Equipe de pesquisadores da UFMG acaba de sintetizar um produto que consegue melhorar o desempenho da ureia, um dos fertilizantes nitrogenados mais utilizados na agricultura mundial. "Queríamos desenvolver uma substância que agregasse valor ao fertilizante, aumentando sua eficiência e reduzindo custos", explica a professora Luzia Valentina Modolo, do Departamento de Botânica do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Ela integra o grupo que, desde 2010, pesquisa moléculas capazes de aumentar a captação de nitrogênio pelas plantas, contribuindo para a diminuição da quantidade de ureia usada nas plantações.

O aditivo demonstrou bons resultados em experimentos em ambientes de plantio controlado, conhecidos como casa de vegetação. O trabalho foi desenvolvido em conjunto com o pesquisador Ângelo de Fátima, do Departamento de Química da UFMG, responsável pela síntese do aditivo. "Trata-se de uma substância estruturalmente análoga à ureia. Quando utilizada nas plantações, o fertilizante normalmente é aplicado na superfície do solo e absorvido pela raiz da planta. A substância que sintetizamos possibilita otimizar o uso da ureia", afirma Luzia Modolo.

Depois que as moléculas são sintetizadas, o aditivo é aplicado na superfície do fertilizante para revestir cada pérola de ureia. Com essa aplicação, o aditivo inibe a ação de enzimas ureases produzidas por micro-organismos do solo que fazem aumentar a perda, para a atmosfera, do nitrogênio que deveria ser absorvido pela planta.

"Nosso aditivo inibe a enzima que faz o nitrogênio da ureia se perder na atmosfera, na forma de amônia (NH3), sem ter sido absorvido pela planta. Ela retarda a hidrólise do fertilizante, processo que quebra as ligações químicas da ureia — (NH2)2CO — por meio da adição de água sob a ação das ureases. Ao aumentarmos a eficiência de aproveitamento do nitrogênio pela planta, ela mesma cresce melhor e evitamos que a amônia, um poluente, seja lançada na atmosfera", explica o professor Ângelo de Fátima.

Os pesquisadores já desenvolveram três moléculas capazes de melhorar o uso da ureia pelas plantas. O passo seguinte é aumentar a escala de produção, passando do âmbito laboratorial (em gramas) para o industrial (em quilos). O aditivo já foi testado em plantas de milheto, que possuem ciclo de vida curto, o que favorece a observação da atuação do composto durante toda a vida da planta. Os próximos testes serão feitos em culturas agrícolas perenes, como o café, e em culturas anuais, a exemplo do milho.

Algumas características fazem da ureia um dos fertilizantes mais usados do mundo. Além de ser mais atrativa economicamente, ela não é de uso controlado, por não ser empregada na fabricação de explosivos, como é o caso de outros fertilizantes nitrogenados disponíveis no mercado. Os resultados da pesquisa mostram que o aditivo desenvolvido para revestimento de pérolas de ureia é eficiente.

Para Luzia Modolo, como a agricultura tem forte participação no PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil, o desenvolvimento de aditivos agrícolas deve ser realizado constantemente. "Já existe um produto comercial que exerce a função de inibidor de ureases, mas ele é importado. O Brasil não produz nada do gênero, daí o pioneirismo de nossa pesquisa", destaca. Ângelo de Fátima destaca outras vantagens do uso do aditivo. "Além de diminuir a emissão de nitrogênio, ele diminui custos da produção agrícola, pois se gasta menos com fertilizantes", analisa.

Em rede

O desenvolvimento das três moléculas otimizadoras do aproveitamento do nitrogênio da ureia pelas plantas é resultado de trabalho que começou com a criação da Rede de Estudos para o Desenvolvimento de Novos Inibidores de Urease (Redniu). O grupo, coordenado por Luzia Modolo e Ângelo de Fátima, conta com pesquisadores de quatro estados brasileiros, além de especialistas da Embrapa Milho e Sorgo, de Sete Lagoas, em Minas Gerais, e da Embrapa Rondônia.

A rede já possui banco de potenciais inibidores de urease com mais de 500 moléculas sintetizadas e duas patentes depositadas, uma requerida pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) e outra pela UFMG. Uma terceira patente está em tramitação. "Agora desejamos que a pesquisa resulte em produto que vá para as prateleiras como insumo agrícola", diz Luzia Modolo.

O trabalho, que contou ainda com a participação de alunos de graduação e pós-graduação do ICB e do ICEx, foi reconhecido no Congresso FertBio 2014, realizado em Araxá em setembro deste ano. O prêmio foi concedido pelo International Plant Nutrition Institute (IPNI Brasil), na área de Nutrição de Plantas. O artigo também rendeu a uma das autoras, a estudante de pós-graduação Lívia Pereira Horta, o prêmio IPNI na categoria Jovem Pesquisador 2014.

Para saber mais

Artigo: Aldeídos fenólicos de origem natural como plataforma para o desenvolvimento de novos inibidores de urease Organizado por Cassandra Pereira França

Autores: Lívia Pereira Horta, Ângelo de Fátima, Yane Campolina Cachuite Mota e Luzia Valentina Modolo.

Fonte: Universidade Federal de Minas Gerais
Luana Macieira – Jornalista

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Anielle Coelho Ranulfi, aluna de doutorado do Instituto de Física de São Carlos (IFSC) da Universidade de São Paulo (USP), conquistou o primeiro lugar na 6ª edição do Prêmio Dow-USP de Inovação em Sustentabilidade (Sustainability Innovation Student Challenge Award — SISCA 2014), com seu projeto de mestrado intitulado Utilização de técnicas espectroscópicas no estudo e caracterização de doenças em citros: HLB (greening) e cancro cítrico, orientado pela pesquisadora Débora Milori, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

O objetivo do projeto de Anielle é avaliar duas técnicas fotônicas, sendo elas a espectroscopia de fluorescência induzida por laser (LIFS) e a espectroscopia de emissão óptica de plasma induzido por laser (LIBS), a fim de diagnosticar o Greening — Huanglongbing (HLB) —, e o cancro cítrico, duas das principais doenças bacterianas que atingem as frutas cítricas e causam danos substanciais ao setor produtivo.

O HLB, doença de difícil controle, pode ser transmitido de uma árvore para outra por intermédio de um determinado inseto, o Diaphorina Citri S que, ao se alimentar da fruta, pode entrar em contato com a bactéria causadora da doença e, logo em seguida, transmiti-la a uma árvore sadia. Entre os principais sintomas estão manchas amareladas irregulares nas folhas das árvores, que se iniciam em um pequeno ramo, até atingir toda a copa. Os sintomas também podem aparecer nos frutos, que se apresentam deformados, assimétricos e com manchas verde-claras, sementes abortadas e com acidez acentuada. Causado pela bactéria Xanthomonas citri, o cancro cítrico provoca lesões nas folhas, frutos e ramos, tendo como principal agente transmissor as chuvas com vento e a circulação de material contaminado na plantação.

O principal meio de diagnóstico dessas doenças é a inspeção visual, fator que nem sempre ajuda a identificar todas as árvores infectadas. No caso do HLB, sabemos que há um acerto de apenas 47% por esta forma de diagnóstico, considerando apenas as plantas sintomáticas. Essa taxa de acerto é muito baixa, ou seja, se houver 100 árvores em fase sintomática em um pomar, apenas 47 são identificadas pelas equipes de inspeção, sem contar que este método não considera a existência das plantas ainda em fase assintomática: estima-se que para cada árvore sintomática presente no campo existam outras duas ou três já contaminadas e em fase assintomática, explica a jovem pesquisadora.

O primeiro método proposto pela estudante do IFSC é a técnica de espectroscopia de fluorescência induzida por laser, que é incidido nas folhas da árvore, fazendo com que os compostos orgânicos se excitem e decaiam na sequência. Esta, por sua vez, é captada por uma fibra óptica que conduz a luz até um espectrômetro ligado a um computador dedicado à aquisição e tratamento dos dados. Folhas de plantas em diferentes estágios da doença e folhas de árvores sadias variam a concentração de compostos orgânicos e, consequentemente, a fluorescência destas apresenta intensidades variadas. É por meio das variações observadas nos espectros LIFS das diferentes amostras que se busca o diagnóstico das doenças.

Diagnóstico

Já a espectroscopia de emissão óptica de plasma induzido por laser é uma técnica de análise multi elementar bastante rápida e eficiente, em que, com uma única medida, os pesquisadores obtêm um espectro contendo linhas discretas de emissão, pelas quais é possível identificar praticamente todos os elementos da tabela periódica que estão presentes na tal amostra. "Com essa técnica, alcançamos uma taxa de acerto superior a 80% no diagnóstico das doenças HLB e cancro cítrico e, para gerar essa porcentagem, utilizamos espectros LIBS em folhas em fase sintomáticas e assintomáticas das doenças em estudo, e também amostras de folhas sadias", completa Anielle.

Sendo assim, com ambas as metodologias propostas em seu projeto, Anielle conseguiu demonstrar que há um grande potencial em diagnosticar tais doenças através das técnicas propostas, o que, obviamente, é um avanço que deverá refletir no aumento da produção e comercialização das frutas cítricas, uma vez que será muito mais simples, eficiente e rápido analisar a sanidade de árvores e controlar o espalhamento dessas doenças bacterianas que não têm cura e levam à morte da planta.

Voltado a alunos de mestrado e doutorado da USP, o Prêmio SISCA é uma iniciativa da empresa Dow, em parceria com o Instituto de Química (IQ) da USP, que tem como objetivo incentivar ideias, soluções e tecnologias em inovação, auxiliando a promoção da USP e fomentando colaborações acadêmicas entre os países da América Latina.

Nesta sexta edição, que contou com oitenta trabalhos inscritos, os alunos abordaram temas como saúde, meio ambiente, clima, energia, segurança de produtos, comunidade e química sustentável, sendo que todos os projetos foram analisados por docentes da própria Universidade.

Anielle Ranulfi, que recebeu um prêmio de R$ 22 mil reais — R$ 6 mil para o segundo colocado e R$ 1 mil para os que foram contemplados com a menção honrosa —, conta que seu projeto chamou bastante atenção do comitê julgador, principalmente pelo fato de ser uma pesquisa

Interdisciplinar, abrangendo conceitos de agronomia, física, química, biologia, fitopatologia, reconhecimento de padrão, computação e outras áreas do conhecimento. Para conferir o projeto de Anielle, clique aqui.

Fonte: Agência USP de Notícias
Assessoria de Comunicação do IFSC
E-mail: comunicifsc@ifsc.usp.br

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O economista Henrique Kawamura mapeou em pesquisa do Programa de Pós-graduação em Economia Aplicada da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da Universidade de São Paulo (USP), em Piracicaba, os efeitos do Programa Bolsa Família (PBF) no consumo de nutrientes e índices antropométricos. Com a proposta de avaliar os reflexos de programas sociais sobre seus beneficiados, o estudo constatou aumento no consumo de fibras, carboidratos e algumas vitaminas e minerais, além da melhora dos índices antropométricos em crianças e adolescentes. O trabalho foi o segundo colocado no 19º Prêmio Tesouro Nacional, na categoria de Economia do Setor Público.

O estudo utilizou dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) de 2008-2009. "Para o consumo de nutrientes, observamos uma sub amostra constituída por 25% da amostra original da POF, com pessoas com 10 anos ou mais de idade, às quais foi solicitado que registrassem todo o alimento consumido durante 24 horas em dois dias não consecutivos", explica o economista. A partir daí, a quantidade de alimentos da caderneta pessoal foi transformada em quantidades de nutrientes, as quais foram utilizadas para analisar os efeitos do PBF sobre o consumo de nutrientes. Os índices antropométricos, baseados na amostra original, foram obtidos usando a altura e peso das pessoas para calcular os escores Z de altura-para-idade, peso-para-idade e IMC-para-idade.

Para atingir o objetivo, os dados foram separados em dois grupos, contemplando os beneficiados e os não beneficiados pelo PBF. Inicialmente foi analisada a probabilidade de uma pessoa receber ou não o benefício, para encontrar pessoas beneficiadas com características muito próximas às das não beneficiadas. "Essa comparação baseada em escores de propensão dá o nome ao método utilizado nesse estudo: Propensity Score Matching".

>Alimentos saudáveis

Segundo o pesquisador, os resultados obtidos sugerem que o PBF contribuiu para que as pessoas tivessem acesso a alimentos saudáveis. "Encontramos aumento no consumo de fibras, carboidratos e algumas vitaminas e minerais. Houve também uma redução no consumo de colesterol e de sódio. Ademais, ressalta-se o consumo maior de ácidos graxos essenciais para a saúde. Aliado à prática de boa alimentação, constatou-se que o PBF colaborou para que crianças e adolescentes obtivessem índices antropométricos considerados adequados em comparação com seus pares não beneficiados", conta Kawamura.

Segundo o pesquisador, que teve orientação de Rodolfo Hoffmann, docente do Departamento de Economia, Administração e Sociologia (LES) da Esalq, a década de 1990 marcou a expansão dos programas sociais em países em desenvolvimento, sendo que muitos desses programas consistem em aliviar a pobreza extrema e promover melhoras à vida de pessoas vulneráveis a tal condição. "Com isso, tornou-se importante avaliar os efeitos de programas sociais a fim de verificar se o dinheiro designado pelos governos tinha o impacto esperado sobre seus beneficiados. Levando em consideração a importância dessa avaliação, diversos pesquisadores iniciaram estudos tendo como foco o principal programa federal brasileiro", comenta Kawamura.

Como tese de doutorado, a pesquisa foi defendida em maio. No entanto, seu mérito teve desdobramento em 5 de novembro, quando, a Comissão Julgadora do 19º Prêmio Tesouro Nacional — 2014 reuniu-se e apontou, na categoria de Economia do Setor Público, o segundo lugar para o trabalho de Henrique Kawamura. Idealizado pela Secretaria do Tesouro Nacional, o certame estimula a pesquisa na área de Finanças Públicas, reconhecendo os trabalhos de qualidade técnica e de aplicabilidade na Administração Pública.

Concorrem nas categorias Política Fiscal, Economia do Setor Público e Tópicos Especiais trabalhos individuais ou coletivos, de candidatos de qualquer nacionalidade e formação acadêmica. "O Prêmio é um dos mais importantes e concorridos na área de economia. Creio que essa conquista não seja só minha mas também da Esalq, que me possibilitou ter as condições necessárias para realizar o estudo", avalia Kawamura.

Fonte: Agência USP de Notícias
Caio Albuquerque – Jornalista
Assessoria de Comunicação da Esalq
E-mail: caioalbuquerque@usp.br

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A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) divulgou no dia 19 de novembro de 2014 o Raio X das Operadoras de Planos de Saúde. O levantamento leva em conta 30 indicadores, que compõem a nota de cada plano de saúde, reunidos no Índice de Desempenho da Saúde Suplementar (IDSS). O índice foi criado em 2011, mas pela primeira vez a agência reuniu os dados em uma tabela única, o Painel de Dados Integrados da Qualidade Setorial, em que é possível comparar os planos.

De acordo com a diretora de Desenvolvimento Setorial da ANS, Martha Oliveira, o objetivo do levantamento é avaliar o desempenho das operadoras e fornecer informação qualificada ao beneficiário. "É uma avaliação que a gente vem fazendo ao longo do tempo e que hoje traz, além do retrato desse desempenho, algumas propostas de outros indicadores que possam municiar o beneficiário a comprar um produto, um plano de saúde, a trocar o plano de saúde e até mesmo avaliar o seu plano de saúde".

Foram avaliadas 1.237 operadoras de planos de saúde do país, que juntas somam 68 milhões de beneficiários. As notas vão de 0 (pior) a 1 (melhor), de acordo com o desempenho em atenção à saúde; estrutura e operação, satisfação dos beneficiários; e econômico-financeiro. Entre os parâmetros analisados, estão a taxa de mamografia, a proporção de parto cesáreo, dispersão da rede assistencial e o índice de reclamações.

No geral, a ANS considera boa a avaliação dos planos e informa que os indicadores não apresentam alteração significativa nos últimos anos. Do total, 66,7% dos planos de saúde tiveram desempenho bom ou ótimo em 2013, ano usado como base dos últimos dados divulgados; 21,9% podem ser consideradas razoável e 11,4% ruins ou péssimos. Na distribuição por número de usuários, 82,5% são atendidos por operadoras com avaliações boa ou ótima.

O diretor-presidente da ANS, André Longo, destaca que o painel é importante para que o beneficiário possa escolher o plano mais adequado para suas necessidades. "Esse é um esforço técnico da agência para qualificar as informações para o consumidor, a empresa, todos os contratantes de plano de saúde. É muito importante que as pessoas possam utilizar essas informações na hora de fazer as suas escolhas, até do ponto de vista das suas necessidades com relação a um plano de saúde que ela esteja querendo contratar".

A Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde) divulgou nota informando que atribui a melhora no IDSS aos "esforços das operadoras de planos e seguros de saúde em qualificar suas operações e atendimento aos beneficiários".

Os dados podem ser consultados na página da ANS, tanto a avaliação individual de cada operadora como o painel com os dados reunidos.

Fonte: Agência Brasil
Akemi Nitahara — Repórter
Aécio Amado – Edição

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O governo do Pará publica, desde ontem (20/11/14), a Lista do Desmatamento Ilegal (LDI) no estado, com base em imagens de satélite e autuações de fiscalizações estaduais e municipais. A grilagem de terras públicas é a principal causa de desmatamento ilegal no Pará e o novo sistema poderá embargar essas áreas e impedir acesso a crédito, licenças e autorizações por órgãos públicos.

O coordenador do Programa Municípios Verdes, Justiniano Netto, informa que a LDI começa com cerca de 200 áreas irregulares identificadas por imagens de satélite e já embargadas. Elas têm, em média, 300 hectares, e pelo tamanho, há a suspeita de que foram desmatadas para a prática de grilagem.

"Essa é a nossa inovação, a aplicação de embargo também em locais sem Cadastro Ambiental Rural. Temos áreas desmatadas no Pará que não se sabe quem é o responsável, quando a fiscalização chega já não tem mais ninguém. Agora, quando o responsável for tentar legalizar a propriedade perante qualquer órgão público, ele não vai conseguir, porque o embargo é sobre a área, a imagem de satélite, e não só sobre o proprietário", disse Netto.

Ele explicou que a lista será atualizada constantemente e que esse sistema vai complementar a lista de embargos do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que também poderá ser consultada pelo site da LDI.

O comitê técnico do sistema é composto pela Secretaria de Meio Ambiente do Pará, Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social, pelo Programa Municípios Verdes, Ibama, Instituto Nacional Pesquisas Espaciais (Inpe), Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) e pelos ministérios públicos Federal e Estadual.

"É uma incongruência do estado ter um órgão de combate aos desmatamento e outros que cobram tributos e emitem certidões. Agora todos os órgãos vão ter obrigação de negar certificações. Essa inciativa é inovadora tanto para manter o que foi reduzido de desmatamento no estado como combater novas aberturas de áreas", disse o procurador da República, Daniel César Azeredo Avelino, do Ministério Público Federal no Pará.

O estado tem reduzido o desmatamento ilegal nos últimos anos, mas os números recentes mostram que o desmatamento está voltando a subir no Pará. Segundo os dados do Projeto de Monitoramento da Floresta Amazônica por Satélites, entre 2004 e 2013, o estado reduziu o desmatamento em 74%, mas entre 2012 e 2013, o desmate cresceu 35%, alcançando 2.346 quilômetros quadrados em 2013.

Netto explica que os critérios de áreas a serem embargadas foram definidos pelo comitê técnico, mas que eles podem ser revistos conforme a dinâmica do desmatamento. Entre eles, estão o tamanho mínimo das áreas a serem embargadas, o intervalo de tempo na análise dos dados de satélite e outras características da localidade do imóvel rural. Entretanto, nesse primeiro momento, o foco será em áreas maiores. "Estamos fechando o cerco para que as pessoas saibam que os órgãos públicos não terão mais conivência com essas atividades", disse.

Fonte: Agência Brasil
Andreia Verdélio – Repórter
Jorge Wamburg – Edição

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Recursos internacionais se destinam a desacelerar a mudança climática e a ajudar os países afetados a enfrentarem seus efeitos. Doadores já arrecadaram 9,3 bilhões de dólares. Projetos começam a ser financiados em 2015.

O Fundo Verde do Clima alcança pela primeira vez, quatro anos após sua criação, recursos suficientes para entrar em funcionamento. A verba é destinada a ajudar países em desenvolvimento no combate ao aquecimento global.

Representantes de cerca de 20 Estados se reuniram ontem (20/11/14) em Berlim, Alemanha, para negociar as doações. Dos 10 bilhões de dólares estipulados como meta na Conferência do Clima de 2010, foram arrecadados 9,3 bilhões de dólares. Mais doações são esperadas até o fim do ano.

Antes da reunião de ontem, já estavam disponíveis US$ 7,5 bilhões de dólares para o fundo. Os maiores financiadores são os Estados Unidos, com US$ 3 bilhões, seguindo do Japão, US$ 1,5 bilhão, e do Reino Unido, US$ 1,2 bilhão de dólares.

Alemanha prometeu doar 750 milhões de dólares nos próximos quatro anos. O Panamá, Nova Zelândia, Finlândia, Mongólia e Espanha também prometeram doações. A Rússia participou da negociação, mas não fez nenhuma contribuição.

As emergentes China e Índia nem mesmo enviaram representantes a Berlim. Apesar de atualmente constarem entre os cinco piores poluentes, ambas se recusam a contribuir, alegando que a "responsabilidade histórica" pelo aquecimento global cabe aos países ocidentais, que há muito mais tempo vêm lançando gases do efeito estufa na atmosfera.

Causadores e vítimas unidos

Segundo o ministro alemão do Desenvolvimento, Gerd Müller, o financiamento de projetos com recursos do fundo começa já em 2015. "Se as pessoas não querem acabar como os dinossauros, precisamos agir já", declarou.

Criado quatro anos atrás na Conferência do Clima em Cancún, no México, o Fundo Verde é considerado um importante elemento na política global para o clima. Na ocasião, os países presentes se propuseram a disponibilizar, a partir de 2020, cerca de 100 bilhões de dólares por ano, provindos de recursos privados e estatais.

Metade do fundo se destina a projetos — por exemplo, de proteção florestal — voltados a desacelerar as mudanças climáticas, no sentido de alcançar a meta de 2ºC de aquecimento global máximo em relação ao início da industrialização.

A outra metade financiará iniciativas para melhoria da sobrevivência e qualidade de vida nas nações ameaçadas por fenômenos meteorológicos extremos e pela elevação do nível do mar. Aqui se incluem sistemas de alerta precoce contra tsunamis, proteção dos manguezais e prevenção de secas e inundações.

Fundo Verde do Clima une causadores e vítimas da poluição ambiental: as nações que, com suas fábricas, aeronaves e automóveis, contribuem decisivamente para o aquecimento global, têm a chance de auxiliar financeiramente aquelas que, já agora, sofrem o impacto das mudanças climáticas.

Fonte: Deutsche Welle

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Em 2009, o Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) iniciou, em parceria com a Companhia Paranaense de Energia (Copel), um extenso projeto de pesquisa visando conhecer o potencial das microalgas de águas continentais como matéria-prima para a obtenção de biodiesel. As informações obtidas nesse trabalho são agora apresentadas ao público no livro "Microalgas de águas continentais", que reúne, sob coordenação dos pesquisadores Diva de Souza Andrade e Arnaldo Colozzi Filho, textos de diversos autores.

As algas formam um grupo de organismos bastante heterogêneo do ponto de vista genético e morfológico. Podem ser encontradas em praticamente qualquer ambiente, mas predominam em meio aquático, continental ou marinho. Muitos desses organismos são bem conhecidos por suas propriedades nutricionais e são largamente utilizados na alimentação humana, como ocorre na culinária oriental, por exemplo. Outros campos de aplicação são a indústria farmacêutica, produção de cosméticos e de obtenção de pigmentos e corantes.

Os pesquisadores estimam que existem cerca de dez milhões de espécies de algas, a maior parte delas formada por indivíduos minúsculos, as microalgas, que somente podem ser vistas por intermédio de microscópio (mas é possível detectar facilmente sua presença porque esses microrganismos formam grandes colônias, caso, por exemplo, da água da piscina que fica esverdeada).

Muitas espécies de microalgas são ricas em lipídeos (gorduras) e, por isso, têm grande potencial para a produção de óleo biocombustível. Daí o interesse no estudo desses organismos.

Inventário

A investigação começou pelo levantamento das microalgas de águas continentais no território paranaense. "Não sabíamos o que existia no Estado", conta Diva. Seis espécies com potencial para fabricação de biodiesel e duas para produção de gás (metano ou hidrogênio) foram identificadas.

Também foram agregados exemplares obtidos por meio de intercâmbio com universidades e outros centros de pesquisa do Brasil e do exterior, trabalho que possibilitou ao Iapar formar uma coleção de 159 espécies de microalgas.

Cultivo

Alta produtividade, menor exigência em área do que os cultivos tradicionais de oleaginosas como a soja e capacidade de absorver nutrientes de resíduos considerados poluentes — como os dejetos da suinocultura, por exemplo — são algumas características favoráveis ao cultivo de microalgas para obtenção de biocombustível. Além disso, a equipe concluiu que as condições climáticas do Paraná permitem o cultivo em todas as regiões do Estado.

Por isso, outra frente de estudos investigou a viabilidade de produzir esses microrganismos nas propriedades rurais. Considerando que a combinação ambiente aberto e meio líquido proporciona a maior taxa de crescimento, os pesquisadores desenvolveram um biorreator (tanque utilizado para o cultivo desses microrganismos) de baixo custo para pequenos produtores familiares. O equipamento passou por vários testes e se mostrou viável, encontrando-se em processo de patenteamento.

Em paralelo, iniciou-se a busca por substâncias alternativas para o fornecimento de nutrientes para "a criação" das microalgas nos tanques, em substituição aos caros reagentes químicos comerciais utilizados para essa finalidade. Estima-se, por exemplo, que são produzidos no Paraná cerca de 1,3 mi de metros cúbicos de dejetos de suínos, uma das possibilidades avaliadas.

No campo do processamento agroindustrial, a vinhaça oriunda da moagem de cana-de-açúcar e o resíduo da indústria de suco de laranja, composto de bagaço e água de lavagem, são materiais abundantes no Estado que podem servir como meio de cultivo de microalgas. Outro resíduo causador de impacto ambiental, e também considerado no estudo, foi o chorume de aterros sanitários, que pode infiltrar no solo e poluir as águas subterrâneas.

"Todos esses resíduos foram avaliados e são fontes viáveis para a nutrição de microalgas" afirma Diva, citando, como vantagens de seu uso a redução do impacto que esses produtos causam ao ambiente e a diminuição dos custos de produção. Ela enfatiza, no entanto, a necessidade de mais estudos sobre a utilização de cada um deles.

Biofertilizante

O estudo também constatou que a biomassa que sobra da extração dos lipídeos das microalgas cultivadas é ainda rica em nutrientes. "Abre-se uma frente de estudos sobre a viabilidade de aproveitamento em rações para animais e fertilizantes para a agricultura", explica a pesquisadora.

Além disso, algumas espécies de microalgas, denominadas cianobactérias, são capazes de captar e fixar o nitrogênio da atmosfera, o que acena com a possibilidade de seu uso como fertilizante ou melhorador de solos. Há, ainda, "um efeito pouco estudado desses microrganismos sobre o crescimento das plantas", conclui Diva Andrade.

Aquisição

A obra "Microalgas de águas continentais" é composta por três volumes, que podem ser comprados separadamente — "Potencialidades e desafios do cultivo" (R$ 40); "Produção de biomassa e coprodutos" (R$ 50) e "Coleção IPR de microalgas" (R$ 25). Aquisições aqui.

Serviço:

Livro "Microalgas de águas continentais". Editores: Diva Souza Andrade e Arnaldo Colozzi Filho.
Volume 1: "Potencialidades e desafios do cultivo", 343 p. — R$ 40.
Volume 2: "Produção de biomassa e coprodutos", 443 p. — R$ 50.
Volume 3: "Coleção IPR de microalgas", 57 p. — R$ 25.

Fonte: Instituto Agronômico do Paraná
Edmilson Gonçales Liberal – Jornalista
Telefone: (43) 3376-2465
E-mail: imprensa@iapar.br

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Com o tema Segurança alimentar e nutrição, a 29ª edição do Prêmio Jovem Cientista recebe inscrições até 19 de dezembro de 2014. O objetivo é estimular estudos científicos que propiciem avanços na promoção da saúde, qualidade de vida e cidadania, bem como no desenvolvimento de tecnologias agrícolas e industriais.

O regulamento do prêmio definiu 11 linhas de pesquisa para as categorias mestre, doutor e estudante da educação superior. Para o ensino médio, são cinco subtemas. As pesquisas devem ter aplicação prática na solução de problemas de uma localidade específica ou do país.

A premiação será em dinheiro, variando de R$ 12 mil a R$ 40 mil, conforme a categoria, além de notebook e menção honrosa para as escolas de ensino médio. Ao todo, serão distribuídos R$ 400 mil em bolsas de estudo.

Inscrições e outras informações podem ser obtidas pelo site do CNPq.

O Prêmio

Instituído em 1981, o Prêmio Jovem Cientista é uma iniciativa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) em parceria com a Fundação Roberto Marinho e patrocínio da Gerdau e da BG Brasil.

Fonte: Universidade Federal de Minas Gerais

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O programa Meio Ambiente por Inteiro desta semana traz como tema pomares públicos que são realidade em diversas cidades brasileiras. Veja a variedade e a importância das árvores frutíferas nos grandes centros urbanos. O programa convida especialistas a esclarecer se há ou não legislação, no Brasil, que obrigue as prefeituras a destinarem áreas para essas plantas. Conheça ainda iniciativas que estimulam e valorizam a existência das árvores frutíferas. Leia íntegra da sinopse http://bit.ly/1t4IN3x. Fonte: Meio Ambiente por Inteiro

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