O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), por meio da Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e Cooperativismo (SDC), publicou no dia 4 de dezembro de 2014, a Instrução Normativa Nº 1, no Diário Oficial da União (DOU).

A normativa estabelece a metodologia de avaliação dos processos de certificação zootécnica para importação de bovinos, bubalinos, ovinos, caprinos e seus materiais de multiplicação.

Segundo Romero Teixeira, do Departamento de Sistemas de Produção e Sustentabilidade (DEPROS), a norma representa um avanço, possibilitando a rápida atualização dos índices de desempenho a serem utilizados como referência para avaliação de importação de Material de Multiplicação Animal (MMA) de ruminantes, "deixando o Brasil na vanguarda da seleção de material genético a ser incorporado aos rebanhos nacionais através da importação", afirma.

A partir da publicação da norma, todo material genético ou importado, seja ele animal vivo ou seus materiais multiplicação deverá comprovar, por meio de tipagem de DNA a qualificação de parentesco com seus genitores e também demonstrar o seu mérito genético para obter a certificação zootécnica e ser autorizado a ingressar no Brasil.

Para o secretário Caio Rocha, da SDC, "esta instrução normativa dará aos produtores maior garantia na aquisição de material genético, qualificando seu rebanho", afirma.

Para acessar a Instrução Normativa clique aqui.

Fonte: Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento
Assessoria de Comunicação Social do MAPA
Gustavo Chaves Lopes – Jornalista
Telefone: (61) 3218-3086

Compartilhe esta postagem nas redes sociais

Faixas "Fora, Dilma" e "Fora, comunistas" em meio a gritos de "Somos coxinhas". Assim, cerca de 500 manifestantes pediram o impeachment da presidente Dilma Rousseff no fim de semana passado, em São Paulo (SP). As manifestações de grupos de direita e esquerda têm se intensificado no país desde as eleições presidenciais. Em novembro, o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) fez uma marcha na Avenida Paulista contra o ato de eleitores anti-PT descontentes com o resultado das urnas.

Mesmo diante da divisão política expressada nas ruas, especialistas argumentam que o Brasil não vive uma polarização nos moldes de Estados Unidos e Venezuela. A divisão, afirmam, é apenas passageira.

"O país vive, na verdade, uma ressaca política depois de uma eleição muito apertada. As pessoas estão usando a palavra polarização de uma maneira bastante equivocada", avalia Timothy Power, diretor do Programa de Estudos Brasileiros da Universidade de Oxford.

Para o filósofo Paulo Eduardo Arantes, professor aposentado da Universidade de São Paulo (USP), a disputa entre PT e PSDB foi apenas eleitoral e não representa uma divisão profunda da sociedade.

"A polarização da campanha, o nós contra eles, era muito rasa. Com o tempo isso vai desaparecer com as composições que serão feitas no governo", explica ele, citando a nomeação da senadora Kátia Abreu (PMDB), ligada ao agronegócio, para o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).

Para Power, o descontentamento de uma pequena parte da população se concentra na escolha para presidente, por causa dos programas sociais criados pelos governos petistas desde 2002. "Para outros pleitos, como governos estaduais e prefeituras, o Brasil não apresenta um quadro tão polarizado", diz o brasilianista.

Nos Estados Unidos, a bipolarização partidária permeia todos os níveis da esfera política, dos estados ao Congresso, com eleições permanentemente apertadas. Apesar de no Brasil a eleição presidencial ser majoritária, o Congresso Nacional apresenta, segundo Power, uma fragmentação muito grande.

"As pessoas que estão protestando contra o PT nas ruas devem perceber que a representação do partido no Congresso é hoje menor do que em 2002", avalia. "O avanço da legenda no Brasil é um fenômeno presidencial. Não tem muito a ver com outras esferas de governo."

"Nova direita"

Arantes acredita que há uma polarização assimétrica entre uma "nova direita", surgida após as manifestações de junho de 2013, e a "esquerda oficial". "Nos protestos, apareceu uma direita social e insurgente, que foi para as ruas em grande número para se contrapor ao status quo de um ponto de vista conservador", analisa.

O filósofo argumenta que já existia no Brasil uma "direita residual", que tende a propor intervenções militares. Enquanto este é um segmento minoritário, a "nova direita" tem um maior apelo popular.

Para ele, a assimetria se deve a uma radicalização da direita, que, no entanto, não foi acompanhada pela esquerda. "Uma polarização supõe dois termos antagônicos e extremos, só que um dos polos está em falta. A esquerda institucional, de governo no Brasil, é muito moderada, muito propensa à negociação", aponta.

Arantes alerta que esse segmento não busca fazer alianças para compor maiorias, mas visa unicamente dificultar o governo do PT. "No Brasil, Jair Bolsonaro [deputado federal], por exemplo, não têm a pretensão de criar um governo de coalizão", diz. "O Brasil se aproxima do que acontece nos EUA, em que a direita existe para impedir o Obama de governar."

As redes sociais são o principal instrumento de mobilização desses grupos, segundo Power. Para o professor da Universidade de Oxford, os manifestantes que pedem o impeachment de Dilma se aproveitam da atenção midiática no período de ressaca pós-eleições. O grupo é minoritário e tem uma posição política que não é compartilhada pelos grandes partidos de oposição.

"Pedir impeachment é pura fantasia. Esse não é o mesmo cenário de 1992, quando as alegações contra Fernando Collor eram muito fortes e ele tinha pouquíssimo apoio do Congresso", considera.

Os protestos recentes representam um movimento anti-PT, "até antissistêmico, de certa forma", diz Power. Ele avalia que a facilidade de mobilização pelas redes sociais ajuda os pequenos movimentos de direita, que nunca tiveram muita penetração na sociedade. "Isso é assimétrico em relação à esquerda, que sempre teve boa capacidade de mobilização popular nos sindicatos e movimentos sociais."

Power acredita que a internet "equilibra o jogo", mas de uma maneira superficial. "Hoje, a direita acha que uma conta no Twitter vale mais do que uma CUT, por exemplo, mas não é exatamente assim. Atrás do poder de mobilização das redes sociais, a direita não conta com movimentos organizados", afirma.

Fonte: Deutsche Welle
Autoria: Karina Gomes / Marina Estarque

Compartilhe esta postagem nas redes sociais

A Fundação Universidade de Brasília (FUB) lançou, no dia 4 de dezembro de 2014, o edital de abertura do concurso público que oferece 221 vagas para cargos de nível médio, técnico e superior. As provas serão aplicadas no dia 1º de março de 2015 e o período de inscrições na seleção vai de 2 a 21 de janeiro de 2015.

Os cargos de nível intermediário oferecidos pelo certame são: assistente em administração; técnico em educação física, tecnologia da informação, eletrotécnica, geologia, mecânica, ótica, refrigeração e telecomunicações; e técnico em laboratório nas áreas de biologia, física e química. A remuneração básica prevista para as funções é de R$ 2.175,17 e o valor da inscrição no concurso é de R$ 51,77.

Para candidatos ao nível superior, são oferecidas vagas de contador, enfermeiro do trabalho, engenheiro civil, engenheiro elétrico, médico do trabalho, nutricionista e técnico desportivo (para graduados em Educação Física). A remuneração básica para o cargo é de R$ 3.666,54 e o valor da inscrição é de R$ 87,29.

Os candidatos ao cargo de assistente de administração e às funções de nível superior farão provas objetivas (conhecimentos básicos e específicos) e discursivas. Já quem se inscrever para o nível intermediário terá provas objetivas (conhecimentos básicos e específicos), acrescidas de prova de desempenho teórico-prático apenas para os cargos de técnico de laboratório (áreas: biologia, física e química) e técnico em eletrotécnica e em refrigeração.

O certame será organizado pelo Centro de Seleção e de Promoção de Eventos (Cespe) da Universidade de Brasília (UnB).

Fonte: Universidade de Brasília
Secretaria de Comunicação da UnB
Gisele Pimenta – Jornalista

Compartilhe esta postagem nas redes sociais

Apesar de o setor de carnes e produtos lácteos ser um dos principais emissores de gases de efeito estufa, os governos pouco fazem para limitar o seu impacto, diz estudo divulgado no dia 4 de dezembro de 2014 pelo Centro de Reflexão Chatham House.

"O setor da pecuária é responsável por quase 15% das emissões mundiais – quase tanto quanto é produzido por todas as viaturas, caminhões, aviões, comboios e barcos do mundo – e a ausência de estratégias internacionais ou nacionais para reduzir as suas emissões é notável", considerou Rob Bailey, um dos autores do documento divulgado pelo Centro de Reflexão Chatham House.

"Governos e grupos de ação parecem acreditar que procurar reduzir o consumo de produtos da pecuária é, no melhor cenário, um desafio muito complexo, ou, no pior, pode suscitar reações negativas" entre os consumidores, concluíram os pesquisadores.

Uma das consequências dessa ausência de ação governamental é a falta de tomada de consciência do público quanto ao impacto do setor pecuário nas alterações climáticas.

Uma sondagem online feita em 12 países, incluindo o Brasil, a China, os Estados Unidos, a França e o Reino Unido, com um mínimo de mil participantes em cada, mostrou que apenas 12% das pessoas ouvidas identificaram a carne e os produtos lácteos como uma das principais causas do aquecimento global – 64% apontaram os transportes.

A publicação do estudo ocorre quando milhares de peritos estão reunidos em Lima, no Peru, para trabalhar na proposta de acordo multilateral a ser assinado no fim de 2015 em Paris.

A comunidade internacional fixou o objetivo de conter o aquecimento do planeta em 2 graus Celsius (2ºC) em relação à era pré-industrial. Além desse patamar, os cientistas preveem impactos irreversíveis e dramáticos em muitas regiões.

No ritmo atual, o planeta evolui para um aumento da temperatura de cerca de 4ºC até o fim do século.

O estudo está disponível no site do Chatham House (arquivo PDF – em inglês).

Fonte: Agência Brasil

Com informações da Agência Lusa

Compartilhe esta postagem nas redes sociais

Desde o dia 5 de dezembro de 2014, o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) vai atestar a origem dos produtos feitos por índios que residam em uma das terras indígenas devidamente reconhecidas pela Fundação Nacional do Índio (Funai). Instituído por meio de portaria interministerial publicada no Diário Oficial da União (DOU), o Selo Indígenas do Brasil será concedido às peças artesanais e a produtos extrativistas indígenas.

Antiga reivindicação de comunidades indígenas que vendem parte de sua produção, o selo de origem tem o objetivo de promover a identificação de procedência étnica e territorial de produtos feitos por povos e comunidades indígenas, como estabelece uma das metas da Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental em Terras Indígenas.

O selo será concedido a produtores, cooperativas e associações de produtores indígenas que exerçam suas atividades em áreas ocupadas por suas respectivas comunidades e cujo Relatório Circunstanciado de Identificação e Delimitação de Terras Indígenas já tenha sido assinado pela presidência da Fundação Nacional do Índio e publicado no Diário Oficial da União.

Ao requisitar o selo ao Ministério do Desenvolvimento Agrário, o interessado deverá comprovar que preenche os mesmos requisitos exigidos para a obtenção do Selo de Identificação da Participação da Agricultura Familiar (Sipaf), como ter a declaração que identifica os produtores aptos a se beneficiar do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e comprovar que o produto tem em sua constituição um percentual mínimo preestabelecido de produção da agricultura familiar.

A relação completa dos documentos necessários para solicitar o selo consta da Portaria nº 7 do ministério, publicada em 13 janeiro de 2012. Além da autorização da comunidade, é necessária a declaração da Funai atestando que o produtor exerce sua atividade em terra indígena já declarada, identificada, homologada ou devidamente registrada.

O aval da comunidade indígena deverá ser confirmado pela Funai, por meio de reunião registrada em ata, contendo a lista dos produtos a serem identificados, a relação de produtores requerentes, o nome da terra indígena, assim como o da aldeia e a declaração de que os processos de produção respeitam as legislações ambiental e indigenista vigentes.

Uma vez autorizado, o requerente poderá estampar os dois selos — Sipaf e Indígenas do Brasil — em seus produtos. A identidade visual do Selo Indígenas do Brasil foi desenvolvida pela Funai com base em elementos do artesanato, da agricultura e do extrativismo tradicional dos povos indígenas, como cestaria, milho, mandioca, banana, açaí e guaraná.

Fonte: Agência Brasil
Alex Rodrigues – Repórter
Juliana Andrade – Edição

Compartilhe esta postagem nas redes sociais

A qualidade e a tradição da Cachaça de Abaíra já são antigas conhecidas de quem aprecia a aguardente brasileira. Agora, as características tão peculiares do produto serão atestadas como exclusivas da região da Chapada Diamantina, por meio do registro de indicação geográfica (IG) concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi). Esta será a primeira IG entregue a um produto da Bahia. A oficialização do registro aconteceu no dia 5 de dezembro de 2014, durante a Reunião da Câmara Técnica de Cana-de-Açúcar, realizada no Parque de Exposições de Salvador.

O reconhecimento vem coroar o trabalho da Cooperativa dos Produtores de Cana e seus Derivados da Microrregião de Abaíra (Coopama) e da Associação dos Produtores de Aguardente de Qualidade da Microrregião de Abaíra (Apama), que iniciaram, em 1998, um processo de fortalecimento da marca.

"Contamos com vários órgãos de apoio, dentre eles o Sebrae, que implantou uma estratégia de ação e nos permitiu trabalhar com gestão e resultados. Foi possível contratar consultorias e capacitações para que cada produtor tivesse a dimensão das responsabilidades e pudesse entender que o selo é uma garantia de qualidade, procedência e visibilidade", explica o presidente da Apama, Evaristo Carneiro.

A Cachaça de Abaíra oferece aroma e sabor próprios devido ao processo artesanal no qual é produzida. Além de se diferenciar das demais aguardentes, ela contribui com o desenvolvimento da região, por ser gerada na agricultura familiar. Com o IG, a expectativa é de que essa parcela de contribuição seja ainda maior.

"O produto que tem o selo é mais valorizado, tem mais procura e significa mais segurança na mesa do consumidor. Eisso é revertido numa rentabilidade maior para o produtor, desenvolvimento e valorização das áreas de produção", afirma Junael Alves de Oliveira, presidente da Coopama.

Fonte: Agência Sebrae de Notícias na Bahia
Telefone: (71) 3320-4557

Compartilhe esta postagem nas redes sociais

Por mais de dez minutos, o agricultor João Machado silenciou e emocionou representantes do governo e deputados da Comissão de Agricultura da Câmara. Aos 72 anos, Machado é um dos posseiros retirados, em janeiro de 2013, da área indígena Marãiwatsédé, no Mato Grosso, reconhecida pela Justiça Federal como propriedade dos índios da etnia Xavante.

"É minha profissão. Foi o que aprendi e não tenho mais o que fazer. Minha carteira [profissional] é de lavrador", disse no dia 4 de dezembro de 2014, durante audiência pública para discutir as consequências, medidas e atitudes tomadas no processo de desintrusão e pós-desintrusão dos moradores do Posto da Mata, distante mil quilômetros de Cuiabá, capital do Estado de Mato Grosso.

O debate foi marcado por depoimentos de ex-moradores e agricultores da região. Machado ressaltou que os agricultores reconhecem a importância da preservação e criticou a forma como a produção agrícola é considerada vilã ambiental.

"É um povo que enriqueceu o país com a ousadia do trabalho que hoje é criminoso. Decidiram chamar de agronegócio. Vocês estão vivendo hoje de um crime. O crime de trabalhar, produzir, adquirir. Eu não sei falar, mas vivemos uma época de inconsciência, falta de respeito ao ser humano. É falta de respeito e consideração a essas vidas. Estou com 72 anos, mas e os outros?", completou Machado.

Outros produtores que tiveram de deixar a região lembraram que a desintrusão atingiu pequenos, médios e grandes proprietários. Segundo eles, muitos fazendeiros de porte à época dependem hoje da distribuição de cestas básicas pelo governo do estado. Outra parte com menos condição foi selecionada para deslocamentos para um assentamento do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

"O pessoal está jogado debaixo de lona, sem água e energia", protestou Renato Teodoro, ex-presidente da Associação dos Moradores e Produtores da Agropecuária Suiá Missu, que ocupou a região desde os anos 60. Segundo ele, na época, uma comissão de moradores esteve em Brasília, com autoridades do Incra, para alertar sobre o problema que seria causado após a desintrusão. "Mas não houve nenhum ajuste ou providência. Se algo aconteceu, a culpa é dos direitos humanos", afirmou.

Para Renato Teodoro, mais de 50 pessoas morreram no local desde a retirada dos moradores de Posto da Mata. "A sensação é de abandono. Estamos pedindo clemência para o povo, e as autoridades não ouvem. Dois anos já se passaram", completou.

Vice-prefeita de Alto Boa Vista, Irene Maria Rocha dos Santos reforçou a falta de condições do local. "Somos 1,5 mil famílias e 5 mil pessoas. Dessas, apenas 12 estão assentadas no [projeto de assentamento] Casulo. Disseram que as casas sairiam até julho, mas até agora nada. Onde estão o assentamento, a casa, moradia e vida digna?", questionou.

Irene acrescentou o caso de uma família que se alimenta de restos do lixão. "[O pessoal dos] direitos humanos nunca nos procurou. Esse povo deveria participar para sentir a realidade. Das 12 pessoas que têm casa montada lá, uma estava no lixão outro dia pegando lixo e comendo coisa podre", assinalou.

O ouvidor Nacional de Direitos Humanos da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Bruno Renato Nascimento Teixeira, explicou que a ouvidoria acompanhou o processo até o deslocamento dos moradores para o assentamento. Segundo ele, não há informações sobre a atual situação.

"Se as coisas não avançaram a contento, cabe ao governo continuar acompanhando e dialogando com os senhores, porque o papel da ouvidoria é colher informações e buscar soluções. Este caso nunca foi minorizado. Temos um servidor destacado para acompanhar a discussão. Vamos continuar acompanhando", garantiu. Segundo Teixeira, uma comissão irá até o local para fazer um novo diagnóstico da situação do assentamento.

O deputado Nilson Leitão (PSDB-MT) explicou que "a ideia [da audiência] é ter a responsabilidade de construir um novo futuro, já que não é possível mudar o que passou". Leitão assegurou que não adotou o discurso de oposição, mas afirmou que o governo não assumiu postura clara em relação ao problema. "Vou propor à Casa um grupo de trabalho. Sugerimos isto para ao governo e não tivemos êxito. Vamos reunir deputados e senadores e tentar construir um novo futuro", concluiu.

O fiscal federal Paulo Alex Meneses Mendes, coordenador-geral substituto de Sustentabilidade do Ministério da Agricultura, observou que a pasta não pode atuar diretamente nesse caso. Mendes adiantou que o processo sobre a situação de ex-moradores e produtores da região está na Justiça. "Para o ministério, é uma surpresa muito desagradável. É sempre complicado e difícil deparar com tal cenário. Realmente tem coisa errada", avaliou Mendes. Ele informou que o ministério terá representantes no grupo de trabalho do Legislativo.

Diretor de Ordenamento da Estrutura Fundiária do Incra, Richard Torsiano explicou que o órgão enfrenta problemas na gestão territorial, principalmente por causa da dificuldade na aquisição de terras. Ele reconheceu que o ideal seria a desintrusão de terras ser feita apenas quando o assentamento estivesse pronto.

Criticado pelos ex moradores e produtores, que o acusaram de "enganar as pessoas" ao afirmar que o Incra faz o que é de sua competência e dentro de limitações legais e financeiras, o diretor prometeu buscar informações sobre recursos que a superintendência do órgão afirma estarem sendo liberados.

"Concretamente o que a superintendência nos apresenta é a celebração de convênio com repasse de R$ 300 mil reais para enfrentar o tema". Segundo ele, R$ 294 mil já foram liberados em créditos de R$ 3,2 mil por família. "Temos de avaliar o que está sendo considerado liberado. Teremos a resposta concreta e a levaremos para vocês". Outro compromisso será buscar informações sobre o dinheiro operado pelo Programa Minha Casa, Minha Vida Rural, para construção das casas. "A informação é que os recursos estão assinados na agência do Banco do Brasil de São Félix do Araguaia. Vamos buscar essa certeza", afirmou o diretor.

Fonte: Agência Brasil
Carolina Gonçalves – Repórter
Armando Cardoso – Edição

Compartilhe esta postagem nas redes sociais

O trabalho desenvolvido por dom Pedro Casaldáliga na região de São Félix do Araguaia (MT), onde chegou em 1968, teve impacto em diferentes áreas, entre elas a educação. De cunho crítico, a formação incentivada pelo bispo emérito no início da década de 1970 foi fundamental para a resistência e permanência das famílias de camponeses e indígenas na região, em contraposição aos latifundiários que começavam a ocupar as terras.

Secretário da coordenação nacional da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Antônio Canuto foi colega de trabalho do bispo e conta que, nos anos 70, as escolas locais formavam alunos apenas até o antigo quarto ano primário.

Para mudar essa realidade, dom Pedro procurou o auxílio de um grupo de jovens que tinham saído recentemente do seminário. "Em 1970, foram quatro pessoas [para São Félix do Araguaia]. Em 1971 foi mais um grupo, em 72, outro. Eu fui definitivamente para o Araguaia em 1972."

De acordo com a professora aposentada Maria de Lourdes Marinho, a educação proposta por dom Pedro fazia com que as pessoas refletissem sobre sua condição. "Fazia as pessoas compreenderem, tipo a educação do Paulo Freire, que não dava o peixe, ensinava a pescar. Era uma educação voltada para os problemas sociais, para as pessoas acordarem, não ficarem sendo dominadas pelos grandes", destaca.

O secretário da CPT conta que o bispo montou equipes que faziam trabalhos não apenas na cidade, mas também em outros locais da região. A formação de professores também era prioridade. "Eles formavam professor no segundo grau [atual ensino médio] porque os professores que existiam ali tinham até o quarto ano", completa Canuto.

Erotildes Milhomem conta, com orgulho, que fez parte da primeira turma de professores a receber formação. "Durante o dia, a gente era professor e, à noite, estudava no ginásio para fazer o primeiro grau." As aulas eram dadas pelos padres, freiras e leigos que foram para a região. O resultado do esforço refletiu também na vida dos alunos. "Foi muito melhor porque a gente entendia mais", garante Erotildes.

A formação crítica de algumas camadas da população, entretanto, não agradava ao governo militar que chegou a desativar o Ginásio Estadual Araguaia (GEA). "Era uma escola padrão aqui na região. [O ginásio] Foi tido como subversivo, os professores foram todos maltratados, alguns foram algemados. Teve essa história de terror", conta Lourdes. "Mas dom Pedro nunca deixou de falar a verdade, nunca baixou a cabeça, nunca teve medo."

Hoje, o legado de luta de dom Pedro pela educação tem o reconhecimento de quem viveu de perto a repressão por parte dos militares. Para Maria de Lourdes, a coragem do bispo para que a educação chegasse aos povos da região e para enfrentar dificuldades é um exemplo para a população. "Ele nunca teve medo de nada. Podia estar o maior auê, que iam sequestrar, matar e ele estava na casa dele, com a porta toda aberta. Ele sempre falou que as causas dele valiam mais que a vida."

A história de dom Pedro Casaldáliga pode ser conferida no filme Descalço sobre a Terra Vermelha (assista o triler abaixo) que será exibido pela TV Brasil nos dias 13, 20 e 27 dezembro, sempre às 21h30 (horário de Brasília). A obra, baseada no livro de mesmo nome do escritor Francesc Escribano, é uma coprodução da TV Brasil com mais duas emissoras públicas, a espanhola TVE e a catalã TVC. Fonte: Agência Brasil
Michèlle Canes – Enviada Especial
Lílian Beraldo – Edição

Compartilhe esta postagem nas redes sociais

O Ministério da Saúde e a Vigilância Epidemiológica do Piauí estão concluindo a investigação do que pode ser o primeiro caso de febre do Nilo no Brasil. Exames iniciais, feitos em outubro de 2014, indicaram que um agricultor de 52 anos, do município de Aroeiras do Itaim, no Piauí, tem o vírus, e os órgãos de Saúde estão recolhendo material de animais, na região, para avaliar a situação.

De acordo com o neurologista Marcelo Adriano Vieira, do Instituto de Doenças Tropicais Natan Portela, de Teresina (PI), o caso ainda é considerado provável, pois protocolos internacionais indicam que devem ser feitos dois exames. Por isso, aguardam o resultado do segundo exame, feito pelo Instituto Evandro Chagas, no Pará, que será divulgado hoje (08/12/14), pelo Ministério da Saúde.

Segundo Vieira, provavelmente um mosquito foi infectado ao picar algum pássaro silvestre vindo de regiões endêmicas da África ou Ásia Ocidental. As aves migratórias, que de tempos em tempos, trocam o frio do Hemisfério Norte pelo calor do Hemisfério Sul, são o principal reservatório do vírus identificado em Uganda, em 1937, que causa febre, dor de cabeça e, eventualmente, até problemas neurológicos.

Vieira explica que só as aves transmitem a doença para o mosquito, e este retransmite para pessoas, animais e outras aves. "Se o mosquito picar outras aves, o ciclo se perpetua; se picar uma pessoa ou um equino, por exemplo, a doença para ali, porque são hospedeiros definitivos", disse ele, lembrando que o vírus já foi identificado em dois frangos.

De acordo com o neurologista, em 75% dos casos de contaminação humana pelo vírus da febre do Nilo, o organismo o elimina e a pessoa não sente nenhum sintoma. Em 24% dos casos, os sintomas são semelhantes aos da dengue (febre, dor de cabeça e no corpo). Só em 1% dos casos há comprometimento neurológico, com perda de movimentos, mas esse sintoma pode ser revertido.

Em agosto, o agricultor piauiense sentiu dormência, dor de cabeça, náuseas e, em seguida, teve a sensação de perda de forças, até culminar com a paralisação de todos os movimentos do corpo – só mexia a cabeça. Ele já recuperou o movimento dos braços e das pernas, mas ainda não tem forças para ficar em pé. Segundo Vieira, o paciente já está em casa e tem chances de voltar a andar.

Fonte: Agência Brasil
Aline Leal – Repórter
Stênio Ribeiro – Edição

Compartilhe esta postagem nas redes sociais