Diante da impossibilidade de eliminação do mosquito vetor da dengue – em especial por conta do grande fluxo de pessoas mundialmente – e num momento em que as pesquisas exigiam a produção em massa de mosquitos para serem testadas novas tecnologias, surgiu o Laboratório de Mosquitos Geneticamente Modificados do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da Universidade de São Paulo (USP).

Coordenado pela professora Margareth Capurro, o grupo tem na cidade de Juazeiro (BA) sua área de atuação, constituindo-se em um dos Laboratórios de Campo do ICB. A pesquisa que visava controlar a transmissão da doença por meio da supressão da população de mosquitos necessitava sair do laboratório e ir a campo para testar a sua viabilidade e eficácia.

Ao sair da universidade, no entanto, altera-se a escala com a qual se trabalha e a produção de mosquitos passa a ser executada por uma biofábrica. Esse foi o principal motivo pelo qual o laboratório se instalou em Juazeiro, onde fica a empresa Moscamed Brasil, especializada na produção de moscas-da-fruta estéreis. Como a empresa trabalhava com a estratégia de supressão da população de insetos por intermédio de machos, aplicar o mecanismo para o mosquito da dengue foi mais fácil.

Outros passos

A linhagem de mosquito desenvolvida em Juazeiro foi o primeiro projeto de mosquito transgênico levado e testado em campo. O mosquito desenvolvido, ao contrário da mosca-da-fruta produzida na biofábrica, não é estéril, mas a sua modificação genética faz com que sua prole não se desenvolva.

A professora entende este como um resultado importante, mas que, apesar disso, ainda não se trata do melhor produto para ser utilizado. Uma vez que metade da produção da biofábrica é de fêmeas, que não participam do experimento, existe um desperdício. Para que a produção seja otimizada, o laboratório analisa agora qual o melhor produto que a ciência teria a oferecer para programas de controle. Entre as possibilidades está a reversão sexual dos mosquitos transgênicos. Neste caso, toda a população do inseto seria formada por machos.

Por possuir três vértices — o homem, o vírus e o mosquito — a dengue pode ser combatida em qualquer dessas frentes. Como a eliminação do mosquito mostra-se inviável, o laboratório foi forçado a procurar meios de atacar a doença por meio do vírus. A supressão da população de mosquitos seria um primeiro passo, seguida de uma modificação genética. Por meio dela, o laboratório eliminaria o vírus dentro do mosquito. Essa etapa, entretanto, ainda se encontra em fase totalmente laboratorial.

O trabalho em campo

Para avaliar a supressão da população de mosquitos, o projeto liberou os exemplares geneticamente modificados em uma área, a área tratada, enquanto outra localidade, a área controle, serviu de parâmetro. As duas regiões, assim, estariam sujeitas às mesmas condições: retirada de criadouros, utilização de inseticidas e visitas dos agentes. Onde, porém, houve a introdução do mosquito modificado, a população do vetor apresentou maior queda.

Apesar do sucesso no controle populacional, Margareth entende que a técnica deve ser utilizada como uma ação complementar. "O controle será mais efetivo se, além desta tecnologia, houver melhorias gerais na vida da população", ressalta.

A professora explica que quando se produz em larga escala, é preciso trabalhar com um produto que já apresenta algum potencial. Neste caso específico, inúmeros experimentos já haviam demonstrado que a linhagem testada estava pronta. Mas em pesquisas desse gênero, existe sempre a necessidade de se realizarem testes preliminares, pois o comportamento do mosquito no ambiente pode ser diferente daquele no laboratório. Para isso, existe um protocolo em que a superação de cada etapa aponta para o sucesso do projeto.

Margareth comenta que por mais que um projeto seja promissor, nem sempre ele está pronto para ir para indústria. "É preciso sair do laboratório e direcionar os resultados para verificar se, de fato, aquele projeto se tornou um produto." Com o custo do projeto até o momento estimado em cerca de cinco milhões de reais, a produção do laboratório na biofábrica é financiada pela Secretaria da Saúde do Estado da Bahia.

De Juazeiro para o mundo

Referência mundial no assunto, o Laboratório do ICB tem recebido delegações internacionais para conhecer o projeto. A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), ligada às Organização das Nações Unidas (ONU), é a maior financiadora da ideia de se utilizar insetos estéreis para controle de suas populações, e incentiva a realização de encontros sobre o tema em Juazeiro. A ideia é que estas reuniões, com participação do Laboratório, permitam que pesquisadores de todo o mundo entrem em contato com a produção da biofábrica.

Mais informações

Professora Margareth Capurro
E-mail: mcapurro@icb.usp.br

Fonte: Agência USP de Notícias
Juliana Pinheiro Prado – Jornalista

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O programa Meio Ambiente por Inteiro desta semana trata de um tema delicado, que é a extinção de espécies de plantas e animais. Muitas preciosidades vistas no país desapareceram, inclusive pela ação do homem. O programa mostra que, diante desse cenário, surgem iniciativas para preservar informações do que desapareceu e do que corre o risco de não mais existir. Fonte: TV Justiça

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A Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias (FCAV) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Jaboticabal, sedia nos 7 e 8 de maio de 2015 o 2º Workshop de Estresse Abiótico em Plantas Cultivadas.

O evento é coordenado pelo professor Rogério Falleiros Carvalho, da FCAV. Gustavo Habermann, da Unesp de Rio Claro, e Leonardo Oliveira Médici, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), estão entre os palestrantes.

"A Ciência de plantas para a produção de alimentos passa pela Fisiologia Vegetal?", "Que tal manter as plantas bem irrigadas?", "Biofortificação agronômica de culturas com micronutrientes" e "Tolerância das culturas à salinidade" são temas de algumas das palestras.

O valor da inscrição tem desconto até 28 de fevereiro de 2015.

Mais informações no link ao lado: www.funep.org.br/mostrar_evento.php?idevento=462.

Fonte: Agência Fapesp

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Foi lançada em setembro de 2014 pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) a publicação "Redução de sódio em alimentos: uma análise dos acordos voluntários no Brasil". O lançamento ocorreu durante o XXIII Congresso Brasileiro de Nutrição, ocorrido em Vitória, no Espírito Santo. O material é o primeiro da "Série Alimentos" do Instituto, publicada com o apoio financeiro do IDRC (International Development Research Centre), e está disponível para download neste link.

O tema dos acordos voluntários para redução de sódio nos alimentos têm sido acompanhado pelo Idec desde 2011. Foram realizadas quatro pesquisas de rotulagem e análise laboratorial que constataram, entre outros resultados, fragilidades no cumprimento, estipulação e transparência em relação às metas de redução do ingrediente em produtos alimentícios populares no mercado. A publicação, que avaliou a questão sob a perspectiva do governo, setor produtivo e sociedade civil, traz o resultado desse trabalho e aponta como o panorama atual dos acordos é insuficiente na promoção de benefícios relevantes para a saúde.

"É uma publicação de uma pesquisa muito detalhada sobre o processo de implementação dos acordos voluntários para redução de sódio. Os resultados indicam que a falta de transparência e monitoramento adequado, além das tímidas metas de redução, podem comprometer os impactos na redução do consumo de sódio na população brasileira" comenta Ana Paula Bortoletto, pesquisadora em alimentos do Idec.

No Brasil, o consumo de sódio é duas vezes maior do que o recomendado pela Organização Mundial da Saúde, sendo que o consumo de sódio em excesso é reconhecido como um dos principais fatores de risco para hipertensão e doenças do coração como insuficiência cardíaca, infarto e acidentes vasculares, além de problemas renais.

Entre as principais estratégias adotadas para reverter esse quadro estão os acordos voluntários assinados entre o Ministério da Saúde e as Associações da indústria de alimentos para redução de sódio em alimentos industrializados. Para o Idec, não apenas o sódio como todos os nutrientes não saudáveis precisam ter metas rígidas de redução nos alimentos consumidos no País, com amplo apoio, incentivo e acompanhamento do poder público.

Fonte: Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor

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A Caatinga é o único bioma que ocorre exclusivamente no Brasil. Com estratégias particulares de sobrevivência, suas plantas resistem ao intenso calor, à alta luminosidade e à falta de água do Semiárido. Grande parte delas perdem as folhas no período seco, dando à mata um visual acinzentado. Já com a chegada das chuvas, as folhas e flores ressurgem, trazendo novamente a coloração verde à paisagem. Fonte: Embrapa

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No quinto e último Radar Especial Agricultura, o maior trabalho da terra, você vai conhecer a história dos irmãos Paulo e Marcus Titoto. Filhos de um agricultor de São Paulo, os dois fizeram a vida nas lavouras de Goiás e já preparam a sucessão familiar. Saiba como os produtores do futuro encaram os desafios de realizar o maior trabalho da terra, com apoio das tecnologias da Basf.

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No dia 7 de dezembro de 2014, os pesquisadores e técnicos envolvidos na cooperação espacial entre Brasil e China, uma parceria criada em 1988 com o título China-Brazil Earth Resources Satellite (CBERS), acompanharam o lançamento do foguete "Longa Marca 4B", no Taiyuan Satellite Launch Center, China, que teve o objetivo de colocar em órbita o Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres CBERS-4, 55% desenvolvido e produzido no Brasil.

Em especial, duas das quatro câmeras que compõem a carga útil do satélite foram desenvolvidas e produzidas pela empresa OPTO Eletrônica S/A – uma spin-off do Instituto de Física de São Carlos (IFSC) da Universidade de São Paulo (USP). Em 2006, a OPTO ganhou a concorrência internacional promovida pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e trabalha desde então na construção dessas câmeras.

A missão, que estava programada para o final de 2016, foi antecipada devido à falha registrada em um dos estágios finais do lançamento do foguete que levaria para órbita o CBERS-3, um acidente que destruiu todo o equipamento em dezembro do ano passado. Como há grandes chances de ocorrerem falhas em missões como esta, os cientistas brasileiros e chineses já tinham se precavido, tendo produzido outros dois conjuntos de equipamentos, o que possibilitou uma nova tentativa de lançamento, desta vez realizada com sucesso.

"Foi uma frustração enorme quando assisti ao acidente do CBERS-3, em dezembro de 2013, mas já prevíamos tais riscos e estávamos preparados para esse caso", afirma o professor Jarbas Caiado de Castro Neto, do Grupo de Óptica do IFSC, um dos principais desenvolvedores do projeto, empreendedor e acionista da OPTO.

O CBERS-4, que pesa aproximadamente duas toneladas, é constituído por quatro câmeras, sendo as duas principais, a Câmera Multispectral — totalmente construída pela empresa são-carlense — e a Câmera Imageadora de Amplo Campo de Visada —, igualmente desenvolvida e construída pela OPTO em parceria com outra empresa nacional.

Entre os diversos objetivos do CBERS-4, destacam-se o monitoramento de áreas de desmatamento da Amazônia, expansão de regiões agrícolas, aplicações em mapas de queimadas e, inclusive, pesquisas de desenvolvimento urbano e bacias hidrográficas. As câmeras produzidas pela spin-off do IFSC possuem sensores CCD visíveis e infravermelhos que destacam, por meio de imagens de cores distintas, as áreas de desmatamentos.

O processo de desenvolvimento das duas câmeras englobou aproximadamente os 450 funcionários da OPTO, em especial os 75 membros do Pesquisa e Desenvolvimento (P e D), que contam com diversos pesquisadores, ex-alunos de graduação e pós-graduação do IFSC e engenheiros.

"Desenvolver as câmeras foi um trabalho que exigiu muita capacidade de projetar, construir, alinhar e testar esses equipamentos de alta tecnologia e complexidade.Um projeto de grande importância como este traz diversos desafios que nos empolgam", diz Jarbas Caiado, sublinhando que esse projeto, que durou aproximadamente oito anos, começou quando o professor Luiz Carlos Miranda, presidente do Inpe em 2006 e pai do professor Paulo Barbeitas Miranda (IFSC), o procurou e, posteriormente, contratou a OPTO para realizar esse trabalho.

Satélite Amazônia

Após essa missão, a empresa brasileira já está desenvolvendo outro grande projeto: o satélite Amazônia, 100% nacional, cuja câmera inovadora — uma versão entre a WFI e a MUX — está sendo desenvolvida pelos pesquisadores da OPTO. Este novo satélite, desta vez produzido inteiramente no Brasil, deverá ser lançado em 2018.

"O tempo de revisita [que é a imagem completa da terra] da câmera MUX é de vinte e sete dias. A WFI possui uma largura de imagem maior, o que permite que ela faça uma imagem completa da Terra a cada cinco dias, compondo as imagens obtidas a cada uma das cinco voltas que o satélite faz por dia", explica Jarbas Caiado.

A Câmera Multispectral (MUX), que possui alta resolução no solo (20 metros) e largura de imagem de 120 Km, é formada por quatro equipamentos, sendo eles o MOB, conjunto ótico constituído por 11 lentes e um espelho; o RBNA, módulo que faz a aquisição de imagem; RBNB, eletrônica responsável pelo controle térmico, ajuste de foco e controle interno do sistema de calibração; e o RBNC, responsável por gerar os relógios de leitura do sensor CCD, e pelo processamento das saídas CCD analógicas em sinais digitais e de codificação de dados.

Já a Câmera Imageadora de Amplo Campo de Visada (WFI), que fornece imagens de média resolução (64 metros) no solo e largura da imagem de 866 Km, teve como grande desafio a melhora por um fator de 2X da resolução espacial, em comparação com os sensores presentes no CBERS-1 e CBERS-2, alem da inclusão de quatro bandas espectrais não presentes nos modelos anteriores.

Para o docente, esse projeto, assim como a missão do CBERS-4, é prova de que o o País tem profissionais com grande capacidade para superar dificuldades, bem como um total controle nas produções ópticas de satélites.

"O Brasil necessita de grandes desafios. A OPTO, que está ligada a instituições como o Inpe e IFSC, é um grande exemplo de que somos capazes de reagir aos desafios tecnológicos apresentados. O segredo está em ter uma equipe de pesquisadores e técnicos de alta competência como a equipe que o diretor de P e D da Opto, Mario Stefani, doutor em física pelo IFSC, montou para esse projeto. O sucesso do CBERS-4 deverá abrir novas portas internacionais para a empresa, no restrito clube de países que dominam essa tecnologia", conclui Jarbas Caiado, que acrescenta: "Tanto o CBERS-4, quanto seus antecessores, como, inclusive, o próximo satélite brasileiro, tem a assinatura do Instituto de Física de São Carlos e, por consequência, o fingerprint da Universidade de São Paulo, o que muito nos orgulha e incentiva.

OPTO Eletrônica

Sediada em São Carlos, a OPTO Eletrônica S/A foi fundada em 1985 por pesquisadores e ex-alunos do IFSC. Com atuação nas áreas médica, industrial, de componentes ópticos, aeroespacial e de defesa, a companhia recebeu o primeiro lugar no "Prêmio Finep de Inovação" na categoria Empresa Média, em dezembro de 2009.

Sempre na vanguarda das novas tecnologias optoeletrônicas, essa indústria foi a primeira empresa do hemisfério sul a produzir um laser, tendo, também, fabricado o primeiro leitor de códigos de barra para supermercados. Além de ter fabricado aproximadamente um milhão de refletores odontológicos, a OPTO também nacionalizou a produção de componentes óticos de alta precisão. Na área médica a Opto se destaca no desenvolvimento e produção de equipamentos para diagnóstico e tratamento de doenças do olho humano.

Fonte: Agência USP de Notícias
Rui Sintra – Jornalista
Assessoria de Comunicação do Instituto de Física de São Carlos

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A nova equipe econômica do governo deixou claro: 2015 será um ano de "ajustes". Os gastos públicos serão cortados para que se consiga economizar 1,2% do PIB e os juros devem se manter em um patamar elevado para ajudar a segurar a inflação. Também está sobre a mesa um aumento dos impostos. O curioso, porém, é que o Brasil parece abraçar a austeridade em um momento em que, fora do país, políticas dessa linha são colocadas em xeque.

De um lado os EUA, que adotaram uma estratégia focada nos estímulos à economia, conseguiram se recuperar e podem ter uma expansão de 3% em 2015. Já a zona do euro – que implementou uma política de cortes de gastos radicais e aumentos de impostos – ainda patina, com crescimento medíocre e desemprego na casa dos 11% (e instabilidade política em países como Grécia).

Até o Banco Central Europeu parece ter admitido os limites dessa estratégia ao anunciar, recentemente, um pacote de compra de títulos para injetar recursos na economia e estimular os empréstimos e o consumo.

Para a maior parte dos economistas ouvidos pela BBC Brasil, porém, a dicotomia entre "ajustes" e "estímulos" é contraproducente.

"Há ajustes bons e ajustes ruins", explica Étore Sanchez, da consultoria LCA. "Assim como há pacotes de estímulos mais eficientes que outros para impulsionar a economia. Além disso, a realidade de cada país deve ser considerada: o que funciona nos EUA ou na Europa pode não funcionar no Brasil – e vice versa."

No caso brasileiro, por exemplo, ele opina que, por mais que se tenha estimulado o consumo nos últimos anos, a falta de reformas para resolver problemas logísticos, burocráticos e outros gargalos acabou funcionando como um freio ao investimento, impedindo um crescimento sustentável.

Mas o que faz o Brasil acabar com a política anticíclica justo no momento mais baixo do "ciclo", fazendo uma "correção de rumos" aparentemente oposta a da Europa? Eo que é preciso fazer para evitar os riscos da estratégia de "ajustes" em um contexto de economia estagnada?

Consenso

A necessidade de um ajuste fiscal e de mudanças na política econômica parece ser consenso entre economistas – sejam eles pró ou antigoverno, desenvolvimentistas ou ortodoxos.

Primeiro, em função do baixo crescimento e inflação muito próxima do teto da meta definida pelo Banco Central (6,5%) – interpretados como um sinal de problemas da política econômica do primeiro governo Dilma Rousseff.

Segundo, pelo que é percebido como um certo "descontrole" das contas públicas. O governo admitiu que este ano não economizará 2% do PIB, como prometido, e uma mudança legal foi aprovada às pressas no Congresso para permitir o descumprimento dessa meta.

"O ideal certamente não seria retirar os estímulos anticíclicos com um crescimento tão baixo", diz Sanchez, da consultoria LCA.

"Mas o fato é que o governo já esgotou suas ferramentas para tentar impulsionar a economia e agora não tem alternativas diante da necessidade de segurar a inflação, colocar as contas em dia e recuperar a confiança dos investidores e dos mercados."

André Biancarelli, economista da Unicamp, diz não achar que "a situação (das contas públicas) seja desesperadora". "Mas não há como negar que algo precisa ser feito para colocá-la na linha."

Como os cortes de gastos e altas de juros poderiam ajudar o país a retomar o crescimento?

O governo espera que tais políticas gerem um "choque de credibilidade" que destrave os investimentos.

Segundo André Perfeito, da Gradual investimentos, a alta dos juros de curto prazo de fato tende a derrubar a taxa de longo prazo – o que poderia contribuir para elevar os investimentos na economia real.

"Mas não sabemos como a economia vai responder a essas medidas", diz o analista, acrescentando que, se o consumo interno estiver desaquecido e a economia global ainda não tiver se recuperado, puxando as exportações, é difícil acreditar que os investimentos virão. Nesse cenário de baixo consumo, "os empresários vão produzir para quem?", questiona.

Biancarelli, da Unicamp, concorda: "O risco, em última instância, é que um ajuste muito duro jogue fora o dinamismo da economia para ajustar as contas públicas".

Para alguns economistas, um aperto monetário e fiscal muito forte foi o que dificultou a retomada de crescimento de alguns países europeus, como Grécia e Espanha.

Eles dizem que os cortes de gasto e aumentos de impostos que tinham como objetivo colocar as contas públicas em dia achataram muito rapidamente o consumo e geraram desemprego, reduzindo a arrecadação – o que acabou prejudicando as contas públicas e criou uma espécie de "círculo vicioso" recessivo.

No caso do ajuste europeu, porém, Perfeito diz que um dos grandes problemas foi a falta de capacidade dos países encrencados de fazer política monetária, uma vez que eles haviam aderido ao euro. "Além disso, as contas públicas de muitos países estavam bem piores que as brasileiras hoje."

Gradualismo

Tanto Biancarelli quanto Perfeito defendem um "gradualismo" no corte de gastos e aperto monetário no Brasil.

"Afinal, foi esse gradualismo que Dilma prometeu em campanha, para que não se retroceda nos avanços sociais dos últimos anos", diz Perfeito.

Mas também há quem acredite que o que pode minar o ajuste são medidas muito brandas – incapazes de convencer o mercado de que o governo está mesmo comprometido com suas metas fiscais e inflacionárias.

Para Ilan Goldfajn, economista chefe do Itaú BBA, por exemplo, "o maior risco" do plano é que ele "não consiga de fato recuperar a credibilidade" da política econômica frente aos mercados e investidores.

Muitos analistas questionam se a nova equipe econômica terá autonomia para perseguir suas metas. Outros enfatizam que além de mudar a política econômica o governo precisa fazer reformas estruturais para garantir a retomada do investimento.

"Quando começaremos a tratar das ineficiências (estruturais) do mercado brasileiro para que valha a pena investir?", questionou José Ricardo Roriz Coelho, diretor da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) em um almoço com jornalistas na semana passada.

"Ainda não vi no governo propostas para acabar com esses problemas (como falta de infra-estrutura, excesso de burocracia, etc)."

Cortes inteligentes

No que diz respeito aos cortes de gastos públicos, os economistas concordam que o ideal é que o governo poupe gastos sociais, investimentos e outras áreas que têm um grande "efeito multiplicador" sobre a economia.

Para Biancarelli, a grande tentação da nova equipe econômica será fazer o ajuste "mais fácil" — já que boa parte do orçamento é "engessada".

"Os benefícios dos funcionários públicos, por exemplo, são protegidos pelo princípio de direito adquirido. Mas o governo precisa fugir desse padrão histórico de cortar os investimentos se quiser evitar um ajuste recessivo", opina.

Entre as áreas que poderiam receber uma tesourada, na avaliação do economista da Unicamp, estaria a de desonerações fiscais.

"Por meio dessas desonerações, bilhões de reais foram repassados aos empresários. Mas como eles não necessariamente investiram mais em contrapartida, está na hora de rever isso", opina.

Paulo Skaf, presidente da Fiesp, discorda e promete ser duro contra qualquer tentativa do governo de aumentar a carga tributária sobre os empresários.

"O meio empresarial está ansioso para saber quais serão as medidas concretas (para gerar crescimento). Mas se for pelo caminho do aumento de impostos vai ter problemas. Vamos oferecer resistência."

Fonte: BBC Brasil
Ruth Costas

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Uma assessoria diferente, que tem como propósito deixar casas e apartamentos mais verdes e, sobretudo, mais integrados à natureza. Nesta edição, o programa Momento Ambiental detalha o funcionamento do Hortinutri, um serviço que pode ser contratado por quem pretende ter uma horta em casa, mas não sabe por onde começar. A escolha das hortaliças depende do gosto e do perfil do cliente. Apesar de exigir dedicação e cuidado, a atividade traz vantagens incalculáveis. Manter uma horta em casa, muitas vezes, significa qualidade de vida. Fonte: Momento Ambiental

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Depois de anos de planejamento e acertos com parceiros internacionais, começou a ser construída uma torre de 325 metros de altura que será usada para estudar a Floresta Amazônica. A torre Atto (sigla em inglês para Torre Alta de Observação da Amazônia), que será mais alta do que a Torre Eiffel, está sendo erguida ao norte de Manaus, na Reserva Biológica do Uatumã, a leste da represa de Balbina.

O projeto está sendo realizado por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e do Instituto Max Planck de Química, da Alemanha.

Ao longo de toda a sua altura, a torre terá uma série de sensores, sondas e bombas, que sugarão o ar em diferentes altitudes para analisá-lo e detectar sobretudo a quantidade de aerossóis presentes. Os cientistas planejam também estudar o transporte de massas de ar pela floresta.

"Nós queremos entender onde e por que os gases de efeito estufa, como o dióxido de carbono, metano, óxido nitroso e outros gases-traço reativos se formam e acumulam," explicou o professor Jurgen Kesselmeier, acrescentando que tem medo de altura e que não sabe se conseguirá subir até o alto da torre.

Mas o grande destaque da Atto não será a altura, já que existem sensores dedicados à coleta de dados climáticos no alto de edifícios com mais de 800 metros em Dubai.

O que tornará a Atto única no mundo é o ecossistema onde ela está sendo instalada: na maior área de floresta contínua da Terra – embora venha diminuindo com o avanço das plantações de soja e da criação extensiva de gado.

Fonte: Inovação Tecnológica

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Araxá, Brumadinho, Diamantina, Lavras, Montes Claros, Alto Paranaíba (Patrocínio e Patos de Minas), São João Del Rei e Teófilo Otoni poderão ganhar um forte instrumento indutor de desenvolvimento social e econômico. O secretário de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Vicente Gamarano, presidiu o encontro onde foram apresentados os resultados dos estudos de viabilidade técnica para os parques tecnológicos destas cidades, promovido em parceria com o Centro Tecnológico de Desenvolvimento Regional de Viçosa (Centev/UFV). Na oportunidade, o secretário Vicente Gamarano e a superintendente de Inovação Tecnológica, Brenda Alves, receberam o relatório dos resultados, entregue pela diretora executiva do Centev, Adriana Ferreira de Faria.

Instrumentos irradiadores de desenvolvimento econômico e social, os parques tecnológicos compreendem uma área física delimitada, urbanizada de forma a atender a empresas intensivas em tecnologia que se estabelecem próximas de uma universidade com o objetivo de aproveitar a capacidade científica e técnica dos pesquisadores e seus laboratórios. Investimentos de longo prazo, normalmente os parques são geridos por especialistas, cujo principal objetivo é aumentar o bem-estar da comunidade em que se insere, promovendo a cultura de inovação e da competitividade das empresas e instituições baseadas no conhecimento.

De acordo com Vicente Gamarano, os parques tecnológicos fazem parte de um conjunto de política de ações estratégicas da pasta da Ciência e Tecnologia que não se colhem resultados em curto prazo. "É necessário muito investimento e sei que toda a equipe da Sectes plantou as sementes necessárias que serão colhidas no futuro", afirmou Gamarano, completando que somente o investimento na educação será capaz de transformar a sociedade. "Conhecimento adquirido e guardado para si não tem o mesmo valor quando compartilhado. Eos Parques Tecnológicos proporcionam esta troca de conhecimento para uma sociedade melhor".

Presente na reunião, Narcio Rodrigues afirmou que, quando ocupava o cargo de secretário da Sectes, sempre se empenhou para o desenvolvimento dos parques tecnológicos. "O Governo de Minas fechou um compromisso com essas iniciativas e sei que firmamos um ponto de partida importante para a consolidação desses parques. Este documento apresentado hoje é um resultado de trabalho da Secretaria que gostaria de vê-lo desdobrando", disse.

Fonte: Agência Minas

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Comunidades de baixa renda recuperam a auto estima com ações do programa Brasil Sem Miséria. Conheça a história da D. Rosa, do Quilombo do Algodão, no 5º Distrito de Pelotas. Para ela e as outras seis famílias da comunidade, coisas básicas como o acesso à energia elétrica e saneamento básico são recentes. Esse documentário mostra a melhora na condição de vida na comunidade após o início do trabalho desenvolvido pelos extensionistas da Emater/RS. Fonte: TV Terra Sul

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De acordo com o Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), várias razões foram importantes para a saída do Brasil do Mapa Mundial da Fome: índices de emprego, aumento real do salário mínimo e políticas de transferência de renda. Por esses e outros motivos, o órgão premiou o Brasil pelo progresso na luta contra o problema. Para conversar sobre o tema, o NBR Entrevista recebe o secretário de Segurança Alimentar e Nutricional do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), Arnoldo de Campos. Fonte: TV NBR

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Há várias formas de se construir o conhecimento, e uma delas é por meio empírico, onde os saberes tradicionais são adquiridos através da vivência. No Brasil, há várias comunidades espalhadas que apreendem dessa maneira. Para conciliar o saber acadêmico ao tradicional, as universidades vêm se aproximando dessas comunidades. Para conversar mais sobre o tema, o programa convidou José Jorge de Carvalho, coordenador do Instituto de Inclusão do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) José Jorge de Carvalho. Fonte: TV NBR

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A homeopatia se baseia na cura pelo semelhante, isto é, as substâncias indicadas causariam sintomas parecidos que a doença, que ao serem administrados fazem com que o organismo busque o equilíbrio e assim alcance a cura, tratando então o doente e não a doença. Já a fitoterapia utiliza ervas medicinais na produção de medicamentos. Ambas utilizam produtos orgânicos em seu processo de cura. O prof. Dr. Filipe da Unesp de Botucatu fala sobre as diferenças entre homeopatia e fitoterapia e suas diferentes aplicações. A engenheira florestal Livia Vilhena nos conta sobre a homeopatia e sua relação com pessoas, animais e vegetais e a crescente demanda da homeopatia na agricultura. O engenheiro agrônomo João Nabuco explica o os benefícios de se preparar o solo com o uso da homeopatia. Fonte: TV Unesp

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A prática da agroecologia e do cultivo de alimentos livres de agrotóxicos tem se intensificado no estado, já que os consumidores tem se preocupado com os malefícios que estes tóxicos trazem para a saúde. Pensando neste mercado, produtores de Arvorezinha, no Vale do Taquari, no Rio Grande do Sul, investem na produção de morangos orgânicos desde de 2012. Como a ideia surgiu e quais os procedimentos adotados por eles é o que você confere agora. Fonte: Emater/RS-Ascar

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