O Plano Nacional de Mineração, coordenado pelo Ministério de Minas e Energia (MME), deixa claro que a gestão de minerais para uso na agricultura é considerada estratégica pelo Governo Federal. É o primeiro plano de mineração com um horizonte de 20 anos e está pautado na sustentabilidade e na ampliação dos benefícios da exploração dos minerais.

O governo vai encaminhar projetos de lei criando o Conselho Nacional de Política Mineral, que irá definir as ações para o setor. O conselho será formado por diversos órgãos do governo, entre eles os ministérios da Agricultura (MAPA) e Desenvolvimento Agrário (MDA). É a primeira vez na história do país que o setor agrícola irá participar das decisões ligadas à política mineral brasileira.

RECURSOS E PRODUÇÃO

Até 2030, as ações previstas pelo programa incluem investimentos de R$ 350 bilhões em pesquisa, mineração e transformação mineral de ferro, aço, cobalto, ouro, fosfato e etc. Destes recursos, R$ 2,1 bilhões serão destinados à ampliação do mapeamento geológico do Brasil.

Com relação à agricultura, um dos objetivos do plano é ampliar a oferta de agrominerais reduzindo, a médio e longo prazo, a dependência do país do mercado externo para atender a demanda da agricultura brasileira por fosfato, potássio e nitrogênio, matérias-primas utilizadas para a fabricação de fertilizantes.

Em função dessa dependência do mercado internacional, os fertilizantes representam mais de 35% do custo de produção dos agricultores brasileiros.

CALCANHAR DE AQUILES

Considerado o principal insumo agrícola para garantir a produtividade média e o crescimento da produção brasileira, os fertilizantes são classificados pelos agricultores e especialistas como o “calcanhar de Aquiles” do setor no país.

E não é para o menos: o Brasil importa, em média, 70% dos fertilizantes que consome. em 2010, o país importou 15,4 milhões de toneladas, no valor de US$ 4,9 bilhões.

Uma das metas do plano é alcançar, num prazo de seis anos, a autosuficiência na produção de fosfato Atualmente, o Brasil produz apenas 50% do fosfato que consome a cada safra.

CONSUMO CRESCE

O volume importado representou um aumento de 4,6 milhões de toneladas em relação a 2009 e a tendência é de que o consumo brasileiro de fertilizantes continue crescendo. Projeções do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) mostram que a partir de 2018 o país estará consumindo 34 milhões de toneladas de fertilizantes anuais.

SEGURANÇA ALIMENTAR

Reduzir essa dependência externa é uma questão de segurança alimentar. Uma maior produção interna de fertilizantes agrícolas significará uma redução substancial no custo da produção de alimentos, o que permitirá uma queda significativa nos preços dos alimentos para o consumidor.

De outro lado, a redução de custos de produção que uma maior oferta interna de fertilizantes irá proporcionar resultará também no aumento da competitividade dos produtos agropecuários brasileiros no mercado internacional. Hoje, o Brasil já é um dos três maiores produtores mundiais de alimentos, respondendo por quase 6% das exportações globais.

No ano passado, por exemplo, a cadeia produtiva do agronegócio brasileiro exportou o equivalente a US$ 76 bilhões, proprocionando um superávit de US$ 63 bilhões, três vezes mais que o registrado na balança comercial do país.

MERCADO

O mercado brasileiro de fertilizantes movimenta algo em torno de US$ 15 bilhões anuais e tem despertado o interesse de investidores internacionais. Exemplo disso é que, até 2015, o setor de fertilizantes deverá receber investimentos de US$ 6,5 bilhões, que serão destinados à construção de fábricas. Quando estiverem em funcionamento, as empresas irão aumentar significativamente a produção brasileira desses insumos, reduzindo a dependência do país do mercado internacional.

FONTE

Agência de Notícias Brasil-Árabe
Joel Santos Guimarães – Jornalista

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