Condecorado em novembro com a Medalha Defesa Civil Nacional, o professor da Esalq Marcos Sorrentino afirma que a ação conservacionista deve ser feita tendo em vista tanto a defesa dos bens naturais como o benefício do ser humano.

Biólogo e pedagogo, o professor Marcos Sorrentino, do Departamento de Ciências Florestais da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) – a centenária unidade da Universidade de São Paulo (USP) instalada em Piracicaba -, foi agraciado no dia 4 de novembro de 2014, em Brasília (DF), com a Medalha Defesa Civil Nacional, uma honraria dada pelo governo federal a personalidades que tenham prestado relevantes serviços ao País em assuntos de defesa civil.

Sorrentino trilhou sua atuação profissional na área da educação ambiental. Foi docente do Departamento de Educação da Unesp, campus de Assis, e desde 1988 atua na Esalq, onde coordena o Laboratório de Educação e Política Ambiental.

Jornal da USP – Qual o significado da Medalha Defesa Civil Nacional?

Marcos Sorrentino – Durante pouco mais de um ano estive no Ministério da Educação como assessor especial para a política ambiental do Ministério. Nesse período articulei conversas com os Ministérios da Integração, da Ciência e Tecnologia e do Meio Ambiente, para que as questões referentes aos desastres naturais não ocorram apenas na instância da Defesa Civil após o desastre. O propósito é que as instâncias federais desenvolvam um trabalho educador que anteceda o desastre e possibilite que essas populações em áreas de risco estejam sintonizadas com os sistemas de alertas, com medidas de evacuação e preventivas, e possam assim minimizar os impactos e evitar a perda de vidas.

JUSP – Articulador é um traço marcante na sua maneira de agir?

Sorrentino – Ser articulador é um papel e uma missão de quem trabalha com educação. Se nós temos uma concepção de educação que não é a de depositar conteúdo na cabeça das pessoas, mas sim possibilitar que o aprendizado se instaure nas pessoas e entre elas, então o educador atua como facilitador tanto no acesso ao conteúdo quanto no fomento ao diálogo crítico, capaz de interpretar os problemas socioambientais e construir ações para a transformação desses problemas em melhores condições de vida e existenciais.

JUSP — Como ocorreu sua identificação com a esfera ambiental?

Sorrentino — Sou paulistano da zona leste, de família operária, e quando tinha 15 anos minha família se mudou para Embu das Artes. Lá descobri a importância e os benefícios que a natureza traz para a vida do ser humano. Desde então persigo a convergência da ação conservacionista em defesa dos bens naturais e as possibilidades de fazer isso em prol do ser humano.

JUSP — A educação ambiental tem em sua essência o princípio da convergência entre duas áreas do conhecimento. Essa convergência está permeada na sua formação?

Sorrentino — Sim. Já na graduação percebi que a biologia, de forma solitária, não contemplaria o comprometimento do ser humano com a dimensão conservacionista e com o que estávamos descobrindo no final da década de 1970, ainda sob vigência da ditadura. Assim, da convergência entre o campo ecológico e as questões sociais forjou-se meu agir ambientalista, tanto que ainda na década de 1970 participei do movimento em defesa da reserva de Morro Grande e da região de Caucaia do Alto, em Cotia (SP), contra a construção do aeroporto metropolitano. Em 1977 participei da criação da Associação de Proteção Ambiental de São Carlos, entidade que atua até hoje. Foi essa a forma que eu e tantos outros encontramos para atuar em prol da reconstituição da democracia no País.

JUSP — A convergência entre educação e ambientalismo ainda não está consolidada na pauta dos governos, da mídia e da comunidade científica?

Sorrentino — Em todos os campos essa convergência ainda está obnubilada, esmaecida e esquecida. A mídia aborda a questão ambiental apenas sob enfoque ecológico, emotivo ou sensacionalista e não aprofunda devidamente a conexão entre a nossa forma de organização, o modo de produção e consumo e essa degradação socioambiental que vivemos, potencializando assim os seres humanos para transformações sociais.

JUSP — O que falta para a cobertura jornalística nesse sentido?

Sorrentino — Falta abrir o espaço para o diálogo aprofundado e mostrar a relação entre a autonomia do Banco Central e a degradação socioambiental ou a relação entre o aquecimento global e o que é ensinado de biologia, de matemática na sala de aula. Faltam esses ganchos analíticos que permitam às pessoas sair da zona de conforto e compreender as causas e consequências da degradação. Falta para a mídia e para a academia. Estamos cada um na nossa caixinha, fazendo estudos aprofundados e específicos e dificilmente fomentamos o diálogo entre pesquisadores para uma compreensão ampliada dessa problemática.

JUSP — Ena esfera governamental, também ocorre esse distanciamento?

Sorrentino — O governo fica refém desse comportamento isolado entre ministérios, secretarias e diretorias, não compreendendo que a solução do problema socioambiental exige a união e diálogo de todos os atores para o planejamento e a ação estruturante de solução desses problemas.

JUSP — Entre 2003 e 2008 o senhor atuou como diretor de Educação Ambiental do Ministério do Meio Ambiente. Como contribuiu para aproximar as instâncias em prol da educação ambiental no País?

Sorrentino — Tive a oportunidade de colocar em prática a Política Nacional de Educação Ambiental, que foi aprovada em 1999, regulamentada em 2002 e implantada em junho de 2003 por um ato conjunto da então ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e do então ministro da Educação, Cristovam Buarque. As equipes dos dois ministérios trabalharam em conjunto, um fato inédito. Assim criou-se o Programa Nacional de Educação Ambiental, com subprogramas que buscavam estruturar na sociedade uma proposta denominada coletivos de educadores socioambientalistas.

JUSP — Qual o principal entrave para se consolidarem políticas de educação ambiental?

Sorrentino — A nossa leitura é que a questão ambiental, atrelada ao componente da educação, exige mudanças culturais, e estas não ocorrem com ações vagalume, que acendem e apagam, ou seja, que não têm continuidade, permanência e articulação entre os atores. Só assim economizamos recursos, criamos sinergias e possibilitamos as transformações duradouras que a temática ambiental exige.

JUSP — Como a Universidade pode consolidar políticas de educação ambiental dentro da sua realidade?

Sorrentino — Equilibrando ações de extensão, ensino, pesquisa e gestão. Agora estou diante de um desafio maravilhoso, assumido pela gestão central da Universidade, que é a formação dos 17 mil servidores da USP como educadores ambientais. Para esse desafio pretendo canalizar a minha contribuição nestes anos finais de carreira.

Fonte: Jornal da USP
Caio Albuquerque – Jornalista
Assessoria de Comunicação da Esalq

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Pesquisadores do Núcleo de Apoio à Pesquisa (NAP) em Materiais para Biossistemas (Biosmat), sediado na Faculdade de Zooctenia e Engenharia de Alimentos (FZEA) da Universidade de São Paulo (USP), em Pirassununga, desenvolveram embalagens biodegradáveis e autodesmontáveis para transporte de frutas, hortaliças e bebidas a partir de painéis produzidos com resíduos de bagaço de cana-de-açúcar e resina poliuretana à base de óleo de mamona. Além de ocuparem menos espaço e de serem uma alternativa às caixas de madeira, as embalagens biodegradáveis representam mais uma opção para reaproveitar os resíduos da indústria sucroalcooleira.

O projeto "Embalagens Biodegradáveis para Transporte de Alimentos Produzidas com Painéis de Partículas de Bagaço de Cana-de-Açúcar" obteve o segundo lugar na Olimpíada USP do Conhecimento, em 2013. "Apesar de produzidas em escala laboratorial, as embalagens apresentam potencial para ter um custo inferior ao dos materiais utilizados atualmente", destaca um dos coordenadores do trabalho, o professor Juliano Fiorelli, do Laboratório de Construção e Ambiência do Departamento de Engenharia de Biossistemas da FZEA e membro do Biosmat.

Fiorelli conta que a ideia era desenvolver uma embalagem biodegradável oriunda de resíduo agroindustrial resistente ao sol e à água. A pesquisa foi desenvolvida por um grupo de alunos dos cursos de graduação em Engenharia de Alimentos e Engenharia de Biossistemas da FZEA e de um projeto de iniciação científica, vinculado ao tema, financiado pelo Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic) do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientifico e Tecnológico (CNPq).

Óleo de mamona

Após a secagem em estufa, o bagaço de cana foi moído para obtenção de partículas de até 8 milímetros. Em seguida, misturado à resina poliuretana à base de óleo de mamona. A mistura foi colocada em molde e posteriormente em uma prensa termo-hidráulica, para dar forma e estrutura de painel. Foram realizados vários ensaios físicos e mecânicos para determinar densidade, inchamento em espessura, a absorção de água e resistência à flexão.

A partir desses painéis foram fabricados três modelos de embalagens: transporte de bebidas, transporte de frutas médias (laranja, pera e maçã) e embalagem autodesmontável para transporte de frutas pequenas (morangos e uvas). No Laboratório de Construções Rurais e Ambiência e no Laboratório de Tecnologia de Embalagens, os pesquisadores estão estudando atualmente a fabricação de outros modelos de caixas e embalagens para o setor alimentício.

O projeto contou com a colaboração do professor Holmer Salvastano Júnior, coordenador geral do Biosmat e professor do Departamento de Engenharia de Biossistemas da FZEA, e da professora Maria Tereza de Alvarenga Freire, do Departamento de Engenharia de Alimentos da FZEA. Um vídeo sobre a pesquisa está disponível no YouTube.

Participantes

A FZEA é a instituição líder do Biosmat. Pela USP, também participam pesquisadores da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) e da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), em Piracicaba, ambas da USP.

Além de professores da USP, o Biosmat conta com a participação de outras instituições brasileiras, como a Universidade Federal de Lavras (UFLA), a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), a Universidade Estadual Paulista (Unesp), a Universidade Federal do ABC (Ufabc), a Embrapa Instrumentação Agropecuária, a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ) e o Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (Cefet-MG). Além de pesquisadores de universidades do exterior, como a University of Illinois at Urbana-Champaign (EUA), a Universidad Politécnica de Valéncia (Espanha), o Instituto de Ciencias de la Construcción Eduardo Torroja (Espanha), a Universidad Central "Marta Abreu" de las Villas (Cuba) e a Universidad Nacional de Córdoba (Argentina).

Entre os dias 23 a 25 de novembro de 2014, o campus de Pirassununga sediou a 15ª Conferência Internacional sobre Materiais e tecnologias Não-Convencionais (Nocmat 2014), que neste ano teve como tema "Construção de um Desenvolvimento Sustentável". O evento reuniu dezenas de pesquisadores nacionais e internacionais que apresentaram diversos trabalhos sobre o uso de materiais alternativos.

Fonte: Jornal da USP
Valéria Dias – Jornalista
Agência USP de Notícias

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Mais nove livros irão compor a linha de títulos lançados pela Editora UFLA. O lançamento dessas obras ocorreu ontem (02/12/14), no Salão de Convenções da Universidade, com a presença de autoridades da Universidade Federal de Lavras (UFLA), representantes da Editora e autores, que apresentaram o conteúdo de suas respectivas obras.

Os novos livros, lançamentos de 2014, somam-se aos 87 títulos já lançados pela Editora UFLA. Ela é a responsável pela editoração de publicações científicas, técnicas e didáticas da Universidade.

Confira a lista dos livros que serão lançados:

Produção de Flores de Corte – Volume 2
Autoras: Patrícia Duarte de Oliveira Paiva e Elka Fabiana Aparecida Almeida

Elementos Orgânicos Fundamentais de Máquinas e Implementos Agrícolas – 2ª Edição
Autor: Gilmar Tavares

Introdução à Estatística – 2ª Edição
Autores: Marcelo Silva de Oliveira, Eduardo Bearzoti, Francisco Luiz Vilas Boas, Denismar Alves Nogueira, Luci Aparecida Nicolau e Hiel Shaddai Silva de Oliveira

Pedologia Base para a Distinção de Ambientes – 6ª Edição
Autores: Nilton Curi, Sérvulo Batista de Rezende, João Carlos Ker, Mauro Resende e Gilberto Fernandes Corrêa

Fundamentos da Avaliação de Impactos Ambientais: com estudo de caso
Autores: José Aldo Alves Pereira, Luis Antônio Coimbra Borges, Ana Carolina Maioli Barbosa e Rosângela Alves Tristão Borém.

Instalações de Bombeamento para Irrigação: Hidráulica e Consumo de Energia – 2ª Edição
Autores: Jacinto de Assunção Carvalho e Luiz Fernando Coutinho de Oliveira.

Fisiologia e Produção Vegetal — 2ª Edição
Autores: Renato Paiva e Lenaldo Muniz de Oliveira

Direito Ambiental Aspectos Introdutórios
Organizador: Pedro Ivo Ribeiro Diniz

Cultivo de Fruteiras de Clima Temperado em Regiões Subtropicais e Tropicais
Autor: Rafael Pio

Fonte: Universidade Federal de Lavras
Assessoria de Comunicação da UFLA
Mateus Lima – Jornalista

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A Universidade Federal do Pampa (Unipampa) lançou processo seletivo simplificado para 26 vagas de professor substituto, por meio do Edital nº 260/2014. Os candidatos devem fazer as inscrições até o dia 11 de dezembro de 2014, por meio de formulário eletrônico. O valor da taxa de inscrição é de R$ 50,00. O período provável para a realização do processo seletivo é de 19 de janeiro a 30 de janeiro de 2015. As vagas são para contratos de 20 horas/semana e 40 horas/semana e estão distribuídas por nove campi da instituição: Alegrete, Bagé, Dom Pedrito, Itaqui, Jaguarão, Santana do Livramento, São Borja, São Gabriel e Uruguaiana.

O candidato deve acompanhar na página de Concursos para docentes a comunicação das datas, horários e local para realização do concurso, formulário de inscrição online, Cronograma e resultados. A avaliação consistirá na prova didática, prova de títulos e entrevista. Mais detalhes sobre remuneração e funcionamento do processo seletivo podem ser consultados no edital, neste link.

Consulte, abaixo, a documentação relacionada (clique nos títulos para acessar):

Edital nº 260/2014
Resolução CONSUNI nº 64/2013
Cronograma
Programa e Bibliografia
Requerimento de Isenção de Taxa de Inscrição
Declaração Étnico Racial
Inscrições online

Fonte: Universidade Federal do Pampa

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Uma nova frente fria chega a São Paulo hoje (03/12/14) e avança pelo Sudeste do Brasil nos próximos dias. Será que o calor vai diminuir? Vai chover forte como na semana passada? A meteorologista Josélia Pegorim comenta os efeitos da nova frente fria. Fonte: TV Climatempo

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Com os problemas climáticos que estão acontecendo no planeta, cada vez mais é preciso cuidar das fontes de água. A água potável disponível é pouca e mal cuidada. Dizem os especialistas que a próxima guerra mundial será causada pela escassez deste elemento. Santa Margarida do Sul é um município gaúcho que tem problema de abastecimento. A comunidade despertou e está protegendo as fontes. Fonte: Emater/RS-Ascar

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Um grupo de organizações internacionais, dirigido pela Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol), com apoio da Organização das Nações Unidas (ONU), persegue um tipo novo e crescente de delinquente: os acusado de graves crimes ambientais, que em sua maioria escapou do longo braço da lei. A operação de alcance mundial é a primeira de seu tipo a perseguir fugitivos procurados por uma ampla gama de delitos relacionados ao ambiente.

Entre esses crimes estão desmatamento, caça ilegal e tráfico de animais declarados em perigo de extinção. A caça ilegal, sobretudo no centro da África, causou o desaparecimento de pelo menos 60% dos elefantes da região na última década.

No dia 17 de novembro de 2014, a Interpol, maior organização policial do mundo, divulgou as fotografias de nove fugitivos denunciados por esses crimes, incluindo Feisal Mohamed Ali, acusado de liderar uma rede de contrabando de marfim no Quênia, segundo o jornal Daily News, da ONU. A aliança internacional solicitou ajuda do público para obter informação que possa levar aos nove suspeitos, cujos casos foram escolhidos para a fase inicial das investigações.

"Isso envia uma forte mensagem de que os crimes ambientais não têm a ver simplesmente com um animal contra o qual disparam ilegalmente, ou com uma árvore cortada ilegalmente, e que isso tem a ver com o crime organizado e pode ter efeitos devastadores", afirmou à IPS Rob Parry-Jones, diretor de política internacional do Fundo Mundial da Natureza (WWF).

A reação da Interpol é algo que o WWF queria há tempos. " Etambém é algo que os organismos reguladores desejavam", destacou Parry-Jones. Para ele, a situação atual é um avanço em relação há alguns anos, quando o WWF e a Traffic, uma organização que vigia o tráfico de animais silvestres, começaram sua campanha para elevar o perfil político desse tipo de crime.

Com o nome de Infra-Terra, a operação internacional tem apoio do Consórcio Internacional para Combater os Crimes Contra a Vida Silvestre, que é esforço de colaboração da secretaria da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas de Fauna e Flora Silvestres (Cites), Interpol, Escritório das Nações Unidas Contra a Droga e o Crime, Banco Mundial e Organização Mundial de Aduanas.

"Esta primeira operação representa um grande passo contra as redes criminosas que atuam contra a vida silvestre", afirmou em um comunicado à imprensa Ben Janse van Rensburg, da Cites. Cada vez mais os países tratam os crimes contra a vida silvestre como um delito grave, e "vamos fazer todo o possível para localizar e deter esses criminosos, e garantir que comparecerão à justiça", ressaltou.

Nathalie Frey, do Greenpeace Internacional, disse à IPS que sua organização apoia firmemente a iniciativa da Interpol para reforçar a aplicação da lei contra os crimes ambientais. Ao dar aos criminosos ambientais um nome e um rosto, "se demonstra que as agências de aplicação da lei finalmente começam a levar crimes como desmatamento ilegal e pesca predatória tão a sério como o assassinato ou o roubo", enfatizou.

Abordar com eficácia os crimes ambientais através das fronteiras internacionais exige contextos legais que possam ser coordenados entre si, disse Parry-Jones. Se os contextos legais dos países reconhecem esses crimes como graves, com pena de prisão superior a quatro anos, então passa a reger a Convenção da ONU Contra a Criminalidade Organizada Transnacional, o que permite a cooperação policial e a assistência judicial recíproca, acrescentou.

A natureza dos crimes ilustra os vínculos com outras formas de delinquência transnacional, incluído o tráfico de pessoas e o contrabando de armas, e reforça o argumento sustentado pelo WWF e pela Traffic, de que o crime ambiental é um tema transversal e algo grave, afirmou o representante do WWF.

Por sua vez, Frey afirmou à IPS que o crime ambiental é "um grande negócio", com lucros calculados entre US$ 70 bilhões e US$ 213 bilhões por ano, quase ao lado de outras atividades criminosas, como o tráfico de drogas e o de armas. Nesse cálculo estão incluídos o desmatamento, a cação ilegal e o tráfico de uma grande variedade de animais, a pesca e a mineração ilegais e o despejo de resíduos tóxicos.

Por trás dos responsáveis imediatos, há grandes redes de atividades criminosas, e a corrupção costuma permear toda a cadeia de fornecimento de produtos valiosos como madeira ou pescado, pontuou Frey. Por exemplo, o desmatamento ilegal é moeda corrente em muitos países produtores de madeira, e é um dos principais responsáveis pelo desaparecimento de grandes extensões de florestas que abrigam espécies em perigo de extinção. "Os mercados de consumo seguem repletos de madeira ilegal, apesar das disposições que proíbem esse comércio", ressaltou.

Frey ressaltou que, de acordo com a Interpol, o desmatamento representa entre 50% e 90% das florestas nos principais países produtores tropicais. "Recebemos com grande satisfação a iniciativa da Interpol para encontrar os criminosos e acabar com a corrupção, mas é muito importante que a Cites tome mais medidas para incentivar as partes a reforçarem a aplicação da lei e os controles", acrescentou.

Frey destacou o exemplo da afrormosia, uma valiosa madeira dura tropical que é encontrada na República Democrática do Congo (RDC). Essa espécie está ameaçada e se examina requerer uma regulamentação comercial especial da Cites, mas muitas vezes se faz vista grossa nos casos de seu comércio ilegal. Os madeireiros industriais têm passe livre para cortar a afrormosia no país, embora se calcule que o corte ilegal chegue a 90%, acrescentou.

A Cites deve verificar a legalidade do comércio, mas centenas de permissões concedidas pela Convenção não têm explicação, segundo Frey. Além disso, o rastreamento não existe na RDC, apontou. Para essa ativista, ao permitir que continue o comércio de espécies que foram capturadas ou colhidas de forma ilegal, a Cites não protege as espécies em perigo de extinção, e a falta de controles e suas fraquezas servem apenas para incentivar os crimes ambientais.

Segundo o jornal Daily News, os crimes contra a vida silvestre são uma séria ameaça para a segurança, a estabilidade política, a economia, os recursos naturais e o patrimônio cultural de muitos países. A resposta necessária para abordar com eficácia essa ameaça costuma transcender a competência das agências ambientais ou dedicadas a proteger a vida silvestre, ou mesmo de um só país ou região, garantiu Frey.

Fonte: Envolverde / IPS
Thalif Deen, da IPS

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Maior consumidor mundial de agrotóxicos, o Brasil tem uma oportunidade de reduzir a aplicação de químicos na lavoura após a identificação no país, feita no ano passado, de uma praga exótica quarentenária, a Helicoverpa armigera. A opinião é do engenheiro agrônomo José Roberto Postali Parra, professor titular de Entomologia e Acarologia da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da Universidade de São Paulo (USP).

Parra realizou a apresentação especial "Controle biológico no Brasil: situação atual e perspectivas" no Simpósio Nacional de Instrumentação Agropecuária, ocorrido de 18 a 20 de novembro de 2014, em São Carlos (SP), na unidade de pesquisa em Instrumentação da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). O professor da USP também representou a Fapesp na abertura do evento.

Coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia "Semioquímicos na Agricultura", Parra destacou que o Brasil passa pelo momento mais propício para a adoção do controle biológico na lavoura, que consiste no combate a pragas agrícolas por meio de inimigos naturais como, por exemplo, insetos ou até microrganismos como fungos, bactérias, vírus e nematoides.

O INCT é financiado pela Fapesp em conjunto com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

"Chegou o momento do controle biológico no Brasil", afirmou o professor da USP, que associa essa oportunidade à identificação no país da lagarta Helicoverpa armigera, praga quarentenária que se alimenta de mais de cem tipos de culturas.

Dos algodoais do oeste da Bahia vieram alguns dos primeiros relatos da praga. Também já houve suspeita da lagarta em plantações de feijão em Goiás e no Tocantins e em outras culturas pelo Brasil.

"Como é um inseto de controle muito difícil e o uso indiscriminado de agrotóxicos no Brasil gerou uma série de desequilíbrios, o controle biológico passou a ser indispensável para o controle dessa lagarta", disse.

Trata-se de uma solução viável, mas que exigirá muita pesquisa nacional, uma vez que não é possível importar soluções prontas de outros países, de acordo com o especialista. "Nossas condições são únicas e o controle biológico deve ser desenvolvido para a nossa realidade", afirmou Parra.

Esse controle está inserido na filosofia do manejo integrado de pragas (MIP), um conjunto de medidas que visa manter a quantidade de pragas abaixo do nível de dano econômico, respeitando-se critérios econômicos, ecológicos e sociais, de acordo com o professor.

O MIP foi motivado também pelas consequências trazidas pelo uso dos agroquímicos. Parra explicou que, até a década de 1960, os inseticidas tinham uma forte participação no combate de pragas. Em 1948, o químico suíço Paul Müller chegou a ser laureado com o Nobel de Medicina pelo desenvolvimento do DDT, produto que conteve epidemias de tifo e malária ao matar seus insetos vetores. No entanto, descobriu-se que o produto é letal para pássaros e cancerígeno para humanos, o que fez com que fosse banido a partir da década de 1970.

O uso disseminado e indiscriminado de inseticidas também provocou o desenvolvimento de insetos resistentes a esses químicos. Outra consequência indesejada é a contaminação ambiental, que pode levar a problemas como a morte de abelhas, por exemplo.

"Todos esses fatores impulsionaram os trabalhos com controle biológico, que envolve áreas como taxonomia, modelos de simulação, ecologia, bioecologia, seletividade de produtos químicos e várias outras áreas", detalhou.

Biodiversidade pouco explorada

Um grande desafio para a aplicação do controle biológico no Brasil é o subaproveitamento de uma riqueza natural: a sua ampla biodiversidade. "Apesar de ser imensa, nossa biodiversidade é pouco conhecida, pouco investigada e pouco explorada", disse Parra, ressaltando que aí poderiam ser encontradas fontes naturais para o combate de pragas.

O Brasil tem dez inimigos naturais disponíveis para a utilização no campo; no mundo, são registrados cerca de 250, segundo Parra. No entanto, o número de pragas conhecidas ultrapassa 500 espécies, o que abre um imenso caminho a ser percorrido pela pesquisa.

As novas metodologias de controle biológico podem utilizar técnicas modernas como sensoriamento remoto com hiperespectrômetros, aparelhos capazes de detectar a presença de insetos na planta, mesmo que estejam sob folhas ou no interior do vegetal.

Com essa técnica, é possível calcular a quantidade de insetos na lavoura com precisão bem maior que os métodos tradicionais, como as armadilhas de feromônios, armadilhas luminosas e a amostragem de insetos por batimento de pano, que consiste em colocar um tecido branco nas entrelinhas da plantação e chacoalhar as plantas para os insetos caírem nele e serem contados.

"Isso é inviável em uma plantação de 50 mil hectares", argumentou Parra. Por isso, drones equipados com hiperespectrômetros podem mapear a quantidade e a localização dos insetos para que a ação de combate seja direcionada a esses alvos. Os drones também podem fazer uma liberação controlada de inimigos naturais de acordo com a incidência de pragas encontrada.

Essas novas tecnologias levam a outro gargalo: a sua transferência ao produtor. Técnicas modernas exigem mão de obra especializada e um serviço de extensão rural que saiba repassar esses conhecimentos, o que o professor da USP considera um grande desafio.

A logística é outro obstáculo a ser superado devido à grande extensão territorial do Brasil. "Estamos acostumados a falar sobre prazo de validade e tempo de prateleira para patógenos, mas, quando produzimos insetos, isso é mais complexo", disse. O inimigo natural deve ser lançado no campo no tempo de vida ideal, medido em dias, e seu transporte para lugares distantes tem de ser feito em câmaras frigoríficas.

Ao mesmo tempo, é preciso ter cuidado com predadores como as formigas que atacam a vespinha Trichogramma, um dos insetos mais populares no combate a pragas, inclusive à lagarta Helicoverpa armigera.

De acordo com Parra, o controle biológico será cada vez mais difundido por necessidade e pressão dos mercados. Ele narrou o caso da Espanha, maior produtor mundial de pimentão, que se viu diante da proibição do uso de inseticida nessa cultura. Por conta disso, o país foi obrigado a utilizar controle biológico.

"Estamos vivendo no Brasil um marco para o controle biológico. Se continuarmos aplicando inseticidas de maneira indiscriminada, as pragas vão aumentar. Temos necessidade do controle biológico e condições favoráveis: biodiversidade, mercado agrícola forte e massa crítica de especialistas para desenvolver a área", disse Parra.

Fonte: Agência Fapesp
Fabio Reynol – Jornalista

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