A produção de café no Espírito Santo representa a maioria das lavouras capixabas, entretanto esse produto não se colhe o ano inteiro, e o agricultor familiar que depende da renda da plantação fica comprometido com essa cultura. Com o objetivo de diversificar as lavouras nas propriedades, o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), órgão vinculado à Secretaria de Estado de Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag), está mudando a vida dos agricultores de Colatina, município da região Noroeste do Estado, com o auxílio na produção de frutas, junto com os cafezais.

A manga é a fruta mais cultivada nas propriedades dos agricultores colatinenses, em razão do Polo de Manga existente na região. “Esse trabalho que o Incaper está levando aos pequenos produtores, mostra que vale a pena diversificar a lavoura, pois como o café só se colhe uma vez ao ano, a manga se cultiva e se colhe em outras épocas, e isso ajuda na renda do agricultor. Sem falar que os recursos adquiridos são investidos na propriedade e eles acabam não perdendo lucro”, enfatiza o extensionista do Incaper, José Carlos Grobério.

São 681 propriedades que já diversificam a lavoura no município, que é predominante de café com outras variedades de frutas além da manga. Atualmente os agricultores familiares se dedicam também na produção de banana, caju, cacau, melancia, abacaxi, maracujá e mamão.

RENDA

Com uma propriedade de 95 hectares, Eduardo Glober, 71 anos, trabalha na lavoura de café desde os 6 anos de idade e atualmente faz questão de diversificar a produção com a manga e outras variedades de frutas. “Eu tenho 1.180 pés de manga e em 2010 tive uma boa colheita, vendi tudo para as indústrias de polpas da região. Também vou começar a plantar o abacaxi, pois recebi três mil mudas, e isso vai me ajudar muito na renda da minha família, já que pagamos contas e gastamos dinheiro todo dia e só com o café fica difícil, e essa diversificação veio para ajudar nossa situação”, afirma.

Outro caso de agricultor satisfeito com a diversificação da lavoura é o de José Gom, 75 anos. Segundo ele o incentivo que o Governo do Estado, por meio da Seag e do Incaper, está dando aos agricultores para produzir frutas está ajudando na melhoria da qualidade de vida dos produtores rurais. “Além do café eu sempre plantei outras culturas para subsistência, mas com a manga, cacau, banana, graviola e o abacaxi, eu tenho condições de renovar sempre a terra e me garante um lucro maior”, explica.

O Incaper incentiva e presta toda a assistência necessária para a diversificação nas lavouras dos agricultores interessados, desde o processo de estudo de possibilidades de cultivo até a colheita e venda dos produtos. Para quem se interessar pela ação do Instituto basta procurar o escritório local do Incaper em um dos 78 municípios capixabas clique aqui para acessar a lista dos municípios e os escritórios do Incaper.

POLO DE MANGA

A partir de 2004 foram estabelecidas ações que consistiram num esforço ordenado, em um espaço geográfico definido, que é a região de Colatina e municípios circunvizinhos, no qual os produtores rurais, agroindústrias, instituições públicas, privadas, formas associativas de representação de produtores, empresas prestadoras de serviços Especializados vinculadas ao agronegócio, desenvolveram as atividades de forma sinérgicas e integradas para a implantação e o desenvolvimento do Polo da Manga.

A consolidação do Polo de Manga passa por ações de planejamento focadas na adequação da base tecnológica, com expansão da área cultivada, ampliação de produção e produtividade, além da melhoria da qualidade do fruto. O desenvolvimento de novas tecnologias propicia sistemas de cultivos adaptados às condições de clima e solo do Estado.

O Polo de Manga tem como meta ampliar a área plantada com a cultura da manga para indústria, distribuir mudas em parceria com as associações e cooperativas de produtores, aumentar a produtividade média da mangueira, além de beneficiar diretamente famílias rurais, incluindo proprietários, parceiros, colaboradores permanentes e eventuais.

CAFEICULTURA NO ESPÍRITO SANTO

O Espírito Santo ocupa menos de 0,5% do território brasileiro. Nessa pequena área, está inserida uma das mais imponentes cafeiculturas do mundo, numa área aproximada de 500 mil hectares, que são responsáveis pela produção anual de 10,7 milhões de sacas, entre arábica e Conilon, oriundas de 60 mil propriedades. Essa produção coloca o Espírito Santo como o segundo maior produtor do Brasil, com 25% da produção nacional. Quando se trata apenas do Conilon, o Estado ocupa o primeiro lugar, com 72% da produção do Brasil. Se fosse um país, o Estado seria o terceiro maior produtor mundial, perderia para o próprio Brasil e Vietnã.

O café está presente em todos os municípios capixabas, exceto Vitória, sendo ele o maior gerador de empregos no Estado. A cafeicultura é a principal atividade econômica em 80% dos municípios e representa, sozinho, 43% do PIB agrícola do Estado. Toda a cadeia produtiva gera aproximadamente 400 mil postos de trabalhos por ano, e só no setor de produção são envolvidas 131 mil famílias. A produção que gera esse grande negócio é obtida prioritariamente por produtores de base familiar, com tamanho médio das lavouras em torno de 4,8 hectares para o café arábica e 9,4 hectares para o café Conilon.

Dentro da produção de café estadual, aproximadamente 73% é de Conilon e 26% de arábica. O café Conilon é plantado em 64 municípios, em regiões quentes, com altitudes inferiores a 500 metros. Os maiores produtores são Vila Valério, Jaguaré, Sooretama, Linhares, Rio Bananal, São Mateus, Nova Venécia, Pinheiros São Gabriel da Palha, e a produção de cada município é superior a 400 mil sacas por ano. A safra de Conilon em 2010 foi de 7,33 milhões de sacas.

Já o arábica é produzido em 43 municípios capixabas – em regiões com altitude superior a 500 metros -, envolvendo 20 mil propriedades. Cerca de 70% da produção advém das regiões do Caparaó e Serrana, sendo que os principais municípios produtores são Brejetuba, Iúna, Vargem Alta, Muniz Freire, Irupi, Ibatiba. A produtividade média no Estado é de 15,2 sacas beneficiadas/ha, mas muitos produtores alcançam produtividades superiores a 40 sacas/ha, atingindo até 80 sacas/ha.

PLANEJAEMTO

A cafeicultura do Estado do Espírito Santo tem um planejamento com ações bem definidas até o ano 2025, contempladas pelo Novo Pedeag ? temática café. Em síntese, esse plano estratégico estabelece metas para o café capixaba: dobrar a produtividade e produção estadual com a produção de 30% do café superior, sem aumento de áreas.

Para alcance dessas metas foram levantados problemas e definidas várias ações estratégicas, que estão sendo implementadas, a curto, médio e longo prazo. As ações prioritárias atuais são: programa de melhoria da qualidade do café Conilon, programa Renovar Café Arábica, marketing internacional e nacional dos cafés do Espírito Santo, desenvolvimento de novas variedades, melhor manejo de irrigação, associação de cafés com árvores, certificação e mercado.

FONTE

Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural
Assessoria de Comunicação do Incaper
Otavio de Castro – Jornalista
Telefone: (27) 3137-9868

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