Uma via superrápida para tráfego de dados, que coloca em contato uma grande população de indivíduos diversos e dispersos. Essa via facilita a comunicação e colaboração entre os indivíduos, mas também abre caminho para que crimes sejam cometidos.

Parece uma descrição da internet, mas estamos falando de fungos. Os fungos – sejam eles cogumelos ou não – são formados de um emaranhado de pequenos filamentos conhecidos como micélio. O solo está cheio desta rede de micélios, que ajuda a "conectar" diferentes plantas no mesmo solo.

Muitos cientistas estudam a forma como as plantas usam essa rede de micélios para trocar nutrientes e até mesmo para "se comunicar". Em alguns casos, as plantas formam até mesmo uma união para "sabotar" outras espécies invasoras de plantas, liberando toxinas na rede.

Cerca de 90% das plantas terrestres têm uma relação simbiótica com fungos, que é batizada de micorriza. Com a simbiose, as plantas recebem carboidratos, fósforo e nitrogênio dos fungos, que também as ajudam a extrair água do solo. Esse processo é importante no desenvolvimento das plantas.

Internet natural

Para o especialista em fungos Paul Stamets, essa rede é uma "internet natural" do planeta Terra. Sua tese é que ela coloca em contato plantas que estão muito distantes de si e não apenas as que estão próximas. Ele traça um paralelo com o filme Avatar, de 2009, em que vários organismos em uma lua conseguem se comunicar e dividir recursos graças a uma espécie de ligação eletroquímica entre as raízes das árvores.

Só em 1997 é que foi possível comprovar concretamente algumas dessas comunicaçõeos via "internet natural". Suzanne Simard, da Universidade de British Columbia, no Canadá, mostrou que havia uma transferência de carbono por micélio entre o abeto de Douglas (uma árvore conífera) e uma bétula. Desde então, também ficou provado que algumas plantas trocam fósforo e nitrogênio da mesma forma.

Simard acredita que árvores de grande porte usam o micélio para alimentar outras em nascimento. Sem essa ajuda, a cientista argumenta, muitas das novas árvores não conseguiriam sobreviver.
Simard conta que as plantas parecem trabalhar no sentido contrário ao observado por Charles Darwin, de competição por recursos entre espécies. Em muitos casos, espécies diferentes de plantas estão usando a rede para trocar nutrientes e se ajudarem na sobrevivência.

Os cientistas estão convencidos de que as trocas de nutrientes realmente acontece pelo fungo no solo, mas eles ainda não entendem exatamente como isso ocorre.

Conluio

Uma pesquisa recente foi além. Em 2010, Ren Sem Zeng, da faculdade de agronomia da Universidade de Guangzhou, na China, conseguiu observar que algumas plantas "se comunicam entre si" para formar uma espécie de sabotagem a espécies invasoras.

A experiência foi feita com tomates plantados em vários vasos e ligados entre si por micorriza. Um dos tomates foi borrifado com o fungo Alternaria solani, que provoca doenças na planta.
Depois de 65 horas, os cientistas borrifaram outro vaso e descobriram que a resistência deste tomate era muito superior.

"Acreditamos que os tomates conseguem "espiar" o que está acontecendo em outros lugares e aumentar sua resposta à doença contra uma potencial patogenia", escreveu Zeng no artigo científico.

Ou seja, as plantas não só usam a "internet natural" para compartilhar nutrientes, mas também para formar um "conluio" contra doenças.

Esse tipo de comportamento não foi observado apenas em tomates. Em 2013, o pesquisador David Johnson, da Universidade de Aberdeen, na Escócia, também detectou isso em favas, que se protegem contra insetos mínusculos conhecidos com afídios.

Lado negro

Mas assim como a internet humana, a internet natural também possui seu lado negro. A nossa internet reduz a privacidade e facilita crimes e a disseminação de vírus.

O mesmo acontece com as plantas na micorriza, segundo os cientistas. Algumas plantas não possuem clorofila e não conseguem produzir sua própria energia por fotossíntese.

Algumas plantas, como a orquídea Cephalanthera austiniae, "roubam" o carbono que necessitam de árvores das proximidades, usando a rede de micélio. Outras orquídeas que são capazes de fotossíntese roubam carbono, mesmo sem necessitar.

Esse tipo de comportamento faz com que algumas árvores soltem toxinas na rede para combater plantas que roubam recursos. Isso é comum em acácias. No entanto, cientistas duvidam da eficácia desta técnica, já que muitas toxinas acabam sendo absorvidas pelo solo ou por micróbios antes de atingir o alvo desejado.

Para vários cientistas, a internet dos fungos é um exemplo de uma grande lição do mundo natural: organismos aparentemente isolados podem estar, na verdade, conectados de alguma forma, e até depender uns do outros.

Leia aqui a versão original em inglês desta reportagem no site BBC Earth.

Fonte: BBC Brasil
Nic Fleming, da BBC Earth

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Um método de plantio que, em vez de terra, usa um líquido extremamente nutritivo capaz de garantir o desenvolvimento saudável das plantas. A hidroponia é uma técnica antiga, mas ganhou força no Brasil nos últimos anos. As vantagens passam pela possibilidade de produção o ano inteiro, economia de água e ainda diminuição no uso de fertilizantes químicos. O Momento Ambiental conheceu a chácara de Luiz Yoshida, um dos primeiros produtores de Brasília (DF) que apostou na hidroponia como estratégia de negócio. Confira na reportagem. Fonte: Momento Ambiental

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A conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o clima realizada em Lima ganha maior importância em 2014. Negociações são fundamentais para um futuro acordo internacional sobre o clima, visando manter a meta de aquecimento máximo de 2ºC.

O ano de 2014 poderá entrar na história como aquele em que as mudanças climáticas finalmente voltaram a ser prioridade na agenda internacional. Ontem (01/12/14) se iniciou na capital do Peru, Lima, a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 20).

Apesar de faltar ainda um ano para a conferência de Paris, onde deverá ser firmado um novo acordo internacional sobre o clima, em substituição ao Protocolo de Kyoto, ocorreram já neste ano avanços significativos para a redução das emissões do dióxido de carbono e demais gases-estufa.

Em setembro, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, elevou o tema ao status de prioridade, ao realizar em Nova York a conferência especial sobre o clima. O evento foi acompanhado de manifestações em defesa do meio ambiente, nos Estados Unidos e em outras partes do mundo.

Subitamente articulou-se um movimento de cidadania crescente contra a mudança climática. Em reação, os Estados Unidos e a China, os dois maiores emissores mundiais de CO2, sinalizaram a intenção de se comprometerem com medidas pela redução das mudanças climáticas.

A caminho de Paris 2015

Com base nos indícios científicos disponíveis, é consenso entre a comunidade internacional de que de 2ºC em relação ao início da industrialização seria o limite máximo admissível de aumento da temperatura global, para que se evite expor o planeta a mudanças climáticas potencialmente devastadoras.

Isso implica restringir as emissões dos gases causadores do efeito estufa, responsáveis pelo aquecimento da temperatura. Entretanto especialistas receiam que o mundo esteja caminhando para um aquecimento de 4ºC, a menos que as reduções de CO2 sejam reduzidas significativamente no futuro próximo.

Nesse contexto, a Conferência do Clima em Lima é uma etapa importante do processo, explica a secretária-executiva da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima, Christiana Figueres. A discussão política já está em andamento, e os negociadores terão de avanças na elaboração do acordo internacional sobre o clima. Sua ratificação está prevista para dezembro de 2015, em Paris, a fim de que entre em vigor em 2020.

Os países signatários terão até março de 2015 para apresentar as concessões pretendidas no tocante à proteção do clima. A União Europeia já se antecipou, divulgando em outubro suas metas climáticas, enquanto chineses e americanos também emitiram sinais positivos. A maioria dos países, porém, ainda está fazendo sua lição de casa e avaliando que contribuição pode dar, comenta Figueres.

Preço alto para emissões

Ottmar Edenhofer é copresidente do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) da ONU e economista-chefe do Instituto de Potsdam para Pesquisa dos Impactos do Clima. A seu ver, o mundo tem apenas entre 20 e 30 anos para resolver o problema das emissões, e que não se trata de uma questão de tecnologia.

As tecnologias alternativas estão disponíveis mas, ainda assim, os combustíveis fósseis estão novamente em alta. Por isso, é fundamental estabelecer um preço sobre as emissões de carbono, a fim de que se torne caro lançar CO2 na atmosfera, insta Edenhofer.

Uma vez que o mundo tem orçamento limitado para o carbono, isso significaria permitir apenas mais alguns milhares de gigatoneladas na atmosfera para manter o aumento da temperatura abaixo do limite de 2ºC e evitar o risco daquilo que Edenhofer descreve como "impactos extremamente severos das mudanças climáticas".

A secretária-executiva Figueres concorda que pôr um preço sobre as emissões de carbono é um fator muito importante nas mudanças direcionadas a uma economia com baixos índices de CO2. "O que fizemos nos últimos 150 anos é presumir que não há custos para o uso irresponsável do meio ambiente, e agimos como se o meio ambiente fosse constantemente renovável, o que não é verdade."

Fonte: Deutsche Welle
Autoria: Irene Quaile

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O Brasil apresentará na 20ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (COP20) proposta para que todos os países assumam compromissos de longo prazo, a partir de 2020, para redução de emissões. No vídeo, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira explica as propostas que serão debatidas no evento. Fonte: TV NBR

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Os produtores Greciano Lacerda Moura e Roberto Carlos de Miranda são os campeões estaduais do 11º Concurso Estadual de Qualidade dos Cafés de Minas Gerais. O anúncio foi feito durante cerimônia de encerramento do concurso realizada em Patos de Minas, região do Alto Paranaíba. A disputa também escolheu os três melhores cafés em cada uma das quatro regiões produtoras nas categorias Café Natural e Café Cereja Descascado. A solenidade foi marcada por homenagens e pela realização de um leilão com microlotes do cafés campeões estaduais.

O produtor Greciano Lacerda Moura é do município de Espera Feliz, da região da Zona da Mata. Ele ficou em primeiro lugar na categoria Cereja Descascado em sua região. Roberto Carlos de Miranda é de Araponga, município também da Zona da Mata mineira. O produtor venceu a categoria Café Natural. Como os dois cafeicultores tiveram as maiores pontuações no geral, eles foram eleitos campeões estaduais em suas categorias e receberam o Troféu Melhor Café de Minas Gerais. Greciano Moura também recebeu a medalha Sustentabilidade. Uma homenagem ao cafeicultor com o melhor café produzido com sustentabilidade, de acordo com a certificação oficial do Estado, o programa Certifica Minas Café.

O chefe de gabinete da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa), Renato Sousa, participou do evento. Ele ressaltou a importância do concurso e a parceria com instituições públicas de ensino e pesquisa, cooperativas e empresas privadas. "É um concurso de grande abrangência, que busca incentivar a constante melhoria da qualidade dos cafés de Minas Gerais, como meio mais eficaz na conquista de maiores mercados e, ainda, agrega valor ao produto, atendendo a crescente demanda por produtos diferenciados".

Durante a cerimônia de encerramento do concurso foram premiados os três melhores cafés de cada região em cada categoria. Também houve a entrega de diploma aos primeiros colocados em cada categoria e de certificado aos cafeicultores finalistas. As empresas patrocinadoras do concurso: Du Pond, Syngenta, Café Brasil e Assopatos, e os compradores dos cafés campeões do concurso também receberam homenagens. Outro destaque da solenidade foi a realização de um leilão com microlotes de café (uma saca de 60Kg) dos campeões estaduais de cada categoria.

Leilão Virtual

Entre os dias 8 e 21 de novembro aconteceu um leilão virtual, no site da FAEPE, com seis lotes dos vencedores das duas categorias de três regiões produtoras de café. Cada lote é formado por 10 sacas de 60Kg. O lance inicial foi de R$ 1.100,00. Os cafés leiloados receberam nota acima de 84 pontos, de acordo com a tabela de classificação da Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA).

O Concurso Estadual de Qualidade dos Cafés de Minas Gerais é realizado pelo Governo do Estado, por meio da Emater-MG, empresa vinculada à Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Universidade Federal de Lavras (UFLA), Organização das Cooperativas do Estado de Minas Gerais (Ocemg), Federação da Agricultura e Pecuária de Minas Gerais (Faemg), Instituto Federal de Ensino e Tecnologia de Machado (IEF/Sul de Minas), Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia do Café (INCT CAFÉ), Fundação de Apoio ao Ensino, Pesquisa e Extensão (FAEPE). O evento conta ainda com o apoio do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA).

Para a edição deste ano foram inscritas 1.025 amostras das quatro regiões cafeeiras do Estado: Cerrado Mineiro, Chapadas de Minas, Matas de Minas e Sul de Minas. Os lotes foram entregues pelos cafeicultores nos escritórios da Emater-MG, sendo aceitos somente cafés da espécie Arábica, safra 2014, tipo 2 para melhor.

"Nosso principal objetivo não é estimular a competição. O caráter é mais educativo. Os resultados das amostras analisadas serão detalhados em laudos e entregues aos extensionistas da Emater-MG responsáveis pelas inscrições. Produtor e técnico terão condições de discutir quais as possibilidades existentes dentro das tecnologias preconizadas para a produção de bons cafés. Ou seja, o concurso é um trabalho de melhoria contínua dos cafés de Minas Gerais", ressalta Marcos Fabri Junior.

Confira abaixo a lista com os vencedores:

Campeões Estaduais

Categoria Cereja Descascado: Greciano Lacerda Moura
Município: Espera Feliz

Categoria Natural: Roberto Carlos de Miranda
Município: Araponga

Medalha de Sustentabilidade

Greciano Lacerda Moura

Categoria Natural

Sul de Minas

1º LUGAR: Giovanni Leto Barone
Município: Guaxupé

Cerrado Mineiro

1º LUGAR: Versi Crivelenti Ferrero
Município: Patos de Minas

Matas de Minas

1º LUGAR: Roberto Carlos de Miranda
Município: Araponga

Chapadas

1º LUGAR: Cláudio Fujio Nakamura
Município: José Gonçalves de Minas

Categoria Cereja Descascado

Sul de Minas

1º LUGAR: Sebastião Márcio R. Nogueira
Município: Carmo de Minas

Cerrado Mineiro

1º LUGAR: Décio Bruxel
Município: Varjão de Minas

Matas de Minas

1º LUGAR: Greciano Lacerda Moura
Município: Espera Feliz

Chapadas

1º LUGAR: Primavera Agronegócios LTDA
Município: Angelândia

Fonte: Agência Minas

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A Universidade Federal de Lavras (UFLA) realizará um concurso para docentes, com inscrições que estarão abertas do dia 8/12/2014 a 5/1/2015. Há 42 vagas disponíveis em 15 departamentos da Universidade (consulte a lista no Edital). Os convocados irão compor o quadro permanente, Classe A, com a denominação de Professor Auxiliar, Professor Assistente A e Professor Adjunto A, Nível 1.

As vagas são para os seguintes Departamentos: Administração e Economia (DAE); Biologia (DBI); Ciência dos Alimentos (DCA); Ciência da Computação (DCC); Ciências Humanas (DCH); Ciência do Solo (DCS); Engenharia (DEG); Entomologia (DEN); Ciências Exatas (DEX); Física (DFI); Direito (DIR); Zootecnia (DZO); Ciências da Saúde (DSA); Educação (DED); e Agricultura (DAG).

De acordo com a legislação vigente e com o Anexo II da Resolução CUNI nº 066/2014, haverá reserva de duas vagas destinadas às pessoas com deficiência e de oito vagas destinadas aos candidatos negros.

As inscrições serão realizadas somente via internet, a partir das 9 horas do dia inicial, até as 18 horas da data final (horário de Brasília). Os interessados devem se inscrever em www.prgdp.ufla.br/concurso/prof. O valor da inscrição é variável de acordo com a vaga pretendida.

Será possível solicitar, de 8 a 15/12/2014, isenção da taxa de inscrição. A UFLA consultará o órgão gestor do Cad-Único para verificar as informações prestadas pelo candidato. O resultado da solicitação de isenção será divulgado, oficialmente, no dia 18/12/2014.

O concurso, para todas as áreas, será constituído por prova escrita e prova didática (eliminatórias), e prova de títulos (classificatória). Cada uma dessas etapas terá o valor de 100 pontos. As provas serão realizadas no Câmpus da UFLA a partir de fevereiro de 2015. Os dias, horários e locais de realização, assim como a composição da Banca Examinadora, serão divulgados oficialmente a partir de 16/1/2015.

O candidato nomeado deverá atuar: no ensino da graduação e, se capacitado, na pós-graduação; na ministração de disciplinas relacionadas à área do concurso (mínimo de oito horas-aula semanais); na orientação de alunos; e na execução de atividades pertinentes à pesquisa, à extensão, às atividades administrativas da UFLA e ao atendimento à comunidade.

O concurso terá validade de um ano, contado a partir da data da publicação da homologação no Diário Oficial da União. A critério da UFLA, poderá ser prorrogado por mais um ano. Novas vagas que venham a ser autorizadas pelos órgãos competentes, dentro do prazo de validade deste concurso, poderão ser preenchidas por ordem de classificação dos candidatos.

Todos os informes relativos ao concurso serão feitos no endereço: www.prgdp.ufla.br/concurso/prof.

Acesse o edital aqui (arquivo PDF).

Acesse os temas aqui (arquivo PDF).

Mais informações

Coordenadoria de Seleção da Pró-Reitoria de Gestão e Desenvolvimento de Pessoas (PRGDP)
Telefone: (35) 3829-1146
Site: www.prgdp.ufla.br/­­­selecao

Fonte: Universidade Federal de Lavras
Assessoria de Comunicação da UFLA
Mateus Lima – Jornalista

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Não é de hoje que temos acompanhado que muitas cidades vivem o racionamento de água, justamente por conta da falta de chuva. Epara não chegarmos a esse ponto, algumas ações estão sendo adotadas em Votuporanga (SP), entre elas, o projeto Olhos dÁgua que tem a missão de preservar as nascentes. Fonte: TV Unifev

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Em 2001, os Brics foram considerados países que poderiam remodelar a economia mundial. Brasil, Rússia, Índia e China – na época o grupo não incluía a África do Sul – foram identificados como economias grandes e de crescimento rápido que teriam papeis globais cada vez mais influentes no futuro. Mas a desaceleração econômica pela qual o Brasil está passando se repete em todo o grupo. O que aconteceu com estas economias?

Hoje, China e Rússia são possivelmente as mais preocupantes para o resto do mundo no curto prazo. Podem provocar uma reformulação séria e bastante indesejável. No caso da China, há o risco de a desaceleração econômica se transformar em algo mais prejudicial para a economia mundial. Com a Rússia, há a possível consequência econômica do conflito na Ucrânia.

A desaceleração da China aconteceria mais cedo ou mais tarde. Na verdade, é notável que não tenha vindo antes. A China tem registrado taxas extraordinárias de crescimento econômico há muito tempo – uma média de 10% ao ano nas últimas três décadas. Mas este crescimento é baseado em taxas muito elevadas de investimento, atualmente em 48% da renda nacional ou PIB.

Quando o investimento é alto assim, há sempre o risco de que muitos projetos acabem sendo um desperdício ou não rentáveis, minando as finanças dos próprios investidores e de qualquer pessoa que tenha emprestado dinheiro a eles.

Poucos países têm taxas de investimento mais altas do que as chinesas – e nenhum deles têm muito a ensinar para a China. São eles Butão, Guiné Equatorial, Mongólia e Moçambique.

Outro fator que ajuda a entender o crescimento chinês é a exportação. Mas não é possível depender disso atualmente, quando o resto do mundo ainda luta para se recuperar da crise financeira.

Transição chinesa

O que o governo chinês quer fazer é avançar no sentido de um crescimento econômico um pouco mais lento e mais influenciado por venda de bens e serviços para os consumidores chineses.

A desaceleração está acontecendo. Já nesta década, a taxa média de crescimento caiu em mais de dois pontos percentuais.

O homem que inventou o termo "Brics", Jim ONeill, então da Goldman Sachs, acredita que a transição pode ser gerida sem muita turbulência. Outros são mais cautelosos.

O professor Kenneth Rogoff, da Universidade de Harvard, diz que a desaceleração da China é ao mesmo tempo inevitável e desejável, mas adverte: "Não é fácil conter o crescimento gradualmente sem provocar problemas generalizados de projetos de investimentos ambiciosos."

Ele diz que, se o crescimento chinês entrar em colapso, a queda global poderia ser muito pior que a causada por uma recessão normal nos EUA.

Já a Rússia é uma história diferente. Seu impacto econômico potencial sobre o resto do mundo em um futuro próximo está altamente relacionado com questões políticas.

O conflito na Ucrânia já prejudicou a Rússia economicamente. As sanções impostas pelo Ocidente e o receio entre os investidores de que elas possam aumentar agravaram uma desaceleração que ocorreria de qualquer maneira.

O país já perdeu US$ 85 bilhões este ano, de acordo com dados do Banco Central russo. A Rússia é muitas vezes criticada por ter um ambiente de negócios difícil, devido à burocracia e incertezas sobre o sistema legal.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) já falou disso antes, e Jim ONeill também afirma que a Rússia precisa de normas confiáveis de direito empresarial. Os problemas da Rússia já tiveram impacto econômico além de suas fronteiras, notadamente na Alemanha.

As exportações para a Rússia caíram acentuadamente – o que é um fator importante por entender por que a Alemanha está perto da recessão.

Olhando para o futuro, o FMI também advertiu que "riscos geopolíticos", ou seja, a crise na Ucrânia e no Oriente Médio, são algumas das principais ameaças para a recuperação da economia global que já é, nas palavras do próprio FMI, "fraca e desigual".

Força da Índia

Outros dos Brics com problemas claros é o Brasil – apesar de o país representar menos perigo no contexto global. Assim como a Rússia, é uma economia em que as exportações de commodities desempenharam um papel importante para os bons resultados da década de 2000.

Na Rússia, o que se exportava era de petróleo e gás. Já o Brasil tem minério de ferro e commodities agrícolas como soja, café e açúcar.

Jim ONeill diz que ambos precisam tomar medidas para tornarem-se menos dependentes do setor de commodities.

Devem melhorar a sua competitividade de trabalho, diz, e se tornarem mais atraentes para o investimento privado em outras indústrias.

Entre os países do Bric original – que não inclui a África do Sul -, a Índia aparentemente é o que está causando menos ansiedade nos mercados financeiros e instituições econômicas internacionais no momento.

O crescimento ganhou força este ano, embora esteja muito aquém daquele da década anterior. Muitos investidores receberam bem o novo governo de Narendra Modi, que assumiu o cargo em maio. "Estou mais otimista do estive por algum tempo sobre a Índia", diz Jim ONeill.

Então, os Brics estão desmoronando?

É bom lembrar de onde este conceito veio. Ele apareceu pela primeira vez em um artigo escrito em 2001 por Jim ONeill. Não era um grupo, mas apenas uma maneira conveniente, com uma sigla agradável, para detectar tendências importantes.

Somente anos depois os países começaram a fazer cúpulas anuais e, nesta fase inicial, o grupo não incluía a África do Sul. O "s" no final de Brics aparecia apenas como um plural.

Alcançando o crescimento

O objetivo do trabalho era mostrar o papel cada vez mais influente que esses países desempenhariam na economia global pelos próximos 10 anos, e argumentar que a cooperação econômica internacional deveria mudar para refletir esta realidade diferente. Eisso ocorreu. Desde 2008, um dos fóruns-chave para questões de política econômica tem sido o grupo G20, que inclui todos os Brics entre os seus membros.

Os Brics eram as maiores economias emergentes. Não havia nenhum país africano quando a ideia foi usada pela primeira vez, e em termos do seu peso econômico a África do Sul estava bem atrás dos outros, e também de alguns que não foram incluídos, como a Indonésia e o México.

Um artigo de acompanhamento de dois outros economistas do Goldman Sachs estendeu a análise até 2050 e sugeriu que os Brics, em conjunto, poderiam ser maiores que os seis principais países industrializados somados em 2039.

A rigor, os artigos do Goldman Sachs não eram previsões. Eram retratos de como o mundo poderia ser se os países crescessem o quanto podem. As taxas de crescimento previstas eram muito maiores do que a de países ricos.

Eles têm a possibilidade de alcançar esses países ao investir rapidamente em tecnologia, o que já está estabelecido em economias desenvolvidas.

Eles também têm mão de obras disponível, para as indústrias em rápida expansão, por causa da população em crescimento e urbanização, com as pessoas se mudando do campo para as cidades.

Nas projeções originais de Jim ONeill, o crescimento chinês ao longo dos próximos 10 anos foi fixado em 7%, da Índia de 5%, e Rússia e Brasil, em 4%.

O Brasil foi o único que não atingiu essa projeção.

Mas todos os Brics têm desacelerado na década atual, por mais de dois pontos percentuais cada, com exceção da África do Sul.

Potencial para o futuro

O FMI investigou a desaceleração dos países em desenvolvimento. Uma parte significativa dele reflete a demanda internacional mais fraca por suas exportações e políticas governamentais dos próprios países, que se tornaram uma limitação ao crescimento, à medida que reverteram políticas de estímulo anteriores -cortando gastos ou aumento impostos para reduzir as necessidades de financiamento.

Mas também há outros fatores que afetam a capacidade das economias emergentes de crescer no futuro – que limitam o que o FMI chama de "potencial de crescimento".

As taxas de juros tendem a subir gradualmente de seus atualmente baixos níveis nos países ricos – particularmente nos EUA e no Reino Unido. Isso vai afetar as taxas globais e tornar o investimento mais caro em economias emergentes.

Muitos também terão de lidar com o envelhecimento da população e um crescimento mais lento do número de pessoas em idade ativa.

Para alguns, a vantagem demográfica que tinham anteriormente está desaparecendo.

Rússia e China estão nesse grupo. Isso foi levado em conta nas projeções do Goldman Sachs. Jim ONeill diz que, mais recentemente, suas políticas nesta área têm sido "surpreendentemente boas".

A China está afrouxando sua política de filho único e, diz ele, "a Rússia tem tido algum sucesso no aumento da expectativa de vida com políticas muito mais inteligentes sobre o consumo de álcool."

Apesar de todos os Brics terem desacelerado nesta década, os que apresentam performance mais fracos agora são Brasil e Rússia.

Suas taxas médias de crescimento têm sido inferiores a dos Brics asiáticos o tempo todo e, neste ano, eles desaceleraram ainda mais. Para 2014 como um todo, o FMI projetou crescimento para os dois, mas muito pouco – de 0,3% para o Brasil e 0,2% para a Rússia.

Os dois números, aliás, são um bem menores do que foi previsto este ano até para a zona do euro – apesar de ela ainda estar em crise e ter sido descrita como assombrada pelo "fantasma da estagnação" por Mark Carney, do Banco da Inglaterra.

Jim ONeill ainda não acha que é o caso de tirar Brasil e Rússia do Brics – mas os últimos anos têm certamente sido uma decepção. Portanto, não é hora de abandonar os Brics.

Os países do grupo estão passando por alguns problemas, certamente. Para mudar o quadro, a China, em particular, está embarcando em uma operação audaciosa, enquanto busca uma forma diferente e, talvez, em última análise, mais sustentável de desenvolvimento econômico.

Os Brics e seu desempenho importam para o resto do mundo, mais do que importavam na virada do século – o que é, afinal, o ponto principal do conceito original.

Fonte: BBC Brasil

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O Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) anunciou mais R$ 89 milhões para execução do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) nos estados do Acre, Amapá, Ceará, Pará, Rondônia, Tocantins e Distrito Federal. Os recursos serão utilizados para compra de produtos da agricultura familiar e devem beneficiar 18,6 mil pessoas. Fonte: TV NBR

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