustentabilidade e do comportamento ético, eficiência ecológica, busca de oportunidades de crescimento, criatividade, recompensa, certificação independente, relacionamento com fornecedores, consumidores e com o entorno. Mais e mais as empresas, principalmente as indústrias, estão tendo que produzir considerando a necessidade de proteger o meio ambiente e assegurar um melhor padrão de vida para as futuras gerações. Para tal será necessário integrar o crescimento econômico, proteção ambiental e bem estar social em uma nova estratégia de negócio.

Enfim, serão importantes, no mundo e neste século, aquelas empresas do setor florestal que buscarem a sustentabilidade da sua produção, incorporando aspectos ligados à manutenção da biodiversidade, a sustentabilidade dos sítios e à certificação da matéria-prima; que na indústria optarem por produzir com baixo custo energético, gerando produtos poupadores de matéria-prima; que aproveitarem os resíduos do processamento e ampliarem os processos de reciclagem; que investirem nas gerências por acreditarem na importância da formação do seu capital humano, levando em conta temas como responsabilidade social e ambiental e, finalmente, trabalharem o mercado pela avaliação de cenários futuros e com o fortalecimento do relacionamento com os grupos de produtores e consumidores organizados.

Assim, pode-se prever que no século XXI será essencial um esforço para a organização de um Sistema de C e amp;T e amp;I para o setor de base florestal.

Compartilhe esta postagem nas redes sociais

Autoria:

Moacir José Sales Medrado é pesquisador e chefe-geral da Embrapa Florestas.
Vitor Afonso Hoeflich é pesquisador da Embrapa Florestas.
Alberto William Viana de Castro é pesquisador da Embrapa Amazônia Oriental.

Contato:

Maria Paraguaçu Cardoso

EMail:

mariah@cnpf.embrapa.br

DDD e Telefone(s):

(41)3675-5742

Palavras-Chave:

inovação; ciência e tecnologia

Resumo:

Com a globalização econômica, as empresas, especialmente as dos países em desenvolvimento, estão sendo pressionadas a manter investimentos contínuos em inovação sob pena de perderem competitividade.

Para que ocorra uma inovação, é preciso que conhecimentos científicos sejam transformados em serviço ou produto, via tecnologia, através de uma complexa seqüência de ações, o que exige investimentos em P e amp;D, pois apesar dos indíces de investimentos registrados no Brasil serem superiores aos da América Latina,estão muito abaixo de investimentos feitos em países mais desenvolvidos que chegam de 2 a 4% do PIB.

Corpo:

Com a globalização econômica, as empresas, especialmente as dos países em desenvolvimento, estão sendo pressionadas a manter investimentos contínuos em inovação sob pena de perderem competitividade.

Para que ocorra uma inovação, é preciso que conhecimentos científicos sejam transformados em serviço ou produto, via tecnologia, através de uma complexa seqüência de ações. Resumindo, o processo de inovação consiste na colocação de uma idéia em prática. É um processo gerador de externalidade positiva, uma vez que cada idéia gerada pode ser insumo de outras tantas.

A inovação é uma ferramenta de grande importância para a política industrial de qualquer região ou país. É certo que as empresas inovadoras contribuem mais efetivamente para o desenvolvimento econômico, pois, normalmente, crescem mais e são mais bem sucedidas. Dessa forma, o investimento em inovação deve ser de responsabilidade das empresas e dos governos.

As empresas devem investir para se manterem competitivas enquanto o governo deve apoiá-las, provendo incentivos ao desenvolvimento e à difusão de idéias e promovendo e mantendo uma política econômica consistente e uma estabilidade político – institucional garantidora da segurança necessária a quem deseja investir em inovação. Algumas vezes, no entanto, o elevado benefício social de determinada idéia força o governo a atuar diretamente na produção e/ou difusão da mesma.

No Brasil, o investimento privado em inovação tem sido muito pequeno e por isto tem sido considerado um gargalo em relação às tentativas nacionais de aceleração do progresso tecnológico. Vale ressaltar as palavras de Dieter Spath e quot;Para que o conhecimento científico seja transformado em valor econômico é preciso ter empresas fortes, que estimulem e invistam dinheiro na pesquisa científica e nos processos de inovação e quot;.

Pode-se afirmar, também, que historicamente tem sido pequeno o investimento público. Em 2000, dados da ANPEI evidenciam que o Brasil investiu em P e amp;D pouco mais de 1% do PIB. Apesar de ser um investimento superior ao da América Latina (0,6%), está muito abaixo de investimentos feitos em países mais desenvolvidos que chegam de 2 a 4% do PIB. A ANPEI também relata que enquanto o setor empresarial responde por mais de 63% dos dispêndios com P e amp;D nos paises membros da OCDE, no Brasil, essa participação é de apenas 37%.

Nas últimas décadas, houve uma pequena melhoria dos indicadores brasileiros em ciência e tecnologia. Hoje o Brasil está entre os 31 países mais significativos para a ciência. No e quot;ranking e quot; dos países que produziram 1% de artigos mais citados do mundo, o Brasil é o vigésimo terceiro. De 1997 a 2001, o Brasil teve 188 artigos entre os mais citados no mundo; quase que o dobro do período 1993 a 1997. O número de pesquisas na área de genômica publicados por brasileiros em periódicos internacionais, por exemplo, cresceu 72,4% entre 1999 e 2003. Apenas as conclusões do sequenciamento da bactéria Xylella fastidiosa já teve 200 citações e o sequenciamento e a comparação dos genomas das bactérias Xanthomonas citri e X. campestri já tiveram 60 citações. Apenas o número de patentes do Brasil ainda continua baixo.

O Brasil tem apresentado bons índices de C e amp;T principalmente quando o comparativo é a América Latina – AL. A produção científica brasileira ocupa quase a metade da produção latino-americana, terminamos a década respondendo por 50% do total de recursos investidos em P e amp;D na.AL e Caribe com um investimento que se aproximou do percentual de 0,9% do PIB, o mais alto da região. O investimento por pesquisador brasileiro foi também o maior (US$ 123 mil) contra US$ 74 mil da média regional. No entanto, quando se compara o número de pesquisadores brasileiro em relação à população economicamente ativa – PEA, temos no Brasil apenas 0,67/mil, que representa um índice abaixo da média da AL (0,69/mil) e muito inferior ao do Japão (9,7/mil) e da União Européia – UE (5,78/mil). Alerta o autor para o perigo dessa situação uma vez que a disponibilidade de recursos humanos qualificados para pesquisa leva muito mais tempo que a recuperação de investimentos em C e amp;T e amp;I.

Apesar de um sensível crescimento no sistema de C e amp;T e amp;I brasileiro, durante a década de 90, não houve, no entanto, uma forte vinculação desse crescimento com a demanda do setor empresarial. Esse fato associado às poucas alternativas consistentes de financiamento público para a inovação não permitiu o desenvolvimento das capacidades de nossas empresas em pesquisa e desenvolvimento – P e amp;D interna, deixando-as em condições de fragilidade frente à concorrência internacional. Isto veio a se modificar na virada do século quando o Ministério da Ciência e Tecnologia e o Ministério do Desenvolvimento traçaram políticas e direcionaram recursos para estimular o processo de inovação empresarial.

Além de haver uma baixa taxa de inovação no Brasil, a inovação por processo supera em muito a inovação por produto. De acordo com dados da ANPEI, entre as firmas industriais com 10 ou mais pessoas ocupadas, a taxa de inovação no período de 1998 a 2000 foi 31,5%, sendo que 13,9% das firmas inovaram apenas em processo, 11,3 % inovaram em produto e processo e 6,3% apenas em produto.

É importante o fato de que há no Brasil, em comparação com países europeus, um percentual bem menor de firmas nos setores de maior intensidade tecnológica. Em função disso, há necessidade de que os esforços direcionados à inovação sejam acompanhados por políticas de estabilização e de recuperação e desenvolvimento da infra-estrutura física do país.

A concentração das atividades de P e amp;D no ambiente acadêmico de universidades e institutos de pesquisa no Brasil apesar de ser importante e essencial não é suficiente. O pequeno número de pesquisadores nas empresas nacionais tem dificultado o relacionamento das mesmas com o ambiente acadêmico que também é reduzido em termos de recursos humanos.

É necessário constituir-se núcleos de P e amp;D dentro das empresas, pois somente com a contínua absorção de técnicos qualificados, com mestrado e doutorado, é que a interlocução entre o setor produtivo e a academia poderá se estabelecer de modo permanente.

Em 2004, o lançamento do Programa de Apoio à Pesquisa em Empresas – PAPPE (Programa de Apoio à Pesquisa em Empresas) e a aprovação da Lei de Inovação que prevê a concessão de incentivos fiscais para o fomento à inovação nas empresas, entre outras ações, foram provavelmente os dois pontos mais importantes para o Sistema Nacional de Inovação – SNI brasileiro e poderão se constituir em marcos do desenvolvimento empresarial brasileiro. O PAPPE tem como um dos objetivos principais a desconcentração da gestão de C e amp;T e assegurar recursos, principalmente, para os Fundos Setoriais de Agronegócio, Saúde, Energia, Verde – Amarelo e Biotecnologia.

No agronegócio, em função dos esforços governamentais e empresariais das últimas décadas, o Brasil tem atingido bom desenvolvimento tecnológico em várias áreas, tais como melhoramento genético, biotecnologia, controle de pragas e doenças ,especialmente controle biológico – aqui podemos citar o combate à vespa-da-madeira desenvolvido pela Embrapa Florestas em parcecira com outra sinstituições,, tecnologia de sementes, nutrição de plantas, práticas agrícolas, incluindo irrigação, conservação de solo e cultivo mínimo. A partir da ampliação dos esforços em pesquisa e desenvolvimento, visando o agronegócio, hoje, cerca de 30% do Produto Interno Bruto – PIB brasileiro provêm dele. Apesar disso, o investimento em ciência e tecnologia em áreas componentes do mesmo ainda é pequeno, especialmente, no setor de base florestal.

Compartilhe esta postagem nas redes sociais