Os agricultores do Sudoeste gaúcho têm buscado novas formas de minimizar o problema da falta de chuvas e garantir a produção. É o caso do engenheiro agrônomo Gérson Herter, produtor em Lavras do Sul (RS) e presidente da Associação de Plantio Direto da Metade Sul do Rio Grande do Sul (Aplandisul). No final de janeiro de 2011, Herter apresentou aos pesquisadores Gustavo Trentin e Naylor Perez e ao analista Marcelo Pilon, da Embrapa Pecuária Sul, experimentos em lavouras de milho e soja semeadas em plantio direto.

Idealizada em julho de 2010, a Aplandisul pretende reunir os produtores de sequeiros da região para a troca de conhecimentos sobre as culturas. Além de promover palestras, o grupo de produtores está formalizando uma parceria com a Embrapa Pecuária Sul para experimentações com seis variedades de soja em diferentes épocas de plantio, além de alternativas de produção forrageira de inverno, como trigo duplo propósito e centeio, entre outras.

Numa propriedade associada à Aplandisul, uma área de milho de dois hectares foi plantada em outubro do ano passado, com a técnica do plantio direto. Ao lado, outra área foi cultivada na forma de plantio convencional a partir de dezembro, quando a patrulha agrícola do município disponibilizou as máquinas para o plantio. Desde então, segundo Herter, a chuva acumulada está abaixo do normal esperado para o período.

No plantio direto, utiliza-se a palhada para reter mais água no solo, diminuir a temperatura da superfície e facilitar a infiltração. No caso da área de plantio direto com milho, a palhada foi dessecada com antecedência, proporcionando o acúmulo de água no solo para o período de necessidade da cultura sucessora. A expectativa de produtividade na área de plantio direto é de 50 sacas por hectare. Já no plantio convencional, que dependeu da patrulha agrícola, recurso que muitas vezes não consegue atender à demanda de todos os agricultores, a expectativa de colheita é incerta. Isso porque o plantio não foi realizado na época recomendada.

O presidente da Aplandisul ressalta que os produtores podem se organizar de forma cooperativista para ter acesso às tecnologias de plantio direto, mesmo em pequenas propriedades. “Dá para usar uma máquina pequena, que pode ser comprada por um grupo e torná-lo independente da patrulha agrícola”, explicou.

ALTERNATIVA

Nos campos de Herter e de seus dois sócios, o plantio direto da soja tem se mostrado uma boa alternativa de enfrentamento dos efeitos da estiagem que atinge a Campanha Gaúcha há quatro meses. Em uma das áreas, foram plantadas em palhada de trigo três repetições de diferentes variedades em setembro, outubro e dezembro de 2010. O objetivo dos experimentos é testar o desempenho dos materiais nas diferentes épocas de plantio. “A soja não sentiu a estiagem até o natal”, lembra.

Em uma outra área, a soja foi plantada em palhada de azevém, forrageira que alimentava o gado que ali permaneceu até o final de setembro, quando foi retirado. Em novembro, foi realizado o plantio direto da soja. Mesmo nas variedades consideradas de risco para a região, como a BMX Energia, plantada em dezembro, as plantas já se encontravam no final de janeiro em plena floração e iniciando inserções de vagens. Herter acredita que mesmo os materiais de ciclo precoce, que têm hábito de crescimento indeterminado, são promissores por não terem o desenvolvimento cessado após o início do florescimento.

Com essa experiência, o produtor apresenta formas de motivar os agricultores a buscar novas formas de produzir em condições climáticas adversas, como as que podem ocorrer na Metade Sul do Estado. “A ideia é trazer esperança para os filhos dos produtores e estimulá-los a permanecer na propriedade”, explica, preocupado com a questão do êxodo rural e da sucessão familiar.

PLANTIO DIRETO

O plantio direto é um sistema de manejo do solo no qual a palha e os demais restos vegetais de outras culturas são mantidos na superfície do solo, garantindo cobertura e proteção contra processos danosos, como a diminuição da umidade superficial, a perda de nutrientes e a erosão. O solo é manipulado no momento do plantio, quando é aberto apenas um sulco onde sementes e fertilizantes são depositados. Não existe nenhum método de preparo do solo. O mais importante controle que se dá nesse modo de cultivo é o das plantas daninhas, além do manejo integrado de pragas e doenças em geral. Também é fundamental para o sucesso do sistema que seja utilizada a rotação de culturas.

Entre os benefícios que diminuem os custos de produção e o impacto ambiental estão a maior retenção de água no solo e a facilidade de infiltração, motivando a redução da erosão e a perda de nutrientes por arrasto para as partes mais baixas do terreno; evitar o assoreamento de rios; enriquecer o solo aumentando a matéria orgânica; a economia de combustíveis e o menor número de operações, excluindo aração e gradagem, o que possibilita menor uso dos tratores e, consequentemente, menor desgaste das máquinas.

FONTE

Embrapa Pecuária Sul
Breno Lobato – Jornalista

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