Uma pesquisa do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), em parceria com o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), revela que 84% dos jovens rurais não querem trocar o campo pela cidade. Para garantir isso, o MDA desenvolve programas de acesso à terra e de apoio à produção, com linhas voltadas à Juventude Rural. Um deles é o Programa Nossa Primeira Terra, que disponibiliza crédito para pessoas entre 18 e 29 anos, com juros de 1% ao ano para obtenção de terras. Os jovens ainda contam com serviços de Assistência Técnica e Extensão Rural. Fonte: TV NBR

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Dados inéditos da fundação internacional Walk Free revelam que cerca de 35,8 milhões de pessoas são mantidas em situação de escravidão no mundo. O relatório de 2014 da organização ainda será lançado no dia 18 de novembro e a versão em português será apresentada em 1º de dezembro, no Rio de Janeiro, durante a entrega do Prêmio João Canuto, de direitos humanos.

Em entrevista à Agência Brasil, a representante da Walk Free no país, Diana Maggiore, conta que o número de pessoas escravizadas hoje cresceu 20%, em relação aos 29,8 milhões de pessoas apontadas no The Global Slavery Index 2013, o primeiro relatório da organização.

Segundo a Walk Free, no Brasil há cerca de 220 mil pessoas trabalhando como escravos. Diana Maggiore explicou que, em 2013, pela primeira vez, o número de pessoas resgatadas de situações de escravidão no setor urbano foi maior que no setor rural no país. "Por causa dos eventos esportivos, tivemos muitos registros na construção civil e a tendência deve continuar até as Olimpíadas. O Brasil está crescendo, daqui a alguns anos pode ser diferente", disse.

Entre as formas de escravidão estão o tráfico de pessoas, o trabalho infantil, a exploração sexual, o recrutamento de pessoas para conflitos armados e o trabalho forçado em condições degradantes, com extensas jornadas, sob coerção, violência, ameaça ou dívida fraudulenta. Os últimos dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT), de 2012, apontam que quase 21 milhões de crianças e adultos estão presos em regimes de escravidão em todo o mundo.

O maior número de trabalhadores forçados, segundo a OIT, está na Ásia e região do Pacífico, com 11,7 milhões de pessoas nessas condições. No último dia 23 de outubro, Sandra Miranda, de Brasília, recebeu uma encomenda do site chinês AliExpress com um pedido de socorro: "I slave. Help me [Sou escravo, ajude-me]". A filha da advogada colocou a foto da mensagem nas redes sociais e já teve mais de 15 mil compartilhamentos. "Fiquei perplexa, pensei até que fosse brincadeira, mas o pacote estava muito bem fechado, então veio mesmo de quem embalou", disse.

"A alegação feita contra um dos vendedores da plataforma AliExpress está sendo investigada", respondeu a empresa do Grupo Alibaba à Agência Brasil. Segundo Sandra Miranda, um representante da empresa entrou em contato e explicou que o site apenas revende os produtos que já chegam embalados de diversas fábricas e que precisaria rastrear de qual vendedor veio o seu produto.

A Embaixada da China no Brasil respondeu dizendo que o país asiático tem leis que proíbem rigorosamente o trabalho escravo e um órgão que atua para sua erradicação, similar ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) no Brasil. Sobre o pedido de socorro no pacote de Sandra Miranda, não há solução, segundo a embaixada, já que no bilhete não havia nome, nem nada que pudesse levar à identificação da vítima.

A mensagem, entretanto, chamou atenção para a situação dos trabalhadores daquele país. Segundo o coordenador Nacional do Programa de Combate ao Trabalho Forçado da OIT no Brasil, Luiz Machado, já houve outras mensagens semelhantes, não só no Brasil, e mostra um problema grave que deve ser endereçado às autoridades chinesas.

Machado explica que, independente da China não ter ratificado as convenções sobre trabalho escravo da organização, a OIT lançou em 1998 a Declaração de Princípios e Direitos Fundamentais no Trabalho, que prega a erradicação do trabalho escravo e infantil, a não discriminação no trabalho e a liberdade sindical. "A China fez avanços e vem trabalhando melhor a regulação da relação de trabalho, coisa que nem existia por lá. A OIT tem escritório no país e projetos de cooperação técnica na área, ela [China] vem se abrindo a aceitar essa cooperação, aceitar observar os direitos humanos", explicou.

Segundo Machado, o perfil de trabalhadores escravizados na Ásia não é muito diferente de outros lugares do mundo. São pessoas pobres, a maioria mulheres e crianças, por serem mais vulneráveis, que geralmente migram do seu local de origem, dentro do próprio país ou não, por conta própria ou forçados, e sem educação formal aceitam qualquer proposta de trabalho; podem ser enganadas ou ter a liberdade cerceada e acabam aceitando a exploração por ser a única forma de ganhar um pouco de dinheiro ou comida.

O coordenador da OIT explica que qualquer governo que tenha relações comerciais com outro país e que perceba que, no processo de fabricação de seus produtos, há a utilização de trabalho escravo, pode impor condições para sua comercialização, assim como faz o setor privado.

"Temos o caso clássico de Myanmar, que sofreu condenação na OIT e sanções econômicas por causa da exploração de trabalho forçado. Existem casos mais específicos de empresas privadas, como o embargo da indústria automotiva ao aço brasileiro. Em determinado momento, descobriu-se que o carvão utilizado em siderúrgicas vinha de trabalho escravo e infantil e do desmatamento ilegal. As pessoas começaram a dar mais atenção a toda a cadeia de valor", contou Machado.

Segundo o Ministério das Relações Exteriores (MRE), o Brasil não mantém acordos bilaterais de combate ao trabalho escravo nem impõe sanções unilaterais a outros países por questões sociais. "O Brasil defende que eventuais sanções sejam determinadas por órgãos multilaterais como o Conselho de Segurança das Nações Unidas. Na área de combate internacional ao trabalho escravo, o país participou neste ano, em Genebra, da elaboração do novo protocolo da Convenção da OIT sobre trabalho escravo. O governo brasileiro deverá ser um dos primeiros países a ratificá-lo", disse o Itamaraty, em nota.

Segundo Machado, o Brasil é um dos pouquíssimos países que tem estrutura específica de combate ao trabalho escravo, que são os grupos de fiscalização móvel do MTE, em parceria com a Polícia Federal. De 1995 até 2013, quase 47 mil vítimas foram resgatadas da situação de escravidão no Brasil, entre brasileiros e estrangeiros. Historicamente, os setores agropecuário e sucroalcooleiro são os que mais aparecem na lista suja do trabalho escravo, mas a construção civil e a moda vêm ganhando destaque.

Para o coordenador da OIT no Brasil, o país deve se preparar para enfrentar a questão da imigração, já que cada vez mais latino-americanos, africanos e asiáticos estão vindo em busca de trabalho. "Não há um processo ainda desburocratizado para apoiar o trabalhador migrante. O Estatuto do Estrangeiro, de 1980, tem que ser revisado e adequado ao novo cenário global de fronteiras", argumentou Machado.

Fonte: Agência Brasil
Andreia Verdélio – Repórter
Denise Griesinger – Edição

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A Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior, do Ministério da Educação (MEC), autorizou o funcionamento de 44 cursos superiores em instituições públicas e privadas por meio de portaria publicada na edição de ontem (03/11/14) do Diário Oficial da União (DOU). São três cursos de tecnólogo e os demais de licenciatura e bacharelado. A autorização é o passo necessário para iniciar a oferta de curso de graduação.

A oferta de vagas varia de 25 a 120. Os cursos, as instituições, os endereços onde podem ser ministrados e o número de vagas estão detalhados na Portaria 646, de 30 de outubro de 2014. Entre os autorizados estão cursos de ciência da computação, engenharia civil, hotelaria e agroecologia.

No dia 31 de outubro, o Ministério de Educação reconheceu 209 cursos superiores de bacharelado, licenciatura e tecnológicos, presenciais e a distância. Os cursos são de instituições públicas e privadas.

Fonte: Agência Brasil
Yara Aquino – Repórter
Valéria Aguiar – Edição

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As chuvas começaram a chegar, discretamente, no Sudeste, mas ainda não devem ser suficientes para repor a água nos reservatórios que abastecem a região metropolitana de São Paulo. A população sofre com a estiagem prolongada, mas a economia de água deve ser praticada por todos os brasileiros, em tempos imprevisíveis de mudanças climáticas. Epara ajudar as famílias a economizarem, diversos aplicativos e ferramentas online estão disponíveis para fazer a contagem e controlar o que é gasto de água em casa.

Preocupados com a escassez de recursos hídricos, um grupo de alunos do Rio de Janeiro desenvolveu um aplicativo para combater o desperdício. O iWater.capile.net – calcula o gasto de água em atividades do dia a dia como, por exemplo, abrir uma bica, um banho demorado ou uma lavagem de carro com mangueira, e carrega o histórico de consumo do usuário.

A Organização das Nações Unidas (OONU) prevê que a população precisará de 40% a mais de água em 2030 e, ainda assim, os brasileiros estão muito distantes do tema água, que só chama a atenção quando há uma crise instalada.

O estudante Victor Capilé, de 16 anos, que desenvolveu o iWater, explica que, além da contagem, a ferramenta traz informações e curiosidades sobre os recursos hídricos no mundo. "Acredito que a falta de água ainda pode desencadear guerras se não fizermos alguma coisa. Então decidimos levar o projeto adiante, porque as pessoas precisam ter essa conscientização", disse Victor.

O aplicativo gratuito, criado como trabalho para a feira de ciências da Escola Garriga de Menezes em 2013, já está disponível na internet no iWater.capile.net. Os alunos agora querem aprimorá-lo e também estão arrecadando fundos para disponibilizar a versão para smartphones nas lojas de downloads.

Além do iWater, outros aplicativos e ferramentas estão disponíveis para a população. Para os moradores da cidade de São Paulo, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) criou a Calculadora dos Sonhos, uma ferramenta que permite controlar o consumo e projetar o desconto que pode ter na conta de água.

O aplicativo Nossa Água, desenvolvido pelo Instituto Akatu e a Federação Brasileira de Bancos Febraban), orienta as pessoas em relação ao consumo consciente da água, além de oferecer calculadora de banho, dicas para um consumo eficiente e game sobre vazamentos. O instituto também possui uma plataforma que testa o consumo consciente das pessoas.

A Agência Brasil também encontrou para downloads os aplicativos Hydro, Da Sua Conta, Sai Desse Banho e o Fake Shower. Esse último, de forma bem humorada, permite manter a privacidade evitando o desperdício de água, já que há ainda quem ligue o chuveiro ou a torneira para evitar que outras pessoas ouçam os sons vindos do banheiro.

Fonte: Agência Brasil
Andreia Verdélio – Repórter
Valéria Aguiar – Edição

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Órgãos públicos são denunciados por tentar impedir que candidatos com graduação superior à exigida no edital assumam cargo conquistado em concurso. Nos tribunais, tem prevalecido o entendimento de que os profissionais têm direito à vaga. Fonte: Programa Via Legal

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A Embrapa Trigo conduz uma linha de pesquisa no melhoramento de trigo voltada ao desenvolvimento de cultivares capazes de atender à demanda do nicho de alimentos como biscoitos, wafer, macarrão instantâneo, pizzas e alimentos infantis. Na última década, o setor tritícola investiu pesado na produção de trigo pão, com o objetivo de atender à demanda desta indústria, responsável por 60% do consumo do cereal no país. As empresas de melhoramento passaram a trabalhar direcionadas ao desenvolvimento dessas cultivares e esse realinhamento no complexo agroindustrial resultou numa lacuna no segmento destinado à fabricação de outros alimentos.

De acordo com a Embrapa Trigo, a disponibilidade de trigo pão passou de 40%, em 2006, para 95%, em 2012, enquanto o trigo brando representava mais de 60% das cultivares no mercado em 2006 e hoje representa apenas 6% dos materiais em uso nas lavouras.

No que se refere ao trigo, atender necessidades específicas do mercado significa distinguir lotes com aptidão tecnológica diferenciada. Assim, o trigo para biscoitos será diferente do trigo para macarrão, que será diferente do trigo para pão e assim por diante.

Trigo brando: qualidade inferior?

Durante muito tempo, o trigo brando (também chamado de soft, no mercado internacional, ou doméstico e básico, no Brasil) foi considerado produto de qualidade inferior, com menor remuneração no mercado nacional. Entretanto, com o crescimento da indústria de biscoitos, esse cenário começa a mudar. Ainda em 2003, representantes da americana Kraft Foods estiveram na Embrapa Trigo (Passo Fundo/RS) para conhecer o trigo brasileiro. A visita resultou nas primeiras exportações de trigo, com cerca de 200 mil toneladas de grãos com baixa força de glúten.

Hoje, o Brasil é o segundo maior produtor mundial de biscoitos e o consumo dos brasileiros praticamente dobrou em menos de dez anos, com a média atual de 6,3 kg por habitante ao ano, especialmente de biscoitos recheados (30%) e cream crackers/água e sal (25%). O segmento de biscoitos e bolachas representa 50% do valor das exportações com derivados de trigo, gerando receitas que chegam a 60 milhões de dólares por ano.

Esses números continuam atraindo grandes marcas, como a suíça Nestlé, que tem trabalhado desde 2012 junto à pesquisa e ao setor produtivo no fomento do trigo brando.

"O Brasil é o segundo maior mercado para a Nestlé, logo atrás dos Estados Unidos, tanto em faturamento quanto em volume de vendas" conta o gerente agrícola para cereais, Olivier Marchand. Segundo ele, a aproximação com cooperativas visa à produção de 20 mil toneladas de farinha de trigo brando até 2015, num projeto futuro de chegar a 100 mil toneladas até 2018.

"Somente a nossa fábrica de biscoitos em Marília, no Paraná, consome cerca de 110 mil toneladas por ano. Precisamos garantir que essa produção esteja disponível aqui" conclui Marchand.

Interação com o setor produtivo

No moinho da Cooperativa Agroindustrial Alfa (Chapecó/SC), a capacidade instalada de processamento de trigo é de 650 toneladas/dia, volume que pode resultar em 480 toneladas/dia de farinha. De acordo com o responsável pelo moinho, Júlio Tanilo Bridi, na última safra a produção do cereal na área de abrangência da cooperativa foi dividida em 80% pão e 20% básico. A produção deste trigo é direcionada sob encomenda da indústria de biscoitos e o produtor é remunerado com a mesma cotação do trigo pão.

Na Cooperativa Agrária Agroindustrial (Guarapuava/PR), a aproximação com a indústria começou em 2000 e hoje o segmento de biscoitos representa o principal mercado para o trigo na área da cooperativa. Em 2013, foram cultivados 22.897 hectares de trigo por mais de 300 produtores. Na área, a distribuição foi em 70,4% para trigo básico; 21,2% trigo pão e 6,2% para melhorador.

"A cada ano, identificamos as melhores linhagens e cultivares junto aos obtentores e avaliamos, em média, 30 materiais no chamado Ensaio Trigo Biscoito, em que contamos com o acompanhamento da indústria. Caso a farinha da linhagem ou cultivar seja aprovada, passamos à multiplicação de sementes com os nossos cooperados, com a autorização do obtentor vegetal" explica o pesquisador Juliano Luiz de Almeida.

Os cooperados recebem uma bonificação para produzir trigos especiais segregados por cultivar para atender contratos anuais com a indústria. "Geralmente, o planejamento do volume de produção almejado está alinhado com a demanda da indústria, mas qualquer excedente deste tipo de trigo é disputado no mercado" avalia Almeida.

Pesquisa

A Embrapa Trigo conduz uma linha de pesquisa no melhoramento de trigo voltada ao desenvolvimento de cultivares capazes de atender à demanda deste novo nicho de mercado, já que não basta apenas ser básico/brando para atender à indústria de biscoitos. A aproximação entre pesquisa e indústria aponta para características específicas, como trigos de baixa absorção de água e baixo teor de proteínas, preferencialmente entre 7% e 9 %, ainda indisponíveis no mercado brasileiro. Conforme o pesquisador Ricardo Lima de Castro, cada marca comercial ainda conta com suas próprias necessidades para a diferenciação dos produtos.

"A pesquisa tem trabalhado em parceria para desenvolver cultivares que atendam características qualitativas específicas para a fabricação de biscoitos, mas cabe ao produtor ou cooperativa selecionar os melhores ambientes e segregar os grãos na colheita para garantir a liquidez no mercado. É um nicho de mercado e deve receber atenção especial durante todo o processo" explica o pesquisador.

Fonte: Embrapa Trigo

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A nova vacina contra a dengue, que já passou por todas as fases de estudos e testes, mostrou redução de 95,5% das formas graves da doença, inclusive a do tipo hemorrágica, na etapa de testes no Brasil e na América Latina. Até a primeira semana de outubro de 2014 pelo menos 377 pessoas morreram em decorrência da dengue no país.

A vacina, desenvolvida pelo laboratório Sanofi Pasteur, é a primeira contra a dengue concluída no mundo. O produto demonstrou proteção de 60,8% contra os quatro tipos da doença. Ou seja: a cada 100 pessoas imunizadas, 60,8 não contraem a doença; e entre as que contraem, 95,5 em cada grupo de 100 não terão as formas graves da dengue.

"Isso significa que praticamente não vamos mais ter casos graves da doença", avaliou Sheila Homsani, gerente médica da Divisão de Vacinas do laboratório, ressaltando que a imunização também vai reduzir as internações decorrentes da dengue.

Segundo Sheila, os testes demonstraram que a vacina tem níveis de segurança comparáveis aos dos placebos dados aos pacientes. "É uma vacina segura", enfatizou. A imunização deve ser aplicada em três doses, com intervalos de seis meses.

O laboratório deve entrar com pedido de avaliação da vacina na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), no primeiro trimestre de 2015, e a expectativa é que até o final de 2015 ela esteja registrada no Brasil para ser vendida e até usada pela rede pública.

Fonte: Agência Brasil
Aline Leal – Repórter
Stênio Ribeiro – Edição

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