O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou no dia 17 de novembro de 2014 o primeiro Mapa de Agressividade Climática na Amazônia Legal. O documento compila dados coletados por três décadas em 326 estações climatológicas e pluviométricas, além de informações do próprio IBG Ee da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam).

Produzido pelo Diagnóstico Ambiental da região, estudo da década de 1990 para conjugar a análise das variáveis climáticas, o material também leva em conta o relevo e a cobertura vegetal da Amazônia Legal.

Apesar dos dados analisados terem sido coletados entre as décadas de 1960 e 1990, o coordenador de Recursos Naturais do IBGE, Celso José Monteiro Filho, diz que o mapa é importante para mostrar a importância da questão em uma região como a Amazônia, entendendo as condições climáticas como um agente potencialmente transformador de um ambiente.

"O levantamento é necessário para compreender o funcionamento do sistema natural por conta do clima. Ele ajuda muito a avaliar a vulnerabilidade do ambiente. Não é um mapa que indica ou apresenta problemas relacionados às chuvas e à falta de água em São Paulo. O objetivo é mostrar que o agente transformador de qualquer ambiente é o clima. Se esse clima é alterado por desmatamento ou ocupação, a alteração transformará o ambiente", salientou.

O mapa incluiu três grandes classes de agressividade: alta, média e baixa. Cada uma é subdividida em fatores, conforme o índice de concentração de chuvas, número de meses com excesso e deficiência e totais médios anuais de chuva.

De acordo com Monteiro Filho, é necessário um mapa com dados atuais, para verificar como ocorreram as mudanças na região nas últimas décadas. "Até 1990, os dados não eram muito bons. Hoje, são muito melhores. É preciso uma outra análise para entendermosr como a situação se deu nos últimos 24 anos. De qualquer forma, era uma informação perdida. Na ciência, você tem de ter uma base de comparação". Ressaltou que as modificações na região tropical foram intensas nos últimos 24 anos e que ainda não há previsão da nova análise.

O mapa do Potencial de Agressividade Climática na Amazônia Legal pode ser acessado na página do IBGE.

Fonte: Agência Brasil
Akemi Nitahara – Repórter
Armando Cardoso – Edição

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Apesar de dados que têm despertado o pessimismo de analistas e de uma parte da sociedade, a economia brasileira continua atraindo o interesse de alguns investidores estrangeiros – uma contradição aparente que encontra explicações no longo prazo.

Animados, Phil Popham, diretor de marketing da Jaguar Land Rover (JLR), e Terry Hill, diretor do grupo para a América Latina, descreveram no Salão Internacional do Automóvel, no mês passado em São Paulo, os planos da empresa para a construção de uma fábrica em Itatiaia e as perspectivas de negócios no país. "O segmento de carros premium continua a crescer apesar da desaceleração", explicou Popham. "Além disso, nosso foco é no longo prazo."

A fábrica da JLR no Brasil será a primeira totalmente controlada pelo grupo fora da Grã-Bretanha e começará a fabricar o Land Rover Discovery Sport em 2016. A estimativa é que custe R$ 750 milhões e crie, inicialmente, 400 empregos – número que poderia dobrar em alguns anos.
O grupo não parece ser o único a olhar para além do atual estado de quase estagnação da economia brasileira – que deve crescer em torno de 0,3% este ano, segundo as projeções do mercado.

Surpreendemente, apesar da desaceleração, o fluxo de Investimentos Diretos Estrangeiros (IDE) para o Brasil continua em patamares relativamente elevados. Nos últimos 12 meses, tal fluxo atingiu US$ 66,5 bilhões, segundo dados do Banco Central (BC) – mesmo nível de 2011, quando o Brasil ainda era o queridinho entre economias emergentes. Em 2010, quando o PIB se expandiu 7,5%, o IED ficou na casa dos US$ 48 bilhões.

Dados da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) parecem confirmar o fenômeno. De acordo com a entidade, o ID Epara o Brasil aumentou 8% de janeiro a agosto na comparação com 2013. Já na região como um todo, os investimentos estrangeiros caíram 23%. O caso do setor automobilístico chama a atenção também porque ele parece ter sido um dos mais rapidamente afetados pela freada do PIB.

As vendas caíram 8,9% este ano sobre o mesmo período de 2013 e os pátios cheios se tornaram a imagem-símbolo do desaquecimento econômico. O setor também teria fechado 12 mil postos de trabalho nos últimos 12 meses, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Ainda assim, também no Salão do Automóvel, tanto a BMW quanto a chinesa Chery Internacional apresentaram modelos de carros a serem produzidos em fábricas recém-inauguradas no Brasil.

Ea Geely Automobile, também chinesa, confirmou que está estudando a abertura de uma montadora no país embora, como ressalta Rodrigo Baggi, da consultoria Tendências, "ao menos no curto e médio prazo, haja dúvidas sobre se haverá demanda para tanto carro".

O que explica a resiliência desse interesse estrangeiro pelo Brasil?

Planejamento

Parte desses investimentos foi planejada anos atrás, quando o crescimento brasileiro ainda empolgava, como nota o economista Caio Megale, do Itaú-Unibanco.

"Mas isso só explica uma parte da história", diz Megale. "O mercado brasileiro de fato tem algumas características que tem ajudado a sustentar o interesse estrangeiro. Somos uma democracia estável e a economia ainda apresenta fundamentos sólidos, por exemplo."

Irene Mia, diretora para América Latina e Caribe da Economist Intelligence Unit, concorda. A EIU tem planos de abrir um escritório em São Paulo até o final do ano, para "melhor servir seus clientes brasileiros e estrangeiros focados no Brasil".

"O crescimento não é o único critério usado pelos investidores para tomar suas decisões de investimento. A atratividade do Brasil para o ID Epermanece enorme ", diz ela.

Economistas e analistas econômicos costumam apontar pelo menos dois fatores que estariam por trás da atratividade do mercado brasileiro.

O primeiro estaria ligado à escala desse mercado, que estimularia as empresas a pensarem "no longo prazo" no que diz respeito ao Brasil.

"O mercado de cosméticos brasileiro é o terceiro maior do mundo, o automobilístico é o quarto maior e o de laptops, o terceiro", diz Olavo Cunha, do Boston Consulting Group.

"Muitas multinacionais sentem que precisam ter um plano para o Brasil para os próximos dez, vinte anos. Emesmo aquelas que já têm uma forte presença no país, como a Nestlé ou a Unilever, por exemplo, precisam fazer investimentos para manter sua fatia do mercado no longo prazo."

Mobilidade social

Nos últimos anos, as dimensões do mercado brasileiro ainda teriam sido reforçadas pelo processo de expansão da Classe C. Milhões de brasileiros deixaram a pobreza para serem incluídos nessa nova classe de consumidores. Eembora esse processo tenha sido freado pela desaceleração, continua em curso.

Além disso, como as taxas de desemprego continuam em patamares historicamente baixos, ao menos até agora a desaceleração ainda não chegou a afetar de forma drástica a vida e hábitos de consumo da maioria dos brasileiros, segundo os analistas.

Outro fator que fomentaria o interesse estrangeiro pelo Brasil é que alguns nichos da economia brasileira – e algumas regiões geográficas do país – ainda estão crescendo em um ritmo relativamente acelerado.

O setor de petróleo e gás, por exemplo, continua a atrair a atenção de investidores – embora o escândalo de corrupção da Petrobras possa deixar sequelas.

A área de infra-estrutura também seria promissora, segundo Luis Afonso Lima, presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e Globalização Econômica (Sobeet). "Há um enorme potencial para se atrair aportes nessa área, mas para isso o governo precisa garantir um ambiente regulatório favorável", diz ele.

O mercado de bens de luxo é outro exemplo. De acordo com um relatório da McKinsey, o número de grifes estrangeiras com presença no Brasil dobrou nos últimos cinco anos. Ainda assim, as três principais marcas de luxo no país têm apenas 0,3 lojas para cada milhão de clientes em potencial – contra 4 lojas na China.

No caso dos carros premium, a JLR prevê que eles possam aumentar sua participação de 2% para 4% ou 5% do mercado de automóveis no Brasil até 2020. Na Europa, essa participação é de 10% e há pouco espaço para crescimento.

Mesmo entre os modelos populares, associações do setor acreditam haver espaço para uma expansão do mercado automobilístico no longo prazo.

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), por exemplo, projeta que, até em um cenário pessimista, a frota de automóveis no país deve dobrar nos próximos 20 anos.

"Para completar, as empresas estrangeiras também estão lentamente descobrindo o potencial de crescimento das cidades médias e interior do país", diz Baggi, da Tendências. "Impulsionadas por recursos do agronegócio, algumas dessas cidades estão se tornando uma nova fronteira de consumo"

Alta lucratividade

Para Marcos Troyjo, Co-Diretor do BRICLab na Universidade Columbia, há ainda um outro fator por trás da atratividade do Brasil para investidores estrangeiros. "Um carro que custa US$ 15 mil nos Estados Unidos pode ser vendidos no Brasil pelo dobro ou o triplo", diz ele.

O preço mais alto compensa, em parte, os custos da carga tributária mais elevada, a complexa burocracia do país e os problemas ligados à falta de infraestrutura.

"Mas as margens (de lucro) também são maiores. As empresas são obrigadas por barreiras protecionistas a produzir no país para acessar o nosso mercado doméstico. Mas, uma vez aqui, elas também acabam protegidas da concorrência externa", diz Troyjo.

"Quem perde, mais uma vez são os consumidores brasileiros."

Segundo Troyjo, 2015 será decisivo para definir as Tendências nos fluxos de ID Epara o Brasil nos próximos anos.

"Se o governo começar a fazer as reformas e correções de rumo na política econômica vistas como necessárias para a retomada do crescimento, os investidores devem responder positivamente. Se o sinal for contrário, alguns podem começar a repensar até sua estratégia de longo prazo para o país", opina.

Fonte: BBC Brasil
Ruth Costas

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As unidades de conservação privadas brasileiras podem se tornar referência para outros países, na opinião da bióloga Marion Bartolamei, coordenadora das reservas particulares do patrimônio natural (RPPN) do Brasil – a Reserva Natural Salto Morato (Guaraqueçaba/PR) e a Reserva Natural Serra do Tombador (Cavalcante/GO). O trabalho feito nas duas áreas de preservação foi apresentado no Congresso Mundial de Parques, encerrado no dia 17 de novembro de 2014 em Sidney, Austrália. O congresso, que ocorre a cada dez anos, discute as políticas e o tratamento dados às áreas de conservação em geral em cada país.

"São discutidas diretrizes, novas metodologias e políticas. É um momento único, porque o congresso ocorre de dez em dez anos e você tem a oportunidade de avaliar como está a situação das áreas protegidas em todo o mundo e expor boas práticas, novas metologias de planejamento, de gestão, dessas unidades", disse a bióloga.

Marion informou que nesta edição do congresso tiveram destaque as unidades de conservação privadas, que vêm crescendo no mundo todo. "Cada vez mais, a gente percebe o interesse do poder privado em também dar a sua contribuição para a conservação da natureza", manifestou. No caso das duas áreas de preservação particulares brasileiras, foi mostrada a contribuição das reservas em nível local e sua integração no dia a dia das pessoas. "É quanto a gente gera de empregos, a conservação dos recursos naturais, quanto os visitantes deixam na região, o esforço de combate aos incêndios e quanto isso reflete na área".

A Reserva Natural Salto Morato está situada em área de 2.253 hectares (1 hectare equivale à área de um campo de futebol oficial) de Mata Atlântica, no litoral norte do Paraná. Criada há 20 anos, a RPPN abriga variadas espécies de flora e fauna. Desde 1999, a reserva é considerada Patrimônio Natural da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). No espaço de 18 anos, foram efetuados no local 96 projetos.

Salto Morato recebe em torno de 8 mil visitantes por ano. "Tem todo um trabalho de sensibilização de visitantes, sinalização, trilhas guiadas". Outro objetivo é o trabalho de pesquisas científicas. Diversas universidades vão ao local fazer aulas de campo. "A reserva acaba sendo palco de diversas ações, sempre com o fim de conservação, seja de educação, de sensibilização, seja de conservação por si só de áreas bem sensíveis dentro da reserva, onde não se permite a visitação", relatou Marion.

A Reserva Natural Serra do Tombador, localizada no município de Cavalcante (GO), tem área de 8.730 hectares e está dentro do segundo bioma mais ameaçado do Brasil, que é o Cerrado. Os administradores da RPPN estão desenvolvendo estratégias para combater a maior ameaça local, que é o fogo. "Estamos tendo bons resultados". Entre as ações postas em prática nos últimos sete anos estão o treinamento de uma brigada voluntária de combate a incêndios e a parceria com outras instituições para manejar e proteger a região.

As duas RPPNs são administradas pela Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza e tiveram seus planos de manejo aprovados pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Segundo a coordenadora das duas RPPNs, o Congresso Mundial de Parques deve identificar boas práticas para adoção pelos países que possam levar a um aumento e melhor planejamento de áreas protegidas no mundo, além de implementação de metodologias de melhor avaliação.

Fonte: Agência Brasil
Alana Gandra – Repórter
Fábio Massalli – EDição

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Representantes de Organizações Não-Governamentais de vários países estão reunidos em Roma, na Itália, apresentando as preocupações da sociedade civil e as expectativas para a Segunda Conferência Internacional sobre Nutrição, que começa hoje (19/11/14). O diretor-geral da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), José Graziano da Silva, discursou esta na abertura da pré-conferência com a sociedade civil. Ouça aqui a entrevista do diretor-geral da FAO.

José Graziano da Silva defendeu uma reforma do sistema alimentar, como explicou em entrevista à Rádio ONU. "Nós estamos hoje começando uma semana muito importante; a nutrição volta ao centro da agenda internacional. Queremos que a nutrição seja vista desde o momento em que o agricultor vai plantar uma semente, até o momento em que você, na mesa, vai ingerir este alimento."

José Graziano da Silva espera que a conferência pressione os governos a firmarem compromissos mais fortes em prol de uma nutrição balanceada em todos os estágios da vida.

O secretário-geral da Fian Internacional, uma ONG que trabalha com direito humano à alimentação, também discursou na pré-conferência com a sociedade civil. À Rádio ONU, Flávio Valente falou sobre a expectativa em relação às ações que devem ser tomadas pelos governos.

"Políticas públicas só fazem sentido se são públicas, ou seja, são para todos né. O mais importante é no sentido de que as políticas sejam coerentes com a promoção dos direitos humanos na sua indivisibilidade. Nós entendemos que isso tem que mudar se efetivamente nós vamos acabar com a fome e a desnutrição. Não vai adiantar nada, porque o problema não é só tratar a desnutrição, você tem que tratar as causas básicas da desnutrição."

As delegações reunidas em Roma debatem não apenas a desnutrição, mas também a importância de garantir vitaminas e minerais adequados na alimentação e o combate à obesidade.

Fonte: Rádio ONU
Leda Letra

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A China e a Arábia Saudita devem voltar a comprar carne bovina brasileira até dezembro deste ano, disse ontem (18/11/14) o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Neri Geller. Os dois países embargaram a carne em 2012, em função da ocorrência de um caso atípico de encefalopatia espongiforme bovina (EEB), popularmente conhecida como doença da vaca louca.

Geller, que participou de missões brasileiras nos dois países, neste mês, informou que, no caso da China, o acordo é que o país volte a importar o produto até o final do mês, com os embarques brasileiros para os asiáticos recomeçando na primeira quinzena de dezembro. O fim do embargo já havia sido anunciado em julho, após entendimento entre a presidente Dilma Rousseff e o presidente chinês, Xi Jinping. No entanto, a retirada oficial da restrição só ocorreu no dia 15 de novembro.

No caso da Arábia Saudita, uma delegação do país ainda fará visitas a frigoríficos brasileiros no final de mês de novembro. Segundo o ministro, esse é o último passo antes da liberação. "Diferentemente do Irã, onde se assina o protocolo e se libera, eles precisam vistoriar por amostragem e fazer um decreto", disse Neri Geller. De acordo com ele, a previsão é retomar as vendas na segunda quinzena de dezembro.

De acordo com dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) em 2012, antes do embargo, a China importou US$ 74,87 milhões em carne bovina, no Brasil. O Golfo Pérsico, onde fica a Arábia Saudita, importou US$ 250 milhões. Com a retomada das exportações brasileiras, a perspectiva é que as vendas para a China atinjam entre US$ 700 milhões e US$ 1,2 bilhão, em função do aumento do consumo. Para o Golfo Pérsico, a expectativa é que as vendas variem entre US$ 500 e US$ 600 milhões.

O caso de doença da vaca louca no Brasil foi detectado em um animal morto em 2010, em Sertanópolis (PR). Mais tarde, foi constatado que o caso era atípico, menos perigoso que a variedade clássica da doença. Diferentemente da variedade clássica, na qual o risco de contágio é maior, os casos atípicos não são causados por ingestão de ração contaminada. A EEB se desenvolve por razões genéticas, quando o animal já está velho.

Fonte: Agência Brasil
Mariana Branco – Repórter
Marcos Chagas – Edição

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O Brasil tem 155,3 mil pessoas em situação análoga à escravidão, segundo o relatório Índice de Escravidão Global 2014, da Fundação Walk Free, divulgado no dia 17 de novembro de 2014. Houve significativa queda em relação ao levantamento do ano passado, que apontou mais de 210 mil pessoas submetidas ao trabalho escravo no país. De acordo com a organização, dos 200.361.925 de brasileiros, 0,078% está nesta condição.

Pela primeira vez, segundo o levantamento, o número de pessoas resgatadas em situação de trabalho forçado no setor da construção civil (38% dos casos) foi maior que no setor rural do país. De acordo com a Walk Free, o Brasil atraiu bilhões de dólares em investimentos para a execução da Copa do Mundo, o que propiciou o aumento do número de casos em áreas urbanas.

O relatório também destaca que a exploração sexual concentrou um grande número de pessoas em situação de trabalho forçado por causa do grande fluxo de turismo nas cidades-sede do Mundial. A Walk Free ressaltou que Fortaleza concentrou boa parte dos casos de abuso sexual de crianças por turistas.

O documento ressalta que ainda há muitas crianças trabalhando como empregadas domésticas. Em 2013, segundo a organização, 258 mil pessoas entre 10 e 17 anos estavam trabalhando como trabalhadoras domésticas no Brasil. Segundo um dos autores do relatório, Kevin Bales, também há preocupação com a participação de crianças no tráfico ilegal de drogas.

De acordo com a Walk Free, outro dado relevante no país é o fato de muitos bolivianos e peruanos serem explorados na indústria têxtil. Mais da metade dos 100 mil imigrantes bolivianos entraram no Brasil de forma irregular e são facilmente manipulados por meio da violência, das ameaças de deportação, e da servidão por dívida, segundo a pesquisa.

A organização ressaltou o progressivo comprometimento do governo e das empresas com a erradicação do trabalho forçado no Brasil. Um das medidas lembradas foi a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do Trabalho Escravo, que determina a expropriação de imóveis urbanos e rurais onde seja constatada a exploração de trabalho análogo à escravidão. Outra medida importante é a lista suja do trabalho escravo, elaborada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

"O Brasil é um dos líderes mundiais no combate à escravidão. A lista suja e os grupos móveis de combate ao trabalho escravo são muito importantes e nenhum outro país tem medidas como essa", disse Bales.

O documento destacou que somente Estados Unidos, Brasil e Austrália estão tomando medidas para eliminar o trabalho escravo na contratação pública e nas cadeias de fornecimento das empresas que atuam em seus países.

O Brasil está em 143º dos 167 países avaliados proporcionalmente em relação à população. A Mauritânia, na Costa Oeste da África, está em 1º lugar no ranking e é apontado como o pior caso. No ano passado, o Brasil estava em 94º entre os 162 países avaliados.

No ranking das Américas, o Brasil está em 24º em um total de 27 países avaliados, melhorando também em relação ao primeiro relatório, que apontou que o país estava em 13º.

Cerca de 35,8 milhões de pessoas em todo o mundo vivem em situação análoga à escravidão, aponta o relatório Índice de Escravidão Global 2014.

O número de pessoas escravizadas aumentou 20,13% em relação ao levantamento em 2013. O primeiro relatório da organização mostrou que o mundo tinha 29,8 milhões de vítimas da escravidão moderna.

De acordo com a Walk Free, o trabalho escravo nos dias atuais ocorre por meio do tráfico de seres humanos, do trabalho forçado, da servidão por dívida, do casamento forçado ou servil e ainda pela exploração sexual comercial.

"Não temos que ter escravidão no mundo. Deve haver vontade política para implementar as leis contra a escravidão como acontece com os homicídios. Gostaria de ver a escravidão se tornar um crime tão raro no mundo como acontece com o canibalismo hoje", disse Kevin Bales.

A África e Ásia, segundo o documento, continuam sendo os continentes com a maior incidência de pessoas nestas condição. Proporcionalmente, a Mauritânia, na Costa Oeste da África, lidera novamente o ranking dos países com maior prevalência, com 4% da população escravizados. Ela é seguida do Uzbequistão (3,97%), Haiti (2,3%), Catar (1,36%) e da Índia (1,14%).

Em números absolutos, a Índia permanece no topo da lista com mais de 14,29 milhões de pessoas escravizadas, seguida da China (3,24 milhões), do Paquistão (2,06 milhões), Uzbequistão (1,2 milhão) e da Rússia (1,05 milhão). Juntos, estes países representam 61% da escravidão moderna mundial, ou seja, quase 22 milhões de pessoas.

De acordo com a Walk Free, apesar de o índice de 2014 estimar que há mais 20,13% de pessoas escravizadas no mundo ante os dados de 2013, "este aumento significativo deve-se à melhoria dos dados e da metodologia, que inclui inquéritos representativos a nível nacional em alguns dos países mais afetados". Este ano, o ranking foi elaborado com base em 167 países avaliados. Taiwan, Sudão do Sul, Coreia do Norte, Kosovo e Chipre foram incluídos no relatório de 2014. No ano passado, foram 162 países avaliados.

Fonte: Agência Brasil
Ana Cristina Campos – Repórter
Valéria Aguiar – Edição

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Pesquisa da organização não governamental (ONG) WWF-Brasil (sigla em inglês para Fundo Mundial para a Natureza) mostra que 82% da população brasileira acreditam que a natureza do país não está protegida de forma adequada. O levantamento, apresentado ontem (18/11/14) em Sydney (Austrália), no Congresso Mundial de Parques, foi feito pelo Ibope.

Apenas 11% da população acreditam que a natureza está sendo protegida corretamente, enquanto 7% não souberam responder. A pesquisa mostra ainda que 74% dos entrevistados atribuem ao governo a responsabilidade por cuidar das unidades de conservação; 46% aos cidadãos e 20% às ONGs (6% não souberam responder).

"Muitas vezes, as pessoas entendem que, por elas pagarem impostos, quem tem de cuidar é o governo. Mas quem polui rio, quem não liga o esgoto no sistema de esgoto, quem joga óleo na rua, o posto de gasolina, também está afetando o meio ambiente", diz a secretária-geral da WWF-Brasil, Maria Cecília Wey de Brito.

"Pensando exclusivamente nas áreas protegidas, dos parques de fato, os governos têm um potencial de responsabilidade maior, embora se a população cobrar, ele pode ter mais recursos para que essas áreas funcionem", ressalva Maria Cecília.

Os dados mostram que 58% dos entrevistados consideram o meio ambiente e as riquezas naturais motivo de orgulho para o país. O resultado supera a diversidade de opinião da população sobre cultura (37%), esporte (30%), qualidade de vida (28%) e a característica pacífica do país (19%). Para a secretária-geral, o resultado mostra que, apesar do meio ambiente ser considerado importante para a população, o tema não tem recebido a mesma atenção nas discussões políticas.

"As nossas discussões políticas têm sido pobres e não têm tratado de temas de interesse da sociedade, seja em áreas protegidas, seja a falta de água em São Paulo, seja poluição de rios. Acredito que os governantes têm relegado há muito tempo essa discussão e, pior do que isso, eles não têm deixado que as pessoas entendam que essa discussão diz respeito ao dia a dia delas".

A pesquisa mostra ainda que a população sabe que preservar o meio ambiente significa garantir a proteção das nascentes, represas e rios (55%) e proteger a diversidade de plantas e animais (65%). "O que a pesquisa deixa claro é que há um descompasso entre as políticas públicas de meio ambiente no Brasil e os anseios da população. Apesar do apreço que o brasileiro tem pelas áreas naturais, da importância delas na vida cotidiana das pessoas, esse tema não é uma prioridade nacional do ponto de vista dos governos", destaca Maria Cecília.

A pesquisa foi feita durante a segunda quinzena de outubro com cerca de 2 mil pessoas em todas as regiões do país.

Fonte: Agência Brasil
Bruno Bocchini – Repórter
Fábio Massalli – Edição

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Hoje existe aplicativo para quase tudo, até para calcular o seu tempo de vida. Pode parecer assustador, mas a ideia é alertar as pessoas para a necessidade de mudar os hábitos e assim fazer todo mundo viver mais e melhor. Saiba mais sobre o aplicativo Deadline. Fonte: TV Cultura

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A Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) realiza concurso público de provas e títulos para docentes para atuação no curso de Medicina do Centro Acadêmico do Agreste (CAA), em Caruaru. São oferecidas 25 vagas, sendo quatro para professor adjunto A (titulação mínima de doutorado), com dedicação exclusiva, e 21 para professor auxiliar (titulação mínima de graduação), em regime de trabalho de 20 horas. Das 21 vagas para a classe auxiliar, uma é destinada a pessoa com deficiência e duas são reservadas para negros. As inscrições começam na segunda-feira (17) e seguem até 8 de dezembro de 2014.

As vagas disponibilizadas por meio do Edital 89/2014 são para as áreas de Saúde, Medicina e Saúde Pública. A lotação do docente será no Núcleo de Ciências da Vida do CAA. As remunerações iniciais são de R$ 8.344,64, para professor adjunto com dedicação exclusiva, e R$ 2.119,02, para professor auxiliar em regime de trabalho de 20 horas.

As inscrições devem ser realizadas na secretaria do Núcleo de Ciências da Vida do CAA, de segunda a sexta-feira, nos horários indicados no edital do concurso, disponível no site da Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida (Progepe). São admitidas inscrições por procuração, em instrumento público ou particular, e por via postal. A taxa de inscrição custa R$ 200,00 e o pagamento deve ser efetuado mediante Guia de Recolhimento da União (GRU), disponível no site da Progepe. A lista de documentos necessários para a inscrição e as atribuições específicas de cada área de conhecimento do concurso podem ser conferidas no Anexo 1 do edital do concurso.

O concurso constará de prova escrita; prova didática e/ou didático-prática; e julgamento de títulos. As provas serão realizadas no prazo de até 60 dias, a contar da data de encerramento das inscrições, em local, datas e horários previstos no cronograma do concurso, que será afixado na secretaria do Núcleo de Ciências da Vida do CAA e disponibilizado no site da Progepe, com antecedência mínima de dez dias da data do seu início.

O prazo de validade do concurso será de um ano, contado a partir da data da publicação da homologação do resultado final no Diário Oficial da União (DOU), podendo ser prorrogado por igual período no interesse da administração.

Fonte: Universidade Federal de Pernambuco

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